Lições gregas

A possibilidade de vitória da esquerda nas eleições gregas tem motivado as mais aviltantes acções da oligarquia europeia. Depois da imperial retenção das transferências acordadas, sucederam-se as declarações de ameaça ao povo grego proferidas pelos mais altos responsáveis da política europeia.
Durão Barroso, a figura máxima desta oligarquia pouco dada a eleições, afirmou que a Grécia devia respeitar as outras dezasseis democracias da Zona Euro, como se a maioria dos povos da Europa tivesse sido chamado a opinar sobre a situação grega, sobre o euro ou sobre o Tratado de Lisboa.
Neste momento, a escalada no tom de ameaça não nos permite afirmar com toda a segurança que não será inventado um estado de excepção para impedir o povo grego de exercer o seu direito de voto em liberdade.
Todos os artifícios anti-democráticos com que os partidos da troika foram armadilhando o sistema eleitoral grego (os 50 deputados para o partido vencedor ou o limite mínimo de percentagem eleitoral para os pequenos partidos poderem entrar no parlamento) poderão não chegar para que se perpetuem no poder.
Esta é a declinação óbvia de uma Europa que se erigiu à margem da decisão popular. Um dos instrumentos da democracia são as eleições – é bom não esquecer que existem outros igualmente importantes como a liberdade de escolha, o acesso à informação, cultura e educação ou a igualdade de direitos na saúde e na justiça.
Em democracia deve-se poder escolher entre caminhos diferentes, paralelos ou opostos. Em democracia não se escolhe pessoas decide-se políticas. Em democracia não há inevitáveis.

Hoje no i

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