Uma esquerda comprometida

É preciso unir forças. Somar gentes que se oponham à política da troika e que sejam intransigentes nesse combate. Juntar partidos, movimentos e cidadãos que não se reconheçam no capitalismo. Construir uma esquerda com a ambição de vencer que esteja comprometida com a luta pela a igualdade.
A crise é uma máquina de liquidação dos direitos sociais e políticos da maior parte da população. Vai ser difícil a mobilização das pessoas atormentadas pelo medo, separadas pelo receio de perderem o pouco que têm.
A esquerda da igualdade tem de saber que o seu campo se edifica construindo novos sujeitos políticos que não se esgotam na política institucional. A afirmação de uma política de esquerda passa por dar poder às pessoas, fazê-las sujeitos e não espectadores da construção de uma alternativa. Não se trata de mudar a composição de um parlamento trata-se de inventar uma outra forma de fazer política. Afirmar que todos somos actores da nossa própria emancipação.
O terreno desta luta está na conquista da rua e na afirmação da intervenção radical. A massificação da rua não pode impedir a multiplicação das tomadas de posição que procurem o choque. As acções concretas devem servir para demonstrar a irracionalidade das políticas neoliberais e de pôr à vista a violência de um Estado que reprime para as aplicar. Elas devem reivindicar o princípio do olho por olho e dente por dente.
Vivemos num mundo global. Nenhuma luta é somente nacional, mas todas são feitas num local concreto.
A crise ainda agora chegou, a multiplicação das redes de activistas, o reforço das suas ligações e o aumento do número de militantes combativos são uma das premissas fundamentais para transformar a crise, num determinado momento, em crise do capitalismo.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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30 respostas a Uma esquerda comprometida

  1. Ana Paula Fitas diz:

    Excelente, Nuno… e profundamente oportuno!!!
    Um abraço.

    • roko diz:

      A crise do capitalismo é uma questão objectiva, crónica e sistémica… quanto à necessidade de mobilização e consciencialização ela passa pela rua, mas essencialmente pelo local de trabalho, onde acontece a exploração, a precariedade, a pressão…

      vamos a eles, construir o tempo novo, consciencializar, desmontar as falsas inevitabilidades, fortalecer a organização dos trabalhadores, lançar pontes e diálogos, rejeitar os caminhos viciados desta U.E..

      Há proposta e há soluções

  2. Ana Paula Fitas diz:

    … vou “transcrever” (com a inerente indicação da fonte, claro! :))
    … um abraço.

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    🙂

  4. Filomena Abreu Mota diz:

    Este post deveria circular por todas as esquerdas, pelos diversos núcleos de intervenção de maior ou menor dimensão. A ver se entendiam de uma vez por todas que não há donos desta ou daquela iniciativa, mas sim um combate único, com um objectivo único.
    Como diz a Ana Paula Fitas, excelente e oportuníssimo.

  5. comuna encartado diz:

    Este texto deveria ser emoldurado em todos os centros de trabalho para os comunistas todos aprenderem a não ser sectários e a rebelarem-se contra os seus patrões no partido que só querem é controlar tudo e que só apoiam iniciativas se as puderem controlar.

    A única razão pela qual não entrego o cartão é porque quero lutar internamente contra o sectarismo no partido.

    • Tiago diz:

      Dizeres que és militante do PCP como “argumento” para nos dares a mensagem que o capital repete até à exaustão só demonstra bem da tua sinceridade para mudar o que quer que seja.

      Se tens alguma réstia de seriedade ao menos indentifica-te, quando lanças esse tipo de acusações sem qualquer tipo de fundamento.

      Mas nada de anormal, o PCP é e continuará a ser, saco de pancada da direita à “esquerda”, porque lá estão muitas das pessoas que querem neste país algo de muito diferente, com um ideal, organizadas, unidas e dispostas a trabalhar (não só com belos posts na internet… mas à chuva e ao calor nas ruas, empresas, onde de facto se pode tentar desmitificar a propaganda do capital).

      Mas continua. Pessoas como tu só dão mais razão á luta pela transformação da sociedade.

      Sobre o artigo em sim só uma chamada de atenção o que temos é uma crise do capitalismo… o que não significa que seja uma crise dos capitalistas. Escuso-me de aprofundar, porque como o nível de debate está tão alto por estas bandas, vou fazer o que me sinto na obrigação de fazer para outras bandas.

  6. wolf354 diz:

    Esquerda? Preciso tanto dela como da direita, para nada. Respeito as ideologias que cada um possa querer para si desde que não me venham chatear porque eu já não estou há espera de nada há muitos anos.
    Custa-me perceber a adoração pelo 25 de Abril e figuras tipo Soares que continuam a encher os bolsos à nossa conta, a simpatia pelos sindicatos que vejo como grupos organizados de grupos específicos (greve dos aviadores da TAP? então não devem conhecer nenhum … ).

    Assim que leio sobre movimentos apolíticos de extrema radical tento imaginar o que é e como funciona um movimento apolítico de extrema radical direita e tentar compreender o que realmente faz a essência dos dois …. pormenores de diferença dão-me a sensação de estarem a brincar com palavras mas a tentar dizer o mesmo e ainda não percebi porque não aprendem a falar uns com os outros (para mim as bandeiras são para quem quiser carregar com elas, mas não contem comigo).

    • antónimo diz:

      Valia a pena que tentasse explicitar as tais convergências entre aquilo a que chama esquerda radical (reparo que não se refere aquela alegada esquerda que aqui e na Europa nos ajudou a empobrecer) e a extrema direita e os tais “pormenores de diferença”. Confesso que, sem exemplos, não vejo onde se toquem.

    • eu diz:

      ‘movimentos’ ”apoliticos”’-a sua praia deve ser em Marte,concerteza-e,o facto de não entender nada,não significa que não exista!É como o ar,p.ex.,não se vê ,mas existe!
      Pelos vistos, anda a viver bem…

  7. Luís Januário diz:

    Apoiado. Unir, somar, multiplicar. Afrontar os opressores com coragem e inteligência, para que recuem e para que os que têm medo percebam que só há liberdade no combate.
    Hoje o Público traz uma magnífica foto de Dilma, nos anos 70, a ser julgada num tribunal militar da ditadura brasileira. Ela está de cabeça levantada no meio da sala. Os verdugos escondem a cara. Dominavam tudo: torturavam, matavam, perseguiam, tinham os bancos e os tribunais, os jornais e o apoio das grandes potências. Mas escondiam a cara.

  8. MAria diz:

    opá,

    por falar nessas coisas todas das esquerdas o que aconteceu ao protagonismo que São Lázaro 94 tinha nesta tasca..?

    sobretudo quando assistimos ontem a uma dupla jogada da assembleia da casa com um folego que não é assim tão habitual: uma providência cautelar contra a decisão da CML e uma peritagem técnica ao edifício a desmontar a argumentação da Vereação da Habitação.

    abraços
    Maria

  9. Augusto diz:

    È preciso unir forças de acordo.

    Todas as lutas contam, todas as formas de mobilização contra a Troika são importantes, de acordo.

    Esta luta é internacional( como diz a palavra de ordem) de acordo.

    Agora qual é o objectivo deste novo manifesto ( partido ????) que a Ana Gomes e o Rui Tavares lançaram?

    • Carlos Guedes diz:

      Augusto, não se confunda! Apesar de merecer ser desenvolvido aqui e ali, este manifesto diz muito mais do que esse que refere! E é mais claro e diz bem ao que vem!

  10. antónimo diz:

    Este texto era então uma forma de antecipação a uma patetice http://arrastao.org/2534643.html,

    E que diferença entre os dois textos.

  11. Pingback: Gato escondido com rabo de fora: – Quem és tu Zé Gato? | cinco dias

  12. Leonardo diz:

    Espectacular Nuno!
    É tudo isto, aquilo que anseio!

  13. eu diz:

    O que é feito do Forum Social?Encheu e vazou logo?

  14. Pingback: Charada | cinco dias

  15. Vou transcrever o teu post.

    Reforço a sugestão da Filomena Mota: “Este post deveria circular por todas as esquerdas, pelos diversos núcleos de intervenção de maior ou menor dimensão. A ver se entendiam de uma vez por todas que não há donos desta ou daquela iniciativa, mas sim um combate único, com um objectivo único.”

  16. Carlos Guedes diz:

    Queres desenvolver isto ou quê?

    • Nuno Ramos de Almeida diz:

      guedes, estás-me a perguntar se quero desenvolver isto? não sei. O texto não é um manifesto é uma reflexão. Se quero discutir algumas das ideias subjacentes? Sim. Mas não com a ideia de um abaixo-assinado, mas de um borrão para discutir acções políticas. O problema é com quem. Tens alguma ideia para responder a isso?

      • Antes de saber com quem, parecer ser de discutir onde, em que espaço, considerando que este é (julgo) à discussão para o comprometimento. Em tempos idos, a Seara Nova foi, para além de um revista, um fórum permanente para o diálogo aberto e plural e teve uma acção consequente na luta contra o fascismo… Ocorreu-me. Ainda por cima está a comemorar o 90º aniversário de existência… Não sei… é uma achega, sem estar a medir nem a ponderar nada…

        A questão com quem… a seguir vem :))

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