Strange fruit

Reproduzo aqui o texto de Marcos Aurélio da Silva sobre as origens e o significado da canção Strange Fruit, abaixo magnificamente interpretada por Billie Holiday.

A canção Strange Fruit, originalmente um poema de Abel Meeropol, professor judeu do Bronx (que utilizou o pseudônimo de Lewis Allan para publicá-lo), denuncia o linchamento de negros realizado pela Klu Klux Klan no Sul dos EUA, que expunham suas vítimas enforcadas em árvores.

Grande sucesso de Billie Holiday, a canção era considerada pela fração mais reacionária da população americana como um instrumento da luta comunista – o que não é sem sentido, já que o movimento negro americano dos anos 30 (o poema é de 1936 e Billie Holiday interpretou a canção pela primeira vez em 1939) se inspirava fortemente no movimento comunista internacional e sobretudo nas conquistas da União Soviética, sendo Stalin considerado o “novo Lincoln”, conforme se pode ler em Kelley, H. Hammer and Hoe. Alabama Communists during the Great Repression (Apud Losurdo, D. Stalin: história crítica de uma lenda negra. Revan, 2011).

A música vem assinada pelo próprio Meeropol (que pediu em carta que Billie Holiday a interpretasse), Billie Holiday, Sonny Whait e Danny Mendelsohn.

Em tempo: Meeropol e sua esposa adotaram os filhos do casal Rosenberg, judeus comunistas que, submetidos a uma – ineficaz – chantagem pelo FBI, enfrentaram corajosamente a cadeira elétrica em 19 de junho de 1953. A chantagem consistia em conceder clemência aos Rosenberg em troca de que estes fizessem um apelo aos judeus de todos os países para que saíssem do movimento comunista e procurassem destruí-lo.

Há uma boa discussão no blog do Nassif sobre o tema (aqui), com muitas das cenas horríveis da época e diferentes versões para a canção.

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