Quando os tribunais rimam com repressão

Quando uma rusga invade um bairro suburbano das grandes cidades as populações são tratadas como criminosos mesmo que haja provas em contrário. Sobretudo se houver prova em contrário. E pior se algum deles pretender dizer que tem direitos. Por milagre, sempre que a polícia dispara para o ar há alguém que fica estendido no chão. A explicação para a nossa justiça não está normalmente no tiro, mas na estranha altura a que voam os pobres, os negros, os imigrantes e os radicais que andam nas ruas. O que é novo nesta violência de Estado é que ela se estendeu dos excluídos às classes médias.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Quando os tribunais rimam com repressão

  1. Nunca a obra de Louis Althusser sobre os aparelhos ideológicos e os aparelhos repressivos de Estado e a sua função na reprodução do sistema foi tão actual. Vou pensar seriamente em emigrar pois este país já não se aconselha. Deprime…

    João Martins

    • Nunca me engano,raramente tenho dúvidas-no país do filósofo do leme diz:

      Para aonde? A nova Líbia libertada e altamente avançada na Demo(s)cracia?

  2. Ricardo diz:

    Muito bom! Gostei especialmente desta passagem “Por milagre, sempre que a polícia dispara para o ar há alguém que fica estendido no chão. A explicação para a nossa justiça não está normalmente no tiro, mas na estranha altura a que voam os pobres, os negros, os imigrantes e os radicais que andam nas ruas.”

  3. Maria diz:

    Lembrou-me um cartoon de Laerte:
    shoujo-cafe.tumblr.com/post/17650010857/laerte-mostrando-porque-continua-importante

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