PCP, 1986! KKE, 2012?

RESOLUÇÃO POLÍTICA DO XI CONGRESSO EXTRAORDINÁRIO DO PCP

IV

1. O XI Congresso (extraordinário) considera que a nova situação decorrente da derrota dos candidatos democráticos na 1ª volta e da passagem à 2ª volta dos dois candidatos de direita, exige uma avaliação objectiva e rigorosa das consequências da agora inevitável eleição de um deles para Presidente da República.

2. O XI Congresso (extraordinário) mantém inteiramente a caracterização da candidatura de Mário Soares feita pelo Partido: uma candidatura de direita, tanto pela actuação e a responsabilidade directa de Mário Soares (sempre aliado à reacção e coligado com ela) na política e nas ofensivas da reacção nos últimos dez anos e nos seus desastrosos resultados para os trabalhadores, para o povo e o País, como pelo programa que, como candidato à Presidência da República, expôs à opinião pública e no qual insiste.
Tal actuação e tal política continuarão a ser firmemente combatidas pelos comunistas, pelos trabalhadores, pelas massas populares, pelos democratas e patriotas portugueses.
Os comunistas, que, em plena consciência, apoiaram a candidatura de Zenha, como uma candidatura da democracia cuja vitória consolidaria o regime democrático e abriria novas e favoráveis perspectivas para uma alternativa democrática, não apoiam Mário Soares, nem a sua candidatura, nem as suas propostas.
O XI Congresso (extraordinário) insiste em que os comunistas não têm nem alimentam quaisquer ilusões acerca de M. Soares, das suas concepções e da sua prática política. Têm plena consciência de que, com a eleição de qualquer dos dois candidatos de direita, a defesa da democracia e a solução dos problemas do povo e do País dependerá ainda mais da luta dos trabalhadores, do povo, dos democratas.

3. O XI Congresso (extraordinário) considera entretanto ser conclusão irrecusável que o maior perigo no actual momento decorre da dinâmica ultra-reaccionária, fascizante e agressiva da candidatura de Freitas do Amaral e da possibilidade de este ser eleito Presidente da República.
O XI Congresso (extraordinário) sublinha a extrema gravidade de tal perigo evidente em dois aspectos fundamentais:
Por um lado o facto de as altas funções, poderes e competências do Presidente da República poderem vir a ser exercidas por um político cúja prática e programa é do revanchismo do 24 de Abril.
Por outro lado, o facto de que, neste preciso momento da vida nacional, existe um governo do PSD tendo como primeiro-ministro Cavaco Silva (cuja política antipopular, antidemocrática e antinacional e cuja actuação demagógica é urgente desmascarar e combater) que está aliado e conluiado com Freitas do Amaral num mesmo plano de subversão e destruição do regime democrático.
Dispondo desses dois órgãos de soberania — Presidente da República e Governo — e da possibilidade de dissolução da Assembleia da República, as forças reaccionárias estariam em condições, não só de tentar intensificar a curto prazo a ofensiva contra as conquistas de Abril, como de tentar desferir golpes mortais à democracia portuguesa. É isso que pretendem e preparam.
O perigo é real. O supremo dever dos democratas é tudo fazer para conjurar essa ameaça.

4. O XI Congresso (extraordinário) considera erradas e perigosas as opiniões que advogam vantagens para a unidade dos democratas de uma eventual vitória de Freitas do Amaral. A unidade dos democratas que defendemos e desejamos não é para lutar pelas liberdades depois delas perdidas, mas para impedir que as liberdades se percam.

Não é para lutar pela democracia, depois dela liquidada, mas para impedir que o seja.

[Resolução completa disponível aqui. Os destaques são meus.]

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32 respostas a PCP, 1986! KKE, 2012?

  1. Nuno Rodrigues diz:

    A mania de comparar processos distintos, em alturas diferentes, em contextos diversos, só podia dar asneira. Da grossa. Uma coisa é pedir um voto contra o Freitas do Amaral. Não pressupunha nenhuma aliança a Mário Soares.

    Outra, é a aliança por quatro anos, num governo que se cisa em peças fundamentais de foro ideológico e que não resolverá os problemas de futuro. 🙂 Simples.

    • Carlos Guedes diz:

      Reagir a uma comparação que não é nem feita nem, sequer, tentada também resulta em comentários como o seu.
      O que pretendo realçar não é nada do que refere. O que quero destacar é a forma como o PCP reagiu face à alteração substancial de uma realidade concreta. Antes da 1ª volta o PCP recusou sempre que apoiaria Soares. Com a necessidade da 2ª volta e, pese embora a consideração de que iriam estar frente-a-frente dois candidatos de Direita, a análise objectiva da situação fez com que o PCP e os seus dirigentes (com natural destaque para Cunhal) assumissem a necessidade de derrotar a «dinâmica ultra-reaccionária, fascizante e agressiva da candidatura de Freitas do Amaral!
      Não acha que na Grécia temos qualquer coisa de semelhante? A honestidade pré-eleitoral do KKE, sendo muito louvável porque demonstra seriedade para com os eleitores, sofre de um sério problema. É que está a condicionar por completo a acção que se exige com a substancial alteração da realidade que representa a perda de 3,3 milhões de eleitores por parte dos partidos da austeridade. Não entender esta deslocação como um SINAL CLARO da vontade de mudança política de um povo e colocar-se à margem do processo poderá ter consequências desastrosas. E acredite que não me refiro apenas à Grécia quando lhe falo das consequências!

  2. rfl diz:

    Sei que há o cinzento.
    Mas não sei comparar o preto com o branco.

    • Carlos Guedes diz:

      Volte depois de conseguir libertar-se desses tiques pavlovianos e tente novamente.

      • rfl diz:

        Pois.
        É distinguir entre a realidade e os vários tons do seu reflexo.
        Entendi.
        Desculpe incomodar.

        • Carlos Guedes diz:

          Não incomoda. De todo. Mas gostava que contribuísse para a reflexão com um pouco mais de… conteúdo. Da troca de opiniões é raro que saia alguém a perder.

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    Carlos, há um pequeno problema na questão grega. Os votos não chegam. Syriza e KKE não formam uma maioria. E de qualquer forma, segundo a RTP, o Syriza fez uma proposta ao PASOK e ND. Aguardemos.

    • miguel serras pereira diz:

      Sim, Tiago, é verdade: os votos não chegam, mas daí não se conclui que o KKE fosse obrigado a rejeitar um encontro com o Syriza, nem que estivesse impedido de explicar onde e porquê as condições do Syriza são inaceitáveis como plataforma de acção. Do mesmo modo, tendo sido, por imperativo constitucional, o Syriza incumbido de tentar formar governo, é natural e razoável que apresente aos outros partidos as suas condições, antecipando embora que estes não as aceitarão, e mantendo como não-negociáveis os pontos que declarou inegociáveis. A ND também propôs ao Syriza as suas condições, sabendo que este as recusaria, e, precisamente, para o comprometer com essa recusa, o acusar de lançar o caos, etc. Assim, apresentar o seu programa de governo ao PASOK e à ND é, da parte do Syriza, um comportamento adequado: obrigá-los-á a reiterarem as suas posições de apoio à troika, “encostando-os à parede”, etc., etc. Não vejo que outras ilações se possam extrair da notícia da RTP.

      msp

    • Grevista diz:

      Tiago, o Carlos Guedes sabe-o. Foi ele quem escreveu neste mesmo blogue o seguinte parágrafo:

      “Os três partidos de Esquerda (Syriza, KKE e Dimokratiki Aristera) elegeram 97 deputados. É curto. Demasiado curto para um parlamento que precisa de 151 para obter uma maioria. Nem com os 41 do PASOK é possível lá chegar.”

      Trata-se portanto, neste momento, da necessidade de perpetuar uma linha de argumentação que não encontra correspondência na realidade, e que é ilustrada com exemplos deslocados do contexto da Grécia de 2012, não atendendo à situação específica da correlação de forças grega.

      Força, Carlos. Continue.

  4. Vasco diz:

    Do que conheço de si, não lhe sabia tão admirador de Álvaro Cunhal e das suas (imensas e reais) qualidades políticas. Votar em Soares foi necessário – pela época que se vivia, pelos perigos que representaria a vitória de Freiras do Amaral e pela natureza das eleições. E o PCP realizou para isso um Congresso, o que vai um pouco contra aquela ideia feita e refeita do sectarismo antidemocrático que tantos (como o Carlos, como o Carlos) espalham. Isto estaria tudo muito certo se o KKE não fosse grego em 2012 e se a política viesse num qualquer livro de receitas pronto a comer… Mas não vem. É pena.

  5. Valete diz:

    O certo é que a pretexto da reflexão sobre a união das esquerdas e da denúncia de atitudes sectárias, temos assistido a uma tentativa desesperada de capitalizar os resultados eleitorais gregos num determinado sentido que, paradoxalmente, mais não faz que dividir ainda mais.

  6. xatoo diz:

    como seria de partir o côco a rir ver em Portugal o Bloco de Esquerda a convidar o PS e o PSD para formar governo – havia um lugar praticamente garantido: Francisco Louçã para Ministro das Finanças… e depois?, onde se iria encontrar ministros dos outros dois partidos que não estivessem envolvidos em processos de corrupção? impossivel

  7. estrangeiro diz:

    O KKE é um elefante. Gordo e feio, claro. Mas, tem uma memoria do caraças.

    Lembro-me em 1998 quando o KKE foi contra a entrada na zona euro e contra a realização dos Jogos Olympicos com a previsão que “daqui a 10 anos vai ser a nossa desgraça…”.
    Dizia que o euro é uma construção neoliberal. Feita para o mundo financeiro.
    O partido mãe do Syriza, na altura alinhou com o Pasok e depositaram o futuro e as esperanças do povo nas mãos dos ricos da Europa.

  8. Marco diz:

    Já que o debate entrou definitivamente no patamar da indigência argumentativa, eu cavo um bocado mais fundo.

    Alguém consegue recolher dados que neguem esta declaração do KKE:

    During the local elections in 2011 SYRIZA allied with ND, PASOK and LAOS in Ikaria in order to prevent the election of a communist mayor (Ikaria is an island in Eastern Aegean where the KKE receives many votes due to the fact that communists used to be exiled in the Island. In the last elections in 2010 the communist candidate received 43,9% and was defeated by the candidate who was supported by all the other political forces).

    http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-04-10-synentefxi/

    É que a ser correcta, a dicotomia SYRIZA-bonzinhos-em-busca-da-unidade/KKE-mauzões-estalinistas-sectários, começa a ganhar matizes preocupantes.

    • Vasco diz:

      Isso é tão típico – aliança anticomunista acima de tudo e o resto logo se vê. Cá é igual – vide sindicatos, CT’s e afins… Mas depois choram, queixam-se do sectarismo dos comunistas e o pensamento único faz o resto…

  9. Rocha diz:

    A histeria com que se defende um atrelamento do KKE ao SYRIZA – e não uma verdadeira negociação programática – está a baixar imenso de nível com este post.

    Não vivi este momento Soares versus Freitas dentro PCP, porque ainda era um miúdo, mas se tivesse vivido votava em branco ou em nulo. Este é um dos raros casos em que não respeitaria as decisões colectivas. De qualquer modo acho que esse episódio foi no contexto de uma deriva de direita do PCP. Felizmente o PCP já corrigiu essas parvoíces de “salvar a democracia burguesa” e entretanto radicalizou-se à esquerda.

    Este post nem merecia resposta porque é uma provocação de mau gosto, bastante ofensiva mas engana-se se pensa que pode evitar a solidariedade do PCP ao KKE, quanto mais não seja das bases do PCP que é o que realmente interessa baixando o nível do debate.

    • Leo diz:

      “Não vivi este momento Soares versus Freitas dentro PCP (…) mas se tivesse vivido votava em branco ou em nulo.”

      Se, como eu então, vivesse em Leiria, duvido muito que votasse branco ou nulo. Tenho a certeza que votaria a favor. É que por lá a coisa estava tão feia que no dia da 2ª volta o então governador-civil, quadro do PSD, determinou pôr polícias a guardar os Centros de Trabalho. Disse ele, perante os nossos protestos, que assumia a defesa dos comunistas porque não queria que se repetisse os assaltos a Centros de Trabalho nem queria mais vítimas.

      E todos os cartazes do Soares na 2ª volta foram colados pelos que antes andaram a colar os do Zenha. É que por lá, o medo era mesmo muito…

    • vítor dias diz:

      Está tudo explicado. É o próprio Rocha que conta que «Não vivi este momento Soares versus Freitas dentro PCP, porque ainda era um miúdo».

      Quem, como eu, o viveu ( e participou na decisão) e não tem tendência para rever a história e olhar o passado pelos de hoje não só não deve estar nada arrependido como deve ter orgulho dessa lúcida e corajosa decisão do PCP.

  10. Augusto diz:

    Felizmente que apesar de tudo há muitas diferenças entre o PCP e o KKE.

    O PCP dialoga com o BE normal e naturalmente.

    O KKE recusa DIALOGAR com o Syriza.

    Numa situação como a Grega o PCP seria parte da resolução do problema, o KKE é ele parte do problema.

    O Syriza está a demonstrar aos Gregos que a esquerda pode ser alternativa, e com propostas, é por isso ainda mais inexplicável o sectarismo do KKE.

    Aliás se só a luta de massas e a luta de rua pode levar á vitória, em coerência quem defende SÒ esse tipo de alternativa , NUNCA deveria participar em eleições ” burguesas”

    Como aqueles partidos que são ferozmente anti-U.E . mas participam alegremente em eleições para o Parlamento Europeu, com o pseudo-argumento de utilizar a tribuna para denunciar a U.E. POIS……

    Coerência precisa-se

    • Leo diz:

      “O KKE recusa DIALOGAR com o Syriza.” ?

      O KKE recusou os encontros propostos pela ND, Syriza e PASOK. E explicou porquê. O Syriza aceitou ter dois encontros com a ND e outros dois com o PASOK e não se percebe para quê.

  11. Carlos Marques diz:

    Tiago,
    o SYRIZA não fez nenhuma proposta ao PASOK e ao ND, simplesmente reuniu com eles depois de ter reunido com as forças de esquerda.

    E já agora, o problema do KKE não é a inexistência de maioria, esse argumento é novo. E facilmente resolúvel com uma candidatura unitária para as eleições em Junho, coisa que rejeitam. Basta dar uma vistinha de olhos no site internacional do PC grego e repara-se logo na excitante vontade destes em formarem um governo de esquerda anti-troika: SYRIZA : (alliance of opportunist forces and forces from PASOK); http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-05-09-aristeri-kyvernisi ; http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-05-08-cc-statement . E já agora, a entrevista dada por Aleka Papariga que foi traduzida pelo Diário.info já dava para adivinhar a vontade unitária que o PC grego tinha: http://www.odiario.info/?p=2338

    Veremos como correrá a “segunda volta”. O que é certo que mais uma vez o KKE não quererá fazer parte da solução, por mais histórico e excecional seja o momento.

  12. João diz:

    Ora aqui está uma das principais razões que me fazem, enquanto militante comunista que reconhece e honra o heroísmo e a importância ímpar de Cunhal na luta antifascista e na reorganização do Partido, dizer, não raro, que é preciso que o Partido se liberte definitivamente do «efeito Cunhal» na relação com a esquerda reformista. Essa é inimiga e acabou.

  13. Martelo diz:

    Que momento histórico e excepcional?

    A comparação aqui feita é ridícula, e falar em desvio de direita do PCP na tomada de posição, ou mesmo comparações relativamente à questão Freitas-Soares é absurdo! Numa decisão presidencial, a abstenção é favorecer os mais votados, neste caso seria Freitas do Amaral, o que seria uma situação ainda pior que Mário Soares. Alguém tem dúvida disso?

    Sinceramente já começa a chatear um pouco todos esses comentários relativamente à “esquerda”. O KKE por exemplo de outros países onde houve coligações de “esquerda” (exemplo França). Terá as suas razões obviamente.
    O SYRIZA não fez proposta alguma ao bloco central, mas aguardemos para ver…

    • Martelo diz:

      *O KKE TEM como exemplo outros países onde houve coligações de “esquerda” (exemplo França).

      desculpem a grelha.

  14. Pingback: A memória pariu um rato? | cinco dias

  15. CausasPerdidas diz:

    Em 1986, alicerçada nas vitórias de Cavaco, a dinâmica restauracionista da Direita podia ser muito mais agravada com a eleição de Freitas do Amaral – o tal velho sonho carneirista de “uma maioria, um governo e um presidente”.
    O PCP percebeu o perigo da situação, aliás tal como o resto da Esquerda, da UDP ao PSR. E perceberam bem. Entenderam que, num contexto de maiorias parlamentares de Direita, a eleição de Mário Soares inseriria um factor de contradição política e confrontação institucional na governação. Isto é, independentemente de Mário Soares ter representado a normalidade democrático-burguesa que tentou liquidar a Revolução, o confronto do programa “social” mínimo do seu partido com a revanche da Direita seria algo útil a quem põe os olhos mais longe. Num contexto de Derrota, sublinho.
    O que é um facto, é que apesar dos sucessivos recuos por parte do PS em defender o “seu ” Estado Social”, e da liderança deste partido nunca se ter afirmado numa linha social-democrática clássica, mas cada vez mais social-liberal… apesar disso, dizia eu, só há cerca de um ano, é que conquistas sociais consequências da Revolução viram os seus alicerces fortemente abalados ou destruídos.
    A ideia do Ensino e da uma Saúde para todos, apesar de maltratadas pelas sucessivas governações “oligarquistas” (chamar “liberal” a um partido rentista e clientelista do Estado, como o PSD, é algo impreciso) e social-liberais (PS) conseguiu subsistir… Até o sonho carneirista se ter concretizado.
    Até há bem pouco tempo, meus caros. 38 anos, foi o que durou.
    O que me leva ao início. Se foi correcto (eu considero que sim) votar Mário Soares em 1986, porque é que não foi fazê-lo em Manuel Alegre nas últimas presidenciais? Pois é.
    Agora, com a maioria de Direita temos um Cavaco presidente que é a cereja sobre o bolo da revanche da oligarquia.
    Perguntei na altura: alguém que justificou o voto em Soares em 1986 pode ficar contente com a possibilidade da eleição de Cavaco, tendo em conta a previsível vitória da Direita nas legislativas?
    Aos que acham que não há contradições e gostam do simplismo do “é tudo areia do mesmo saco” lembro uma coisa: os comunistas de Esquerda alemães criticaram o facto do PC alemão ter obedecido à cretina teoria do “social-fascismo” emanada de Moscovo e ter colocado no mesmo pé os nazis e os sociais-democratas. Fizeram-no sabendo que o SPD havia sido o partido que abateu Rosa de Luxemburgo e Karl Liebknech. Mais atrás ainda, porque razão os bolcheviques defenderam “Kerensky contra Kornilov”? Por uma coisa simples: em cada momento da luta de classes defende-se a condição que melhor nos permite continuar a lutar. Sendo que o apoio a uma candidatura “estranha” se faz explicando claramente às massas porque se faz, defendo sempre a independência política da classe operária e das suas organizações. Não como o Bloco fez. E muito menos como o PCP e o seguidismo de outros (alguns deles que leram Trotsky e Lenine às avessas) não fizeram. Afirmar que é tudo igual, isso é que conduz à confusão. O resultado está a vista.

  16. Convém sempre ler as fontes antes de se pronunciar.
    Grécia: Uma primeira avaliação do resultado das eleições de 6 de Maio de 2012 – http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1381113.html. (em português).
    (…) 7. O CC avalia que o resultado eleitoral deu-se nas condições de cólera e indignação geral do povo, nas condições de uma aguda e prolongada crise capitalista e enquanto a UE, com o acordo do PASOK e da ND, optavam pelo caminho clássico e típico de saída em favor do capital e dos monopólios: bancarrota descontrolada para os trabalhadores e estratos populares e bancarrota controlada do capital. Os memorandos e o acordo de empréstimo incluem medidas que estão baseadas no Tratado de Maastricht, cuja implementação começou gradualmente em todos os estados membros da UE. Eles são baseados nas decisões que se seguiram e no tratado europeu que se prolonga até 2020. Por esta razão o KKE revelou o carácter falso da separação dos partidos do “caminho único UE” em partidos pró memorando e anti-memorando.
    (…) O KKE avalia os resultados e tendências da eleição tendo como critério as condições objectivas, ele não determina a sua posição com base na força eleitoral ou na contracção eleitoral dos outros partidos políticos.
    (…) O KK não apoiará qualquer governo, não importa qual a sua composição, que emerja da colaboração pós eleitoral dos partidos, seja qual for o título que possam ter. Este governo não proporcionará nada de positivo para o povo. Ao contrário, responderá às necessidades e interesses do capital, às opções da UE e do FMI. Para o KKE concordar em participar de um governo, o partido não teria de efectuar simplesmente um pequeno recuo, mas teria de virar seu programa e linha política de cabeça para baixo e efectuar compromissos inaceitáveis quanto ao presente e futuro dos interesses do povo. O povo não precisa de um tal KKE.
    Chamo a particular atenção para este último parágrafo. E para o último período…

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