A via nacional(ista) de saída do euro

Estado Amplo e Estado Restrito

Ao contrário do que muitas vezes se pensa a luta de classes não é uma via de sentido único. De facto, quando os opinion-makers ao serviço do grande capital (Medinas Carreiras, Pulidos, Marcelos, etc.) papagueiam que a luta de classes acabou, na verdade o que para eles não deveria existir é a luta da classe trabalhadora. A burguesia pode fazer a “luta” e as ofensivas contra os trabalhadores que quiser, com a grande vantagem de as suas políticas não serem reconhecidas enquanto o resultado de uma ofensiva dessa classe mas como se fossem uma pura inevitabilidade. Portanto, os cenários colocados em cima da mesa em cada contexto pelos meios de comunicação social são, invariavelmente, os que a burguesia formula como desejáveis ou indesejáveis.

Posto isto, as alternativas que têm sido colocadas em Portugal face à actual crise no capitalismo (que não é o mesmo de uma crise do capitalismo) têm sido fundamentalmente duas: a) ou o caminho da austeridade que tem vindo a ser concretizado dentro do quadro do euro; b) ou, simplesmente, a saída do euro. Vou focar sobretudo a questão da saída do euro. Algumas organizações e algumas personalidades de esquerda têm apontado esta última via como a solução a empreender logo que possível para romper com a austeridade neoliberal. Mas será a saída do euro possível e desejável?

 

A economia política da saída do euro

Do que tenho lido sobre o assunto, a saída do euro não é desejável a breve trecho. Que não restem dúvidas, a UE é uma construção imperialista tal como o sistema de poder sediado nos EUA, com a diferença de ser o nº2… Por isso, se a primeira via que apontei acima – o prosseguimento do neoliberalismo – é a linha política hegemónica (e neoliberal) do grande capital (e, portanto, deve ser rejeitada) será que a via da saída unilateral do euro é a via desejável para a esquerda? Temo que não e apresenta perigos imprevisíveis. E digo isto baseado em dois argumentos fundamentais. Em primeiro lugar, porque o esfrangalhamento da UE num conjunto de estados transporta consigo o risco do nacionalismo. E, em segundo lugar, porque ainda não vi argumentos sólidos sobre como um país pode sobreviver num tal quadro político e económico. Vou desenvolver este segundo argumento, até porque a questão do “risco do nacionalismo” é uma decorrência deste. Quer isto dizer que devo desde já dizer que é até paradoxal a defesa de uma saída restrita ao espaço nacional quando a economia capitalista é tudo menos nacionalizada nos dias de hoje… Aliás, chega a ser surpreendente como há uma muito maior preocupação dos defensores desta via com aspectos políticos em desuso do que com a real dinâmica da economia. De facto, tem-se assistido a muito mais críticas ao dito “poder alemão”, ao eixo “franco-alemão”, ao (entretanto falecido) casal Merkozy, à Regeneração Fontista, perdão, Hollandista, do que, por exemplo, às instituições fundamentais e com real poder de decisão no capitalismo actual: as empresas transnacionais e as entidades financeiras transnacionais (FMI, BCE, Banco de Pagamentos Internacionais, etc.). É certo que existem críticas ao FMI, mas o enfoque tem sido muito mais no ângulo nacional do que no ângulo socioeconómico (por exemplo, a crítica ao FMI é muito mais direccionada para a retirada de soberania nacional do que para o seu papel económico de regulação internacional da economia capitalista).

 

O capitalismo é transnacional

Do meu ponto de vista, o afã nacional(ista) em querer cortar países periféricos do euro não responde a questões fundamentais. Com a saída do euro, dizem, a moeda desvalorizava o que, para efeitos de competitividade, facilitaria as exportações, logo, relançar-se-ia a economia. Este é, de modo muito simples e sucinto, o argumento central dos defensores da saída (logo que possível) do euro. Todavia, este raciocínio, parte do ponto de chegada e inverte os termos da equação. É inquestionável que a cotação do euro dificulta as exportações portuguesas. Mas quando existia o escudo não se pode dizer que a performance económica portuguesa fosse propriamente melhor ou sequer diferente do ponto de vista qualitativo. A montante desta questão está a organização do aparelho produtivo localizado em território português. E a este propósito, qualquer observador de esquerda facilmente constata a sua desarticulação profunda dos anos 80 em diante e a inexistência de uma aposta em sectores tecnologicamente avançados. Por conseguinte, em caso de saída voluntária do euro como reconstituir o tecido produtivo – e este baseado em sectores com elevado investimento em tecnologia avançada – e como se adquiririam as matérias-primas (nomeadamente energéticas) e a maquinaria para esse propósito? É bom de lembrar que se é possível recorrer a crédito de países emergentes, é bom lembrar-se com ainda maior nitidez que a moeda desvalorizada funciona para os dois lados. Por isso, o recurso a crédito de países como a China teria de ser realizado maioritariamente em dólares e o recurso a crédito para reerguer uma base produtiva não deixaria de endividar o Estado. Pode-se obstar que um país emergente (China, Rússia, Brasil, etc.) poderia investir em Portugal, mas seria esse investimento suficiente? Qual o interesse de um país como a China transformar Portugal num Cantão europeu, se têm investimentos próprios e com muito menos custos, com transferências tecnológicas de alta densidade e com forte investimento estrangeiro directo nas suas Zonas Económicas Especiais? Porque a China e os restantes países emergentes investiriam fortemente em Portugal quando os seus investimentos têm crescido precisamente entre as economias dos BRIC? E, para finalizar o rol das questões sem resposta, a dependência do capitalismo português em relação à burguesia alemã que controla o euro seria transformada numa nova dependência relativamente às transnacionais chinesas.

 

Ao mesmo tempo, uma reconfiguração radical do aparelho produtivo só é possível na decorrência de uma dinâmica fortíssima da classe trabalhadora numa situação revolucionária. Mas como este não é o caso, uma tal dinâmica levaria imenso tempo a ocorrer, desde o incremento em % do PIB em actividades de I&D e em formação técnica e científica a um público muito mais alargado, até à própria incerteza da conjuntura económica a curto/médio prazo, factor não despiciendo para que Portugal pudesse utilizar as exportações no quadro do escudo. Com a agravante de que a saída de um, dois ou três países do euro levariam os estados europeus mais desenvolvidos a enveredar por um proteccionismo relativamente aos países periféricos e, em simultâneo, as perspectivas de instabilidade económica europeia aumentariam. Mesmo que a China, o maior detentor mundial de dólares e euros, financiasse projectos de reconstrução económica em Portugal, importa ter em mente dois aspectos. Em primeiro lugar, esse financiamento naturalmente depende da concessão de um novo empréstimo… Em euros ou em dólares, mas com juros, mesmo que inferiores aos praticados pelo BCE. Em segundo lugar, mesmo que esse conjunto de empréstimos ocorresse com um juro baixo, no capitalismo quem detém o poder de conceder crédito acaba por determinar a condução da política económica. Se tal ajuda financeira sucedesse nestes moldes, mais cedo do que tarde, o projecto de (busca de) uma autonomia nacional cederia o lugar a uma filial europeia. Então em que ficamos? Apesar de ser economicamente impraticável, o nacionalismo é, acima de tudo, uma realidade ideológica.

 

Seria possível à esquerda conduzir um processo político autónomo (e isolado)?

A juntar a tudo isto, importa ver que mesmo que a saída do euro se processasse por intermédio de forças de esquerda, esta via não parece colher apoios significativos junto da classe trabalhadora. Não que a alternativa colocada à classe trabalhadora seja propriamente a UE, mas a via nacional também não o é. Cabe ainda perguntar aos apoiantes da via nacional(ista) de esquerda como seria possível que um país como a Grécia, cercado a norte pelo nacionalismo pró-fascista das ex-repúblicas jugoslavas, a oeste pela Itália, a leste pela Turquia e com bases militares norte-americanas (incluindo os sionistas de Israel) por todo o lado, se acham mesmo que um encerramento de um eventual processo revolucionário num só país teria hipóteses de vingar… No contexto da Guerra Fria, Kissinger, referindo-se ao eurocomunista PCI, avisou que um Partido Comunista não podia ocupar um lugar no governo num país ocidental sob pena de se aplicar um castigo exemplar. A Operação Gládio encarregou-se de avisar os incautos. Não me parece que, nos dias de hoje, o imperialismo americano ou alemão permitisse muito tempo de vida a quem tentasse enveredar por uma via nacional(ista) de esquerda.

 

Com o actual estado de fragmentação da classe trabalhadora europeia, uma via nacional(ista) de esquerda poderia vir a pagar caro o isolacionismo

Longa vida tem o nacionalismo…

Com efeito, não me parecem existir muitas possibilidades práticas e materiais de aplicabilidade de uma via nacional/desenvolvimentista, mais ainda porque ela actuaria em países periféricos. Em simultâneo, importa considerar o terreno concreto de sustentação teórica dessa via. E, vendo bem as coisas, parece-me que há nesses juízos um deslocamento do terreno da (luta contra a) exploração capitalista para o terreno da defesa da nação e da soberania. Como afirmei no início, tal postura centra o debate e a acção política num eixo que pouco ou nada toca no capitalismo. E como expus acima, na melhor das hipóteses, a dívida às instituições financeiras ocidentais seria substituída por uma possível nova dívida a credores dos países emergentes.

 

E aqui chego a um ponto que me parece crucial. A luta pela saída do euro não conduz necessariamente a um repúdio da dívida pública. Mesmo um país que seguisse a via nacional(ista) cancelasse a dívida aos credores internacionais, importa não esquecer que a burguesia tem todos os defeitos do mundo, menos a inocência. No caso de se tratar de um país periférico como Portugal ou a Grécia, muito depressa as instituições financeiras traduziriam a sua acção em represálias, bloqueando pura e simplesmente a varinha mágica das exportações. A luta contra a dívida pública e os programas de austeridade da troika deve, por isso, ser separada da via nacional(ista). Tanto assim é, porque a dívida corresponde a um mecanismo de transferência e centralização de mais-valia produzida pelos trabalhadores para as grandes transnacionais e para os mercados financeiros, logo, a luta pelo cancelamento da dívida e contra a austeridade coloca em primeiro plano a luta contra a exploração capitalista. Centrando a luta contra as medidas de aumento do horário de trabalho, contra os cortes nominais do salário e contra o encerramento ou privatização de serviços públicos e contra a sucção gigantesca de excedente económico para as mãos dos capitalistas expresso sob a forma da dívida, a esquerda anticapitalista faria muito mais pelo futuro do movimento da classe trabalhadora do que embarcar numa via muito, muito perigosa. Se alguém que se afirma anticapitalista acha que consegue competir com o nacionalismo direitista e até neo-fascista pela posse da pátria e do crescimento nacional, bem que pode ficar-se pelas intenções. Depois de levada a água ao moinho nacionalista quem ficará a moer a massa não será certamente a esquerda…

 

Federalismo e nacionalismo

Mas regressando ao tópico da luta contra a exploração, devo dizer que se a saída do euro não é solução, as políticas de austeridade e a federalização da UE também não o são. De facto, ambas as vias dependem muito mais da vontade das classes dominantes do que da classe trabalhadora. Neste momento, mesmo a saída do euro só é equacionável se o directório europeu considerar que Portugal ou a Grécia “não estão a cumprir as suas obrigações internacionais” (cito a lenga-lenga oficial de Bruxelas) ou no caso de a situação política se precipitar para aí. Por outro lado, os trabalhadores (e a esquerda anticapitalista) também não têm de defender politicamente a solução mais óbvia para a classes dominantes europeias. O grande capital transnacional tem apostado neste cavalo que, de facto, moderniza e tenta regular de forma mais eficaz os seus negócios, tanto os políticos como os económicos. Todavia, a federalização não é solução para a classe trabalhadora, na medida em que vai reforçar ainda mais o poder da burguesia no espaço europeu, tendo como única vantagem política, a contenção, até ver temporária, de nacionalismos por toda a Europa. A via nacional não seria melhor do que a federalização pois apresenta, entre outras inconsistências, o defeito maior de ser uma fuga para trás. Isto é, o potencial de eclosão de fascismos e de nacionalismos muito mais perigosos para o futuro das lutas operárias. Não é preciso muito para se perceber que a probabilidade do fascismo germinar e se propagar é muito maior no quadro de uma europa de nações “plenamente independentes”, mesmo que, hipoteticamente, uma ou duas fossem “de esquerda”… Repito novamente, o que não faz da federalização europeia uma solução desejável, mas um mal menor. Só um reparo antes de avançar para o final deste texto. Se a federalização é um mal menor – mesmo que isso ocorra com políticas menos austeritárias como certa esquerda gosta de lhes chamar – ela não é, todavia, uma solução ou uma palavra de ordem a ser defendida politicamente pelos trabalhadores como se de um princípio político estruturante se tratasse. Se vier a ocorrer, será, apesar de tudo, um mal menor quando comparado com o abismo nacionalista.

Algumas notas finais

Por conseguinte, e porque as conquistas da classe trabalhadora nunca são conseguidas de um dia para o outro, apresento alguns aspectos que apesar de genéricos e naturalmente incompletos parecem-me reflectir pelo menos parte do caminho a seguir. Nesse sentido, a classe trabalhadora e a esquerda anticapitalista devem lutar no sentido de conjugar os seguintes aspectos:

a) a luta pela rejeição da dívida e pela revogação das medidas de austeridade;

b) a internacionalização das lutas. À crescente transnacionalização do capital os trabalhadores têm respondido com a dispersão, a fragmentação ou, quando muito, com a nacionalização dos protestos. Matriz fundacional do movimento operário, o internacionalismo tem sido reduzido à emissão de comunicados em solidariedade com os trabalhadores do país X e os protestos supra-nacionais têm sido raros e olhados com desinteresse pela generalidade da esquerda;

c) a articulação das lutas de rua com as lutas nos locais de trabalho. Sendo as empresas as instituições mais totalitárias da sociedade capitalista – e precisamente onde decorre o processo de exploração capitalista – é inusitado o “esquecimento” a que as lutas nos locais de trabalho têm sido votadas;

d) a articulação entre os dois eixos da classe trabalhadora europeia que tem lutado e resistido: os trabalhadores que se organizam em sindicatos (nomeadamente, funcionários públicos e alguns segmentos do operariado industrial com tradição sindical que remonta ao fordismo) e sectores mais jovens que se têm organizado em torno de vários movimentos sociais. Onde os primeiros têm a vantagem de geralmente terem uma avaliação classista dos processos sociais e políticos (algo que falta à generalidade dos movimentos de indignados, etc.), os segundos têm a vantagem de estarem empenhados em internacionalizar a luta. Todavia, sem uma articulação entre os dois eixos – e num plano crescentemente internacional – nenhuma vitória futura da classe trabalhadora será possível.

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58 respostas a A via nacional(ista) de saída do euro

  1. um gajo qualquer diz:

    Caro João:

    O teu “economês” é muita bom, mas um comunista luta para derrubar o capitalismo e, em seu lugar, construir uma nova sociedade. Todas essas considerações apenas servem para testemunhar que tu não acreditas, de facto, na prática, no aqui e no agora, na revolução como horizonte tangível.

    Se acreditasses, nem te preocupavas com essas coisas, pois saberias que, no momento em que o povo derrubasse o regime e começasse a desafiar a propriedade privada dos grandes meios de produção, a própria União Europeia se encarregaria de colocar o país de quarentena, sujeitando-o a um boicote, quiçá a uma intervenção militar estrangeira.

    A questão não é ficar ou sair do euro. A questão é queremos uma revolução ou queremos mudar umas coisas, dentro do sistema capitalista. As tuas dúvidas fazem sentido para quem quer um governo “progressita” dentro do capitalismo europeu. Para quem quer rebentar com o sistema, ter euro ou não ter euro torna-se numa interrogação serôdia – a própria lógica das coisas, também nesse campo, imporá uma “moeda nacional” num portugal socialista, primeiro passo para a federação socialista hibérica e por aí fora

    • Nuno diz:

      Engraçado, fala em rebentar as coisas e depois fala numa moeda. Aposto que já bem desvalorizada, para vender umas coisas lá para fora e comprar outras de volta. Não tarda até pedirá alguém que perceba de marketing. Veja lá… assim tão revolucionário ainda faz alguma coisa que não deve…

    • João Valente Aguiar diz:

      Gostava era de saber como se poderia construir o socialismo sem recursos para se reconstituir um aparelho produtivo… Se se poderia exportar, como compraria matérias-primas, combustíveis ou maquinaria em euros ou dólares???

      Por ser comunista é que tenho o sentido das proporções. Todas as análises de conjuntura baseiam-se na análise concreta da situação concreta, ou seja, nos factos e na correlação de forças e não no que nós queremos no imediato. Se assim fosse, já estaríamos a viver numa sociedade sem classes.

      Ah, e não acredito no capitalismo europeu. Mas acredito ainda menos num capitalismo autárcico, fechado e que condenaria os trabalhadores a passar ainda pior do que a tragédia actual.

  2. Zebedeu Flautista diz:

    “Mesmo que a China, o maior detentor mundial de dólares e euros, financiasse projectos de reconstrução económica em Portugal…”
    .
    Só pode estar a brincar considerar isto uma hipótese.

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu não acho isso uma possibilidade, porque a China nunca faria isso. Apenas abordei enquanto uma possível decisão no caso de uma via nacional(ista) de esquerda chegar hipoteticamente ao poder e quando se visse perante a necessidade prática de ter recursos para que as pessoas comessem…

  3. JgMenos diz:

    Merece uma segunda leitura!
    Realismo e racionalidade e não o agitprop que por aí se vê habitualmente!

  4. Nuno diz:

    Muitos parabéns. O melhor texto que leio no 5 há meses… bem argumentado, e mostrando claramente o perigo que é a via nacionalista mesmo quando defendida pela esquerda (o que chega a ser quase um paradoxo). Citando também João Bernardo, numa recente entrevista concedida à Revista Imprópria: “(…) sempre que o nacionalismo permeia o movimento operário, o fascismo não anda longe.”. É necessário não esquecer que os trabalhadores não têm pátria.
    O desafio, parece-me, é a da procura de um movimento de luta dos trabalhadores a nível europeu, na procura de uma outra Europa.

    • João Valente Aguiar diz:

      Sim sem dúvida. Sem uma coordenação das lutas a nível europeu manteremos todas as condições para que a fragmentação da classe trabalhadora se mantenha. Se essa fragmentação e isolamento é uma realidade no contexto da UE, então num contexto de uma europa esfrangalhada em múltiplas nações isoladas, isso seria ainda maior…

    • miguel serras pereira diz:

      Nuno,
      o JVA e eu próprio – e justamente a propósito de um escrito do João Bernardo – discutimos há dias na caixa de comentários de um post vários aspectos da “questão europeia”, que talvez valha a pena recordar aqui. Pelo meu lado, tiro conclusões muito semelhantes às suas. E não me parece que as do JVA sejam opostas…
      Cf. http://viasfacto.blogspot.pt/2012/04/joao-bernardo-no-passa-palavra-crise-e.html

      msp

  5. miguel serras pereira diz:

    Caro João,
    haveria muitos pontos que gostaria de discutir consigo e sobre os quais não vale a pena fingir que não divergimos. Mas este seu post é uma lufada de ar fresco e põe problemas fundamentais, alertando para os enormes riscos de guerra e fascização que neste momento pesam sobre a Europa, riscos a que uma parte da esquerda parece cega, quando não alimenta suicidariamente, a pretexto de disputar a bandeira da causa nacional(ista) à oligarquia.

    msp

    • João Valente Aguiar diz:

      Envie lá as discordâncias.

      Em relação ao resto. Pois, se a esquerda quiser disputar a causa nacional e nacionalista à extrema-direita bem que pode dar o jogo por perdido… E a perda é imensa… Inclusive para a própria esquerda… A Alemanha nazi ou a Indonésia são só dois exemplos de como a extrema-direita não tem problema nenhum em aniquilar a esquerda que anteriormente competia pela verdadeira essência da pátria…

      • miguel serras pereira diz:

        João,

        já discutimos o assunto e convergimos em muita coisa. As divergências terão a ver – provavelmente – com o facto de eu conceber a ruptura essencialmente como democratização radical das relações de poder existentes (logo, também com a democratização das relações de produção e do conjunto da economia, tanto a nível macro, como ao da empresa), através de um processo, conhecendo verosimilmente afrontamentos e provas de força, que conduza à – e progressivamente se traduza pela – participação igualitária dos cidadãos comuns nas decisões e deliberações que lhes dizem colectivamente respeito, etc. Ora bem, se esta via não exclui partidos ou movimentos militantes, que proponham objectivos e animem as lutas, opõe-se à concepção leninista do “partido do proletariado”, como se lhe opõe em muitos outros pontos cruciais em matéria de organização e prática política. E creio que é em torno destas questões que talvez ainda tenhamos muita pedra a partir. Mas logo veremos.

        Abraço

        msp

        • João Valente Aguiar diz:

          Não há revoluções sem vanguardas. O que não quer dizer que: 1) sejam elas que protagonizam os processos revolucionários e políticos (o dínamo das revoluções são os trabalhadores organizados colectiva e democraticamente); 2) o substitucionismo seja aceitável.

          • miguel serras pereira diz:

            Depende do que V. entende por “vanguardas!, claro. Mas o “substitucionismo” não é um traço secundário do leninismo (como o não é da “democracia representativa”, “socialista” ou não); a “representação histórica da classe”, “a consciência organizada”; o lugar de comando ou estado-maior que Ulianov lhe atribui… Enfim, esta discussão fica para outra altura, ou será superada obliquamente pelos acordos a que chegarmos a propósito de outras questões políticas.

            msp

  6. Rocha diz:

    Estás confuso camarada.

    Parece-me que estás a absorver muita cantilena reformista.

    O discurso da esquerda europeísta – a esquerda reformista – dá muitíssimas voltas mas acaba sempre numa mesa de negociações com Bruxelas.

    Ora defender via revolucionária de destruição do capitalismo significa não aceitar as regras do jogo que a burguesia impõe. A luta de classes na perspectiva revolucionária significa dar batalha onde, quando e como a classe trabalhadora radicalizada quiser por oposição a dar batalha dentro dos ritmos, dos espaços, das instituições e métodos que a burguesia europeia pretende impor.

    Se a burguesia europeia pretende impor a lei de chumbo que só à solução dentro da União Europeia, dentro dos parlamentos, dentro de calendários eleitorais, mesas de consertação, mesas da Troika e outros ritmos e lugares que ela domina é porque a luta de classes deve polarizar-se exactamente fora desses espartilhos.

    Sair do euro é solução e cada vez mais. O euro é um dos muitos instrumentos que só servem os interesses do capitalismo europeu e nacional. Para construir uma alternativa real ao capitalismo vai ser preciso destruir muitos instrumentos que são totalmente irrelevantes para o proletariado europeu, quer na perspectiva de defesa e manutenção de uma revolução quer na perspectiva de conquistas e bem-estar social que essa revolução traria.

    Quanto ao papão fascista é um absurdo usá-lo para condicionar os ritmos e âmbitos (nacional ou europeu) da revolução. O fascismo não é mais que a utilização da violência para manter o capitalismo protegido de insurreições e derrubes. A utilização da carta fascista por parte da burguesia não depende do ritmo ou âmbito da luta de classes, o fascismo será sempre ressuscitado quando há indícios do proletariado poder tomar o poder em algum país. O fascismo não se ultrapassa com taticismos em relação à União Europeia. O fascismo só pode ser derrotado pela via de massas e pela via militar.

    E a federalização europeia não garantiria absolutamente nada em ralação a impedir a ascenção do fascismo.

    A saída do euro é um rude golpe para o bloco imperialista europeu (UE) que levando ao seu desmembramento levará a uma nova relação de forças que quebre a hegemonia das potências centro-europeias e de um dos seus pilares ideológicos que é a velha e prostituída social-democracia em torno da “Internacional Socialista”. Só para falar apenas de um dos muitos efeitos positivos.

    A luta de classes a nível europeu não parará obviamente nem com um, nem duas, nem três revoluções mas sim prosseguirá até ao derrube de todo o capitalismo europeu. A postura de Cuba a este respeito na América Latina desde 1959 até aos anos 90 é nesse aspecto exemplar. Uma revolução é sempre uma plataforma para outras revoluções por uma questão de sobrevivência. Foi por isso que Cuba armou guerrilhas durante 3 décadas.

    Dentro do euro não é possível avançar na luta de classes. Dentro do euro não é possível sequer ter sindicatos de classe – sindicatos revolucionários – dignos desse nome. Hoje mesmo que o SYRIZA festeja a sua vitória retumbante, os sindicatos gregos todavia maioritários com quem o SYRIZA se relaciona – ADEDY e GSEE – são completamente amarelos. A própria lógica das confederações de sindicatos europeus e do partido de esquerda europeu, agarrados à mama dos fundos comunitários corrompe completamente as forças sindicais e de esquerda que era suposto serem progressistas.

    A União Europeia federalizada é um super-estado capitalista e para super-estado super-corrução, super-repressão, super-roubo e super-exploração. Mas também super-guerra se abrirmos os olhos para a quantidade de sangue que está nas mãos da UE em guerras em África, Médio Oriente, América Latina e na própria Europa.

    Pergunto-me se terás lido com tempo e sem pressa os muitos comunicados, discursos e documentos que o KKE tem publicado sobre a saída do euro. Creio que preciso de ler mais sobre isto.

    Creio que é preciso uma discussão fraternal sobre esta temática entre os comunistas e não só.

    • João Valente Aguiar diz:

      Meu caro,

      mais importante do que o ranking do reformismo ou do que quer que seja é discutir a viabilidade efectiva de uma saída do euro. E, de tudo o que li até agora, a saída do euro seria um enterranço completo do ponto de vista económico. fosse essa saída realizada pela burguesia portuguesa ou grega, fosse essa saída realizada por forças de esquerda.
      E aferir da viabilidade económica de uma saída do euro depende da análise de factos e de processos objectivos e não tanto do que cada um de nós defende e aspira. Muito mais importante do que a saída do euro é internacionalizar as lutas.

      • Rocha diz:

        A luta de classes não é só uma questão económica.

        Por isso há trabalhadores que a sua vida em jogo arriscando fome, prisão, repressão quando fazem greves fora do enquadramento reformista.

        O nível de vida das massas não pode ser defendido simplesmente com nenhuma via dentro ou fora do euro. A questão não é de nível de vida é de poder!

        A miséria já está aqui agora, os suicídios de gente que não aguenta mais já estão aqui agora, a fome, a marginalidade tudo o que se possa imaginar de consequências sociais da saída do euro já cá estão e tendem a agravar-se.

        A questão da saída do euro não se coloca apenas do ponto de vista do nível de vida do proletariado mas também dos lucros da burguesia.

        O proletariado já está a sofrer agora o que eu chamo de “genocídio económico”, ora saindo do euro será vez da burguesia sofrer vendo as suas taxas de lucro, dividas que pretende cobrar e instrumentos políticos e económicos estratégicos arder no fogo da revolução.
        E para isso basta um país para ver todo o edifício da UE começar a desmoronar – económica e financeiramente – em efeito dominó.

        • João Valente Aguiar diz:

          pois, mas, nesse caso que preconizas, o dominó cairia sobre os trabalhadores…

          • Rocha diz:

            Não, cairia sobre o grande capital europeu e nacional. Estou a falar claramente da tomada de poder pelo proletariado.

            Sabes muito bem que é impossível que a União Europeia tenha outra atitude perante um governo revolucionário que não a sua expulsão.
            Não ser claro nesse ponto é de uma enorme desonestidade intelectual.

            O que um partido revolucionário que se preze deve dizer é que nós comunistas não mendigamos nenhuma presença nas instituições burguesaas que queremos derrubar e por isso desde já defender a saída do euro surge como uma atitude de clareza perante o povo: queremos tomar o poder e queremos a revolução socialista!

            Não queremos migalhas seja na forma de euro ou de outros truques da burguesia.

          • um gajo qualquer diz:

            a malta precisa é de um tecto, comida, acesso à saúde, educação e cultura e lazer.

            No portugal socialista não vão ser precisos dezenas de milhar de “seguritas”, advogados e etc.

            HÁ + DE UM MILHÃO DE DESEMPREGADOS EM PORTUGAL. dar trabalho a essa gente faria mil vez mais pla economia portuguesa que todos os maravilhosos planos e benesses da U€

          • João Valente Aguiar diz:

            um gajo qualquer,

            e como se coloca esse milhão de trabalhadores a trabalhar se não tens dinheiro para comprar matérias-primas e maquinaria? A não ser que aches a militarização do trabalho uma saída para o problema… Mesmo que tudo corresse bem do ponto de vista produtivo e militar duvido que depois se conseguisse reverter esse processo. A não ser, lá está, que se ache que a construção do socialismo não passe pela organização colectiva dos trabalhadores nas empresas, destruindo a hierarquia imanente ao arranjo capitalista da produção…

          • João Valente Aguiar diz:

            Rocha,

            sair do euro equivale a um processo de construção de uma sociedade socialista?? É aqui que se transfere a luta contra a exploração para a luta nacional, quando a primeira é a única que pode revolucionar a sociedade.

          • Rocha diz:

            João os teus argumentos não são económicos mas sim políticos e estão claramente dentro da perspectiva reformista – estás a derivar para fora do marxismo e fora da estratégia revolucionária.

            Na Grécia é bem visível que a social-democracia está a um passo de tomar o poder, o seu programa reformista equivale por si mesmo à saída do euro. Porque a UE nunca aceitará qualquer nacionalização séria de bancos e reversão das medidas de austeridade. Muito menos aceitará a moratória e cancelamento parcial da dívida.

            A ascenção da social-democracia coloca a Grécia na situação em que a burguesia não pode governar e o proletariado ainda não detêm o poder. Mas esse é precisamente o momento do proletariado tomar o poder face à fraqueza do Estado nacional burguês em conflito com o super-estado imperialista europeu.

            Quando falamos em euro, falamos de quem o emite e de quem o comanda, o BCE é uma aberração económica mas mais do que isso é um instrumento imperialista – eu diria pior que o FMI (é ainda mais distante de qualquer controle democrático dos governos periféricos da UE).

            O que tu colocas na prática nada tem a ver com economia – porque a séria dificuldade em desenvolver as forças produtivas é tão más dentro como fora do euro. Estou certo aliás que até a autarquia económica é preferível ao colapso económico em que a classe trabalhadora portuguesa vive. E um forte grau de autarquia em produtos básicos é até uma resposta absolutamente necessária face à Crise Ambiental Global e à própria Crise da Globalização Capitalista.
            A procura de outros parceiros económicos não é nem problemático nem politicamente difícil – a América Latina pode prová-lo.

            Mas volto a repetir, as teses que tu colocas nada têm a ver com economia. O que tu colocas tem a ver com deliberadamente prescindir da revolução na Grécia ou em Portugal e noutros países periféricos para esperar por uma mítica revolução à escala europeia. Ora é assim que se começa uma deriva reformista.

          • João Valente Aguiar diz:

            Caro Rocha,

            Em rigor, não existem argumentos económicos que não sejam políticos. Agora quando se faz uma avaliação política é bom que essa avaliação seja objectiva e a partir de factos. Se concedo que uma análise da subjectividade das massas necessita o seu quê de instintivo (e nesse aspecto – como noutros – o maior revolucionário até hoje foi o Lénine), a análise económica baseia-se em factos e processos relativamente objectivos. E tu estás a discutir mais o desejável e o que se deve proclamar em termos de palavra de ordem e menos as alfinetadas que eu coloquei no post sobre as condicionantes que uma saída – repito isolada e unilateral – do euro protagonizaria…

          • João Valente Aguiar diz:

            Rocha,
            esqueci-me de referir dois outros aspectos.

            1) não sei em que é que defender uma via soberanista e proto-nacionalista é, para recorrer à tua linguagem, algo mais revolucionário… ou menos reformista… Não sabia que essa linha era estruturante no marxismo…

            2) e se Portugal e a Grécia saíssem do euro. Os trabalhadores dos outros países que vivam com ele, é isso? Nesse caso, o euro já seria bom? O euro é para os trabalhadores do norte da europa? Portanto, é para reproduzir, numa recauchutagem discursiva de esquerda e de forma invertida, o linguajar proto-nacionalista que os media e a direita conservadora dos países do norte da europa têm atribuído à pretensa (e, como nós sabemos, falsa) preguiça dos tugas e dos gregos? Este é, entre outros, um dos problemas relacionados com as teses do abandono unilateral do euro.

          • Rocha diz:

            O euro e o seu BCE são aberrações em qualquer país e o euro (e o seu chefe BCE) acabará por morrer:

            – Nenhum país fora do eixo franco alemão poderá aceitar por muito tempo a esquizofrenia de uma moeda única e políticas fiscais diferentes. E por exemplo os países escandinavos nunca aceitarão ter a mesma política fiscal da Alemanha.

            – O euro é um projecto sem futuro. Ao contrário do que diz a retórica do perigo fascista surgir ao se sair do euro, é a permanência do euro que está a dar uma grande ajudinha a encher as fileiras do fascismo euro-céptico.

            – Os povos europeus são euro-cépticos, essa é que é a realidade (provada com inúmeros referendos, crises políticas e eleições). E não vamos entrar no ridículo de dizer que os povos são os fascistas e não os eurocratas que os agridem com este esmagamento fiscal. Na economia politica dos povos esmagados pelo BCE – e demais instituições do euro – sair do euro é precisamente o alívio que os explorados procuram.

            – Não há uma solução simultânea para a crise capitalista em toda a Europa. O caos político não começa com uma saída do euro porque ele já cá está. O euro é precisamente o responsável por este caos político. A teimosia em salvá-lo é responsável pela existência da Troika e de toda austeridade. Este é um processo sem conserto e a sua aceleração precipita as crises políticas que permitem a toma de poder pelo proletariado.

            – A via revolucionária implica um caminho novo, não isento de dificuldades e perigos. Mas essa via passa por romper e não remendar o edifico burguês que é a UE que já está a ruir precisamente por causa da fragilidade do euro que é talvez o seu ponto mais fraco.

            – Sair do euro (mesmo os reformistas o admitem) implica nacionalizar a banca que é tanto a medida mais urgente para tanto aliviar a situação da classe trabalhadora dentro de fronteiras nacionais como a forma colocar todo o capitalismo europeu em risco de colapso.

          • João Valente Aguiar diz:

            Eu não acho que se deva remendar o que é impossível de ser remendado… E eu não quero salvar o euro… E acho que estás a confundir romper o elo mais fraco com o isolamento que isso levaria a Grécia (ou Portugal). Aliás, é até mais provável que os países periféricos sejam obrigados a sair do euro do que pelo seu próprio pé… E aí, como te vais distinguir das acções da burguesia grega ou portuguesa? Sectores dela vão, mto provavelmente, defender a nacionalização da banca de modo a minorar a saída de capitais levada a cabo pelo sector financeiro. A burguesia que ficar cá e que vai continuar a controlar o poder vai desvalorizar a moeda e, para se salvar, terá de recorrer ao estado – não só no plano repressivo contra as reivindicações (justas) dos trabalhadores, mas tb no plano económico, dado o cenário de profunda depauperação que tal situação acarrateria. Por outro lado, mesmo que a

            Sair do euro para construir um pretenso estado socialista num país, não é o mesmo que fazer uma revolução a partir de um país para depois se espalhar a onda revolucionária. Aliás, até 1918-19, parte significativa dos dirigentes bolcheviques, incluindo o próprio Lénine, viam a revolução na Rússia como ponto de partida para uma revolução à escala europeia. Em diversos momentos o Lénine diz isso mesmo: o socialismo só poderia ser construído se houvesse mais revoluções vitoriosas no resto da europa, no caso, ele referia-se sobretudo à Alemanha. Concedo que ele tb falou mtas vezes no inverso: que a construção de um estado nacional operário seria o objectivo fundamental. Ninguém está isento de ambiguidades, inclusive o Lénine. Não se trata, da minha parte, de escolher o que “mais me interessaria” do Lénine mas de expor o eixo dele que me parece mais adequado. Por uma questão de lisura, não podia omitir o outro lado da tensão presente no pensamento dele sobre esta questão. Resumindo, claro que para se superar o capitalismo, nalgum lado a revolução tem de começar. como diz um amigo meu, enquanto houver lei da gravidade, a economia (e acrescento eu, a política) terão geografia… No meu modo de ver, a questão não é tanto essa, mas antes de não se confundir a quebra de um elo dentro de um processo mais vasto com uma saída autárcica num país periférico e (quase) sem aparelho produtivo.

            A última parte do meu texto foca aspectos que, apesar de mto genéricos (nem eu me aventuro a mais do que isso – os timoneiros da classe operária redundam sempre na idiotice e no substitucionismo), como dizia, a última parte do texto foca aspectos que, apesar de mto genéricos, vêem o processo de acumulação de forças a prazo para uma possível ruptura revolucionária. Mas para isso, entre outros aspectos, há que fomentar bem mais o internacionalismo entre os trabalhadores europeus (e quando falo em europeus não falo apenas nos chamados nativos mas na imensa massa proletária imigrante que tem sido esquecida infelizmente pela generalidade das organizações operárias). Se em 1917-23 o internacionalismo era mto mais presente do que hoje na esquerda anticapitalista e, mesmo assim, a burguesia conseguiu afogar em sangue processos revolucionários mto mais avançados do que o 25 de Abril (Alemanha, de 18 a 23, Itália, 18 a 20, Finlândia, Hungria, etc.) e criar um tampão entre operários de diferentes países e, com isso isolar a URSS, imagina hoje em que os operários portugueses se fechariam num socialismo autárcico e isolado da generalidade do mundo…

      • um gajo qualquer diz:

        lá estás tu a pensar na economia segundo os parâmetros da economia política capitalista!

        No fim da guerra civil a rússia soviética estava muito mais arruinada do que ficaria Portugal se saísse agora do €uro, não tinha acesso aos “créditos” e aos blá,blá,blá do costume. Em 30 anos, coma 2ª guerra mundial plo meio, conseguiram pôr o primeiro homem em órbita…

  7. licas diz:

    . . . Ao mesmo tempo, uma reconfiguração radical do aparelho produtivo só é possível na decorrência de uma dinâmica fortíssima da classe trabalhadora numa situação revolucionária. . .
    _____________________
    Como na China do Mao, não é?

  8. licas diz:

    . . . quer na perspectiva de defesa e manutenção de uma revolução quer na perspectiva de conquistas e bem-estar social que essa revolução traria.
    __________
    Como na defunta URSS, portanto . . .

  9. licas diz:

    . . . A União Europeia federalizada é um super-estado capitalista e para super-estado super-corrução, super-repressão, super-roubo e super-exploração. Mas também super-guerra se abrirmos os olhos para a quantidade de sangue que está nas mãos da UE em guerras em África, Médio Oriente, América Latina e na própria Europa.
    _______________________

    Na Síria o sangue corre devido à oposição na ONU da China (comunista)
    e daquilo em que se transformou a União Soviética ___ Putismo . . .

    • João Valente Aguiar diz:

      quanta confusão nessa cabecinha…

      • De diz:

        Não é confusão,é tão somente provocação.
        Adiante.

        Uma abordagem nesta posta que exige discussão e reflexão.Fraterna como diz alguém lá em cima.E que se apresenta como mais profícua e mais honesta do que as superficialidades e os aproveitamentos plasmados aqui no 5 Dias sobre a situação na Grécia

        • João Valente Aguiar diz:

          Sim, nenhum texto pode ter a pretensão de abordar tudo e de acertar ainda mais. Sendo este um texto de blog, o mais importante é, sem dúvida, a discussão e a reflexão.

          abraço

  10. Rafael Ortega diz:

    Acho que tem razão quanto à saída do euro.

    A saída do euro seria neste momento a morte do artista para Portugal.
    A desvalorização do novo escudo dificilmente seria inferior a 20-30%.
    Seria impossível reindustrializar o país (pelo menos a um ritmo que não fosse passo de caracol) porque as máquinas necessárias teriam que ser compradas em euros ou dólares.
    Duvido que de um ano para o outro a produção agricola portuguesa aumentasse o suficiente para compensar as importações de comida que não poderiam ser feitas.
    Gasolina, electricidade, gás iriam aumentar também.

    Sair do euro agora parece-me receita para o desastre.

  11. Miguel Lopes diz:

    João,

    Voltando à discussão, não posso estar mais em desacordo com as tuas conclusões. Não com os problemas que colocas à saída do euro, esses são bem reais e devemos ter resposta para eles.
    A partir do momento em que a classe trabalhadora toma o poder e decide sair do euro (furando assim o projecto política que lhe está acoplado!!), tem que resolver três grandes problemas: 1) reconstituição do aparelho produtivo; 2) reconfiguração dos fluxos comerciais; 3) modernização das nossas forças armadas. Temos que ter condições para segurar a situação face aos embargos, à sabotagem, a todos os ataques económicos e ainda teríamos que ter força para dissuadir qualquer ataque militar.

    Há, ou não há, pontos de apoio para fazer isto nos dias de hoje? Eu acho que há.
    Há hoje mais países fora da órbita da NATO, e que podem furar qualquer bloqueio. E não me parece assim tão óbvio que a nossa política passasse a ser determinada pelos países que decidissem furar.
    Isto são problemas para resolver, dê lá por onde der. Não é para desistir da sua resolução. Querer uma revolução europeia só para evitar o cerco é bem mais complicado. É pedir o impossível para evitar fazer o possível. A UE vai furar primeiro por um dos lados e a revolução depois vai-se espraiar. Não vai furar em todo o lado ao mesmo tempo.

    • João Valente Aguiar diz:

      caro,

      1) acho que se confunde mto saída do euro com uma revolução socialista. A primeira coloca em cima da mesa a soberania nacional, mesmo com medidas como a nacionalização da banca e de outros sectores, etc. A segunda coloca em cima da mesa a transformação das relações sociais pelos trabalhadores através da socialização da produção. Esta pode começar por ocorrer num determinado território nacional, mas sempre que surgiram processos revolucionários o seu carácter internacional era evidente;

      2) o comentário acima resume mto bem as dificuldades imensas de um país aguentar-se economicamente, mais ainda um país periférico como Portugal. Quanto às relações com outros países. Até poderiam ser bastante melhores do que no âmbito da UE e até poderiam ser mais produtivas. Mas só a prazo. Até lá, mesmo que comprasses maquinaria e combustíveis à China ou à Rússia mais baratos só o facto de teres uma moeda mixiroca e de teres de fazer o câmbio representaria um rombo de dinheiro. Eu não estou a dizer que as revoluções operárias não tenham estes problemas, mas o seu âmbito internacional contrasta nitidamente com uma saída nacional(ista) o que lhe daria não apenas mais condições económicas de sobrevivência, como não há nada na saída nacional(ista) que vá além da nacionalização. E nacionalização (estatização dos meios de produção, mesmo que por um governo de esquerda) não é o mesmo do que socialização dos meios de produção (controlo operário efectivo da produção e correspondente alteração gradual das relações de produção).

      • miguel serras pereira diz:

        Sublinho com força a conclusão da resposta: é porque o socialismo não se limita à expropriação dos expropriadores do momento, mas implica o governo e a direcção da economia pelos produtores associados e os seus companheiros de jornada, que tenho insistido em defini-lo como democratização radical das relações de poder e produção, participação igualitária de todos nas decisões que a todos implicam, destruição da hierarquia dos salários e rendimentos, democratização da economia nas vertentes do mercado, da política económica geral e das condições de trabalho.

        msp

      • Miguel Lopes diz:

        “Esta pode começar por ocorrer num determinado território nacional, mas sempre que surgiram processos revolucionários o seu carácter internacional era evidente;”

        Sim, mas eu não acho que é isso que está em causa. O que eu estava a dizer era precisamente que a transformação das relações de produção só pode ser feita saindo do euro. E que é possível sair do euro para fazer essa transformação.
        A revolução tem que se espalhar para evitar o cerco, claro. Mas isso não altera o facto de ter de ser feita, e a possibilidade táctica é furar a UE por um dos pontos. Qual é a alternativa que propões?

  12. Tiago Mota Saraiva diz:

    João como sabes, ainda que não possa dizer que subscrevo o texto a 100%, esta reflexão é importantíssima. Enalteço, sobretudo, a ideia que a construção da democracia avançada não se fará a partir de uma ou outra medida emblemática que se defenda mas através de um processo dialéctico.
    Grande abraço

    • miguel serras pereira diz:

      Creio que o Tiago tem razão quando defende a necessidade de concebermos a transformação da actual sociedade capitalista como um processo e não como resultado de um decreto, ou desta ou daquela medida, ou conjunto de medidas, depois da tomada do poder.
      Assim, procedendo a um balanço provisório das questões levantadas por este post e pelo debate, eu começaria por dizer que a própria conquista do poder político se confunde com o processo das lutas que imponham a sua democratização efectiva, assegurando o exercício do governo e da direcção da economia através da participação igualitária nas deliberações e decisões dos cidadãos comuns (os trabalhadores, sem dúvida, e a enorme maioria da população que, de um modo ou de outro, é expropriada, explorada e dominada pelo poder da oligarquia capitalista). É possível que as contradições internas do regime capitalista conduzam à sua derrocada; mas não asseguram, por si sós, que a essa derrocada não se siga o restabelecimento ou agravamento da dominação hierárquica e de classe, nem a democratização efectiva das relações de produção e poder que, só ela, poderá pôr termo à desigualdade, à exploração e à opressão.

      Quanto à questão concreta da Europa, do euro, do federalismo versus nacionalismo, etc., penso que deve ser encarada em termos que visem assegurar e construir as condições que permitam o desenvolvimento do processo de democratização – “processo revolucionário”, se quiserem – assim definido. Ou seja, parece-me que, nas condições presentes, a abertura de novos caminhos e perspectivas terá de ter em conta o seguinte – e retomo aqui parte de um post que publiquei há pouco tempo noutro lugar:

      “Não é segredo para ninguém que o governo da Alemanha tem vindo a desenvolver cada vez mais abertamente uma “política de potência” que reduz à condição de Estados-vassalo os restantes membros da UE. E que nessa tarefa tem sido secundado, com mais ou menos entusiasmo e/ou resignação, por diversos governos nacionais e pelas fracções hegemónicas da oligarquia de cada um dos demais países, que, de resto, invocam abertamente a “vassalagem” e as suas obrigações como justificação das suas medidas mais antipopulares. Mas, entre os que mais ruidosamente parecem opor-se a esta situação, invocando a “soberania” e a “independência nacional”, são muitos os que não compreendem que é a subsistência dos diversos Estados-nação no interior da UE, impedindo, através da oposição à integração política, a integração orçamental, fiscal e dos regimes “de segurança social”, etc., etc., que permite e alimenta tanto o governo alemão da UE como a vassalagem dos restantes governos.

      Ora, apesar de tudo, não é muito difícil compreender que o governo federal de uma UE politicamente integrada teria por efeito impedir situações como as que a notícia acima transcrita ilustram, e que, ao mesmo tempo, essa integração permitiria que os cidadãos das diferentes regiões da Europa pudessem responsabilizar mais facilmente os governantes, despojando-os do alibi de Bruxelas ou Berlim — o que poderia ser um primeiro passo na criação de condições mais favoráveis ao desenvolvimento de um projecto de democratização instituinte contra as oligarquias que hoje se esforçam por agravar a sua vassalagem, expropriando-os do direito de participarem entre iguais nas decisões que os governam e negando-lhes a independência democrática da cidadania activa, tanto no interior da potência hegemónica como em cada um dos seus Estados-vassalo”.
      (Cf. http://viasfacto.blogspot.pt/2012/04/soberanismo-e-estados-vassalo.html )

      Espero que isto possa ajudar a “reflexão importantíssima” a que o Tiago se refere, e cuja urgência escuso de sublinhar.

      msp

      • João Valente Aguiar diz:

        Claro que a transformação social é um processo. Aliás, o contrário é defendido por parte de amigos e camaradas que vêem na saída a curto prazo e unilateral do euro o “decreto” por excelência… como se passar a banca ou as telecomunicações (ou seja do que for) de uma certidão de propriedade do grupo económico X para uma certidão de propriedade do Estado modifica-se a natureza das relações sociais. Claro que é sempre preferível a existência de serviços públicos ou de empresas em áreas estratégicas na mão do Estado do que sob controlo privado. Isso é sempre uma forma (positiva) de no capitalismo (privado ou de Estado) salvaguardar o poder de compra e os direitos dos trabalhadores. No fundo, como uma ampliação do salário real disponível aos trabalhadores. O que não quer dizer que, lá está, o trabalho assalariado (e tudo o lhe está inerente) seja superado…

  13. Vasco diz:

    Agora mais terra-a-terra: como se faz essa luta “global”? Quem comanda ou coordena? Não sou favorável ao isolamento, como é evidente, mas lutar cá, com o nosso povo concreto, por profundas transformações antimonopolistas será sempre um estímulo à luta nos outros países – e portanto à luta “global”. Romper a cadeia do capitalismo – é disso que se trata e só será possível quebrando um dos elos.

    • João Valente Aguiar diz:

      Claro que não há luta global sem geografia, portanto, sem luta nacional. O que eu questiono não é a existência de lutas dentro de países e de cada país (nem isso seria possível) mas de ver na luta nacional a única saída. E não o é.

      Sobre a quebra dos elos. Tenho de reiterar que, até agora, salvo alguns casos mto esporádicos, ainda ninguém apresentou dados concretos sobre como países periféricos e quase sem aparelho produtivo poderiam sobreviver economicamente. E de modo isolado.
      Independentemente da análise política que qualquer um possa fazer da URSS a verdade é que eles tinham recursos, população e aparelho industrial (para a época) que lhes permitiu edificar uma economia relativamente autónoma… Já para não falar da venda de petróleo que foi sempre uma importante fonte de entrada de divisas… O próprio Lénine refere isso numa entrevista em 1920 a um jornal americano (não sei de cor o título da mesma). E diz algo do género de que os capitalistas ocidentais precisavam economicamente da Rússia soviética… Portanto, a União Soviética estava em condições de poder negociar de igual para igual nos mercados internacionais na altura. Não é de todo, o caso português ou grego… Pode-se obstar que a Rússia era um país camponês, mas a verdade é que o seu aparelho industrial era dos com maior concentração de capital, de trabalhadores e com maior composição orgânica da época. O próprio Trotsky (que está longe de ser um autor que me interesse politicamente) aborda essa questão das ilhas industriais altamente desenvolvidas (para a época) rodeadas por um mar camponês. Aqui e na Grécia – e mais ainda numa economia capitalista transnacional que consegue transferir recursos e capitais num piscar de olhos para qualquer parte do mundo – isso não existe… E para quem quer construir uma economia nacional, o caso da URSS e do Portugal ou da Grécia de hoje são totalmente distintos.

  14. Justiniano diz:

    Caríssimo JVA, este texto tresanda a nada!! (verdadeiramente, quer que tudo mude para que tudo fique na mesma – o espelho da tibieza do tigre de papel com a luta na boca!! E esperava eu, tolamente, vejo agora, linhas de alento e de tesão de toda a comunalha. Pobre comuna, este)
    Um nada, nada profundo!! Há, para além de uma espécie de confissão disfarçada, uma charlatanice fenomenológica!! Um tipo que habitualmente se pinta de sangue e lança das letras contra o hiper real não se deve surpeender com portas fechadas!! O mesmo tipo que afina contra o produtor de trigo deve saber comer a sardinha sem pão e saber melhor que jejuar dá fome!! Acessos de prudencia inconfessa, embate com o real mais real que a realidade ou apenas medo!!??
    Caro JVA, não sendo um tonto, creio, deve, Vcmcê, saber que quando nos propomos mudar o real pode acontecer que, verdadeiramente, mude, mas se o caro JVA apenas agora aqui chegou está simplesmente desculpado!!

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu gostava de ter o seu talento de (pretensamente) reduzir um texto a pó sem sequer abordar um único argumento do texto…

      Entretanto, só um detalhe. Se, como vc diz, um nada é profundo, o que será o ser? Superficial?? Pois, escrever à pressa e sem conteúdo pode redundar numa fenomenologia da charlatanice.

      • Justiniano diz:

        Meu caro, sem agravo algum, se não percebeu, pena, lamento profundamente, uma vez que tento ser sempre o mais expressivo possível!! Quedo-me frustrado, desta feita, por não o ter sido!!
        Entretanto, sem excluir qualquer detalhe, guarde este texto, leia-o e releia-o, hoje e amanhã, defenda-o (coisa que nesta caixa de comentários não o fez), não o reconstrua à medida de nada!! Pregue-o, a tempo e fora de tempo!!
        Quanto ao mais, caro JVA, sinceramente, não sei!! Nem sei mesmo onde Vcmcê deslindou argumentos nesta amálgama de letras a que chama de texto!
        O nada profundo, a que me referi, é aquele lugar onde nada entra e nada sai, o lugar da indiferença!! Aquele lugar que já vimos, já lemos, já estamos fartos de conhecer, do qual não concordamos nem discordamos, e do qual não esperamos absolutamente nada!! É, em suma, uma coisa que poderia ser dita, à laia de estremunho, por um híbrido césar das neves carmelinda pereira!! Um tolo no meio da ponte é, enquanto de lá não sair, um tolo no meio da ponte!! Depois…
        Cordialmente,

  15. um gajo qualquer diz:

    Será que são vocês que estão de acordo com o Barclays ou será o Barcalays a estar de acordo convosco?

    http://economico.sapo.pt/noticias/tirar-a-grecia-do-euro-seria-suicidio-politico_144291.html

    • João Valente Aguiar diz:

      Pior do que “estar de acordo” com o Barclays é ter as teses da extrema-direita aí tão perto. O Barclays limita-se a apontar o óbvio no plano económico: a queda do euro no actual contexto de especulação promovida por diversos “investidores” (isto é, capitalistas) arrastaria todos os países europeu para uma bancarrota e, acrescento eu, a uma fascização e a um pagamento dos custos sobre os trabalhadores. Num grau superior ao que hoje já temos.

      Por último, esse argumento do Barclays é um bocado para o totó, vais-me desculpar a linguagem. Se assim fosse, “O Capital” não seria o grande livro que é porque se baseou em dados da imprensa e da literatura económica e em dados fornecidos pelos serviços de estatística da época…

  16. A.Silva diz:

    Caro João, o que me parece a mim, é que para além das políticas reacionárias postas em prática por sucessivos e alternados governos PS/PSD/CDS, um dos factores que contribuiu para o actual estado de degradação económica e politica e que persiste em agrava-lo é a nossa entrada e permanência no euro.

    Ou seja o euro longe de ser uma solução é factor de degradação da situação em Portugal e na europa, por isso a questão que coloco não é a de se será possível erguer o socialismo com o euro ou fora dele, mas a de se há futuro para a europa e para Portugal com o euro. Poderá dizer-se que com outros políticos e outras políticas a situação seria diferente, mas a verdade é que o euro faz parte de uma estratégia do capital europeu se afirmar, ou seja é um seu instrumento da sua dominação.

    Por outro lado, sendo o euro responsável pelo descalabro politico e económico da europa, é ele também responsável pelo crescimento do fascismo, como se pode ver pela Grécia. Não foram políticas nacionalistas que levaram ao crescimento do fascismo, antes pelo contrário, são as políticas de quem prescinde de afirmar a sua independência.

    Por tudo isso parece-me que o euro não é solução, só contribuindo para o descalabro da europa, criando condições para o florescimento do fascismo como forma do capital conseguir controlar os povos

    • João Valente Aguiar diz:

      Eu não acho que o euro defenda seja quem for. A não ser a burguesia alemã claro. Mas no actual contexto achar que uma via nacional pode solucionar seja o que for é um erro. Isso conduziria a europa para um cenário mto próximo ao dos anos 30.
      O euro não é solução, nem eu acho isso. Mas a via isolacionista parte do pressuposto que Portugal ainda é um país ou como se fosse um possível BRIC. Um desenvolvimento auto-centrado e autónomo em Portugal é impossível.

  17. Justiniano diz:

    De tudo o que aqui pude ler, parece-me que o caro JVA prefere o conforto possível da asa Europeia e que, sobretudo, tem medo de tomar o destino nas suas mãos!! Evidente sucumbência!!
    Medo disfarçado de prudencia!!
    Vê-se Grego para explicar a táctica, de táctica nenhuma!!
    De permeio, e à laia de pastiche, lança o capital, o boletim metereológico, a fauna e a flora. Tudo pintalgado com uma tagarelice realpolitik ao melhor estilo mediocrata e o papão do nacional(ismo)!! E conclui, nada a fazer!! Não há condições, paciencia!! Vamos por as batatas ao lume e continuemos, pois, como até aqui que viemos de empurrão!!
    Eu, se fosse comuna, se me dissesse comuna, e escrevesse o que Vcmcê aqui escreveu, untava-me de lodo e penas!!!

  18. Pingback: Portugal: o problema de sair do euro « Marcos Aurélio

  19. Rocha diz:

    1 – O Euro é um instrumento imperial de dominação, os seus donos têm cara são o BCE, o governo Alemão e o capital financeiro europeu. É impossível implementar reformas favoráveis aos trabalhadores dentro da zona euro. É impossível adquirir soberania sobre empresas fundamentais, nacionalizando e colectivizando sectores estratégicos. É impossível um comércio benéfico para todos os países da zona euro. É impossível reformas pro-trabalho e ainda mais impossível uma ruptura revolucionária dentro da zona euro.
    Logo defender a permanência na zona euro é adiar qualquer possibilidade duma revolução nos países afectados pela extorsão da Troika.
    Defender a permanência na zona euro é defender que a luta de classes deve esfriar nos países do sul para que possa aquecer nos países do norte (sem que haja qualquer indício de aquecimento da luta nos países do norte, onde reina a apatia e até um certo cair de migalhas para o trabalho nórdico nas costas dos países do sul).

    2 – A questão não é saber se é melhor sair do euro ou não – para o trabalho e para os países extorquidos – porque não é um “se” mas um “até quando” que nos faz permanecer no Euro. O fim do Euro tem 100% de probabilidade a prazo e o seu colapso/explosão arrasta para o fundo a economia, as conquistas sociais e a soberania dos países extorquidos. Estaremos pior em lidar com a explosão do Euro depois de acontecer do que antes. Estaremos pior em aceitarmos a chantagem do discurso da inevitabilidade no momento em que estamos no Euro e no momento de sermos convidados a sair. Não há nada de inevitável em aceitar a extorsão do capital financeiro, recusar a extorsão é sair do Euro.
    Consulta um dos muitos artigos de Resistir.info neste tema:
    http://resistir.info/europa/explosao_monetaria.html

    3 – Pensar a economia globalizada, pensar a dependência de exportações e importações como imprescindíveis é não entender a época em que vivemos. Citando Herman Daly:

    “No mundo pobre de antigamente o capital era o factor limitativo do crescimento económico. Mas agora vivemos num mundo rico.
    Reparem: Qual é o limite para as pescas anuais – os barcos de pesca (capital) ou o que resta de peixe no mar (recursos naturais)? Nitidamente este último. Qual é o limite para o número de barris de petróleo extraídos – as plataformas e plataforms de perfuração (capital) ou o que resta dos depósitos de petróleo acessível – ou a capacidade de a atmosfera absorver o CO2 do petróleo queimado (ambos recursos naturais)? Qual é o limite para a produção de madeira – o número de moto-serras e de serrações, ou as florestas e o seu ritmo de crescimento? Qual é o limite para a agricultura por irrigação – as bombas e os aspersores ou o ritmo de reposição aquífera e os caudais dos rios? Isto deve chegar para pelo menos sugerir que vivemos num mundo refreado pelos recursos naturais e não num mundo refreado pelo capital.”
    http://resistir.info/ecologia/daly_08mai12_p.html
    O que temos de mais valioso não é o investimento do capital estrangeiro e não são os consumidores de outros países que compram os nossos produtos mas sim a nossa própria riqueza natural e humana no nosso próprio solo. O Euro significa uma guerra económica e um extorsão financeira. A guerra económica contra a Alemanha, não a podemos ganhar e a extorsão apenas a podemos parar. Esperar por um despertar dos trabalhadores nos países nórdicos é aceitar a escravatura do proletariado no horizonte visível.
    Isto para não falar que o Socialismo nunca foi e nunca será um competidor vencedor do ponto de vista económico face ao Capitalismo. Creio que o Socialismo nunca pode nem poderá entrar nessa competição global que significa guerra demencial até à destruição da humanidade e do planeta.
    A verdade é que a Autarquia face ao euro e a face à globalização capitalista é o melhor dos mundos. Quando colocas a questão do nível de vida dos trabalhadores deves te lembrar – antes de começares a comparar níveis de vida com a Alemanha – que qualquer alternativa de esquerda revolucionária que se preze em Portugal teria em primeiro lugar de acabar com a fome e outras necessidades básicas que negam a milhões de portugueses para as quais uma reforma agrária decente (ecológica e cooperativista) bastava para solucionar.

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