A memória pariu um rato?


François Mitterrand, um dos candidatos apoiados por quase toda a "esquerda radical", acabou por produziu um governo do qual não se guardam boas memórias.

1) Imediato cancelamento…
2) Cancelamento de todas as medidas…
3) Abolição imediata…
4) Investigação…
5) Uma comissão de auditoria internacional para investigar…

A recusa sectária do KKE, que nem sequer se senta à mesa das negociações, e o entusiasmo cego com um programa de governo que não tem uma proposta programática, parecem-me duas atitudes bastante disparatadas. Se é óbvio que toda a esquerda deve negociar um programa de mínimos – não era sobre isso que deveria ser o debate? – para derrotar o programa da troika, não é mentira que essa negociação não deve ser feita com o credo na boca e debaixo da chantagem de que quem não venha a ceder será o responsável pela continuidade das medidas em curso ou, pasme-se, pelo crescimento da extrema-direita. Não deixa de ser caricato ver um bloquista a cobrar coerência doutrinária ao PCP em matéria de unidade com o Soares, usando para isso um piores momentos da história dos comunistas e um dos mais criticados por todas as declinações esquerdistas. Um must do estrunfe Guedes que quase me leva a concluir que a crítica estava coberta de razão e que o entusiasmo com o resultado do Syriza pode ter sido manifestamente exagerado.

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