A memória pariu um rato?


François Mitterrand, um dos candidatos apoiados por quase toda a "esquerda radical", acabou por produziu um governo do qual não se guardam boas memórias.

1) Imediato cancelamento…
2) Cancelamento de todas as medidas…
3) Abolição imediata…
4) Investigação…
5) Uma comissão de auditoria internacional para investigar…

A recusa sectária do KKE, que nem sequer se senta à mesa das negociações, e o entusiasmo cego com um programa de governo que não tem uma proposta programática, parecem-me duas atitudes bastante disparatadas. Se é óbvio que toda a esquerda deve negociar um programa de mínimos – não era sobre isso que deveria ser o debate? – para derrotar o programa da troika, não é mentira que essa negociação não deve ser feita com o credo na boca e debaixo da chantagem de que quem não venha a ceder será o responsável pela continuidade das medidas em curso ou, pasme-se, pelo crescimento da extrema-direita. Não deixa de ser caricato ver um bloquista a cobrar coerência doutrinária ao PCP em matéria de unidade com o Soares, usando para isso um piores momentos da história dos comunistas e um dos mais criticados por todas as declinações esquerdistas. Um must do estrunfe Guedes que quase me leva a concluir que a crítica estava coberta de razão e que o entusiasmo com o resultado do Syriza pode ter sido manifestamente exagerado.

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30 respostas a A memória pariu um rato?

  1. Rocha diz:

    Ora haja lucidez. Subscrevo inteiramente o que o Renato diz.

    Não são histerias ou entusiasmos cegos que vão indicar o melhor caminho para as próximas batalhas políticas e sociais na Grécia.

    Já em relação a estratégias mantenho todo o apoio à estratégia fundamental do KKE de ruptura com o euro, União Europeia e NATO (estratégia que até não difere substancialmente da ANTARSYA que teve 1,2% triplicando os votos e de outras forças anti-capitalistas).

    • Renato Teixeira diz:

      E a troika Rocha? Não vale sequer uma ronda de mínimos?

      • Rocha diz:

        Ora se Tsipras diz que o memorando é nulo basta ser coerente e dizer que a Troika é uma nulidade!

        O povo grego não deve negociar com empregados (os boys da Troika) mas sim directamente com os seus patrões.

    • Kirk diz:

      Histerias? Entusiasmos cegos?
      Rocha, você lê os jornais? Donde é que, das noticias que nos chegam, se infere que há histerias e entusiasmos cegos? A direita grega já afirmou que o Bloco lá do sitio vai levar a Grécia á desgraça, você afirma que Syriza ou os seus apoiantes, entraram em histeria e entusiasmos cegos. Isso é o seu desejo recalcado de que as forças da equerda fossem encostadas ao canto. Você eo Renato estão bem um para o outro, meus caros.
      É fodido, não é? Logo haver um partido da esquerda nao convencional a obter um resultado daqueles. Porra pá, você já pensou bem como é que o KKE no meio do tremendo descontentamento do povo grego praticamente não aumentou a sua votação comparativamente com as anteriores eleiçoes? Já percebi, você pertence aquela minoria de iluminados que acha que o povo, os trabalhadores gregos são burros senão teriam votado no KKE. Quer ver que foram ludibriados pelo Syrisa?…
      K

      • Renato Teixeira diz:

        Já. Provavelmente por sectarismo, mas a cristalização do KKE não garante as virtudes do Syriza.

      • Rocha diz:

        O que eu acabei de dizer é que não concordo com a atitude do KKE de não reunir com o SYRIZA. Porque acho que é preciso serenidade para reagir à histeria, acho que o KKE podia pessoalmente e serenamente dizer que não à tal possibilidade de governo proposta.

        Mais, acho que o KKE deve serenamente continuar a defender as suas propostas e não recear defendê-las face a seja que “europeístas” for.

        Como afirmou muito bem o KKE, as votações do SYRIZA ou de outras forças de esquerda não têm nenhuma correlação com a disponibilidade do KKE para alianças. Não há ainda consenso programático entre KKE e SYRIZA, isto é o que interessa. De resto se o SYRIZA puder consensualizar o seu programa com outras forças de esquerda desejo-lhes muita sorte.

        Já na luta social acho que o KKE deveria ser menos sectário em relação aos movimentos de indignados. Mas creio que a sua intransigência em relação aos sindicatos amarelos GSEE e ADEDY é totalmente justificada.

  2. um gajo qualquer diz:

    Vamos ser honestos, Renato!

    Concordarias que o teu partido (naturalmente revolucionário) fosse para um governo, aqui em Portugal, que se opusesse á troika, mas não à U€ capitalista e ao €uro alemão?
    Concordarias que o teu partido fizesse parte dum governo que quisesse implantar medidas “progressitas” dentro do marco capitalista (e cuja crise impediria sempre qualquer sucesso do “progressismo”)?

    Não pois, não?
    A posição do KKE seria a posição do Rubra se vocês estivessem na Grécia com 8% dos votos.
    Tudo isto já acoteceu, tudo isto acontecerá outra vez!

    Imagina que, em Abril de 1917, o partido bolchevique se tinha juntado aos mencheviques no governo provisório sob a pressão de construir uma “unidade anti-czarista”… NUNCA TERIA HAVIDO OUTUBRO!!!

    Ou então… imagina que, daqui amanhã, o Rubra fosse chamado a apoiar um governo de “esquerdas” que quisesse não mandar à dívida às malvas, mas “renegociá-la”, quisesse rasgar o memorando, sem pôr em causa a U€ e as suas estruturas, quisesse aplicar umas medidas sociais porreiras sem nacionalizar imediatamente a banca e as grandes empresas…
    Aceitarias fazer parte dum governo deste género com o BE e o PCP…? NÃO, POIS NÃO?
    Se calhar apoiariam todas as medidas progressistas desse governo, mas não estariam lá dentro….

    Ao dares lastro às acusações de sectarismo (plo menos neste caso concreto) do KKE, estás apenas a dar força àqueles reformistas que, daqui amanhã, te estarão a acusar a ti de sectarismo por recusares embarcar na “frente popular” da ocasião…

    • Renato Teixeira diz:

      Eventualmente, mas não tenho esse grau de certeza. Em qualquer dos casos seria sempre preciso reunir para se perceber se havia margem negocial e capacidade de influenciar as contas do próximo governo. Repare, não estamos a falar do PASOK. A esquerda anti-capitalista apelou ao voto critico na segunda volta da primeira eleição do Lula, e acho que, com os dados que havia naquela altura, fez bem.

  3. Estamos a falar de dois “diferentes” planos políticos. Não questiono a caracterização qe o KKE faz da UE, que é, sem dúvida, uma plataforma capitalista supra-nacional. Agora, a derrota da Troika é uma tarefa imediata. Aliás, penso que uma coisa levaria à outra. A ruptura com a Troika, da parte de um governo de esquerda grego, iria levar o Syriza a uma contradição que teria obrigatoriamente de resolver, ou capitulando à UE ou mantendo um programa de esquerda. Quem sabe, as condições no país iriam desenvolver-se a um ponto de ruptura com a UE. Eventualmente, seria inclusivamente o KKE que sairia a ganhar, ao nível de credibilidade e apoio das massas. Enfim, o problema é que nem estamos sequer a debater uma formação de governo, mas sim negociações para a formação de um governo, que, graças a uma táctica que considero ultra-esquerdista, ficaram na praia. Quanto ao programa, penso que, pesem alguns pontos que devem ser clarificados, como já notei no post, é uma excelente base de conversa e bem mais à esquerda do que a esquerda institucional nos tem habituado. Nem que seja, gostava de “testar” a esquerda “radical” e ver até onde vão na defesa de um programa contra esta ofensiva troikista.

    • Renato Teixeira diz:

      É precisamente esse dilema contra o qual o KKE parece prescindir de empurrar o Syriza. Será que basta o sectarismo para justificar as razões dessa posição?

  4. “um piores momentos da história dos comunistas e um dos mais criticados por todas as declinações esquerdistas”

    Eu tinha 12 anos na altura, mas penso que a UDP/PC(R), PSR, POUS e até a LST acompanharam o PCP nesse momento.

    • Renato Teixeira diz:

      Apoiaram, pelo menos as suas direcções, mas não creio que tenham o monopólio da esquerda à esquerda do PC. Além disso, duvido que impacto terá tido essa orientação na base. Estou convencido que nem a esmagadora maioria da base do PCP acabou por votar Soares…

  5. Carlos Guedes diz:

    Vocês não conseguem sair do quadrado e assim torna-se difícil discutir o que quer que seja.
    Ao ir buscar o Congresso de 1986 do PCP achas que era sobre o Soares ou sobre o acerto da decisão que eu queria que se falasse? Se percorreres as caixas de comentários de algumas postas verás que há vários comentadores que dizem sistematicamente que o KKE não pode juntar-se ao Syriza porque isso ia contra o que tinha dito antes das eleições. Com o Congresso do PCP eu apenas pretendi demonstrar que houve outros partidos comunistas que se viram em circunstâncias idênticas e que encontraram forma de as ultrapassar. Acertadamente, a meu ver. Erradamente segudo as tuas palavras. Mas isso tem mais a ver com doenças infantis que perseguem a malta de Esquerda do que com outras coisas.
    Destaco, novamente, as palavras com que termina aquele ponto da Resolução do Congresso do PCP e que, a meu ver, permanecem muito válidas até aos dias de hoje:
    «A unidade dos democratas que defendemos e desejamos não é para lutar pelas liberdades depois delas perdidas, mas para impedir que as liberdades se percam.
    Não é para lutar pela democracia, depois dela liquidada, mas para impedir que o seja.»
    Como é que se pode continuar a fingir que o que acontecer na Grécia não é para o futuro de muitas (todas?) lutas europeias?
    De resto, o meu entusiasmo nunca se deveu ao crescimento do Syriza. Deveu-se e deve-se ao povo grego que retirou 3,3 milhões de votos aos partidos da Troika e que, deste modo, levou até ao voto o seu protesto. Mesmo com a abstenção a subir 600 mil votos. Defraudar as expectativas deste povo é dar um pontapé nas suas lutas e nas de muitos outros.

  6. Carlos Guedes diz:

    Declaração do presidente do grupo parlamentar da SYRIZA – Frente Social Unida, Alexis Tsipras, depois de ter recebido o mandato do Presidente da República

    O veredito popular de 6 de Maio não pode ser interpretado de muitas maneiras. A vasta maioria dos cidadãos votou contra a bárbara política dos memorandos.

    3.300.000 cidadãos abandonaram os dois partidos do memorando e deram fim aos planos de elaboração de 79 medidas em junho, os planos de 150 mil despedimentos no setor público e as medidas extra de cortes no valor de 11 mil milhões de euros, cuja elaboração estava prevista para o mês que vem.

    Apesar de tudo isto, alguns insistem em tentar interpretar os resultados segundo os seus próprios pontos de vista. Falam de um voto sentimental, de um voto de fúria. Estão enganados. Foi uma escolha política consciente e madura.

    O povo grego decidiu: nem 151 deputados, nem 51% para os partidos que apoiam os memorandos. Este era um dos nossos principais objetivos, que foi cumprido.

    Os partidos do memorando deixaram de ter maioria no Parlamento para votar as medidas da barbárie contra o povo grego. Foi um resultado muito importante, uma vitória muito importante da nossa sociedade.

    Por outro lado, apenas uns poucos milhares de votos e a lei eleitoral antidemocrática impediram a esquerda e as forças progressistas da possibilidade de terem um mandato maioritário.

    Apesar disso, o veredito popular claramente cancela o memorando e as cartas de compromisso que os senhores Venizelos e Samaras enviaram para a Europa e o FMI, e torna o governo de esquerda numa primeira escolha alternativa, que vai pôr um fim aos memorandos e aos acordos de resgate de submissão.

    Nos últimos dias, porém, estamos a observar um alinhamento completo dos partidos do memorando e uma parte dos média com a proposta apresentada ontem pela Federação Helénica de Empresas, por um governo de salvação nacional com a participação do SYRIZA e o apoio, claro, dos partidos do memorando.

    Deixamos-lhes claro que quaisquer que sejam os truques de comunicação em que possam pensar, não há qualquer hipótese de restaurarmos pelas traseiras aquilo que o povo atirou fora pela porta da frente no último domingo.

    Por isso, o PASOK e a Nova Democracia deviam parar de fazer o apelo a um governo que aplique o memorando e o plano de resgate – mais uma vez em nome da salvação nacional.

    O que propõem não é um governo de salvação nacional, mas um governo de salvação do memorando. Nada temos a ver com isso.

    Se os senhores Venizelos e Samaras tiverem sinceramente mudado de ideias em relação às suas escolhas catastróficas que destruíram a sociedade, convidos-os a enviarem, até amanhã, data em que vou reunir com eles, uma carta aos líderes da União Europeia e aos estados-membro da UE, na qual deixem claro e categórico que os compromissos que assumiram nas suas cartas anteriores, o seu compromisso de elaborar fielmente as diretivas dos mercados e do FMI e o bárbaro programa do segundo memorando, deixaram de ser válidos.

    Se não fizerem isto, peço-lhes, mesmo agora, que deixem de enganar o povo grego, porque não poderão convencer sequer o que resta dos seus eleitores.

    Quanto a nós, depois de receber o mandato de procurar reunir condições de formar governo, iremos atuar exatamente como prometemos nas eleições. Reafirmaremos a nossa proposta de um governo da esquerda.

    O nosso programa e as nossas propostas são conhecidos de todos, por uma série de questões cruciais, como a redistribuição do peso dos impostos, a condução da questão fiscal em termos de justiça social, a reconstrução produtiva do país e a reconstrução ecológica do desenvolvimento.

    Todas estas nossas posições e propostas estão na mesa do diálogo, como base para a discussão que queremos abrir com toda a esquerda, as forças ecológicas e progressistas do país, mas também com o povo.

    Mais ainda, consideramos contar com mais propostas na mesa para o diálogo, vindas de outros partidos de esquerda, como as propostas do KKE (Partido Comunista) para a proteção dos desempregados, para a regulação das dívidas dos lares sobre-endividados, bem como propostas de outras forças que vão na direção de convergência com as nossas posições.

    Para as necessidades deste processo de diálogo, que iniciamos hoje, queria destacar e insistir nos seguintes eixos mínimos para a discussão:

    1) A necessidade de cancelar imediatamente a elaboração das medidas do memorando e especialmente das leis vergonhosas que cortam os salários e pensões ainda mais.

    2) O cancelamento das leis que acabam com direitos laborais fundamentais e especialmente da lei que define que, imediatamente, em 15 de maio, acabam as disposições dos contratos coletivos e os próprios contratos coletivos.

    3) A promoção de mudanças imediatas no sistema político para o aprofundamento da democracia e da justiça social, começando pela alteração da lei eleitoral, o estabelecimento da proporcionalidade plena e o cancelamento da lei da responsabilidade dos ministros.

    4) O controlo público sobre o sistema financeiro, que hoje, apesar do facto de ter recebido aproximadamente 200 mil milhões de euros em dinheiro e garantias, está ainda nas mãos dos gestores que o levaram à falência. Pedimos a publicação do Relatório Black Rock. Queremos transformar os bancos numa ferramenta para o desenvolvimento da economia e o reforço das pequenas e médias empresas.

    5) Por último, mas não menos importante, um quinto ponto de diálogo: a criação de um Comité de Auditoria Pública, que irá investigar a dívida opressora; uma moratória do pagamento da dívida e a defesa de uma solução europeia justa e sustentável.

    A crise não é uma especificidade da Grécia; é uma crise europeia e devemos procurar uma solução em nível europeu.

    Com estes eixos, procederemos a uma discussão sincera e substancial com as forças progressistas, de esquerda, ecológicas e com o povo grego; e estes eixos constituem a nossa contribuição à discussão que já começou para a descoberta de uma solução governamental.

    Gostaria de dizer que não somos indiferentes em relação à governabilidade do país, mas estamos em primeiro lugar preocupados com a direção do governo do país, estamos preocupados com o respeito do veredito popular e se a política governamental aplicada será de acordo com o veredito popular e não em total desacordo, como tem sido nos últimos dois anos.

    8 de maio de 2012

  7. Kirk diz:

    Renato
    Nao bata mais no ceguinho.
    Já todos percebemos que o que você preferia era que a direita pró-troikista mantivesse o poder na grécia. Para si é um contratempo que qq partido de esquerda algum dia ganhe as eleições. Nesse dia você deixa de ter razão de existência e isso é assutador.
    K

    • Renato Teixeira diz:

      Está enganado. Não queria outra coisa neste contexto do que ter o Syriza confrontado com o poder. Isso sim, dar-me-ia razão de existência e das duas uma, foi ficaria coberto de razão, ou teria todo o gosto em dar a mão à palmatória. Percebeu agora?

  8. Martelo diz:

    subscrevo o que aqui é dito. bom post.

  9. manel franco diz:

    Há dois dias, o Renato colocava um post onde insinuava que a Syriza nada tinha a ver com o BE porque a primeira era muita mais à esquerda (ainda que o post tivesse muitos dados a rever):

    “O Syriza é o Bloco de Esquerda Grego?
    Não. O primeiro festeja as suas vitórias a ouvir Clash, Rage Against The Machine e várias versões da Internacional, o segundo dificilmente vai além de Sérgio Godinho, Manu Chau e Bob Marley. O primeiro defende a suspensão do pagamento da dívida, o segundo a renegociação. O primeiro não tem o euro como uma vaca sagrada, o segundo agarra-se ao Euro com um pobre se agarra ao grilhão. O primeiro defende unidade com a esquerda contra a troika, o segundo a única unidade que foi capaz de produzir foi com o Partido Socialista.”, dizia Renato Teixeira.

    Mas hoje percebeu que afinal a Syriza também ainda não é suficientemente à esquerda para os seus gostos musicais. Parabéns, está a caminho dos 0,01%, enquanto uma esquerda anti-troika e anti-austeritária está a lutar para chegar ao poder e distribui-lo à população. Há os que vão à luta e os que se imobilizam no purismo!

    • Renato Teixeira diz:

      Chegou a ler as postas ou limitou-se ao copy-paste? É que uma fala sobre a outra, e é capaz de dizer mais do que purismos e preconceitos.

    • um gajo qualquer diz:

      E há os que sucumbem aos cantos da sereia e há os que mantêm a coerência das suas posições políticas porque não fazem da luta um concurso de popularidade…

  10. Rui F diz:

    Mijo-me a rir com estes anti capitalistas duma pseudo esquerda.
    Nunca, mas mesmo nunca, vão entender as massas que deveriam ser “suas”.

    Não passam do primeiro parágrafo. São inequívocamente um absurdo.

  11. manel franco diz:

    Eu percebo que se goste de se dizer muito de esquerda e radicalizar até não haver ninguém que seja mais de esquerda, até porque nessa altura não há mesmo ninguém. Essa é um tradição que alguns que aqui escrevem conhecem bem. Percebo que queiram corresponder à imagem que criaram do que é um revolucionário, mas isso é mais uma questão de ego e menos uma questão de massas.

    Para esses, cinco tipos a dar uns pontapés numas grades postas nas escadas da Assembleia da República, é o ícone revolucionário, ainda que isso não dê nada e ainda que os pontapés não sejam revolucionários. Mas gostam da forma. Já uma alternativa de esquerda anti troika e anti austeridade que pode efetivamente tomar o poder e virar o rumo aos acontecimentos, não serve. Mais valia serem cinco a pontapear as grades na AR, mesmo que isso fosse inconsequente e insignificante.

    Há várias formas de abandonar as massas, uma delas é dizer-lhes que nada é alternativa. Isso promove a resignação. E o sectarismo muito tem contribuido para isso.

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