Quem rejeita um governo baseado nestes pressupostos?

1) Imediato cancelamento de todas as medidas previstas de empobrecimento, como cortes nas pensões e salários;
2) Cancelamento de todas as medidas previstas que vão contra os direitos fundamentais dos trabalhadores, como a abolição dos contractos colectivos de trabalho;
3) Abolição imediata da lei garantindo imunidade aos deputados e reforma da lei eleitoral (principalmente a questão dos 50 deputados bónus para o partido vencedor);
4) Investigação aos bancos gregos e imediata publicação da auditoria feita ao sector bancário pela BlackRock;
5) Uma comissão de auditoria internacional para investigaras causas do défice público da Grécia, com uma moratória em todo o serviço de dívida até serem publicados os resultados da auditoria.

[tradução de Nuno Moniz, a quem agradeço a autorização para publicar aqui]

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34 Respostas a Quem rejeita um governo baseado nestes pressupostos?

  1. RML diz:

    Veja lá, não perca coisas na tradução. É que aqui (http://www.keeptalkinggreece.com/2012/05/08/tsipras-reveals-gov-conditions-annul-bailout-measures-banks-under-public-control/) o texto não é exactamente o mesmo.

    • Carlos Guedes diz:

      Então, se fizer favor, pode dizer onde está o erro? É que isto não é bem «serviço público». E, como terá reparado, recorri à tradução cedida por um amigo que me pareceu bastante fiel ao original. Infelizmente não somos perfeitos nem temos tempo para tudo!

      • Por acaso fui comparar a tradução. Falta um ponto: tudo bem. Mas chamo MUITO a atenção para o ponto 4 aqui e 5 do outro lado. O que diz não é “Investigação aos bancos… e lançamento do relatório” mas “Controlo público dos bancos…”. Assim sou obrigado a concordar com alguns comentários abaixo e afirmar que me parece um convite ao KKE para fazer governo. Eis a importância de nacionalizar a banca.

      • RML diz:

        Não lhe farei o favor. Tem tido tempo para responder a praticamente todos os comentários, um a um, não lhe custará muito abrir o link que lhe enviei e ver que em vez de 5 pontos aparecem 7 e que por isso, evidentemente, o texto não pode ser o mesmo.

  2. Pingback: Ao abrir-se uma ténue oportunidade de a esquerda anti-troikista se revelar alternativa de poder, ressurge uma velha doença do movimento comunista internacional | Sentidos Distintos

  3. Miguel Lopes diz:

    Não percebo qual é a tua dúvida..
    O Syriza que aceite ser governo minoritário e meta essas medidas no parlamento, que elas serão aprovadas pelo KKE.

  4. miguel serras pereira diz:

    Bom, em primeiro lugar, não é certo que o Syriza aceite formar um governo minoritário. Em segundo lugar, o KKE só poderia apoiar essas medidas dando amanhã por não dito o que hoje diz. Não faço a mínima ideia de quais serão as informações de que o Miguel Lopes dispõe para garantir que isso aconteceria, no caso de o Syriza formar um governo minoritário.

    msp

    • Miguel Lopes diz:

      “Bom, em primeiro lugar, não é certo que o Syriza aceite formar um governo minoritário.”

      Ou aceita um governo minoritário, ou não aceita governo nenhum. A matemática não engana. Até encontrando a solução mais rebuscada de todas (uma espécie de compromisso histórico): Syriza/Dimar/Gregos Independentes /PASOK dá 145 deputados. Dá sempre um governo minoritário.

      “Em segundo lugar, o KKE só poderia apoiar essas medidas dando amanhã por não dito o que hoje diz”

      Errado. O KKE apenas anunciou que não faria parte de um governo com o Syriza ou o Dimar. Não disse que não o viabilizaria, nem disse que discordava destas propostas. Aliás, algumas delas estão no seu programa.

    • Vasco diz:

      Eu não sei o que o KKE fará. Mas não é exactamente a mesma coisa não aceitar formar governo e apoiar no Parlamento certas medidas. Não vejo onde está a contradição…

  5. Jorge Cid diz:

    Bem…costuma ser rejeitado pelos eleitores dos países democráticos, por razões que um comunista nunca quererá perceber;
    Depois, começa logo o ponto 1. com uma enorme contradição: ou expliquem-me como é que os gregos não irão muito mais quando o Estado estiver falido e sem crédito? É que entrar em Banca Rota e não empobrecer é coisa do âmbito da metafísica….

    • Carlos Guedes diz:

      É isso. Pelas suas palavras podemos concluir que até aqui os gregos têm vindo, todos, a enriquecer de forma descontrolada. Seja ou, pelo menos, tente ser sério!

      • AMD diz:

        Por falar em seriedade, por que não faz o Syriza uma coligação governamental com o Nova Democracia? Não me venha com ah e tal… É a mesma honestidade com que o meu caro está a tratar o KKE que foi suficientemente claro antes do acto eleitoral.

        • Carlos Guedes diz:

          A honestidade pré-eleitoral do KKE, sendo louvável porque é honesta e séria para com os eleitores, sofre de um sério problema. É que está a condicionar por completo a acção que se exige com a substancial alteração da realidade que representa a perda de 3,3 milhões de eleitores por parte dos partidos da austeridade.
          Mas veja, aconteceu algo semelhante em Portugal, em 1986. O PCP anunciou, antes das eleições, que nunca apoiaria o Soares. Confrontados com os resultados da 1ª volta, em que Soares (25,1%) passou para a 2ª volta juntamente com Freitas do Amaral (45,8%), os comunistas portugueses tocaram a rebate e convocaram um Congresso Extraordinário com um único ponto na ordem de trabalhos: «a atitude do PCP na 2ª volta das eleições presidenciais». O resultado foi o que se viu.
          E ainda hoje tenho presente a verticalidade de Álvaro Cunhal nesse momento difícil. Na Resolução Política desse Congresso, a páginas tantas, podemos ler: «Neste momento grave da vida nacional o PCP apela à unidade e à luta dos trabalhadores das mulheres, da juventude, dos intelectuais, de todos os democratas e patriotas que querem que Portugal prossiga o caminho de liberdade, democracia, progresso social, independência e paz aberto pela gloriosa Revolução do 25 de Abril.»
          O KKE não pode fazer o mesmo?

          • The Liquidator diz:

            “O KKE não pode fazer o mesmo?” – Não caro Carlos.

            Primeiro, porque o KKE é o Partido Comunista da Grécia, e o PCP é o Partido Comunista Português.
            Segundo, e apesar desta primeira diferença, na década de oitenta, como o Carlos finge não saber, ambos os partidos tiveram as suas aventuras “parlamentaristas”, a do PCP ficou-se pelo voto com a mão cega no Soares, a do KKE foi até aos governos com a Nova Democracia e depois de unidade nacional com este e o PASOK. Ou seja, sectário ou não, o KKE tem a experiência e a memória histórica desta opção, e da sua mais famosa consequência, a criação do Synaspismos. Por isso, definir posição para os outros é fácil, como diz o povo: pimenta no cú dos outros é refresco.

            Assim, o Carlos torna a incorrer no erro paternalista relativamente à Grécia que o BE tem exposto… apesar de eles (gregos, sryriza, KKE) não quererem (como no caso do bailout) continuam a arreigar-se de levantar o dedo apontando o caminho verdadeiro a seguir, ao jeito de grande líder.

            Infelizmente, a histeria pós-hollande socialdemocratóreformista parece estar em fade-out.

          • Vasco diz:

            Coerência não é uma palavra vã. Nem os compromissos assumidos com militantes, trabalhadores, eleitores.

            O caso das eleições presidenciais de 86 é diferente – tratava-se de alterar profundamente uma posição devido ao alterar da própria situação. Escolher um mal menor. Foi uma opção soberana do PCP. O KKE que faça as suas escolhas e as suas opções. Soberanamente!

    • Nunca me engano,raramente tenho dúvidas-no país do filósofo do leme diz:

      Democrático?É preciso ser um ignorante ou um estulto sem vergonha nenhuma.O partido q tiver mais votos,tem direito a mais 50 lugares no paralamento.É isso a democracia?É preciso ter lata!!!!Da-se!Democracia é um tiro nos cornos dos gajos que roubaram os 8 000 milhões de euro….e,é preciso ser mais especifico?

    • De diz:

      Tenha vergonha.O que se passou na Islândia é para esquecer na contabilidade do Cid?
      Ou o desejo que não acordem o rato adormecido em Portugal faz entrar em pânico os que vivem à custa do roubo de quem trabalha?

  6. Rocha diz:

    Agora que estive a ler mais sobre as andanças Tsipras já entendi, o que aliás já suspeitava, o programa de governo não pretende realmente obter uma maioria impossível no actual parlamento mas sim formar uma frente de esquerda para as próximas eleições antecipadas de que já toda a gente fala.

    Engenhoso sem dúvida. Desejo-lhe sorte, palavra.

    Fiquei a saber que o SYRIZA obteve apoio da Esquerda Democrática e reuniu-se com os Ecologistas Verdes que não conseguiram ser eleitos (acima da barreira mínima de 3%) por apenas uma décima.

    Mas se as esquerdas não voltarem às acções de massas, greves, manifestações, bloqueios e ocupações de pouco valerá. O povo falou nas urnas agora é preciso que fale na rua.

    • franciscofurtado diz:

      Bem, é com alívio que vejo que a malta está a ver a luz! Aleluia!!!! Mais vale tarde que
      nunca, eu bem me parecia que a malta não tava bem informada e a perceber o momento de proporções épicas que se está a viver. Eu que sou Chavista digo, isto tem o potencial de vir a fazer parecer o processo bolivariano uma coisa de somenos importância.
      Bem sobre a última frase, obviamente!!! Espero é estejam coordenadas e não adem a marcar manifestações no mesmo dia para sítios diferentes!

    • Vasco diz:

      E parece que, como cá, nos sindicatos se unem a quem quer que seja contra os comunistas… Típico!

  7. licas diz:

    . . . e eu concluo que Há aqui *gentinha* que nos quer
    meter pelos olhos adentro que a KKE ‘e uma organização
    *boazinha* e cordata . . .

  8. A.Silva diz:

    Obrigado Carlos por de uma forma prática teres contribuído para o meu entendimento da posição do KKE!

    É que se o Syriza é parecido com o BE, então percebo pelo histerismo que por aqui vai, e que começou ainda quase as urnas gregas não tinham fechado, as razões dos comunistas gregos não estarem para aturar certo tipo de coisas, nem embarcarem em jogos que só visam prolongar esta “democracia” podre.

    Já agora a propósito de Lenin (tão citado por aqui), não foi ele que escreveu qualquer coisa sobre “doenças infantis”?

    • Carlos Guedes diz:

      Foi ele mesmo, A.Silva. E sabes que mais? Até o tenho andado a reler e está aqui mesmo, ao lado do computador. E adapta-se tanto, mas tanto ao que se passa com o KKE que chega a ser estranho.
      Olha, vou colocar uma posta nova daqui a pouco. Baseia-se num comentário que acabo de colocar numa outra. Mas acho que assim ainda perceberás melhor o que quero dizer! Abraço!

  9. JgMenos diz:

    Espero ansiosamente que o Syriza seja governo e cumpra esses pontos do seu programa na primeira semana. É tempo de saber o que resulta dessas tão louvadas medidas.

  10. Vasco diz:

    É por pensamentos destes que o BE sempre que lhe cheira a poder avança a toda a velocidade. Fê-lo com o Alegre, não pára de namorar o PS. Treme com medo da crítica e vá de apoiar a intervenção da troika na Grécia. Defende a União Europeia e o Euro com unhas e dentes…

    Sinceramente, isso é lá com eles.

  11. Gentleman diz:

    A Grécia tem dinheiro até Junho. Gostava de saber onde é que os marxistas pensam ir buscar o dinheiro para pagar os salários de Julho…

  12. João diz:

    Discordo eu. A comissão internacional está para a dívida como o «tribunal comum» que o Soares propunha estava para o Marcello Caetano em 1974: a gente já sabe perfeitamente dos crimes. Tinha era de ter encostado o Marcello à parede e puxado o gatilho. E tem é de se recusar a pagar dívidas fruto da agiotagem e da corrupção.

    • Gentleman diz:

      Primeiro embebedam-se em dinheiro emprestado. Obras públicas, aumentos aos funcionários públicos, reformas antecipadíssimas, “estado social” generoso. Enfim, um autêntico regabofe. Depois, quando o inevitável acontece — isto é, quando os credores legitimamente consideram que o estado grego não tem condições para pagar mais empréstimos — vociferam contra a “agiotagem” e contra a “troika”.
      Puro lirismo irracional…

      • Vasco diz:

        Meu caro, quem se aproveitou do dinheiro e quem agora «vocifera» contra a agiotagem não são os mesmos gregos. Lá como cá, uns serviram-se à grande, outros ficaram – e cada vez mais – de mãos a abanar.

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  15. Leo diz:

    “Quem rejeita um governo baseado nestes pressupostos?”

    Todos. Ninguém alinhou com o artista que entretanto pediu audiências à Merkel e Hollande e ficou a ver navios…

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