Troikistas não conseguem formar governo na Grécia! E agora??? O momento é de Atacar! Não é de resistir!


Depois da derrota brutal que sofreram as forças Troikistas não estão em condições de formar governo, já o admitiram. Apesar da vontade a Syriza, o segundo partido mais votado e firmemente anti-Troika, também não conseguirá formar um governo anti-troika, uma vez que simplesmente não há relação de forças no parlamento para conseguir isso (mesmo se os ultra sectários do KKE ganhassem juízo).

Não é por acaso que a Syriza obtém este resultado, dentro deste contexto, é quem apresenta uma alternativa (que tendo muitas limitações) que mais esperança e confiança inspira no Povo grego. Sobre o quanto vale a Syriza, com todas as suas limitações, há um episódio de que não me esqueço. Em 2008 (um ano antes da explosão da “Grande Crise”) a juventude grega egueu-se em revolta contra repressão policial e um horizonte cada vez mais limitado. Na altura todas as forças políticas Gregas condenaram a juventude insurrecta, todas? Não, apenas uma força política com representação parlamentar se recusou a condenar o protesto da juventude, essa força foi a Syriza. Na altura lembro-me de discutir isto com um jovem dirigente do Bloco, ele parecia não totalmente convencido com essa posição, a verdade é que na altura, não condenar essa insurreição foi impopular e teve custos no imediato. Mas a Syriza escolheu o futuro, escolheu a juventude. Também escolheu estar ao lado das camadas mais avançadas das massas mesmo sem ter o controlo absoluto sobre o fenómeno,  uma ano mais tarde já era claro quão cobertos de razão estavam os jovens. Hoje é bem claro que a consistência e o rumo estratégico seguido pela Syriza deu frutos. Convém na hora dos elogios a direcção do BE não se esquecer deste episódio, convém também não se esquecer que a aprovação pelo BE do empréstimo à Grécia foi muito mal recebida pela própria Syriza.

No entanto, ainda agora “a procissão vai no adro”, não conseguindo os Troikistas formar governo o mais provável é haver novas eleições a breve prazo. Este é o cenário que temos pela frente.

A questão que se coloca agora não é de como resistir face a um governo Troikista, esse governo já foi derrotado e não se irá reerguer a não ser que as forças Anti-troika o permitam. Esse é o busílis da questão. O Povo grego com a luta na rua e o voto conseguiu derrubar o governo Troikista e impedir a formação de um novo. A questão agora não é mais de como derrubar esse governo, ou de como resistir a esse governo! O Povo Grego só terá de “resistir” se agora que conseguiu uma grande vitória bata em retirada e dê o poder de mão beijada novamente aos Troikistas! Isso é uma estratégia completamente suicidária, que qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que irá conduzir a heróica resistência do povo Grego ao abismo. Neste momento abdicar da luta pelo governo e pelo poder é desertar das posições conquistadas, é abandonar os ganhos que tanto custaram a ganhar! Uma atitude dessas não será compreendida pelas massas, não terá o perdão das massas que depositaram confiança nas forças de Esquerda, nomeadamente na Syriza, como alternativa à barbárie Troikista. Numa certa esquerda há muito a mentalidade que chamo “defender o castelo” ou “resistir é vencer”, por vezes é necessário, não agora na Grécia. Agora na Grécia é a ofensiva ou a morte!

O que a Esquerda Grega Anti-troikista tem a fazer é claramente assumir-se como alternativa de governo e poder! Agora não é altura de “resistir é vencer”, agora é “Avante Camaradas”! Sinceramente espero que para lá da Syriza outras forças gregas se agrupem numa Frente Popular para darem uma alternativa real à Grécia e à Europa. Algumas ão de se juntar, outras não. A história julgará, como julgou os delírios acerca das teorias do social fascismo nos anos 30, que em parte facilitaram a ascenção do Nazismo na Alemanha.

Seria bom que todas as forças anti-troikistas Gregas reflectissem acerca disto, de qualquer das formas, o ideal seria estarem todas as forças unidas, não sendo possível, azar, os cães ladram e a caravana passa. E como acima disse a história julgará as decisões de cada uma dessas forças. Se a Esquerda Anti-Troikista não conseguir dar uma alternativa de poder ao Povo Grego devido ao ultra sectarismo de alguns, as consequências serão pesadas, para todo o povo Grego, para quem tomou essa decisão e também para todos os que lutam por uma alternativa. Uma derrota, sobretudo nas actuais circunstâncias, será altamente desmoralizadora e deixará a esquerda presa fácil dos Nazis e Troikistas. Espero que tal não aconteça, espero que o grau absolutamente decisivo do momento histórico em que vivemos pese mais que preconceitos e divergências superficiais. Espero que mesmo que não esteja totalmente unida, a esquerda Anti-Troikista mesmo assim atinja a vitória.

Finalmente, no caso de uma aliança com “core” na Syriza ganhar o poder, espero que entendam que irão ter de estar preparados para tudo, tudo! E tudo inclui a saída do euro, combates de rua em larga escala, impedir/rechassar golpes de  estado, combater lock outs e desestabilização criada pelas elites e seus aliados (se julgam que a esquerda radical é boa na desestabilização de um país, é porque não conhecem a história e não sabem do que as elites são capazes de fazer para se manterem no poder). Se se mantiverem firmes e consequentes a esquerda Anti-Troikista poderá ganhar (o que terá custos elevados, claro, mas poderá ganhar). Se vacilarem na tomada do poder, se vacilarem face aos ataques das elites, então serão comidos vivos.

Unquestionably, victory or defeat in war is determined mainly by the military, political, economic and natural conditions on both sides. However, not by these alone. It is also determined by each side’s subjective ability in directing the war. In his endeavor to win a war, a military strategist cannot overstep the limitations imposed by the material conditions; within these limitations, however, he can and must strive for victory. The stage of action for a military strategist is built upon objective material conditions, but on that stage, he can direct the performance of many a drama, full of sound and color, power and grandeur.
Mao Tse Tung, “Problems of Strategy in China’s Revolutionary War” (December 1936), Selected Works, Vol. I


Bem afinal de contas o Movimento 26 de Julho, sempre fez a Revolução, apesar do PC Cubano… A História a todos julgará… a alguns absolverá…

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