O Syriza é o Bloco de Esquerda Grego?

Não. O primeiro festeja as suas vitórias a ouvir Clash, Rage Against The Machine e várias versões da Internacional, o segundo dificilmente vai além de Sérgio Godinho, Manu Chau e Bob Marley. O primeiro defende a suspensão do pagamento da dívida, o segundo a renegociação. O primeiro não tem o euro como uma vaca sagrada, o segundo agarra-se ao Euro com um pobre se agarra ao grilhão. O primeiro defende unidade com a esquerda contra a troika, o segundo a única unidade que foi capaz de produzir foi com o Partido Socialista.

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68 respostas a O Syriza é o Bloco de Esquerda Grego?

  1. Rocha diz:

    Hmm… unidades de esquerda à parte, tens a certeza do que estás a dizer? Não é que não confie no que dizes mas… eu gostaria de saber as tuas fontes para essas afirmações…

  2. Nuno diz:

    O Syriza defende a saída do Euro? De que Syriza está a falar?

    • Renato Teixeira diz:

      Não defende tout court, vou rectificar a posta, mas não o tem como tabu, de resto, como também por cá já se percebe que não pode ser:

      http://arrastao.org/2522225.html

      • Carlos Guedes diz:

        Renato Teixeira e Daniel Oliveira unidos num objectivo comum! As voltas que o mundo dá! Também já não és político, Renato?

        • Renato Teixeira diz:

          Não tanto como tu estrunfe Guedes. Confesso que o Daniel Oliveira foi capaz neste texto de avançar mais sobre o tema do que dois anos de literatura da direcção bloquista.

          • Carlos Guedes diz:

            É evidente. Mas o que te une a ele (e não o contrário, atenção) é bem mais do que o que está escrito nesse artigo.

          • Renato Teixeira diz:

            Claro. Sobretudo agora que foi promovido a papão.

            Sobre o resto das diferenças estrunfe Guedes, sai um piu?

          • Rocha diz:

            Epá não elogies muito o Daniel que isso sobe lhe muito à cabeça.

      • Rocha diz:

        Agora surpreendeste-me ainda mais. Eu nem sabia que o Daniel Oliveira colocava essa hipótese…

        LOL… o final do post é anedótico, mas mesmo assim o Daniel Oliveira está a sair (um pouco) da sua ortodoxia reformista… bravo! Mais vale tarde do que nunca…

  3. Carlos Guedes diz:

    Quem mente?

    «Vê uma possível solução em sair da UE e da zona Euro?

    Sair do Euro não é a solução. Primeiro, porque isso beneficiaria aqueles que acumularam riqueza e portanto são financeiramente poderosos. Segundo, porque seria cobarde e estaríamos a converter povos que hoje são aliados em inimigos. Que haja gente que queira bombardear a zona euro é outro tema. Mas a nossa luta está dentro da Europa. Temos que fazer cair a balança do poder, acabar com a orientação neoliberal das divisas e abrir um novo caminho para uma Europa democrática e social.»

    Daqui: http://www.esquerda.net/artigo/alexis-tsipras-queremos-formar-uma-maioria-de-esquerda/23023

  4. Tens toda a razão musical e unitária.
    Quanto à saída do Euro estás a confundir com o KKE, e mesmo essa da renegociação não é bem assim: toda a renegociação séria começa na suspensão do pagamento da dívida. Até um dirigente do PS de Aveiro já deu por isso.

  5. Pela constância com que ataca a Esquerda, Renato, presumo que deva ter uma noção de “unidade” assaz curiosa, e para a qual terá contribuído de forma volumosa. E, claro, é extremamente sério dizer que o BE só “produziu unidade” com o PS. Enfim, assim é o reduto dos ‘orgulhosamente sós’…

    • Renato Teixeira diz:

      “É extremamente sério dizer que o BE só “produziu unidade” com o PS”

      Esqueci-me de quem?

      Quanto à unidade ela só serve se baseada num programa que mude a relação de forças, politica e eleitoralmente, não num programa que repita o que outros já levaram a cabo.

      • Esqueci-me de quem?

        Se calhar, esqueceu-se disto (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/be-e-pcp-assumem-convergencia-e-dialogo-a-esquerda_1488949) e disto (http://www1.ionline.pt/conteudo/108248-eurocrise-be-promove-encontro-da-esquerda-europeia-para-defender-economia-europeia-e-emprego—louca). E, como é óbvio, o apoio ao Alegre não teve por base qualquer espécie de unidade com o governo da altura (presumo que baste olhar para as votações no Parlamento para o percebe).

        não num programa que repita o que outros já levaram a cabo

        Mais uma dose de seriedade, não é, Renato? Sim, porque a aplicação do programa do BE seria uma repetição do anteriormente aplicados por PS e PSD, certo?

        • Renato Teixeira diz:

          Alegre não tem nada haver com o PS quando este estava no Governo e lhe deu, como o BE, o seu apoio expresso?!?! Quer mesmo debater com base na seriedade?

          • É suposto ser sério dizer que havia unidade com o governo do PS? Venha de lá essa lista das propostas governamentais aprovadas com os votos favoráveis dos deputados do BE. Ou a seriedade é só mandar bocas que nunca são consubstanciadas?

          • Renato Teixeira diz:

            Deixe-se de jogos de espelhos. Unidade com o governo PS no que diz respeito à partilha do candidato presidencial.

          • Portanto, decisões separadas de 2 partidos são encaradas como ‘unidade’. Já iniciativas mantidas com outros partidos ou a nível europeu (2 meros exemplos a partir dos links que deixei aí em cima e que facilmente qualquer pessoa encontraria) são irrelevantes. Consistência extrema, não é, Renato?

          • Renato Teixeira diz:

            Era de ir às lágrimas que, para haver unidade, as decisões dos dois partidos tenham que ser feitas em conjunto. Decisões separadas em torno de um candidato e um programa comum. Haverá melhor definição de unidade?

          • Claro, Renato, é muito mais lógico falar de unidade em acções separadas do que em iniciativas coordenadas. Brilhante!

            E, já agora, também passamos a considerar a “dívida pública” detida por pensionistas (indirectamente) como ilegítima, não? (dado que você garante que é toda ilegal…)

          • Renato Teixeira diz:

            Os pensionistas não têm dívida pública, têm pensões para a qual trabalharam e nenhuma responsabilidade se esse direito não foi pago com os seus impostos.

          • Pois é, Renato, mas se os fundos da Segurança Social investiram em OT’s do governo português surge aí um problema ao declarar toda a dívida ilegítima, não é? Bem, se calhar a auditoria até fazia sentido (ah, não, é uma proposta do BE, portanto deve haver aí uma deriva direitista qualquer).

          • Renato Teixeira diz:

            A proposta da Auditoria faz todo sentido, mas não como foi feita. Ao colar-se, programaticamente, à renegociação da dívida, foi o PS e não o BE que ganhou nesse campo da política.

            Quanto à dívida uma vez mais, confunde tudo. Se alguém aplicou, indevidamente, os fundos da segurança social, deve responder criminalmente. Quem descontou e pagou cada centavos dos seus impostos não tem que agora ser chamado a pagar um calote no qual não tem nenhuma responsabilidade.

          • Como imaginará, certamente que não defendo que quem descontou para as pensões fique agora sem elas por causa das decisões de investimento feitas pela Seg. Social. Mas, dado que parte se encontra investida em OT’s Portuguesas, facilmente perceberá a razão de eu (e, presumivelmente, será também essa a visão do BE) achar problemática a declaração taxativa de que toda a dívida é ilegítima. E, Renato, quer fazer o favor de explicar de que forma poderia agir criminalmente contra a Seg. Social por ter aplicado €Xmilhões em OT’s?

            Claro que você não vai gostar da comparação, mas entre o seu voluntarismo (que deixa, entre outro, pensionistas a arder) e o do Rui Tavares (que deixa líbios a arder, mas de forma bastante mais literal), a diferença não é muito grande (em termos de princípio, e de como certas intenções levam a tiros nos pés).

            P.S. Não percebi inteiramente a relação entre a renegociação da dívida e uma eventual vitória do PS, mas posso ter sido eu a perceber mal alguma coisa…

          • Renato Teixeira diz:

            O paralelo era entre a renegociação da dívida e a IAC (Iniciativa Auditoria Cidadã), e isso era, sobretudo, um projecto dos sectores ligados ao PS.

            Para não deixar pensionistas a arder, está visto, é preciso o capital que está a ser entregue aos bancos, disfarçado de dívida.

      • um gajo qualquer diz:

        Renato… Estás a ser injusto!!!

        Para além do PS o bloco procurou a unidade com Helena Roseta e Sá Fernandes. E ainda com a Renovação Comunista. Ah, espera! É tudo apêndices do Largo do Rato… desculpa, sim? Retiro o k disse 😉

    • Rocha diz:

      Também gosto muito do conceito de unidade do Sérgio tipo “orgulhosamente” a sós com o PS. Pois porque esquerda que não ande aos beijos na boca do PS não é esquerda..

      Já diz o povo: só me saem duques! Ou como dizem os “unitários”: só me saem “abstenções violentas”!

  6. Augusto diz:

    Renato Teixeira porque raio escreve tantas bacoradas.

    Bastava ler as declarações que nestes ultimos dias tem feito o dirigente da Syriza.

    Não quer sair da Europa, não quer sair o euro.

    Claro que nem água

    Propõem um governo de esquerda contra o memorando da Troika, proposta já recusada pelo KKE.

    Quanto ás músicas, e ás unidades com o PS , são argumentos de quem realmente já não sabe sobre que que há-de escrever.

    Boas Noite e Bons sonhos, 51 deputados já conseguiu a Syriza , veremos se ainda cai mais algum no avental….

    • Renato Teixeira diz:

      “Quanto ás músicas, e ás unidades com o PS , são argumentos de quem realmente já não sabe sobre que que há-de escrever.”

      De facto, são argumentos sobre os quais já tudo foi escrito e que cujos resultados tiveram longe de produzir bom resultados, sobretudo eleitorais.

  7. Augusto diz:

    Ainda cá volto.

    A Syriza já ultrapassou um milhão de votos, o KKE 500.000, Syriza 51 deputados KKE 26.

    Não misture o José Mário Branco com os amigos do Gil, não se mistura Barca Velha, com Camilo Alves.

    O Ze Mário quando saiu saiu sem fazer alarde.

    Os Amigos do Gil , ou Ruptura Fer como preferir, andaram DOIS ANOS por tudo o que era jornal a dizer que saiam, que abandonavam agora é que era, e afinal para quê, para serem alternativa , alternativa só se fôr ao MRPP.

    • Renato Teixeira diz:

      Eu não disse porquê e como saíram. Referi a primeira e a última cisão, sendo que houve outras pelo meio. Quem ouve o Guedes e desconheça a história pode ser levado a acreditar que no BE a única saída foi a minha e a dos camaradas que saíram por altura do embuste Sá Fernandes.

      • Carlos Guedes diz:

        Ah claro! Agora é o Guedes que deturpa factos?

        • Renato Teixeira diz:

          Não. O Guedes não apresenta factos.

          • Carlos Guedes diz:

            Pá… experimenta começar por fundamentar as três atoardas que mandas na posta. Mas fá-lo com seriedade. E com factos. É que não podes acusar os outros de fazerem algo que tu próprio fazes. E muito!
            Essa necessidade de «malhar» no BE por tudo e por nada… não é saudável. Principalmente quando o fazes mesmo por tudo e, normalmente, com nada a justificá-lo ou, sequer, a sustentá-lo.
            Da primeira versão do post até esta passaram duas ou três alterações. A ver vamos se ficará por aqui…

          • Renato Teixeira diz:

            Guedes, começaste por dizer que não argumentavas porque era tarde e voltavas amanhã, mas horas depois continuas de sentinela mas sem um único argumento.

            O post teve uma única alteração, assumida num comentário que chegou antes do teu.

            Não te convenço mesmo a discutir as diferenças entre o Syriza e o BE?

          • Carlos Guedes diz:

            Por ser tarde é que eu não argumento! E já era há bocado! Mas não fiquei acordado até tão tarde para estar de «vigia» ao blog… não me convences a discutir uma coisa que eu estou farto de te dizer que não é o que importa nesta fase. E, pior, eu não discuto uma coisa que tu próprio sabes não ser fundamental. O que te interessa aqui é deixar claro que o BE é o que tu queres que seja e não pode ser comparado a uma força que alcançou mais de um milhão de votos na Grécia!

          • Renato Teixeira diz:

            Ufa, enfim uma conclusão plausível. De facto o BE não pode ser comparado com uma força que conseguiu mais de um milhão de votos. E repara, não é sequer pelos votos que tal comparação não tem nenhum sentido.

          • Carlos Guedes diz:

            Mesmo que até tenha, em certa medida, servido de «inspiração» a essa força e mantenha com ela relações de grande proximidade!

          • Renato Teixeira diz:

            Inspiração, proximidade, afinidade, relações internacionais, etc, etc, etc, não são constitui, em muitas matérias, elementos programáticos.

          • Carlos Guedes diz:

            Desde que não os queiramos ver…

          • Carlos Guedes diz:

            «Ufa, enfim uma conclusão plausível. De facto o BE não pode ser comparado com uma força que conseguiu mais de um milhão de votos. E repara, não é sequer pelos votos que tal comparação não tem nenhum sentido.»

            Passando ao lado de mais uma provocaçãozinha… era isso mesmo que devíamos estar hoje a celebrar. Mais do que a celebrar devíamos pensar no que se pode fazer para ter em Portugal algo de semelhante. A isto e aos quase 4 milhões do Mélenchon/Front de Gauche em França e o que estes representaram em termos de crescimento da Esquerda para aqueles lados.

          • Renato Teixeira diz:

            Ora, nem mais. É precisamente sobre “o que fazer” para que se cheguem a resultados semelhantes que há um conjunto de erros, bem identificados e que tu não rebates, que não devem ser repetidos.

            Ao vender que cada um dos seus erros como os seus maiores acertos o BE não ajuda a atalhar caminho. (veja-se o tanto que o BE se arrependeu de não ir reunir com a troika e a ausência de qualquer conclusão nos casos Sá Fernandes e, sobretudo, Alegre).

          • Carlos Guedes diz:

            Sobre o Manuel Alegre já te respondi aqui!
            De resto, foram identificados e reconhecidos alguns erros. Não os vou agora nomear.
            Mas, também acho que já escrevi isto por aqui, o erro que apontas (o da não ida à troika) foi assumido pelo F. Louçã depois das Legislativas. Curiosamente, esse é o único com o qual eu não concordo, pois continuo a achar que o BE fez bem ao não ir prestar vassalagem à troika.

  8. Augusto diz:

    Pois olhe que o Sá Fernandes, antes de ser vereador independente proposto pelo BE, já era um cidadão , muito empenhado na defesa da cidade de Lisboa.

    Mas isso certamente o Renato não tem a obrigação de saber, pois como vive em Coimbra, deve estar mais informado daquilo que se passa na sua cidade.

    E quanto ás saidas do BE e já agora entradas, elas são naturais em todos os partidos.

    Já que hoje de certa forma festejamos a vitoria do Syriza, seria interessante que o Ricardo lê-se um pouco do que tem sido o percurso deste partido, que TANTAS semelhanças e DIFERENÇAS tem com o BE, de um projecto inicial que congregou vários partidos, a sucessivas cisões, nestas eleições apresentaram-se mais dois partidos com ex-militantes do Syriza, e apesar disso, têm estado na primeira linha na defesa do povo Grego, tal como o BE, e os resultados aí estão para provar a correcção das suas propostas.

    • Renato Teixeira diz:

      “Os resultados do BE estão ai a provar a correcção das suas propostas.” Leu o que escreveu ou não leu o que aconteceu?

      O Sá Fernandes tem-se fartado de olhar pela defesa da cidade de Lisboa, nomeadamente no serviço que fez ao António Costa. Foi tão mau que quase conseguiu deixar o BE bem na fotografia.

  9. licas diz:

    É *rapazotes* Guedes e Renato estão a dar cá um gozo . . .
    A malta precisa de se divertir. . . com a competição —- de qual é
    a esquerda mais *porreira* . . .

  10. Renato Teixeira diz:



    A propósito das mentiras da dívida, que parecem servir tão bem à direita como à esquerda institucional.

  11. closer diz:

    O que me admira é porque é que alguns comentadores perdem tanto tempo a discutir com o Renato Teixeira. Não sabiam que ele é o detentor de toda a verdade? Nem que seja a sua verdade.

    Como o disse há muito tempo, antes do grande democrata começar a censurar os meus comentários, a obsessão de Teixeira relativamente ao BE passou a ser meta-política. É um caso, relativamente simples de um recalcamento freudiano que o nosso escriba nunca conseguirá ultrapassar.

    • Renato Teixeira diz:

      Claro. Nada como psiquiatrizar a crítica para que os donos da verdade continuem sem serem confrontados com qualquer questionamento.

  12. manel franco diz:

    Post mal engendrado… A tentar cavalgar os resultados do Syriza quando em Portugal apenas conseguiu cindir com aqueles que propõe o mesmo. Mas, por mim tudo bem, reconhecer o erro e voltar à necessidade de uma unidade de esquerda anti-troika em Portugal é um avanço. Um melhor avanço do que a fraturação da esquerda que o Renato andou a promover em Portugal.

    • Renato Teixeira diz:

      Está enganado. Quem abandonou a unidade anti troika em Portugal foi quem preferiu fazer unidade com o PS. Não se pode estar bem com deus e o diabo.

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