Jornalismo de sarjeta

Na Grécia e na imprensa internacional, o sexto partido mais votado, neo-nazi, tem mais tempo de antena do que “o partido da esquerda radical”, que ficou em segundo, a 3% da vitória.

A título de exemplo, na RTP, o candidato do sexto partido mais votado, com menos de 7% dos votos, teve direito à palavra. O candidato do segundo partido mais votado, com 16,52%, não se lhe viu sequer a silhueta.

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6 Responses to Jornalismo de sarjeta

  1. Já era tempo de se parar com esse rótulo jornalistico da esquerda “radical” ou então exijamos ao “consenso jornalítico” que a direita passe a ser tratada por todos nós como direita “radical”. Quando se levam a cabo políticas austeritárias que levam ao suicídio individual e colectivo (?) e se diz que não há “alternativas” o que há de mais “radical” do que essas politícas radicais da direita “radical”?

    João Martins

    • Zuruspa diz:

      Näo concordo com essa de lhe chamar “direita radical”.
      Como bem escreveu, a Direita que existe neste momento é “direita assassina”.

  2. Ricardo Vaz diz:

    Isso é porque uma viragem a sério à esquerda (e não a esquerdas só de fachada como o PS francês) é perigosa para os donos do país, que são também donos dos media, enquanto que uma viragem para o fascismo não lhes custa muito. Pelo contrário, só têm boas memórias do fascismo.

  3. Augusto diz:

    Não é só em Portugal, na generalidade dos meios de comunicação europeus , os resultados da Syriza são mais ou menos ignorados , ou então têm muito menos relevo que os resultados dos nazis.

    Aliás isso já foi flagrante já durante a campanha , com entrevistas e reportagens sobre os nazis gregos, um pouco como o que se passou com a menina Le Pen em França.

    Por alguma razão que me escapa , mesmo jornais tidos por serem de esquerda ou aparentados como o Monde ou o El País ou até no Liberation, isso tem sido flagrante.

    Até tentam ignorar , que a extrema-direita já esteve representada no Parlamento Grego com o partido Laos, e que a Troika não pôs nenhuma objecção, a que fizesse parte de um governo com o Pasok e com a ND , o governo Papademos, só que os gregos hoje , retiraram-lhe o apoio, e o Laos desaparece do Parlamento, possivelmente para grande descontentamento da Troika.

    • Zuruspa diz:

      Vê a entrevista que os neonazis deram logo após a eleiçäo. Quer-se dizer, se o LAOS era “salazarenta”, estes conseguem ser piores ainda. Se faltar o grunho skinhead musculado de braços cruzados ao lado do “gritador” presidente do partido.

      Mas deixem, é melhor que os neonazis saiam do armário e mostrem a sua verdadeira face, que é da maneira que nas eleiçöes daqui a 6 meses desaparecem–näo mais haverá ilusöes sobre a sua “democraticidade” que acredito ontem alguns pacóvios ainda tinham.

  4. Rafael Ortega diz:

    O motivo porque os neo-nazis são referidos na imprensa e os partidos de extrema esquerda não o são é por uma questão de novidade. Extrema esquerda nos parlamentos é coisa comum. Neo nazis não.

    Por outro lado toda a gente sabe, porque é ensinado nas escolas (e bem), quem foram os nazis. E há apreensão por isso. As pessoas ficam atentas e querem saber quem são esses tipos. E os jornalistas, que precisam de vender, alimentam a curiosidade.

    Pouca gente se sente apreensiva por um partido tipo Bloco ou PCP (deviam ou não já é outra história). Não há interesse, razão pela qual os jornalistas não perdem 1 minuto a falar nisso.

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