Das vantagens de um partido muleta, entre o PS e o BE

O Rui Tavares via-a como a Nova Esquerda e descrevia-a assim: “A Esquerda Democrática é uma coligação entre duas cisões, uma vinda dos socialistas e outra da esquerda radical: é como se em Portugal a ala esquerda do PS se aliasse aos bloquistas mais abertos. Em apenas um ano, estão nas sondagens acima dos dez por cento, e já apareceram em primeiro à frente de todos os outros partidos de esquerda”.
Na verdade, este partido mais não fez do que retirar a possibilidade da esquerda ganhar as eleições. Bastava que 1/3 dos votantes nesta “Esquerda Democrática” tivesse votado no Syriza (130 mil votos) para que estivéssemos, de facto, a discutir a possibilidade de um governo de esquerda.
Agora veremos se esta “Nova Esquerda” não vai tentar farejar o poder num governo de União Nacional com o PASOK e ND.

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

17 respostas a Das vantagens de um partido muleta, entre o PS e o BE

  1. antónimo diz:

    Mas não seria estranho que a Dimokratiki Aristera saísse do Pasok para de seguida se juntar a ele?

    De onde surge a ideia de que «Agora veremos se esta “Nova Esquerda” não vai tentar farejar o poder num governo de União Nacional com o PASOK e ND»?

  2. Rui F diz:

    Bom dia

    “…Na verdade, este partido mais não fez do que retirar a possibilidade da esquerda ganhar as eleições. Bastava que 1/3 dos votantes nesta “Esquerda Democrática” tivesse votado no Syriza…”

    As contas não podem ser feitas assim.
    Afinal de contas o PASOK e o ND acabaram por “ganhar” à tira e nada invalida que não ganhassem por mais, caso a Nova Esquerda não existisse. Como foi com o PRD cá.

    Candidatando-se pela 1ª vez, quase ganhavam ao PCP de lá. Há que retirar esta lição igualmente.

    Vamos ver o que acontece daqui pra frente.

  3. Tiago, que noções e contas mais esquisitas. A DimAr (Esquerda Democrática) existe pela mesma razão que o KKE (Comunistas) existem. Os primeiros por acharem que em nenhum outro lugar havia espaço para o seu tipo de europeísmo de esquerda social-democrata, os segundos por acharem que deve haver um partido comunista. Tão respeitável uma opção como a outra. Se um terço da DimAr tivesse votado SyRizA estes teriam sido o partido mais votado? Claro. Se um terço do KKE tivesse votado SyRizA, o mesmo teria acontecido. E se os Verdes gregos se tivessem aliado à DimAr (o que seria a minha preferência), talvez tivessem tido juntos os nove por cento que lhes dão a aritmética, com mais deputados de ambos os partidos (os Verdes não tiveram nenhuma), e relegando os neo-nazis para o último lugar.

    De qualquer forma, em nenhum dos casos estaríamos a falar de uma real hipótese de um governo de esquerda, — mas não por culpa do SyRizA, nem do DimAr. O KKE é que já se disse, ainda antes das eleições, indisponível para alianças com o que considera serem revisionistas sociais-democratas. Enfim, o sectarismo entre a esquerda tem muitas faces.

    • A.Silva diz:

      Enfim, também é verdade que à esquerda o reformismo e o colaboracionismo dos que rapidamente se aprestam a trocar um “prato de lentilhas” pelos interesses do povo, possue as mais diversas e coloridas faces.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Rui, cada um soma o que quer. Esta foi, apenas, a minha reflexão sobre a criação recente daquele partido e que, por ti, era visto como a nova esquerda.

      Ainda que o KKE não esteja no topo dos meus PC’s de referência peço-te que tentes ler a declaração da Papariga (encontrei-a aqui em italiano: http://www.marx21.it/internazionale/europa/1644-il-partito-comunista-di-grecia-sul-risultato-delle-elezioni-legislative-del-6-maggio.html). Mantendo um discurso algo descabido nalgumas matérias diz de uma forma clara que não haverá governo de esquerda porque o número votos não foi suficiente!

      “Ma vogliamo rispondere una volta ancora alla proposta che SYRIZA ha ripetuto dopo le elezioni riguardante un governo di sinistra. Risponderemo chiaramente, senza invocare ciò che tutti possono vedere, in particolare che i voti e i seggi non sono sufficienti.”

      • antónimo diz:

        Eu nisso tenho um ponto de vista ligeiramente diferente. O partido de esquerda que subiu a votação (que teve mais votos) foi aquele que manifestando-se contrário à austeridade e ao tandem merkozy mostrou também disponibilidade prévia para se coligar e ir para o Governo governar de modo diferente.

        Como mero observador, parece-me que mostrar predisposição para soluções governativas (por exemplo, uma aliança CDU+BE que nem precisa de ir a votos em conjunto) legitima os partidos políticos perante boa parte do eleitorado, aquela parte que vê a estabilidade governativa como uma virtude e que receia os vazios de poder.

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Antónimo, estamos de acordo. Eu também acho que seria bem MELHOR apresentarem-se às urnas, NÃO TÃO BOM MAS ACEITÁVEL predisporem-se a conversar uma solução governativa (conforme foi timidamente enunciado nas últimas eleições em Portugal), MAU declararem durante a campanha não aceitar alianças governativas e MENOS MAU se acabassem por aceitar (coisa que me parece óbvia que sucederia na Grécia caso os votos o permitissem) e PÉSSIMO se houvesse o recuou, perante a possibilidade, de uma das partes.

  4. e já agora:

    http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE84600R20120507

    «O líder do partido Esquerda Democrática, Fotis Kouvelis, disse à Reuters que seu partido não vai aceitar se juntar a nenhuma coalizão com o PASOK ou o Nova Democracia.

    “Nós descartamos participar de um governo PASOK-Nova Democracia”, disse Kouvelis após um encontro do partido para definir sua estratégia, nesta segunda.

    “Nós podemos participar de um governo de coalizão com outras forças progressivas”, disse ele, referindo-se a outros partidos de esquerda que juntos não têm assentos suficientes no Parlamento para obter maioria.»

  5. A quem interesse, tradução da declaração do KKE:
    KKE recusa propostas “social-democratas” da SYRIZA
    http://www.vermelhos.net/index.php/mundo/1212-kke-recusa-propostas-social-democratas-da-syriza

    • PM diz:

      Um comunicado feito por autistas, sem a mínima vontade de resolver problemas e melhorar a vida de ninguém. Numa situação social que está mais do que amadurecida para uma mudança, estes senhores não querem mais do que manter os lugarzinhos dos próprios, a coberto da coerência e do puritanismo ideológico. Uma aristocracia insular, no pior sentido do termo.

      • Deixem-lá de chamar autistas as pessoas…Que estupidez, já pensaste como é que os autistas ou quem tem filhos, netos ou familiares autistas se sente ao ver a doença que os aflige usada como um insulto? Parece que “autista” é quem usa o termo dessa maneira…Povo tuga é nharro!

    • Caxineiro diz:

      Obrigado, vermelho

  6. Zuruspa diz:

    Bastava que os Verdes concorressem coligados com o Syriza (que, lembremos, é uma coligaçäo) e näo só teriam entrado no Parlamento, como agora a Coligaçäo de Esquerda teria sido a mais votada e levaria o bónus inventado pela ND com a colaboraçäo do PASOK.
    E agora governaria.

    O DimAr pensava (e eu também, a ver pelas sondagens) que seria o 2.o partido, ou até o 1.o se 20% chegassem para ganhar. Afinal foi o Syriza que fez essa figura. Pois é, ja li porquê, é que o DimAr durante a campanha foi ambíguo com o que fazer com o memorando da Troyka. Lá está, tanto quis apajar os votantes do PASOK que lhe saiu o tiro pela culatra. E muito bem. Há que ser anti-Troyka sem ambiguidades!

  7. CausasPerdidas diz:

    O sonho húmido de provocar uma cisão “social-democrata” no BE para criar uma nova agremiação com a “ala esquerda do PS” terá de esperar por melhores dias. Digo eu. O mesmo que, eleitor desse partido, continua a questionar-se como é que um PROGRAMA que elegeu 3 deputados ficou só com 2…

Os comentários estão fechados.