Do marxismo-tacticismo

A confirmar-se a recusa do KKE ao convite do Syriza para formarem uma coligação com os restantes partidos de Esquerda percebemos até que ponto o sectarismo pode comandar a vida e destruir o sonho!

ADENDA (23h22): Acrescento um link que pode ajudar a entender melhor o que estava em causa.

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39 respostas a Do marxismo-tacticismo

  1. Rocha diz:

    Companheiro Carlos, faz favor de abrir os olhos!

    A possibilidade matemática de um governo de esquerda está muito longe de ser assegurada! E muito menos são favas contadas. Aconselho um visita ao site que está a dar os resultados oficiais.
    http://ekloges.ypes.gr/v2012a/public/index.html?lang=en#{“cls”:”main”,”params”:{}}

    Há um facto bizarro oferecido pelo ministério do interior grego, a entidade responsável pela contagem e divulgação dos votos. O facto é que apesar da última contagem dar apenas 34% à soma dos votos do PASOK e Nova Democracia, a projecção de deputados a partir desses resultados é de maioria parlamentar PASOK-ND com 154 de um total de 300 deputados.

    Alguém me pode explicar como esta fraude é possível?

    http://ekloges.ypes.gr/v2012a/public/index.html?lang=en#{“cls”:”main”,”params”:{}}

  2. Bruno Carvalho diz:

    Mas que coligação, pá? Ainda não percebeste que a ND e o PASOK têm maioria absoluta?

    • Carlos Guedes diz:

      Diria que «até ao lavar dos cestos é vindíma». Seja como for o convite aconteceu. E parece que a recusa também. Assim sendo tudo o resto faz sentido.

  3. miguel serras pereira diz:

    Sectarismo, Carlos? Sem dúvida que também. Mas, sobretudo, o que se passa é que o objectivo “geoestrratégico” de liquidação da UE parece prevalecer, para a direcção do KKE, sobre outras preocupações. Daí o seu nacionalismo extremo, a sua obsessão com a saída do euro a todo o custo (ainda que isso abra as portas a uma catástrofe social e política interna ainda maior), os seus alinhamentos internacionais, etc., etc.
    Abraço

    msp

    • Rocha diz:

      O verdadeiro desastre é o euro (com o seu BCE) e a União Europeia! Esses é que são uma catástrofe. Salvar estas putrefactas entidades burguesas é tão lógico como salvar banqueiros.

      A sua linguagem está invertida de sentido. Obcecados são aqueles que insistem no salvamento do pior que o capitalismo tem na Europa que é precisamente a União Europeia e o Euro – as entidades que são a razão de existência da Troika e de toda a austeridade.

      • miguel serras pereira diz:

        Pois, é essa a opinião do KKE, e é essa a razão da recusa de um entendimento como o proposto por Tsipras. Bastaria a afirmação deste:“Nós não somos contra o euro mas opomo-nos às políticas que estão a ser seguidas em nome do euro”para explicar a recusa do KKE.
        A leitura do artigo do Esquerda.net que o Carlos Guedes linka é, também, muito elucidativa a este respeito.

        msp

    • um gajo qualquer diz:

      bato palmas plo facto da saída da U€ e do €uro prevalecerem sobre as causas fracturantes

  4. É uma coincidência extraordinária este bónus ser atribuído pela primeira vez. Trata-se de um “golpe fascista”.

  5. Francisco diz:

    Não acho que a decisão do KKE de não formar coaligação com o resto da esquerda seja sectarismo, é apenas para evitar ser arrastada pela onda de oportunismo de esquerda que iria não só manchar o ser prestigio, como contrariar os seus pilares fundamentais

  6. jal diz:

    Do marxismo-oportunismo
    A confirmar-se tal convite percebemos até que ponto o oportunismo daqueles que querem tudo mudar para que tudo fique na mesma pode comandar a vida e destruir o sonho!

    Que esquerda é essa que é submissa a esta Europa e aos poderes que nela mandam e determinam as políticas de cada um dos Estados-membros?
    Que esquerda é essa que quer, ou acha possível, que um Partido Comunista (digno desse nome) desista do seu combate contra a Europa do capital e se torne um dócil elemento, daqueles que querem apenas redecorar o sistema em vez de o transformar por completo?

    • Carlos Guedes diz:

      É olharmos para os avanços da extrema-direita e tentarmos perceber que nada disto fará sentido se não os encararmos como um sério aviso do que poderá estar para acontecer! Entre a «dureza dos puros» e a «pureza dos duros» eu não escolho nenhuma!

      • Nuno Rodrigues diz:

        Avanço da extrema-direita nas urnas é sinal de responder a todo o custo, incluindo a união entre duas forças que, num ponto central quanto ao UE têm posições distintas? Parece.me que a luta bem que pode continuar…na rua!

        • Carlos Guedes diz:

          Sim. Isso mesmo! Ou tem dúvidas de que, em determinados momentos, é mesmo fundamental que saibamos colocar de lado o que nos separa e juntarmos forças com e pelo que nos une? Eu não tenho! E acredito que este é um desses momentos!

      • jal diz:

        Então, ao avanço da extrema-direita respondemos com cedências à UE, ao Euro e aos que nela mandam? Passamos a aceitar a submissão dos povos a um projecto que só interessa ao capital?

        Quem tem responsabilidade no crescimento da direita fascista e nazi? Os comunistas? Ou a direita que tem gerido esta Europa, provocando miséria? Ou a social-democracia, travestida de esquerda radical (seja lá isso o que for?), que abdica de valores e princípios aceitando o mal menor, colocando-se por detrás de inflamadas proclamações vai fazendo o jogo do sistema?

        • Carlos Guedes diz:

          Não foi isso que escrevi. Não falei em cedências de espécie nenhuma. Mas olhe que o menosprezo que revela em relação ao avanço da extrema-direita já fez escola nesta nossa Europa. E acho que todos sabemos como a coisa acabou!

  7. Olaio diz:

    “…” até que ponto o sectarismo pode comandar a vida e destruir o sonho!” LOL.

    Calma Carlos, não penses que é já o fim só por o Syriza ter levado uma tampa, a vida continua e novas opurtunidades surgirão, é preciso é que a paixão continue e os objectivos sejam honestos, né?

    Agora a sério, quando estas propostas são sérias, requerem sempre um pouco mais de decoro 🙂

  8. Francisco diz:

    Escrevi um documento de defesa da atitude do KKE, mas não sei onde publica-lo, algum tem alguma ideia onde o posso pôr?

  9. Marco diz:

    O sectarismo do KKE é-me bastante chocante: organização de manifestações sempre sozinho, constantes quezílias com partidos “eurocomunistas” como o PCF ou a IU, vocabulário extremamente ofensivo para com o Syriza…

    No entanto, as razões estruturais da recusa devem ser equacionadas antes de se mergulhar na “unidade de esquerda” à la Refundação Comunista ou à la Die Linke que, como é sabido, deram belíssimos resultados. (Não vale a pena ir buscar a Alemanha Nazi, se para o que aqui nos traz há exemplos mais “fresquinhos”)
    Ou seja: é possível à Grécia uma politíca anti-memorando, no seio da UE e do Euro? Com toda a sinceridade, não faço ideia. Mas a resposta a esta ofensiva do Capital, que é disso que se trata, não se resolve com declarações de intenções bonitinhas e coligações a la minute.

    O pior que podia acontecer seria ver o primeiro governo de esquerda “revolucionária” que a Europa via em muitos anos aplicar a mesma receita austeritária, obrigado por uma orelha pela UE.

    Isso sim, seria escancarar a porta ao fascimo clássico num par de anos!!!!

    E, para além da haute-politique, as disputazinhas também pesam e de que maneira:

    During the local elections in 2011 SYRIZA allied with ND, PASOK and LAOS in Ikaria in order to prevent the election of a communist mayor (Ikaria is an island in Eastern Aegean where the KKE receives many votes due to the fact that communists used to be exiled in the Island. In the last elections in 2010 the communist candidate received 43,9% and was defeated by the candidate who was supported by all the other political forces

    http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-04-10-synentefxi

  10. Mesmo com os “manéisalegres” lá do sítio a aliança das esquerdas proposta pelos bloquistas gregos ainda fica a módicos 57 deputados da maioria para governar. Nem o bónus antidemocrático de que fala o Bruno daria para suprir a diferença.

    http://ekloges.ypes.gr/v2012a/public/index.html?lang=en#{

  11. Rocha diz:

    O bónus dos 50 deputados para a Nova Democracia pelo “círculo do golpe fascista” está neste momento pendurado por um fio, com 81% dos votos contados a coligação ND-PASOK está com uma maioria de 1 deputado.

    • Carlos Guedes diz:

      Não há aí alguma confusão? Como é que está «pendurado por um fio»?

      • Rocha diz:

        Quer dizer ainda é possível não haver uma maioria PASOK-ND, basta que percam mais um deputado com uma descida de votos de última hora. Estou a falar de um parlamento empatado entre PASOK-ND e todos os outros.

        Sim agora percebo que foi um bocado confuso como o escrevi.

        • Carlos Guedes diz:

          Não melhorou muito… não há «descida de votos de última hora». O que está aqui é o que já está apurado. Não podem perder um deputado que já está eleito.

          • Rocha diz:

            Os deputados não podem estar todos atribuídos se ainda há 12% de votos por contar…

          • Carlos Guedes diz:

            Tem razão. Olhei para os números e tomei-os como reais. Agora que fiz as contas vejo que não. Seja como for, os 50 deputados-bónus vão para o partido mais votado. A maioria ND/PASOK está assegurada.

          • Rocha diz:

            Ó-ou… a Nova Democracia acaba de perder um deputado… ui ui que pena… de 110 baixou para 109…

          • De diz:

            Não Carlos Guedes.
            O que se passa é que os lugares indicados pelo ministério grego ao longo do tempo não são os já eleitos,mas sim os que se pensa que.
            Agora de facto, com cerca de 90% dos votos apurados,a ND com o Pasok têm 150 deputados.

          • Carlos Guedes diz:

            Mais os 50 bónus

          • De diz:

            Penso que já estão os 50 deputados na contabilidade da ND

          • Rocha diz:

            Upa upa que a aliança PASOK-ND está a descer para uma soma de 32% – 150 deputados com o bónus incluido.

            E ainda vão a tempo de perder mais um deputado com 92% dos votos contados.

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