Crescente desigualdade nos EUA

O 12º relatório do Economic Policy Institute sobre o mundo laboral nos EUA revela números escandalosos:

      • Em 2011, os chefes executivos (CEOs) eram pagos 231 vezes mais do que o trabalhador médio. Para comparação, em 1965, CEOs eram pagos 20 vezes mais que o trabalhador médio.
      • A análise revela também que a compensação dos CEOs aumentou 725% entre 1978 e 2011 – um valor substancialmente superior ao crescimento do mercado de valores –, enquanto que o rendimento dos trabalhadores apenas aumentou 5.7%, no mesmo período.
      • Entre 1979 e 2007, os com rendimentos no topo 1% viram seus rendimentos subir 156%; os do topo 0.1% aumentou 362%; por contraste, os do 90% inferior aumentou apenas 17%.

Rácio rendimento CEO vs trabalhador

Este relatório saiu ao mesmo tempo que dados do Gabinete das Estatísticas Laborais, dos EUA, revelou que em Abril 12.5 milhões estavam no desemprego, uma taxa de 8.1%. Cerca de 41.3 % dos desempregados em Abril estão nessa condição há mais de 26 semanas.

About André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
Este artigo foi publicado em André Levy, Sistema Económico e Financeiro and tagged . Bookmark the permalink.

6 Responses to Crescente desigualdade nos EUA

  1. De says:

    Esta verdadeira pornografia é sistematicamente silenciada pelos economistas escolhidos criteriosamente pelos media e por esses mesmos media, serviçais servidores de tão criteriosos critérios.
    Importa replicar esta informação a todos os níveis.Esta e outras informações objectiváveis e objectivas.
    Desta forma.Clara,sucinta e rigorosa.E partir daqui também para os procedimentos analíticos que se impõem.

  2. Diogo says:

    «em Abril [nos EUA] 12.5 milhões estavam no desemprego, uma taxa de 8.1%»

    E quanto é que ganham os empregados com menores rendimentos? Sei que aquele piloto que conseguiu aterrar (amarar) o Boing no rio de Manhattan, salvando centenas de vidas, tem um segundo emprego.

  3. Zebedeu Flautista says:

    Não obstante a pertinência e imoralidade até nesta discrepância na distribuição de renda não há relatos ainda de fuga em massa dos americanos pobres para o el dorado Cubano. Há que abordar os problemas com um espírito reformista liberal e radical e não saltar da frigideira para o lume.

    My Struggle Against Lies About Cuba in the U.S. Media

    http://www.cubaliberal.org/english/120118-mystruggle.htm

    PS: O salário mínimo nos USA é de 7,25$ por hora Diogo. Nada de especial mas também não propriamente miserável.

  4. Nunca me engano,raramente tenho dúvidas-no país do filósofo do leme says:

    Pois.E agora veio a coorte dos géstores de topo darem conselhos e bitaites e dizendo o que ddizem há 36 aanos.É sempre a mesma fórmula mágica e portugal,este quintal,está mais deisgual com essas alimárias ditas geniais.Gozam,gozam que não se fartam.Até quando?Até quando levar esta gente a Tribunal ou para ,como fizeram aos apoiantes de Gadafi;isto pq a justiça é uma palhaçada.A justiça é de classe o resto é para fazer de conta-olha o Duarte Lima,o Dias Loureiro ou o sem vergonha do fracasssado das politicas do percidente da junta-esse,o tal do bolo rei?Na Alemanha,o do ‘empréstimo’ foi com os porcos;este vai com a coelha.Que coincidência,os cleptocratas estarem fisicamente tão chegados ao dito cujo….

  5. Meu caro André,

    os dados que apresentas só demonstram o carácter abjectamente desigual e criminoso do capitalismo. Todavia, eu faria um breve reparo. Os gestores não são “pagos, ou para ser mais exacto, não recebem nunca um salário. A remuneração deles é sempre parte da mais-valia extorquida aos trabalhadores, nunca simplesmente um salário mais elevado como por vezes se apresenta nos media. Ou seja, eles não são trabalhadores que desempenham funções apenas mais complexas do que os restantes trabalhadores. Pelo contrário, os gestores desempenham uma função social distinta dos trabalhadores. Os primeiros administram e gerem o processo de trabalho (de modo a incrementar a extracção de mais-valia), enquanto os segundos produzem as mercadorias (e a mais-valia). Naturalmente, esta minha mto breve observação não te é dirigida a ti mas a um certo senso comum que tende a avaliar o papel social e político dos gestores como se tratassem de meros trabalhadores mais bem pagos…
    Um abraço

    • André Levy says:

      Viva João
      Os executivos recebem, creio que em geral, um salário, mas este é uma pequena parte do seu rendimento global ou “compensação”, muito inferior ao valor dos bónus, comissões, acções da empresa, e outras regalias. As contas do EPI têm isso em conta. E, claro, tens razão quanto à diferente natureza da função social.

Comments are closed.