Animais

A notícia de que o Chelsea está a ultimar uma proposta para comprar a Central Eléctrica de Battersea, em Londres, para aí reconstruir o seu estádio de futebol trouxe-me à memória esse álbum extraordinário dos Pink Floyd, de 1977, chamado Animals. Na sua capa figurava precisamente a Battersea Power Station com um balão enorme na forma de um porco cor-de-rosa a voar entre as suas famosas chaminés. O álbum continha uma denúncia da desumanização trazida pelo capitalismo, inspirada n’ O Triunfo dos Porcos, de George Orwell. Eis um extracto de uma das suas canções, ‘Dogs’:

I gotta admit that I’m a little bit confused.

Sometimes it seems to me as if I’m just being used.

Gotta stay awake, gotta try and shake off this creeping malaise.
If I don’t stand my own ground, how can I find my way out of this
maze?

Deaf, dumb, and blind, you just keep on pretending
That everyone’s expendable and no-one has a real friend.
And it seems to you the thing to do would be to isolate the winner
And everything’s done under the sun,
And you believe at heart, everyone’s a killer.

Who was born in a house full of pain.
Who was trained not to spit in the fan.
Who was told what to do by the man.
Who was broken by trained personnel.
Who was fitted with collar and chain.
Who was given a pat on the back.
Who was breaking away from the pack.
Who was only a stranger at home.
Who was ground down in the end.
Who was found dead on the phone.
Who was dragged down by the stone.

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3 Respostas a Animais

  1. closer diz:

    Só mau gosto pode levar á afirmação de que Animals é um disco extraordinário. Para quem é tão anticapitalista, não perceber que esse grupo estava completamente enfeudado ao showbizz e às soluções estéticas mais conformistas e reaccionárias (aliás desde o horroroso Dark Side of the Moon), significa que acha que a revolução pode ser um conjunto de slogans e não uma transformação estética.

    Se gosta tanto dos Pink Floyd experimente ouvir The Piper at the gates of Dawn ou Ummagumma. E perceba a diferença.

    • António Paço diz:

      Já vi que é um incondicional do Syd Barrett. Eu acho que os Floyd beneficiaram com a sua saída. E o meu anticapitalismo entende a necessidade de trabalhar ‘enfeudado’ ao showbizz e a outros bizzes para todos aqueles que não receberam nenhuma herança choruda que os liberte da necessidade de trabalhar para ganhar a vida, desde que se estabeleçam fronteiras bem definidas.

  2. Vasco diz:

    Eu gosto mais de umas fases dos Floyd do que de outras – mas chamar reaccionário a um tipo só porque gosta de uma fase diferente da minha é revolucionarismo a mais, pá…

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