A certeza de que não andamos enganados

Não costumo perder muito tempo com leituras que nada de útil acrescentam aos meus dias. Mas como hoje me deixaram de plantão aqui na tasca, fui andando de link em link até chegar aqui.

Fiquei assim a saber que:

  1. Afinal os vampiros que o Zeca cantava somos nós, a chamada «extrema-esquerda sedenta de sangue».
  2. A saída de cerca de 200 militantes de um partido que conta com quase 10 mil é considerada uma cisão. Tranquiliza-me que não tenham sido 250 a sair, ou a esta hora a extrema-direita saudosa e vingativa estaria ainda a festejar o colapso do Bloco de Esquerda, sendo tal feito considerado um «verdadeiro serviço público do MAS».
  3. A «extrema-esquerda sedenta de sangue» já não está sozinha no seu sonho de um dia poder libertar o povo do saque desumano a que tem estado sujeito. De forma mais intensa e despudorada nos últimos tempos. Mas de todas as maneiras e feitios, de forma consecutiva e sistemática, desde sempre. Saudamos, entusiasticamente, os nossos camaradas da «extrema-esquerda bloquista-caviar» que decidiram juntar-se-nos.
  4. A extrema-direita saudosa e vingativa não odeia toda a malta de Esquerda. Não. Para eles um bom esquerdista (já que não se podem exterminar todos) é um esquerdista moderado, com opiniões (já que não os podem calar a todos), mas que não faça muitas ondas

Para além das certezas que nos ficam de que não estamos enganados, sabemos que estamos no rumo certo quando percebemos que o que importa mesmo para esta gente é que as vozes que incomodam sejam enfraquecidas ou mesmo silenciadas! Pois para o André Azevedo Alves preocupante é «o facto de em Portugal, em 2012, haver quem escreva este tipo de coisas beneficiando de amplos palcos mediáticos». Preocupante é o «tratamento favorável e frequentemente cúmplice da comunicação social». Preocupante é, portanto, não haver uma maneira de censurar o que esta malta diz!

Um povo empurrado para situações de miséria, as dezenas de casas que todos os dias são entregues aos bancos por famílias que já não as conseguem pagar, o abandono do Ensino Superior por milhares de estudantes cujas famílias já não conseguem suportar o que custa, em 2012, tirar um curso em Portugal, os milhões de portuguesas e portugueses que diariamente lutam pela sua simples sobrevivência… nada disto preocupa a extrema-direita saudosa e vingativa!

[Entretanto, o filme Os Donos de Portugal atingiu as 100 mil visualizações, na internet. São menos 100 mil pessoas desinformadas. São mais 100 mil esclarecidos. Uma vez que o filme passou na RTP2, às 2 da manhã do dia 25 de Abril (uma hora suficientemente discreta), a André Azevedo Alves resta lançar uma petição para que o filme seja retirado da internet e a sua visualização severamente punida por lei!]

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15 Responses to A certeza de que não andamos enganados

  1. Um gajo qualquer diz:

    Tu já deves ter sonhos húmidos com o MAS de tanto o citar por aqui, pá!
    Deixa lá a rapaziada fazer o que lhe apetece. Em caso de sinais persistentes, vai à farmácia buscar uma mbalagem de rennie que isso passa.

    Quanto aos anunciados “10.000” aderentes do bloco… ahahahahahahahahahahah! Só isso retira qualquer traço de credibilidade a tudo o mais que escreveste no post.

    • Carlos Guedes diz:

      Não se enerve. E repare bem que eu não cito o MAS… cito quem elogia «os bons serviços» prestados à direita pelo MAS!
      E repare, igualmente, que eu não anunciei 10 mil aderentes do BE…

  2. Um gajo qualquer diz:

    Nada de nervos! Até começo a apreciar as tuas “subtilizas”.

    Realmente, tu não afirmaste que o bloco tinha 10.000 aderentes. o QUE ESCREVESTE FOI “A saída de cerca de 200 militantes de um partido que conta com QUASE 10 mil” .

    Pois, pá! peço desculpa pelo meu erro grosseiro.

    Quanto à tua relação de odiozinho de estimação com o MAS acho que começou aqui a ser destilado no dia da sua fundação quando começaste com uma bocas ao Renato. Desde então, creio bem que não perdes oportunidade de dar as tuas bicadas… Está certo: está no teu direito, mas acho que devias assumi-lo sem complexos. Só te ficaria bem.

    • Carlos Guedes diz:

      O erro não foi assim tão grosseiro. Grosseiro foi usar o seu argumento para dizer que com ele conseguira retirar «qualquer traço de credibilidade» ao que escrevi.
      Quanto ao MAS… repare que o que aqui transcrevi – «verdadeiro serviço público do MAS» – é da autoria do André Azevedo Alves. Não sei se seguiu o link, mas se não o fez pode fazê-lo agora. As bocas ao Renato são, apenas, isso mesmo. Não tenho «ódio» nenhum ao MAS. Nem de estimação nem de qualquer outra categoria. O que assumo sem complexos é o que sempre tenho dito sobre o MAS: não acho que o BE tenha perdido com a saída do Ruptura/FER. Acho, isso sim, que o Ruptura/FER perde e muito ao sair do BE. Mas o Gil Garcia e o resto da malta terão feito a sua avaliação da situação e agiram de acordo com o que decidiram. Agora, quando ouço ou leio que o MAS quer promover a «união de toda a Esquerda» (ou quase toda) não posso deixar de dizer que quem sempre provocou a desunião dificilmente será capaz de promover a união. Sem complexos. Viu?
      E o prezado Um gajo qualquer? Por que se incomoda tanto com as minhas (supostas) «bicadas» ao MAS? É do MAS? Está certo: está no seu direito, mas acho que devia assumi-lo sem complexos. Só lhe ficaria bem.

  3. um gajo qualquer diz:

    Já que o Carlos Guedes deseja saber, não, não sou do MAS. Satisfeito?

    Agora vou-lhe deixar uns pontos de reflexão:

    Sobre o “divisionismo” – O Carlos Guedes quando saiu do PC, também apanhou com o estigma do “divisionista”, não foi? E se o Carlos Guedes desejava uma (bem) alargada unidade de esquerda…!!

    Sobre a sua “credibilidade” – bem… um escriba que afirma que o bloco tem QUASE 10.000 aderentes… ou emprenha muito pelos ouvidos (da propaganda bloquista)… ou definitivamente, não sabe sobre o que escreve.

    • Carlos Guedes diz:

      Nem satisfeito nem por satisfazer. Apenas e só esclarecido. Sabe que isto de um gajo andar para aqui a falar com «anónimos» tem que se lhe diga. Primeiro porque desde pequeno que a minha mãe me dizia para não falar com estranhos. Segundo, porque há um certo grau de injustiça no facto de eu não saber com quem estou a falar. Já o «um gajo qualquer» sabe com quem fala e, pelos vistos, até me conhece.
      Quanto aos «pontos de reflexão» que me deixa… seria bom que reflectisse melhor sobre eles. Ora veja:

      1. O divisionismo: quando saí do PCP, «divisionista» deve ter sido a coisa mais bonita que me chamaram. E, de facto, tem razão: desejava e desejo uma alargada unidade de Esquerda. Sabe qual é a diferença em relação aos membros da Ruptura/FER? É que quando eu saí do PCP não o fiz por vontade própria.
      2. A credibilidade e os quase 10 mil aderentes do BE: nem emprenho pelos ouvidos nem tenho por hábito escrever sem saber o que escrevo. Quer o quê? Que lhe diga o número exacto de militantes do BE (não responda a esta porque não vale a pena. Não digo. Nem a si nem a ninguém)? Acha mesmo que não são quase 10 mil? Acha que quando escrevi «quase 10 mil» o fiz com a intenção de inflaccionar desmesuradamente o número de militantes? Acha que isto tem mesmo a importância que lhe pretende atribuir, ou não tem mais nada para dizer?

      • um gajo qualquer diz:

        Carlos Guedes:

        a) se eu decido usar um pseudónimo, isso é cá comigo! Tenho o direito a não querer certos protagonismos. De resto, essa é a vossa política interna aqui da tasca – aceitar comentários “anónimos”. Se quiseres faz como a tua mãe te ensinava e deixa-me a falar sózinho.

        b) quanto à tua saída do PCP. Se bem recordo tu não fizeste parte do lote dos 3 ou 4 expulsos dentro do grupo renova, portanto… saiste tal como sairam os rupturas: achaste k tinhas chegado ao fim da linha naquela organização.

        c) quanto ao número de aderentes REAIS do bloco, daqueles que pagam quotas, vão a reuniões, mostram-se uma vez por ano …. chegam a mil? Se calhar nem isso. Mas pá! tudo bem: continua a acreditar nas tuas “fontes”.

        • Carlos Guedes diz:

          Um gajo qualquer,

          É evidente que a decisão de usar ou não pseudónimo é sua! Alguém aqui escreveu o contrário? Veja se lê as coisas antes de se precipitar para as respostas. O que eu escrevi, e mantenho, foi: «Sabe que isto de um gajo andar para aqui a falar com «anónimos» tem que se lhe diga. Primeiro porque desde pequeno que a minha mãe me dizia para não falar com estranhos. Segundo, porque há um certo grau de injustiça no facto de eu não saber com quem estou a falar. Já o «um gajo qualquer» sabe com quem fala e, pelos vistos, até me conhece.»
          Como vê ninguém lhe quis atribuir «protagonismos» que não deseja. E eu sei qual é a política interna do 5dias. Ao aceitar o convite para cá escrever, aceitei as regras que estavam em vigor. E veja bem que nem sequer dei sinais de querer saber com quem estou a falar. Eram, portanto, desnecessárias essas suas considerações bem como a «descida» acentuada do nível da conversa.
          Recorda, e bem, que não fiz parte dos dois militantes expulsos (o Edgar Correia e o Carlos Luís Figueira) e não fui, sequer, suspenso por dez meses, como aconteceu ao Carlos Brito. Mas a falta de rigor no número de expulsões é reforçada quando, de seguida, diz: «saíste tal como saíram os rupturas: achaste que tinhas chegado ao fim da linha naquela organização».
          Não saí. A partir de certa altura deixei, tal como muitos outros camaradas, de ser convocado para as reuniões do sector a que pertencia. Depois, anularam a possibilidade (que já existia na altura) de pagar as quotas através do multibanco. Contactados por telefone, no C. T. Vitória, respondiam, invariavelmente, que não tinham «informações nenhumas acerca da existência de um militante com esse número que está a dizer!» Enviei uma carta para a DORL, a Comissão de Controlo de Quadros, o Secretariado do CC e, vê lá tu, para o próprio Carvalhas. Todas iguais. Nunca obtive qualquer reposta de quem quer que fosse. Acresce que, conforme poderá confirmar aqui, nem sequer acerta quando diz que eu achava que havia «chegado ao fim da linha naquela organização.» Eu não sentia isso. E, não só por isso, mas porque o que aconteceu foi, de facto, uma expulsão administrativa, não há aqui lugar para estabelecer qualquer tipo de paralelismo entre o que aconteceu entre o PCP e o que viria a ser a Renovação Comunista e o que aconteceu no BE com a Ruptura/FER.
          Quanto ao número de militantes do BE… são todos reais. Eu não acredito em fantasmas e acho que o resto da malta também não! E olha que as minhas fontes são as melhores que pode haver.

  4. Um gajo qualquer diz:

    Oh Carlos! Nem precisavas de dar tantos pormenores. Que tu e outros tenham sido empurrados borda fora, não estranho. Mas se calhar os rupturas sentiam o mesmo.

    Anyway… a questão é: se a criação duma nova organização política, para ti, é a prova do divisionismo de quem a criou, e se isso de criar uma nova organização em função de (entre outras coisas) promover a unidade da esquerda é incompatível com essa mesma unidade… Então pla tua lógica, deverias dizer sobre a fundação do Bloco o mesmo que vais dizendo sobre a fundação do MAS.

    Sobre anonimatos e descidas de nível… quem cruzou essa linha foi o Carlos, que puxou o meu anonimato para tema de conversa. Conversados?

    Abraço

    • Carlos Guedes diz:

      Os pormenores devem-se ao facto de, por muito ou pouco que eu escreva, você não lê. Treslê. Ou então tem dificulades de interpretação. Já lhe expliquei o que me levou a falar do seu anonimanto. Se eu fosse o Vítor Gaspar ex-pli-car-lhe-ia mui-to de-va-ga-ri-nho… mas como não sou não vou, sequer, tentar explicar outra vez.
      Quanto ao resto, você muda por completo o sentido àquilo que eu escrevo. diz você que «a criação duma nova organização política, para ti, é a prova do divisionismo de quem a criou». Mas veja, o que eu digo é que não acredito na capacidade de unir de uma organização que provoca a desunião. A Ruptura/FER eu já conheço desde muito antes do BE e, também por isso, sei muito bem do que falo. Agora a criação de uma nova organização, só por si, não e prova de coisa nenhuma, nem eu afirmo algo que se assemelhe minimamente com isso.
      Mas o mais disparatado é que você consegue concluir que «deverias dizer sobre a fundação do Bloco o mesmo que vais dizendo sobre a fundação do MAS».Onde é que há semelhanças??? O BE nasceu da junção da Política XXI, do PSR e da UDP… alguma destas organizações rompeu com outra estrutura para se juntar às outras? Não faz mesmo sentido nenhum aquilo que você insiste em fazer passar por certo.
      E agora, por mim, chega de falar sobre o MAS.

  5. Um gajo qualquer diz:

    E quanto aos teus 10.000 militantes… BIG FUCKING LOL. Como recebo as cartinhas da concelhia de cascais, eu ainda devo entrar nas contas da manada. E como eu… quantos não haverá por aí…?

    • Carlos Guedes diz:

      Conhece os estatutos do BE? E sabe outra coisa? A militância não se institui por decreto! E «manada» é um termo perfeitamente desnecessário.

  6. um gajo qualquer diz:

    Carlos Guedes:

    Tanto a UDP como a Política XXI foram fundadas por “transfugas” do PC – uns há 50 anos, outros há 20. A tua definição de “divisionismo” tem prazo de validade? Tu próprio és a prova viva do “divisionismo” aos olhos dos militantes do PCP…

    Quanto ao termo “manada” – apresentarei as minhas desculpas quando a direcção do bloco pedir desculpa aos rupturas por os terem apelidado de “talibans” junto da imprensa.

    Passar bem e continuação de bons serviços

  7. um gajo qualquer diz:

    “Rui”? 🙂 o mesmo se pode aplicar a ti, carlitos!

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