Marxismo, Darwinismo e Natureza Humana

Intervenção no Congresso «Marx em Maio», 3 de Maio 2012, Faculdade de Letras.

(…) Em conclusão, a biologia evolutiva tem tudo a ganhar com assumir como alicerces o materialismo histórico e o materialismo dialético. E o Marxismo tem tudo a ganhar com os avanços na biologia e psicologia de modo a refinar o seu entendimento da nossa espécie e a forma de construir uma sociedade mais justa, mais solidária e isenta de exploração.

Texto integral na Jangada de Pedra

About André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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6 Responses to Marxismo, Darwinismo e Natureza Humana

  1. Filipe Moura says:

    Caro André, a versão do “dilema do prisioneiro” que apresentas na tua figura não é nenhum dilema (fui eu que te apontei isso no fim da tua intervenção). A versão correta pode ser vista em http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro – se ambos denunciarem ambos vão presos, embora com uma pena menor. Isto, sim, é um dilema. São dilemas como este que a classe dominante impõe quotidianamente aos trabalhadores. Mas parabéns pela tua intervenção. Sabes se as outras comunicações também estarão disponíveis?

  2. João. says:

    Pessoalmente tenho muitas reservas a essa ideia de biologizar a política. Parece-me uma via dirigida a um cul-de-sac, ou em termos hegelianos a um impasse – ou seja, uma vez que o dado biológico não é conceptual por ser essencialmente quantitativo, o que me parece mais fácil de ocorrer é que esta biologização conduza a uma oposição infinita entre direita e esquerda sendo que o infinito e irresolúvel desta oposição é, dialecticamente, a verdade do tema em pauta. Ora quando a verdade de um tema em pauta é o impasse que ele gera acontece que o serviço que ele possa dar a uma causa revolucionária é contrario à causa revolucionária, uma vez que mergulhada neste impasse fica atada a um debate infinito.

    O debate infinito, por sua vez, é precisamente o absoluto da ideia liberal de liberdade isto porque enquanto se debate infinitamente o capital é livre de prosseguir a sua obra de controlo sobre a efectividade política.

    • André Levy says:

      Caro João
      confesso que não atingi o seu argumento na totalidade. No entanto, a minha tese não é biologizar a política. Inclusivamente, chamo a atenção para a falácia naturalista, de achar que tudo o que é ‘natural’ é ‘bom’. Mas a política não pode ser cega ao que as ciências que se debruçam sobre a espécie humana, da biologia à psicologia, da antropologia à sociologia, têm a ensinar-nos sobre a nossa espécie. Se pretendemos criar uma sociedade em que haja predominante cooperação e igualdade, não nos podemos manter alheios ao facto de a nossa espécie ter potencial para cooperar e competir, e que tem uma tendência para estabelecer hierarquias. Isso não implica que aceitemos essas tendências naturais como limitação ao tipo de sociedade que queremos construir. Pois enquanto seres racionais, éticos e sociais, podemos estruturar a sociedade contrariando essas tendências. Mas se partirmos do princípio que estas não existem, que o ser humano é totalmente maleável, então irão naturalmente surgir conflitos, que não entenderemos nem seremos capazes de resolver.

      • João. says:

        Olá Levy,

        Talvez tenha entendido mal a sua posição. O que eu alertava, permita-me esta expressão, é para o caso de se desenhar um objecto cuja verdade política é o de ser um impasse, um debate infinito.

        Eu li também no seu texto a questão da passagem da quantidade à qualidade mas pareceu-me que não ficou explícita a questão da mediação desta passagem. Por exemplo julgo que na teoria marxista, nomeadamente nas análises ao capitalismo no sec.XIX, é preciso fazer a diferença entre o crescimento da massa de operários e a sua passagem a classe revolucionária – o proletariado. Ora aqui temos um exemplo marxista do que é essa passagem mas não podemos esquecer, a meu ver, que essa passagem não é automática, ou seja, que um dado a partir de uma certa quantidade se torna automaticamente num agente qualificado; esta passagem, a meu ver, exige um mediador que recolha o dado quantitativo – o número de operários – num agente qualificado – o proletariado, que, no caso, foi um projecto dos Partidos Comunistas de então.

        Hoje existem novos desafios, sendo que um deles, próximo ao tema que exemplifiquei é o da identificação e actualização de uma classe revolucionária que se reconheça enquanto tal. Este ‘reconhecimento enquanto tal’ é a passagem do em-si ao para-si, ou seja, embora os partidos comunistas identifiquem focos passíveis de se tornarem revolucionários é necessário o passo em que estes focos se identifiquem a si mesmos enquanto tal – é aqui que a ideia comunista transita da abstracção para o concreto, do em-si para o para-si.

        A luta aqui é feroz, como se sabe. Aliás, vimos nesta acção da Jerónimo Martins o poder que o capital tem prevenir esses focos nem que seja através de prejuizos directos em suas operações comerciais. A vantagem que o capital tem é de ao mesmo tempo que opera uma acção política directa é capaz de convencer de que a sua acção não é política – em geral é isto que o PSD/CDS fazem com a tese da inevitabilidade que emerge directamente da Alemanha e da UE, ou seja, que a corrente inclinação do Estado para a protecção ao grande capital e para a desprotecção do pequeno capital e da mão-de-obra não é uma acção política mas uma necessidade que visa gerar benesses futuras. A ironia disto é que os amanhãs que cantam é agora o grande pressuposto das políticas direitistas actuais.

  3. De says:

    Muito bom!

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