I Rest My Case

Afinal o texto (?!?) era uma alegoria romeriana só para inteligentes e o Sérgio Lavos mais não quis do que “esforçar-se para promover a revolta e a pilhagem nas lojas simbólicas do consumismo”. O mal compreendido até está de acordo que um dia possamos vir a ter tudo à borla e que os zombies afinal são gente tão merecedora de respeito como portadora de potencial subversivo.

A verdade é que alguma esquerda passou do “voto que não vai em futebóis” para o “voto que não vai em promoções” sem aprender nada e que o autor daquela bodega é o único responsável pelo pagode que a direita está a fazer à sua conta, seja na rede, seja nas urnas.

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17 Responses to I Rest My Case

  1. anarca diz:

    Enquanto houverem Renatos 🙂 nem tudo está perdido !!

  2. Tima diz:

    O tempo que a esquerda perde a auto-atacar-se é o tempo que a direita continua no poder. Vejo aqui neste blogue mais ataques ao Arrastão quase que ataques ao Insurgente ou ao Blasfémias ou ao 31 da Armada. Se calhar andam com o vosso alvo de prioridades políticas desviado. Ou se calhar o vosso alvo é mesmo diminuir o peso dos partidos verdadeiramente socialistas em favor dos que se ainda por estranhos desígnios do destino se continuam a denominar de Partido Socialista. Ou se calhar o conservadorismo social do PCP seja algo a louvar. Seria bem melhor começarem a convergir porque caso contrário estamos condenados a ultra-liberalismo nos próximos 7 anos.

  3. LAM diz:

    Antes da direita lá fazer o pagode, tinha-o feito aqui o Renato.
    Eu não sei se deve ter mais medo o Sérgio Lavos pela direita fazer pagode com uma coisa dele, se o Renato, pela direita fazer suas palavras as palavras do Renato.
    Cuidado onde anda a colher os consensos.

  4. antónimo diz:

    Vamos a isto. Eu que, em regra ,estou muitíssimo, mas muitíssimo, mais próximo dos pontos de vista do Renato Teixeira que dos do Sérgio Lavos, acho que o arrastanídeo teve razão contra o 5 diasídeo.

    Não posso criticar quem optou pelas ofertas do merceeiro-mor, como se diz noutros lados? É que ai não que não posso. Vincando melhor, não posso é o CARALHO!

    Aos pobres? Sim, a esses percebo, a esses compreendo, para esses tenho justificação. Mas foram pobres que vi? Não só, mas também. Ou por outra, também, mas não só. Junto com os milhares de descamisados, houve milhares de remediados.

    Desde ontem, às 9h15, já ouvi vários contando as suas desventuras do 1º de Maio. Não eram gente morta de fome, não eram apenas um povo desgastado pelo saque da tróica. Muitos foram pelo gosto pelas promoções. Tudo desapareceu das prateleiras. Não foi só a carne, as papas para bebés, os iogurtes. Foram também as bebidas, das baratas – sim, os pobres também têm direito a festejar – às importadas – sim, os pobres também têm direito a qualidade. Nada disso está em causa. Promoção é promoção e todos temos direito a chegar a tudo. Os trolhas têm tanto direito a caviar e a veuve-clicquot como a lúmpen-burguesia de colarinho branco.

    Boa parte dos que foram – e a totalidade daqueles com que conversei – são meros consumistas meros. Nem lhes passa pela cabeça criticar o oportunismo criminoso da promoção; apoiar os escravizados caixas que tiveram de suportar ameaças, berros, confusão; compreender os que marcharam à chuva em nome do trabalho com direitos para todos; deixar o pobre diabo a seu lado ficar com o último pacote de leite ou de arroz do supermercado. Para eles, Soares dos Santos é um filantropo e um génio do marketing e não o sociopata que realmente é e que os vampiriza.

    Nunca lhes passaria pela cabeça equacionar o que significa trocar as comemorações do 1º de Maio por um dias nas compras. Enquanto colectivo estamo-nos olimpicamente cagando, como o continuam a mostrar as sondagens e o reconhecimento e aceitação tácita das medidas da tróica. Até agora, a única amostra para o governo daquilo de que um português é capaz foram os saldos de Soares dos Santos.

    Para o futuro, quando em apuros, em qualquer manifestação, greve ou luta, o governo bem escusa de puxar os Maginas da Silva do coldre. Saca do dono da distribuidora e
    faz umas promoções. Entre a caridadezinha de alimentar os necessitados e os ita missa est do Mota Soares esvazia os ímpetos, energia e vontade de mudança dos restantes.

    Aplaca as ganas dos mesmos que, pelo voto e pela consciência alienada – zombie, diz o outro –, contribuíram para estas benditas três últimas décadas de igualdade, liberdade e fraternidade. Dos mesmos que acenam bovinamente a cabeça perante os desvarios do transtornado Villaverde Cabral, aproveitam as promoções para poupar uns trocos e ainda ficam com mais uma animada história de borga na bicha do supermercado para contar aos netos e juntar à daquela vez em que subiram à varanda do município para trocar a bandeira nacional por um pano da louça azul e branco.

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  6. margarete diz:

    é esta coisa à garoto que me faz afastar amiúde deste blog
    no meio de opiniões/textos “de facto” que se vem aqui ler… este ruído chato
    sim, eu sei que quem não gosta põe na beira do prato, vai embora, tapa os olhos, etc.
    mas não havia necessidade, há desabafos que podem ficar por publicar para deixar espaço ao que interessa
    é a minha opinião, vale o que vale
    pôssas :/

    • Carlos Guedes diz:

      Margarete, a sua opinião vale. Mas o que vale ao 5 Dias é esta «diversidade» de opiniões! Deixe lá o Renato expiar os fantasmas dele! 😀

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  10. Zuruspa diz:

    Já podias “restar o teu case” à mais tempo e atacar quem realmente interessa derrotar, i.e., a direita serödia salazarenta e revanchista, sedenta de sangue. Que os donos do PD representam.

    Mas näo. Atacas é quem está à Esquerda. Serás tontinho? Näo aprendeste nada com o que se passou, por exemplo, na Guerra Civil de Espanha? O Franco agradeceu por 40 anos que os seus inimigos se tenham degladiado entre si, e os franquistas ainda agradecem.

    A sério, crescei, que isso de andar a comparar tamanhos de piroca é para putos.

    • Renato Teixeira diz:

      A merda é que o grande problema da esquerda está à esquerda e não debater não resolve nada.

      • Carlos Guedes diz:

        Camarada, debater à pedrada nunca foi muito saudável…

      • Zuruspa diz:

        O grande problema da Esquerda está à Esquerda?
        É de estratégia básica primeiro atacar o grupo com quem temos menos em comum, e depois discutir com quem nos é mais próximo as diferenças, que säo pequenas em comparaçäo.

        Mas näo, no mundo idiota primeiro purifica-se o nosso lado, e depois entäo parte-se para derrotar o “ulterior inimigo”.
        Deu um resultadäo na Guerra Civil de Espanha, e ia dando o mesmo na II Guerra Mundial a quem instigou esse “resultadäo” anterior, safou-se (e safámo-nos) porque britänicos e franceses e americanos puseram de lado as divergências (e porque apesar do líder torcionário o seu povo era um grande povo).

        E por aqui me fico.

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