Há que treinar com 50% de desconto para um dia destes levar tudo à borla!

Vídeo via Brumas.

Não entendo a facilidade com que se critica aqueles que foram hoje ao Pingo Doce. Confesso que se soubesse da promoção a tempo a minha conta bancária era a primeira a recomendar uma visita ao merceeiro.

Tratados como consumistas invertebrados, figurados como zombies, a crítica esquece que a miséria vai trazer imagens bem mais bárbaras do que as que o Jerónimo Martins nos proporcionou hoje.

A responsabilidade deve ser exclusivamente imputada a quem usou os consumidores como moeda de troca para uma provocação indigna e não às centenas de pessoas desesperadas por arrancar uma preciosa poupança à austeridade que lhes anda a ser imposta.

A única crítica que se pode fazer a quem foi ao Pingo Doce é o de ainda não estarem capazes de sair de lá sem pagar um euro pelas suas compras, mas como há uma década na Argentina estamos muito perto de isso começar a acontecer. Os mesmos que hoje apontam o dedo aos zombies serão os primeiros acusar quem rouba, saqueia e resgata o direito a matar a fome de serem vândalos inconsequentes, jovens sem princípios, onde o único valor que os move é o amor à desordem, aos motins e às barricadas.

Há que agradecer o treino ao Jerónimo Martins com o sorriso da serpente e recordar o que se gritou bem alto à porta do Pingo Doce da Almirante Reis, que convenientemente fechou à passagem da manifestação do 1º de Maio: “Martins, Ladrão, o teu lugar é na prisão”. O escárnio (e a devida resposta) deve ser dirigido apenas a quem o merece.

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