“Onde existe poder existe resistência”

Será apresentado nesta quarta-feira, na FCSH, pelo Prof. José Manuel Tengarrinha, durante o colóquio com académicos e sindicalistas – Pacto Social História e Sociologia – o livro que coordenei com o Ricardo Noronha e a Joana Dias Pereira, edição científica António Simões do Paço, Greves e Conflitos Sociais no Portugal do Século XX (Colibri/IHC). São mais 18 capítulos com as greves no nosso país no século XX. Destaco um texto de introdução, Greves (no mundo), de Marcel van der Linden, autor pela primeira vez traduzido em Portugal, hoje o mais influente historiador de história global do trabalho e director do Instituto de Amsterdão, onde estão os arquivos de Marx e Engels.

Deixo para entrada três excertos desse texto e mais abaixo o índice completo

«Uma forma espectacular de protesto era a “saída colectiva”, na qual grupos de trabalhadores subalternos abandonavam o local de trabalho com a intenção de nunca regressar. Esse tipo de saídas parece ter ocorrido espe-cialmente entre trabalhadores que eram incapazes de defender os seus inte-resses colectivamente no local de trabalho, ou apenas o podiam fazer cor-rendo um grande risco pessoal. Os exemplos mais importantes podem ser encontrados entre escravos, trabalhadores forçados, jornaleiros e assalaria-dos que trabalhavam em “instituições totais”, como os marinheiros»

«Ao contrário do que sugere um preconceito teimoso, greves grandes e bem sucedidas são perfeitamente possíveis sem sindicatos. Os sindicatos não podem existir sem a (ameaça derradeira da) arma da greve, mas o inverso não é verdadeiro, como o demonstram os exemplos da uitgang e da “fuga¬ greve” (Yvan Debbasch). Mesmo os conflitos laborais duradouros podem surgir sem sindicatos, como o revelou a impressionante greve dos trabalha-dores têxteis em Mumbai (Bombaim) em 1982¬ 83»

«Em terceiro lugar, o produto do trabalho pode ser disponibilizado aos clientes de graça, especialmente quando os empregados produzem bens de consumo ou providenciam serviços. Em 1960, por exemplo, os motoristas de autocarro de Miami não cobravam aos seus passageiros e também não aceitavam gorjetas »

Agradecimentos
Discurso do Professor Fernando Rosas na Conferência de Abertura do Congresso Internacional Greves e Conflitos Sociais no Século XX
Discurso do Professor Serge Wolikow na Conferência de Abertura do Congresso Internacional Greves e Conflitos Sociais no Século XX
Greves
Marcel van der Linden
Setúbal republicana – quando as fábricas transbordavam de greves
Albérico Afonso
As comunidades industriais no alvorecer do associativismo
operário português
Joana Dias Pereira
Sindicalismo livre e I República. Percursos paralelos, convergências
efémeras (1908¬ 1931)
Luis Farinha
O 18 de Janeiro na história das ideias
Ângelo Novo
“Temos Fome, Temos Fome”: resistência operária feminina em Almada
durante o Estado Novo
Sónia Sofia Ferreira
As greves no Litoral Norte português no agitado Verão de 1958
Ana Sofia Ferreira
A militância possível. Sociologia das condições sociais de possibilidade do militantismo operário no Porto (1940¬ 1974)
Bruno Monteiro
Lutas operárias no Porto na segunda metade do século XX
Teresa Medina, Natércia Pacheco, João Caramelo
Terra e liberdade. Experiências de reforma agrária em Portugal
no século XX
Dulce Freire
O declínio das greves rurais e a evolução do PCP nos campos do Sul
João Madeira
Conflitos sociais na base da eclosão das guerras coloniais
Dalila Cabrita Mateus
Greves e conflitos sociais na Lisnave
Jorge Fontes
A greve que mudou a revolução: luta laboral e ocupação da Rádio
Renascença, 1974¬ 1975
Paula Borges Santos
Greves na Revolução dos Cravos (1974¬ 1975)
Raquel Varela
Lutas sociais e nacionalizações (1974¬ 75): “A banca ao serviço do povo”
Ricardo Noronha
Biografias dos autores

Coordenação: Raquel Varela, Ricardo Noronha, Joana Dias Pereira

Editor científico e revisor: António Simões do Paço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Editor científico e revisor: António Simões do Paço

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5 respostas a “Onde existe poder existe resistência”

  1. Grevista diz:

    Olá Raquel.
    Uma informação concreta: o livro tem alguma referência ao anarquista alentejano António Gonçalves Correia?
    Obrigado.

  2. Vítor Vieira diz:

    Entretanto, as grandes distribuidoras vão tentar abrir amanhã os seus estabelecimentos…

  3. Pedro Pousada diz:

    Sindicatos ou a mão fechada está viva
    É neste poço onde nos desfuncionalizam, é aqui, salivando tristeza e deslassando a amnésia dos nossos direitos, onde a escada nos faz descer à repetição incompreensível, onde o chefe, o capataz, o director nos escondem o que está em cima, é aqui que a ordem dos desiguais, essa reunião infinita, esses braços incandescentes, essa massa de irmãos faz sentido, essa massa de fantasmas e de vivos que erram porque lutam. O que somos sem eles senão erva seca a espera de um incêndio?

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