Mais intelectuais na luta do Povo

«… Os intelectuais não são apenas uma camada crescentemente assalariada e tendencialmente proletarizada. São uma camada de trabalhadores que, tenham ou não consciência disso, têm nas relações de produção capitalistas o principal bloqueio ao livre desenvolvimento da sua actividade e do seu trabalho criador. O capitalismo, no seu estádio de desenvolvimento actual, exerce uma enorme compressão sobre a autonomia relativa do trabalho intelectual, instrumentaliza e mercantiliza a investigação e a criação científica e artística, a controvérsia filosófica, a comunicação social, a justiça, a educação, a saúde. O imperialismo torna a cultura entretenimento, a ciência arma de destruição, a informação arma de guerra. Não há actividade intelectual cujo livre desenvolvimento não exija hoje a luta contra o capitalismo pela alternativa – o socialismo. Nós sabemos isso. É indispensável que a grande massa dos intelectuais o venha a saber também. …» (Texto integral)

Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP, na VI Assembleia de Organização do Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa, 28 de Abril, 2012.

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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36 Respostas a Mais intelectuais na luta do Povo

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    “Pela nossa parte o que dizemos àqueles que sinceramente estão empenhados em fazer fracassar esta política que afunda o país e condena à ruína o nosso povo, aos votantes noutros partidos, aos democratas e patriotas que hoje vêem a mentira e a fraude imperar na política nacional é que não há lugar nem para manobras nem para meias-tintas. Venham para a luta, venham e engrossem o caudal pela rejeição do Pacto de Agressão e por uma verdadeira alternativa política e uma política alternativa.”

  2. Nuno diz:

    Isso é o Jerónimo a ler – não muito – Negri às escondidas ou, muito paternalisticamente, a querer demonstrar uma diferença entre uns poucos muito inteligentes e uns muitos que não o são, e que, por isso, o que precisam é de um belo pastor?
    Peço desculpa se o ofendi, mas é que tendo a assumir ideias como “Mais intelectuais na luta do Povo” próximas da direita, e aborrece-me um pouco ver a esquerda a fazer esse papel. Um bom dia.

    • Caro Nuno
      Não há ofensa, pois está cordialmente a exprimir a sua opinião. Pessoalmente não vejo a ideia do envolvimento de intelectuais na luta como sendo de direita. É certo que, por exemplo, movimentos fascistas também recrutaram intelectuais. Mas creio que a história demonstra que estes têm tido um papel empenhado nos movimentos de esquerda e nas lutas revolucionárias: cantores (Vitor Jara, Zeca Afonso), pintores (Dieogo Rivera, Rogério Ribeiro), poetas (Garcia Lorca, Ary dos Santos), dramaturgos (Brecht), arquitectos (Niemeyer), escritores (Manuel da Fonseca, José Saramago), jornalistas (John Reed), só para refir alguns.
      Onde lê o “paternalismo”; no facto de Jerónimo ter dito “tenham ou não consciência disso”? Não há nisso paternalismo. É uma constatação. Que entre os trabalhadores, incluindo os intelectuais, há quem tenha consciência de classe e como o capitalismo os condiciona e explora, e há quem não a tenha. O que Jerónimo sublinha no excerto é que, independentemente dessa consciência, o capitalismo opera desvirtuando a cultura. Tão pouco há o ensejo de trazer ovelhas para um rebanho. O contexto do excerto é o da formação de uma aliança, não de absorção.

      • Nuno diz:

        O paternalismo que vejo é na procura dos intelectuais, para a luta do Povo, como se ouvesse uma separação antagónica entre os dois, e presumindo-se que seja o Povo aquele que pela sua impreparação se encontra dependende de algo, incapaz de, também pela sua iniciativa, participar na luta contra o capitalismo sem que seja depois das ordens de alguém. É aí que eu discordo, e apesar de saber que não é essa a filosofia do PCP, parece-me que é capaz de passar essa imagem mesmo sem o querer.

        • Rocha diz:

          Como se houvesse???
          Você deve ser cego, surdo e mudo.
          Farto estou eu de ouvir intelectuais de esquerda de todas as cores, dos mais reformistas, aos mais radicais, vermelhos, verdes, anarcas ou revolucionários a dizerem sempre o mesmo: a culpa de toda a miséria é do povinho, da populaça, das massas…

          Intelectuais arrogantes, pedantes e com complexos de superioridade ou de casta vejo eu todos os dias. Não quero com isto ostracizar os que não são assim – que são as excepções diga-se em abono da verdade. Mas não vale a pena tapar o sol com a peneira.

          Sinto-me à vontade para dizê-lo que venho de uma família que é uma mistura entre intelectuais e populares (camponeses pobres). E nem dentro de uma família deixam de haver os mais reaccionários preconceitos anti-povo que são característicos da “cultura” capitalista.

          Abra os olhos Nuno, a luta de classes não tem um só sentido: tem dois. E a luta de classes é como é, por vezes muito feia e violenta. Independentemente do que eu ou o Nuno queira que ela seja.

    • Bolota diz:

      “…mas é que tendo a assumir ideias como “Mais intelectuais na luta do Povo” próximas da direita…”

      Nuno,

      Quer lançar nome p´ra mesa de intlectuais de direita??? Eu começo, Vasco Graça Moura…venham de lá esses nomes. Mas não se esqueça que o desafio são nomes de ” intelectuais “. o Saramago já conta porque já morreu.

      • Nuno diz:

        Eu não tenho o menor interesse em fazer estatísticas de intelectuais, sejam eles de esquerda ou de direita.
        Deixo o exercício para si, divirta-se se quiser.

    • Vasco diz:

      Não percebi o comentário… Sinceramente. E não percebi o que o Negri tem a ver com isso (não será “teórico” que o Jerónimo leia). Os intelectuais – na definição marxista e não na burguesa – fazem parte do povo e o PCP quer, e bem, aumentar a sua participação na luta mais geral do povo português. Não percebo sinceramente qual o problema…

      • Nuno diz:

        O que eu quis dizer é exactamente isso, que os intelectuais ” fazem parte do povo”, por isso não consigo perceber o porquê desta posição identitária.

  3. JgMenos diz:

    ‘Os intelectuais não são apenas uma camada crescentemente assalariada e tendencialmente proletarizada. ‘
    Nada como o socialismo para que fiquem livre da pressão de quem lhes paga!
    Passam a depender do Estado cujos agentes são reconhecidos como não condicionando ninguém! Vinde ao Pai que a Graça é garantida!

  4. Vasco diz:

    O raio do anticomunismo cega mesmo…. Incrível. Se um pateta qualquer como o Negri tivesse dito uma tolice das dele era o maior… Pior tonto é mesmo o que pensa que é esperto…

    • Nuno diz:

      Caro Vasco, acredito que até lhe possa fazer alguma confusão, mas quero que saiba que o PCP não detêm o monopólio do comunismo.

      • Carlos Vidal diz:

        Não sei quem é o Nuno, mas havia por aqui algures e em tempos um Nuno com alguma cultura/conhecimento (que são factores anti-artísticos, como se sabe, pois a arte opõe-se à cultura que é a sua institucionalização). Nuno tem duas desvantagens nesta discussão: nada sabe ou nada deve saber (demonstra-o) sobre criação e produção de uma obra de arte (ou seja, o momento da decisão desse inédito que é a obra e os factores que também são logísticos que a fazem “ser”). Nada sabendo disso, asneira por todos os lados, e confunde Negri com Gramsci. Porque Negri nada tem a ver com esta discussão, e em em Gramsci que se põe, no contexto do que ele chama “intelectual tradicional”, o grau de consciência ou não-consciência do que está a fazer e a quem serve, que classe, que grupo. Pois todos os grupos têm “organicamente” os seus intelectuais. Não vale a pena, por agora, alongar-me.

        (Quanto ao facto do PCP deter o monopólio do comunismo, parece-me que sim – os outros estão pelos lados de um bizarro “socialismo do século XXI”, versão DOliveira, ou um socialismo libertário não leninista, que também julgo não perceber bem o que é, mas julgo ser algo asséptico, como convém. É que o problema passa por saber retirar o marxismo de uma leitura derridiana de messianismo.)

        • Toda obra gramsciana está percorrida por este tema, como uma insistência que revela o tormento crítico necessário pela necessidade deste aprofundamento”- face à crescente proletarização tendem a ganhar ou perder influência como força contra-hegemónica? – a mediatização cria a ilusão de influência que é sempre uma forma transfigurada das relações de hegemonia – está hoje cada vez mais claro que o intelectual precisa de se movimentar para recuperar o seu lugar!

          • Carlos Vidal diz:

            Exactamente, esta é uma conversa que convoca Gramsci e o engajamento burguês do intelectual na luta pela hegemonia. É de Gramsci que falamos e podemos continuar a falar e não de Negri, como “Nuno” acima refere. Uma conversa, um comentário, que não sabe distinguir Gramsci de Negri, é de um comentador que deveria estar calado (deixemo-nos de democracia).

          • Nuno diz:

            “Uma conversa, um comentário, que não sabe distinguir Gramsci de Negri, é de um comentador que deveria estar calado (deixemo-nos de democracia).” – C Vidal
            O meu uso de Negri era, acima de tudo, num estilo provocatório. Já que, não é só o texto referido que tem Gramsci como influencia, como o tom em si se distancia do pensamento de Negri. Este não só não faria uma tal distinção entre intelectual e Povo – conceito que Negri muito dificilmente utilizaria – como, num quadro de luta de classes, veria uma mesma frente de luta e não os dois em separado. Isto porque, para Negri, o importante não é tanto a classe, mas sim a historicidade da luta de classes, conotando-a com uma dimensão fundamentalmente política e não meramente identitária.
            Aquilo que me apetece perguntar ao caro Vidal é, se esta participação sua, não se deve por uma espécie de relegação do estatuto que vê em si próprio, e que surgiria precisamente pela quebra da dicotomia intelectual/povo.

            Quanto ao monopólio do comunismo, tem todo o direito em pensar desse modo. No entanto, e fazendo referência ao próprio Gramsci, gostaria de lhe recordar as críticas que este fez, em alguns momentos, à política seguida na URSS, para além de toda a influência que teve numa tendência que, na minha opinião, deverá odiar, e que de forma geral engloba o que se costuma designar “Nova Esquerda”.
            Quando ao DOliveira, eu, que não sou do BE nem tenciono ser, considero que me parece um pouco abusivo conotar todo o partido com alguém que se encontra na ala mais reformista do mesmo, e que, segundo me parece, tem cada vez menos expressão no mesmo.
            Em relação ao socialismo libertário, do qual me considero próximo, nem pretendo entrar por aí, já que não tenho a menor vontade em discuti-lo com alguém tão próximo do estalinismo.

          • De diz:

            Independentemente da provocação reconhecida pelo Nuno,que mais não é do que a óbvia assunção da “pata na poça” do mesmo,interessa realçar um ponto ao qual este Nuno não pode escapar.
            É que o tom provocatório não se resume a isto.Começa logo por aquela referência displicente,paternalista e um pouco bacoca ao texto de Jerónimo de Sousa.
            A dar uma ideia do tom inicial do debate (para o qual contribui em matéria quantitativa) e da forma como esse mesmo tom se modifica e transmuta, eis depois a confissão de que não lhe interessa mais a discussão…dadas as proximidades demoníacas do Vidal
            Convenhamos que a participação do Nuno se saldou em quê?
            A luta é mesmo dura.Duríssima.E é com isto que nos vamos “entretecendo”

          • Carlos Vidal diz:

            Ora ainda bem que este Nuno, estratego da provocação, humorista de primeira água (Negri era uma provocação com humor, dizia o cavalheiro) vai desaparecer daqui para fora. Pois nem sequer há, no discurso de Jerónimo de Sousa nenhuma dicotomia. Há, sim, autonomia – precisamento do intelectual. Desde Benda, Gramsci, Edward Said, Zola (mais recuadamente) que há, neste, uma ligação orgânica dupla: ao povo e à verdade (Said, por exemplo).
            Mas é boa ideia, “Nuno”: Fora!

          • Nuno diz:

            Caro Vidal, eu não disse que era “uma provocação com humor”, mas sim, simplesmente, uma provocação. Provocação essa, tenho de admitir, um pouco recalcada pelo próprio Vidal, já que bem me lembro das purgas que passaram por este blogue, não há muito tempo, e que tiveram como alvo pessoas cujo pensamento é próximo do de Negri. Purgas essas, o Vidal bem se recorda, bastante fomentadas por si.

            Caro De, não sei quem é, nem me interessa saber, mas vejo que já andou por aqui a fazer o que melhor sabe, a tentar “higienizar” as ideias discutidas por este espaço. Desejo-lhe boa sorte nesse seu labor.

          • De diz:

            Caro Nuno,não sei quem é nem me interessa saber.
            Deve contudo estar enganado com a higienização, não querendo eu admitir que isso se encaixe no seu “socialismo libertário”.
            Continuo a achar admirável essa fuga para a frente de alguém que mete a pata na poça e continua como se nada fosse a invocar purgas.E sobretudo com Negri na boca,como se o verdadeiro motivo da sua intervenção fosse a convocação deste.A despropósito e com a argúcia que lhe cabe.
            Quanto à essência da higiene…deve estar equivocado.Os disparates são os de cada um.A cada um a sua limpeza.Não censuro (nem posso), embora já me tenham censurado.
            Portanto não diga disparates.

  5. licas diz:

    Ora bem, se o *Geronimo* (chefe pele-vermelha) arenga aos seus fiéis intelectuais/alistados/formatados que o mal da *classe* vem toda do capitalismo, onde está a
    a admiração? Até, sabido que a *plateia* às vezes se torna incómoda para o PCPista *centralismo democrático* é bom que de vez em quando haja quem refresque a memória da *sâ doutrina* e em modo subliminar ameaça com o expurgo para os que se desviarem da *linha*. Isso é lá com eles . . .
    Connosco, com os portugueses importa – é imprescindível – fazer um balanço de como o comunismo, quando estado, trata do eminente assunto da liberdade de espressão
    artística/intelectual. Nada melhor que nos reportar-mos a ex-URSS, a campeã indiscutível do anti-capitalismo. Lá o Sindicato dos Escritores não foi concebido para defender a *classe* (como haveria de ser se o Estado se proclamava sem classes?) mas para exercer orientação, censura, quiçá expurgo, dos escritores *malditos*. Mesmo que a Polícia (KGB) fosse ao extremo do internamento em *campos de reeducação* na Sibéria o Sindicato, zelosamente, aplaudia: Solzhenitsyn que o disse pois ainda beneficiou de alguns anos de vida para o testemunhar em liberdade o seu *Gulag*. Quanto à Pintura . . .
    Krustchov, em Presidente, uma vez *caiu* num exposição de pintura moderna, e no final fez a sua apreciação: parece que andam a pintar com *rabos de burro* (sit).
    E agora, já repararam que o estilo escultural alemão do tempo do Hitler se parece o padrão das colossais esculturas na URSS? Dá para dizer que, quanto à Estética, as tiranias têm os mesmos padrões: conservadores ao extremo, consonantes com o regime, cegos e surdos a evolução. Estagnados.
    O Jerónimo de Sousa alinha por aqui? Que lhe faça bom proveito . . .

    • De diz:

      Há qualquer coisa de verdadeiramente boçal em tal comentário.
      Deixemos o texto atabalhoado e os erros ortográficos com que “licas”pontua o seu discurso.(Só me refiro a estes porque estes parece que servem de base ao insulto gratuito por parte de “licas”quando este os capta provindos de outros comentadores).
      Deixemos também a referência tosca a Gerónimo que revela um pouco mais o que “licas” é.
      Foquemo-nos no refrescador de memória,no zeloso defensor de crápulas por inteiro, no peculiar crítico de arte, no estilo de catatua pomposa como “licas”saltita de tema para tema ate´desembocar em…
      Jerónimo,pois então.Jã sem o sotaque do grande chefe Apache que “licas” trouxe inicialmente ao debate .Mas para o juntar no rol de asneiras que “licas”andou a arrebanhar.
      O coitado está com receio.E não se veda.
      Um (auto) retrato triste este de “licas”,hein?

  6. Bill diz:

    o pcp devia começar a pensar em votos. depois em coerência, já no poder.
    sim, é indubitavelmente de um partido de poder que falamos.

  7. Luis diz:

    E se começassemos por definir o que é ser “intelectual”?

  8. Pedro Sousa diz:

    Como se o capitalismo ou o socialismo dominassem os intelectuais e o povo,o que domina é o dinheiro.
    Quando o há ninguém se aborrece,quando escasseia começa a barafunda,quando acaba existe a fome e começa e a guerra da sobrevivência.

  9. Alexander the large diz:

    ò vidal , tu é que não és de certeza. Tenho um livro teu, ,que era do eduardo prado de coelho, o livro era dele, com sublinhados e notas à parte feitas pelo mesmo, e o gajo só goza é contigo !!!

    • Carlos Vidal diz:

      Eu não sei quem é este indivíduo e/ou cretino, nem tenho de saber. Nem sei como obteve um livro da biblioteca do meu amigo e saudoso Eduardo Prado Coelho. Nem sei a que livro se refere – publiquei livros que eu próprio não concordo com matérias lá, nesses livros, essenciais.
      Prado Coelho prefaciou-me o meu “A Representação da Vanguarda”, a seu pedido (eu tinha-lhe pedido um prefácio para umas fotografias minhas, e ele pediu-me em troca prefaciar-me o meu estudo sobre as vanguardas, Celta, 2002).
      Aí, no texto de Prado Coelho lê-se, directa e lucidamente:

      “Os primeiros textos que li de Carlos Vidal [fomos colegas no ‘Público’] provocavam-me alguma exasperação. Os motivos eram, suponho, compreensíveis: uma politização exacerbada, segundo aquela tendência que deu nos meios de língua inglesa uma hiper-esquerdização do discurso sem qualquer ligação com a cena política real (…).
      Como sucede quase sempre, são os textos que nos resistem que acabam por se revelar os mais interessantes. E de certo modo foi isso que aconteceu com os trabalhos de Carlos Vidal. Suponho que houve uma espécie de aproximação recíproca. Carlos Vidal depurou a escrita e sedimentou as referências teóricas que lhe são fundamentais. (…)
      E pouco a pouco (…) conseguiu criar um espaço teórico autónomo que constitui hoje um territrio a visitar. (…) Como caracterizá-lo?
      Em primeiro lugar, por uma informação filosófica considerável, que permite ora recorrer a Hegel ou Schopenhauer (sobre quem encontramos neste livro páginas particularmente brilhantes), ora a Derrida e Deleuze. O tom esquerdizante mantém-se, seja por uma recorrente recorrência a Guy Debord (…) seja ainda pela presença muito forte de autores como Giorgio Agamben, que se move num esquerdismo doce, ou Alain Badiou, que desenvolve o mais inteligente e desconcertante esquerdismo duro. E no campo mais específico das artes plásticas, temos um diálogo com autores como Clement Greenberg, Hal Foster ou Benjamin H. D. Buchloh.
      Em segundo lugar, por uma capacidade apreciável para manter o fio condutor de um raciocínio (que poderia mesmo chamar uma obsessão) ao longo de reflexões teóricas e análise de casos singulares. É sobre esse fio vermelho de todo o ensaio que gostaria de reflectir.”

      E mais tempo não vou perder com anónimos sem eira nem beira, nem saber ou dignidade. Prado Coelho é das pessoas que mais falta me faz. Era um intelectual. Não há muitos.

    • De diz:

      Este comentário rasca e a cheirar a delator (com travos de queixinhas amargo e impotente) teve contudo um mérito que foi despoletar a visão deste texto de Prado Coelho.
      Independentemente de tudo o que lá está ( e que é muito) há algo que me parece luminoso:
      “Como sucede quase sempre, são os textos que nos resistem que acabam por se revelar os mais interessantes.”
      Encontramos bastas vezes este exemplo replicado por aqui.

  10. licas diz:

    Solzhenitsyn . . .
    O que por aqui se berraria se Salazar tivesse ousado
    internar o Saramago no Tarrafal . . .
    Xomo diz *acertadamente* Jerónimo de Sousa:
    ___O capitalismo . . . exerce uma enorme compressão sobre a
    autonomia relativa do trabalho intelectual_____
    Mas, pergunto, quem acredita no *palhaço* ?

  11. licas diz:

    Solzhenitsyn . . .
    O que por aqui se berraria se Salazar tivesse ousado
    internar o Saramago no Tarrafal . . .
    Como diz *acertadamente* Jerónimo de Sousa:
    ___O capitalismo . . . exerce uma enorme compressão sobre a
    autonomia relativa do trabalho intelectual_____
    Mas, pergunto, quem acredita no *palhaço* ?

    • De diz:

      A opção por designar Soljenitsyne por Solzhenitsyn deriva de onde?

      Adiante.
      É que este coiso do Soljenitsyne faz-me espécie.Não naturalmente pelos mesmos motivos de “licas”.
      É que não me esqueço que esse pulha lastimou a falta de vigor dos EUA perante a revolução de Abril.Ou do que ele disse sobre Franco e sobre a liberdade mais absoluta que vigorava sob as patas deste crápula.Ou das lágrimas de raiva com que recebeu o fim da guerra no Vietnam.Ou dos elogios a Pinochet
      Muito mais coisas havia a dizer sobre este coiso.Mas não vale a pena.Está morto e “está bem assim”.
      Curioso é que no tema apareça este herói da extrema-direita.
      Estão bem um para o outro.
      Por mais do que um motivo,esclareça-se.

    • Luis Magalhães diz:

      ó licas, isso deve ser alzheimer..

  12. licas diz:

    Para o De
    que o Luís Magalhães (como sacristão nem resposta merece).
    Se Vocemecê não esquece . . . isso, é lá consigo (mas por pudor
    deveria calar, porque NÃO VEM NADA A PROPÓSITO.
    A sua opinião, com dados vindos de não sei de onde, e de duvidosa
    credulidade, diga-se, é sua: faça-lhe todo o proveito.
    O ponto, que V. esqueceu, como pulha que se mostra, é a *tirada*
    do Genonimo (sem acento, camarada, à Americana) que do capitalismo
    que o mal da *classe* vem toda do sistema.
    E eu sublinho agora que , como diz Renato Teixeira citando M. A. Pina
    noutra emergência, só um estado policial interna em Campo de Concentração
    um escritor explicitamente não afeto ao regime. NEM MAIS NEM MENOS.
    E PARA OS MENOS INTELIGENTES formulei uma pergunta simples:
    O que se ouviria por aí se Salazar tivesse mandado o José Saramago para o Tarrafal?
    Agora, finalmente, compreendeu?
    Ou, como parece induzir, o facto de um escritor ser do contra, é de Justiça,
    arriscar-se a ser catrafiado em Campos de Morte? Tão simples como isto . . .

    • De diz:

      “licas”
      Sorry mas não esqueço mesmo.A memória tem destas coisas.E a dignidade também.
      Se vossemecê não sabe ou ignora (ou quer ignorar) o curriculum daquela coisa isso é um assunto seu.Que o retrata também.
      “Pulha” é um termo que ainda não usei em relação a vossemecê.
      A pergunta que vossemecê me coloca deixa assim de o ser.Um ignorante é o que é. Um boçal malcriado não merece credulidade.Nem que lhe respondam a pedido.
      Daí que, “licas”, vossemecê pode ficar a berrar e a tornar a berrar.Entretanto veja se aprende algo,quer seja sobre o biografado,quer seja a escrita do nome dos personagens.Torna-se patético o seu comentário sobre um tal Genonimo ou Geronimo “sem acento, à Americana”.
      Olhe lá,não tem um espelho lá em casa?

      Mas há mais algo a dizer.Fica para depois

  13. licas diz:

    Geronimo (just…)

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