Carla Duarte, porta-voz da PSP: “Duas pessoas já fazem uma manifestação.”

O Tiago Mota Saraiva e a Joana Lopes já disseram quase tudo sobre as declarações da porta-voz da PSP, Carla Duarte, na sequência de terem constituído arguida uma activista durante uma acção de distribuição de panfletos do MSE (Movimento Sem Emprego), no dia internacional do desemprego, à porta do Centro de Emprego do Conde Redondo. Está acusada, note-se, do “crime de desobediência”.

Faltava, pois claro, olhar a senhora olhos nos olhos e através das suas retinas ver a silhueta do Coelho, do Macedo e do Magina. Felizmente que para o exercício do impropério não consta que seja preciso mais que um. É tempo de chamar à responsabilidade quem não tem nenhuma responsabilidade, hoje nesta fotografia e amanhã na barra do tribunal, onde o MSE fará questão de sentar os responsáveis por mais este ataque às conquistas de Abril: “proceder criminalmente quem fez a denúncia, a PSP e quem deu seguimento ao processo”, afirmou Ana Rajado, pelo movimento.

Colectivamente o MSE vai continuar a fazer o que tem feito, sem ceder ao medo e já está a organizar uma coluna de desempregados na manifestação do 1º de Maio e um novo plenário para definir os próximos passos a dar na luta pela justa divisão do trabalho.

A história toda, na Antena 1.

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13 Respostas a Carla Duarte, porta-voz da PSP: “Duas pessoas já fazem uma manifestação.”

  1. Nunca me engano,raramente tenho dúvidas-no país do filósofo do leme diz:

    Se duas pessoas fazem uma manifestação,então quem diz isso devia ser logo despedido.Isto é uma democracia,não é a puta que pariu esses atrasados mentais.

    • Baresi88 diz:

      Democracia? Mas tu vives onde? Estamos já numa Ditadura.

      • Winston Smith diz:

        Já há bastante tempo que tenho tentado fazer a malta ver que vivemos numa puta duma ditadura, disfarçada (e já mal) de democracia! Mas estes continuam, neste “Admiravel Mundo Novo”, distraidas com a abundancia de distrações, c0mo reality shows, futebois, fados, fatimas…

  2. Armando Cerqueira diz:

    Então uma mulher grávida de dois gémeos jé é uma multidão? E se tiver no ventre três gémeos já constitui uma enormíssima manifestação… de fertilidade?!

    Eu sabia desde há muito que a nossa classe dirigente é estúpida… mas ignorava a dimensão da sua estupidez.

    Trata-se, pois, de mudar de classe dirigente. Uma fase virá, talvez, em que os nossos longínquos descendentes poderão passar-se de classe dirigente…

    Armando Cerqueira

    Armando Cerqueira

  3. Rocha diz:

    Ora pois assim diz a senhora subcomissária. Ou não tivesse a burguesia também as suas mulheres para fazer o trabalho mais sujo de repressão. E se for preciso para voltarmos aos tempos mais negros do fascismo.

    Neste mundo de miséria capitalista, não somos realmente nada senão de um lado ou de outro da luta de classes.

  4. eduardo cunha diz:

    São as mulheres o sustentáculo do machismo: como poderão aceitar que toda a vida foram humilhadas e abusadas sem admitir que desperdiçaram a sua vida por cobardia ; o próprio sistema juridico não reconheçe o sindrome de estocolmo como razão suficiente uma vêz que este representa o seu próprio poder de domínio, essa margem tão cara ao indeferimento do desconhecimento da lei. A assunção de que qualquer cidadão é igual ao Juiz decisor, detentor de um ego absoluto plenivalente, teórico, irreal, unico garante da distanciação entre o cargo e a pessoa.
    A lei que julga iguais os diferentes, mistura o golfe com a pedofilia e delicia-se.

    • Rocha diz:

      Se o Eduardo tomasse mais atenção ao facto central do nosso tempo – vivemos numa sociedade de classes – não estaria tão surpreendido.

      “As mulheres”, “como poderão” …elas… nada disto isto existe no âmbito das relações sociais. Existem exploradoras e exploradas. Existem burguesas e trabalhadoras. Não há machismo que obscureça essa realidade… nem… feminismo.

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  6. Trabalhador de Portugal diz:

    Cada vez mais gosto da postura da autoridade do meu país. Eu que até já vesti a farda e me limitei simplesmente a despi-la.
    Eu que já fui constituido arguido por imoperância desta autoridade, choca-me assistir a isto. À senhora porta-voz falta-lhe senso comum e de conhecer melhor as reais situações que os trabalhadores, aqueles que têm o direito a ser tratado como tal, serem enxovalhados.

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