De que matéria se faz um cobarde?

Rui Rio, face à espantosa manifestação e reocupação popular da Es.Col.A, nada pôde. Acossado, com o seu ar sisudo, preferiu a cobardia à inteligência e atacou pela calada. Incapaz de dar a mão à palmatória, de perceber que as pessoas têm um projecto melhor para aquele espaço do que o seu abandono e a sua sobranceria, escolheu a madrugada para, como os morcegos, chupar o sangue fresco da manada. A soldo, a polícia e os funcionários da CMP parecem ser os mais fiéis do dono e há relatos de coação inquietantes a circular nas redes sociais:

“* a imprensa foi proibida de filmar os empregados da Câmara que recolhiam os haveres do Es.COL.A … mas a Câmara, ao que parece, poderá continuar a filmar quem se manifesta a apoiar o Es.COL.A;
* terão existido ameaças por parte de responsáveis da força policial a moradores da Fontinha;
* parece que o chamado perímetro de segurança imposto pela Polícia Municipal tenderá a aumentar: começou pela Rua a Fábrica Social, mas os acessos da Rua Santa Catarina já estão a ser condicionados …”

“Canalização destruída, sanitas e lavatórios para o lixo, haveres da Es.Col.A. retirados, mobiliário destruído, instalação eléctrica propositadamente estragada.” (Também no Público).

Rui Rio revela uma vez mais o seu verdadeiro carácter e apenas tem como alternativa a taipa, o bastão e a prepotência. É pouco e só vai aumentar ainda mais a justa raiva da população que, pelo que se viu ontem, vai continuar a lutar pelo que já é seu por direito. A CMP está a colocar-se a jeito para acabar a ser ela a entaipada.

Não seria mais fácil fazer de outra maneira?

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30 Respostas a De que matéria se faz um cobarde?

  1. Vítor Vieira diz:

    Belo video, mas ainda acho que o da Câmara tem mais piada e por isso o re-posto:
    http://www.youtube.com/watch?v=M6Q1Kr7Ed50

    E não esqueçamos também a página das anedotas, afinal, em tempo de crise, é sempre bom descomprimir um bocado com umas garagalhadas:
    Comunicado 1 (ahahahah!)
    http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/18580
    Comunicado 2 (AHAHAHAHAH! )
    http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/18617

  2. JgMenos diz:

    Que tal respeitar o processo de institucionalização, para começar?
    Ou o importante é mesmo a confrontação, ontem frustada porque o RR é autoritário mas não é parvo?

    • Rafael diz:

      As instituições foram feitas para servir o Homem, e não para pôr os homens a servir as instituições. As instituições já provaram o que valiam ao deixar aquele edificio abandonado durante 5 anos e aquela zona da cidade ignorada e negligenciada muitos mais. Quem destrói livros e material informático, já mostrou que é fraca a sua fibra moral. Só resta a revolta popular e as gentes do Porto já mostraram várias vezes ao longo de século que são capazes e irão revoltar-se!

    • Bolota diz:

      JgMenos,

      As instituições tem de ser respeitadas quando elas proprias transmitem respeito e não medo, prepotencia.
      Se estão agora a entaipar porque não o fizeram antes e se calhar oa material aplicado no entaipamento dava para acabar com meia duzia de barracas.

      Vovês aborrecem, foda-seeeeeeeeeeeeeeeeeee

      • JgMenos diz:

        Quando o diálogo é dirigido à rendição das instituições, de que é que se está à espera?
        Ou revolução ou ‘entaipamento’! Onde está a dúvida?

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  4. Vítor Vieira diz:

    Onde é que já vi isto antes? Já sei: no Porto – http://goo.gl/KZ5cI

    • querias saber diz:

      Velhos tempos em que os estudantes não se limitavam às queimas das fitas e às bebedeiras e praxes. Hoje em dia anda tudo muito alienado, este sistema tem ferramentas bem montadas…

  5. silva diz:

    História da corrupção em Portugal.
    Comissário contra a Corrupção, Fong Man Chong devia investigar este caso :

    Vejamos o procedimento de gente corrupta.
    Márocas, como administrador da empresa, ao fim de uns anos e sabendo, que o seu lugar está chegando ao fim, começa a pensar o que vai ser de mim, embora com uma reforma choruda, deixo toda uma atividade que me mantinha vivo.
    Bom antes que isso aconteça vai preparar, já o caminho, aos seus amigos e familiares, que trabalhando na sombra, asseguram outro rendimento, que o deixa orgulhoso dele mesmo.
    Sendo assim, combinado com os seus amigos e familiares, constroem empresas de outsourcing, para quando envolver a empresa num despedimento coletivo, alegando a quebra de lucros, os amigos e familiares estejam, preparados para substituir ilegalmente os trabalhadores despedidos.
    Ora quem vai desconfiar de mim, administrador da empresa com cartas dadas a todos os níveis, jogando toda a influência que tem, com os médias, empresários, governos e até gabinetes de advogados, além de todo o corpo gerente da empresa.
    Estando tudo isto organizado, com o estado a meu favor mais a justiça, e a empresa a criar já o ambiente de preparação faço o ultimato o DESPEDIMENTO COLETIVO. Desgraço a vida de muita gente, mas tem que ser, pois tenho que levar uma vida de rei, dando tudo aos amigos e familiares, que se lixem os que querem trabalhar sem a minha bênção.
    O administrador tem a capacidade de enganar de tal modo que alguns, apercebendo – se mais tarde deste golpe e que no fundo ainda lhes resta um pouco de solidariedade e decência, querem mostrar – se, mas já estão de tal maneira comprometidos com o corrupto, que só lamentam o despedimento coletivo.
    NÃO HÁ NINGUÉM EM PORTUGAL QUE NÃO CONHEÇA CASOS DESTES, DESDE GOVERNOS Á POPULAÇÃO EM GERAL, MAS O MAIS GRAVE É ADTIRMOS QUE SE CONTINUE COM ESTE FLAGÊLO NACIONAL QUE ESTÁ A LEVAR O PAÍS PARA A MISÉRIA TOTAL.
    Por: luta até á morte

  6. Gentleman diz:

    «Não seria mais fácil fazer de outra maneira?»

    Sim. Por exemplo pagando a simbólica renda de €30 solicitada pela Câmara.

    • Luis Magalhães diz:

      Não és muito inteligente…

    • De diz:

      Não seria mais fácil Gentleman deixar de fazer o que o “rapaz” anda a fazer?
      Ou seja a tentar atirar areia para os olhos?

      “ninguém se recusou a assinar um contrato porque ele pressupunha o pagamento dessa quantia, mas porque outra clausula desse contrato dizia que o projeto poderia apenas funcionar até 30 de Junho.

      Ou seja, assinando um contrato, teríam obrigatoriamente de abandonar o edifício daqui a 2 meses. Esse foi um dos motivos da negação em assinar o contrato. Outro foi a má-fé evidenciada pela câmara em todo o processo, de que o triste espetáculo dado a todo o país foi um perfeito exemplo. ”

      Há mais,muito mais.
      Bora lá Gentleman tentar esconder o canalha que está por detrás disto

    • um gajo qualquer diz:

      Oh Gentleman… tu és burro ou emprenhas plos ouvidos?!?!

      Não sabes então que a grande proposta do rui rio eram 30€ por mês até junho? Vai mas é pó caralho, reaça de merda – que eu bem te tenho tirado a puta da pinta nos teus comentários de vómito.

      Renato: não censures, por favor

    • subcarvalho diz:

      Gentleman, e que tal dar o cuzinho?…isso é que é simbólico!

    • Rafael diz:

      Como estipulado num contrato com a duração de dois meses…É uma piada de mau gosto e só quem é cinico não prevê o que aconteceria findos os dois meses….

  7. Li Alves diz:

    De longe, vou acompanhando, estupefacta com tamanha estupidez, tamanha filha-da-putice (como dizia o outro), e acima de tudo, tamanha insensibilidade social. Esse cão que veio falar em nome do Rui Rio podia explicar porque é que a CMP não foi vingar a “legalidade do edifício” quando antes da Es.Col.A o mesmo estava provavelmente a ser usado para darem no cavalo, quiçá para tráficos ilegais, e sabe-se lá mais o quê. Podia também explicar qual a legalidade de chegar a um sítio e destruir, escavacar, partir e roubar pertences alheios. Podia também explicar como é possível andarem feitos cães atiçados a perseguirem um projecto EDUCATIVO, CULTURAL e de clara intervenção social – em vez de apoiarem, cultivarem e ficarem orgulhosos de tal feito.
    E no fim, gostaríamos de saber que bela merda de projecto tem o “Senhor” Rui Rio para esse edifício…
    Não desistir!

  8. CeC diz:

    Isto deixa-me a pensar nos “Indignados”, do 15M em Espanha. link

    Razão, ou falta de razão, honestamente, penso que apenas as decisões futuras e principalmente as atitudes tomadas -e a forma como serão expressas aos olhos de todos-, irão definir quem tem mais legitimidade.

    O certo é que apesar das reivindicações do Colectivo Es.Col.A, e de todas as soberanas razões que possam ter, ainda transmitem para uma maioria social um dogma de New wave hippies, ou algo do género. Parece-me que enquanto não se libertarem de dita visualização, poucas possibilidades terão de serem ouvidos, e de receberem um apoio significativo, por parte de toda a população.

    • querias saber diz:

      Concordo com isso, e nesse ponto acho que é burrice do Es.Col.A.. A realidade é que o povo (sociedade) tem ainda muitos preconceitos, principalmente com a imagem, e para que se fosse o mais inclusivo possível e com o maior apoio possível da real população do bairro da Fontinha, teria que ter tomado estratégias diferentes e que inicialmente não chocassem tanto com o que a sociedade (infelizmente) está habituada. É fácil de enteder que os milhares que sairam à rua no 25 de Abril de 2012, não são moradores da Fontinha. Poucos serão, talvez uns 30. Nesse aspeto foi errada, a meu ver, a estratégia do Es.Col.A..

      No entanto nada disso é razão ou argumento para que se acabe com um espaço que estava abandonado há tantos anos e que foi transformado numa mais valia para aquela zona esquecida e ignorada do Porto.

      Pena é que ainda tenha que se pensar em estratégias para que os preconceitos da sociedade não se tornem um empecilho na aproximação, franca de um projeto como este, com a população.

    • Ricardo diz:

      A melhor forma de acabar com uma sociedade preconceituosa, é começar por desfazer os nossos próprios preconceitos, algo que vocês (CeC e querias saber) necessitam urgentemente de fazer.
      1 – Os elementos do movimento Es.col.a, assim como os moradores do bairro da Fontinha que o constituem, pedem desculpa por parecerem new wave hippies mas este ano outras preocupações impediram-nos de ir aos saldos da Cucci e da Prada.
      2 – Os milhares que ontem sairam à rua em apoio à Es.col.a e ocuparam o edifício, são de todas as idades e quadrantes sociais como se pode ver nas fotos e videos publicados. Se isto não é um “apoio significativo por parte de toda a população”, então não sei o que é!
      3 – As assembleias da Es.col.a, cujas actas estão online para vossa consulta, centram-se nas actividades a desenvolver lá, no melhoramento das condições e do edifício, etc. Não há uma agenda ou estratégia política. Burrice é pensar que isto é um jogo de poder.
      4 – O bairro da Fontinha é maioritariamente constituído por casas, não prédios. Não moram lá milhares de pessoas. Há muitos idosos, que normalmente não estão para se chatear com nada, mas dos restantes muitos fazem parte da Es.col.a, muitos participam das assembleias e nas tomadas de decisão (que só se fazem por consenso), outros não mas não deixam de levar lá os filhos, ou de eles próprios participarem ou ajudarem nas actividades. Ontem muitos estiveram lá a festejar a reocupação do edifício.
      Nada se teria feito sem o apoio da comunidade local.

      • CeC diz:

        Ricardo.
        Foi essa atitude do preconceito que foi identificada e tu visas os que tal identificaram, em forma de critica? Sinceramente, apenas transmite uma imagem da vitimização quando fazem menções -como já o vi, anteriormente, fazerem- sobre a roupa e todos afins inerentes.
        A própria imagem que foi transmitida no outro dia, sim dava um bom marketing à causa, em si, estando todo o tipo de pessoas, estratos sociais, etc.. presentes.

        Trata-se de uma simples visão estóica. O idealismo fica muito bem, e encaixa perfeitamente no que “se quer e no que se deseja”; para o bem ou o mal, no entanto, é necessário chegar a Um Todo para se realizar algo. E para tal se alcançar é necessário ter uma visão do global, afastada do simples “Porque sim”.

        • Ricardo diz:

          CeC, sim, tenho de o fazer porque não é isso que está em questão!

          Isto não é um grupo de pessoas que ao fim do vida volta para a sua despreocupada vida de classe média (se é que ainda existe neste país). Isto não é a J de um partido político com o peso do partido por trás. Isto não é uma ONG ou grupo de activistas profissionais com uma agenda política.
          Isto não é muito diferente de um grupo de moradores que se junta para intervir num espaço verde comum mas sob a tutela da Câmara.
          Se fosse esse o caso, ia comentar que aquela gente de galochas e unhas cheias de terra nunca teriam apoio popular enquanto não se libertassem daquela imagem?

          E não é que a questão seja essa mas só como exercício, pergunto:
          – Se a questão fosse legitimidade, quem tem mais? Os simples habitantes da Fontinha que ocuparam um edifício devoluto ou o engravatado Presidente da Câmara que o deixou degradar?

      • querias saber diz:

        Parece-me Ricardo que não leste o que escrevi mas sim outro texto qualquer. Apenas identifiquei um problema ao qual me refiro com um “(infelizmente)”. Concluo também que não leste o último parágrafo que escrevi e no geral não deves ter entendido nada do que eu disse. A realidade é que há preconceitos, e quando queremos o maior número possível da população junto (neste caso refiro-me à Fontinha), devemos optar por estratégias que não afastem à partida aqueles que estão habituados a uma sociedade onde esses preconceitos existem. Não se deve optar por um tratamento de choque, mas sim por uma aproximação cuidadosa e simples. Não me refiro às roupas ou penteados das pessoas, era o que mais faltava, mas à própria imagem que o Es.Col.A. podia sem querer passar com bandeiras pretas pirata como logotipo ou as paredes todas grafitadas entre outras coisas. Foste alguma vez ao Es.Col.A.?

  9. Vítor Vieira diz:

    Não me parece que o tal “projecto” de Rui Rio vá avançar, mas está aqui explicado (veja-se a data):
    http://www.mynetpress.com/mailsystem/noticia.asp?ref4=4%23k&ID={9AF791B4-778F-409F-9E6E-8F4C5D30A0B9}

    E como a Católica está “assim”…
    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1801919&page=-1

  10. Morcego diz:

    Como portuense ausente, sinto orgulho por tod@s @s meus conterrâneos que lutaram pelo Bolhão, e agora lutam pela Fontinha. O Porto sempre teve péssimos presidentes de câmara; todos eles sem nenhuma estratégia de cidade, tornando-a uma sombra das suas potencialidades. Rui Rio é um paradigma da mediocridade, da tacanhez, da prepotência e do provincianismo.

    Shame on you!!

  11. Vera T. Santana diz:

    O projecto Es.Col.A tem há muito o meu apoio. Por outro lado, entre mim e o Rui Rio há a distância de um mundo e jamais esquecerei o ataque à Es.Col.A.

    Queria mesmo estar calada mas tenho de perguntar o seguinte:

    quem quer (re)Ocupar uma Es-Col.A deixa-a abandonada durante a noite seguinte à re-ocupação????!!!!!

    • Ricardo diz:

      Vera, no último despejo a polícia e os funcionários da CMP removeram janelas e caixilhos. Se não há grande condições para estar lá de dia, o que dizer do frio à noite?

      Quanto ao resto, sejamos pragmáticos: não há portas, janelas, fechaduras, etc. Não há forma de impedir o acesso a ninguém.

  12. Vera T. Santana diz:

    O projecto Es.Col.A tem há muito o meu apoio. Por outro lado, entre mim e o Rui Rio há a distância de um mundo e jamais esquecerei o ataque à Es.Col.A.

    Queria mesmo estar calada mas tenho de perguntar o seguinte:

    – quem quer (re)Ocupar uma Es-Col.A deixa-a abandonada durante a noite seguinte à re-ocupação????!!!!!

  13. anon diz:

    Fez-se silêncio às 22 e abandonou-se o espaço às 22.30 para dar o exemplo, por ser um dia simbólico. Os membros da Es.Col.A. presentes acharam que isto seria o que mais sentido faria, no dia seguinte a Es.Col.A. abriria com as actividades habituais.

    A Es.Col.A. nunca foi uma ocupação com intuitos de habitação, isso apenas aconteceu nas ultimas semanas devido ao perigo de despejo e à necessidade de se garantir presença no espaço caso acontecesse. Com o despejo efectuado ontem achou-se que não fazia sentido que alguem tivesse de passar por aquilo que passaram os activistas presentes no despejo.

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