Participation
44.300.000 électeurs inscrits.
| Suffrages exprimés | 78.5% | (34.775.500 voix) | |
|---|---|---|---|
| Abstention | 20% | (8.860.000 voix) | |
| Votes blancs ou nuls | 1.5% | (664.500 voix) |
Résultats
| François Hollande | 28.93% | (10.059.423 voix) | |
|---|---|---|---|
| Nicolas Sarkozy | 25.67% | (8.926.450 voix) | |
| Marine Le Pen | 17.97% | (6.248.515 voix) | |
| Jean-Luc Mélenchon | 10.96% | (3.810.907 voix) | |
| François Bayrou | 8.98% | (3.124.258 voix) | |
| Eva Joly | 2.17% | (755.315 voix) | |
| Nicolas Dupont-Aignan | 1.88% | (652.317 voix) | |
| Philippe Poutou | 1.18% | (411.990 voix) | |
| Nathalie Arthaud | 0.69% | (240.328 voix) | |
| Jacques Cheminade | 0.3% | (102.997 voix) |





Ou me engano muito ou o Hollande vai morrer na praia.
Legenda:
Além dos mais conhecidos, onde a fascista Marine Le Pen obtém quase 18%, Bayrou e Nicolas Dupont-Aignan são de direita.
À esquerda, Jean-Luc Mélenchon (Front de gauche), Philippe Poutou (NPA, Novo Partido Anticapitalista) e Nathalie Arthaud (Lutte Ouvrière).
Ah, e a Eva Joly é dos Verdes.
Este é mesmo o resultado final?
Devo dizer que apesar de Mélechon nunca me ter entusiasmado, a ser este o resultado é certo que desilude. E se toda a retórica inflamada de Mélechon não passou da enésima reciclagem da moleta esquerda do senhor Hollande nada terá mudado.
Vencer o crápula racista Sarkozy apenas sabe bem porque caímos todos – eu também – sempre na mesma ingenuidade de personalizar a política.
A realidade é que para além dos discursos balofos ora racistas ora demagogos, ora franco-chauvinistas ora euro-imperialistas, é que Sarkozy e Hollande e sobretudo UMP e PS (francês) são uma e a mesma coisa.
Quanto à família Le Pen, o “centrista” Bayrou (centro lê-se capitalismo em politiquês) e a verde decadência dos partidos eleitoreiros (refiro-me ao gang da senhorita Joly) não são mais do que arranjos florais para os “queridos líderes” do duo maravilha UMP-PS da perna francófona da bota cardada Troikeira euro-imperial – a nossa “querida” União do Capital Europeu (UE).
O resultado de Mélenchon só desilude se tivermos por comparação algumas sondagens que saíram pouco antes das eleições. Aliás, é a primeira vez que vejo uma candidatura de esquerda ser sobrevalorizada pelas sondagens.
Apesar desta candidatura ir para além do PCF, comparativamente a 2007, é bom não esquecer que Marie-George Buffet, nem chegou aos 2%. A esquerda francesa passou do estado de coma a respirar um pouco melhor…
A esquerda francesa pode até renascer das cinzas mil e uma vezes, mas se cada vez que renasce é para mais uma vez servir de suporte à falsa alternância Sarkozy-Hollande, renasce apenas para às cinzas voltar.
Os reformistas como Meléchon e a direcção do PCF – nada de pessoal tenho contra eles – não percebem que caminham para um beco sem saída. É preciso que a ruptura com o Capitalismo não seja mero discurso de campanha para efectivamente a esquerda renascer.
Ó Rocha,
vai cá uma confusão nessa cabeça…
Boas melhoras.
Armando Cerqueira
Eis a resposta de um verdadeiro Partido Comunista ao reformismo do PCF:
Sobre as Eleições Presidenciais Francesas – Aleka Papariga, Secretária Geral do KKE, Partido Comunista Grego
“As eleições francesas, seus resultados na primeira volta e o que está a preparar-se para a segunda volta são uma lição importante e confirmam as razões porque o KKE se recusa a participar da frente das chamadas forças anti-memorando e forças ditas de esquerda. Quando um partido comunista, quando um movimento do trabalho incorpora os protestos das massas populares dentro de uma aliança de esquerda que aceita a negociação exclusivamente dentro da União Europeia e do diálogo social com os monopólios, então só pode haver um resultado o qual é este que agora podemos testemunhar em relação à segunda volta em França: Para o povo o de ser conduzido ordeiramente a votar ou pelo partido liberal ou pela social-democracia, para o radicalismo o de ser minado e entorpecido e para o conservadorismo a sua propagação.
Isto recorda a segunda volta das eleições francesas [anteriores], quando todos votaram por Chirac de modo a que Le Pen não fosse fortalecida. Hoje estão a ser conclamados pela esquerda francesa, como é chamada, a votar por Hollande de modo a que Sarkozy não venha a ser presidente. Com esta linha de raciocínio o movimento será sempre derrotado e especialmente num período de crise quando o trabalho e o movimento popular devem engrossar e avançar. “
O Hollande só lá vai se aparecer a nossa senhora da abstenção entre os lepenis.
Ainda não há resultados finais em França e o Antonio Paço consegue a proeza de já os ter, é obra….
Pois é, Augusto, Sou como o Lucky Luke, mais rápido que a própria sombra…
É pena que Mélenchon não tenha ido além dos 11% mas é uma boa base de partida para as legislativas, com o Front de Gauche, cujo exemplo nós devíamos seguir aqui em Portugal. Com efeito, se o PCP, o BE, o MRPP e o MAS se coligassem e incluíssem alguns independentes de esquerda, podíamos chegar perto dos 30%, porque haveria eleitores habituais do PS que votariam numa tal coligação. Mas isto é esperar demais de partidos que preferem destruir as possibilidades da esquerda verdadeira se afirmar a sacrificar os seus paroquialismos idiotas.
MAS? Que é isso?
Do que eu sei representa um grupo de ex-bloquistas que se fartaram do sectarismo que acima critiquei. Não quero saber se os aderentes ao MAS são boas ou más pessoas, se são ideologicamente puros ou não. Interessa-me que a esquerda a sério se una eleitoralmente, para se poder derrubar a oligarquia burguesa. Quem quiser continuar nas guerras do alecrim e da mangerona fique ciente de que será culpado do insucesso face ao inimigo comum.
Caro Nuno,
mas onde raio é que eu já ouvi isto?…
Ou se não foi exactamente isto, foi algo mais ou menos assim:
O PCP ao apresentar um candidato próprio, é o responsável pela vitória da candidatura de direita.
Porque será que aqui não é possivel uma tal aliança?…
É capaz de explicar o que têm em comum o MRPP e o PCP?
Acredito que os vários partidos e movimentos de esquerda partilham dos mesmos valores – respeito pelos direitos humanos, socialização dos meios de produção, acabar com a exploração do homem pelo homem, promoção do respeito pela dignidade humana, etc. – mesmo quando defendem formas diversas de os realizar. O que lhes falta é a capacidade para gerar consensos à volta de políticas capazes de aproximar a nossa sociedade da concretização desses valores. Cada um está obsessivamente convencido de que é o detentor da razão, e manifesta-se indecentemente intolerante da diversidade de abordagens. Comportam-se como todos os fundamentalistas e com isso são os culpados de nada mudar na nossa sociedade. Quem acredita na nacionalização dos meios de produção e no planeamento central, ataca ferozmente quem propõe a auto-gestão das empresas pelos seus trabalhadores, e assim garantem, uns e outros, que a exploração capitalista se mantém. Na procura obsessiva da imposição de uma hegemonia ideológica, deixam os verdadeiros predadores à solta. Desculpem a franqueza, mas é preciso ser-se muito estúpido para não perceber a necessidade de se criar uma frente eleitoral comum.
É capaz de explicar porque é que o Bloco se dividiu nas últimas eleições entre o apoio ao candidato do partido no poder e o futuro candidato do PSD?
Não sejamos utópicos meu caro. O candidato de esquerda já lá costuma estar o apoio é que não é geral. Vá la saber-se porquê…
Eu por exemplo que voto Bloco porque não tenho alternativa, não votaria nessa coligação. De caras.
Nuno,
eu até estou de acordo consigo, só que já não acredito em milagres desde 25.11.75…
Você ainda acredita que os portugueses conseguem unir-se? Por acaso nunca leu o ‘Discurso’ de Alberto Pimenta?
Desde o tempo dos Romanos que nós – ou os nossos antepassados Lusitanos, que nos transmitiram o gene da discórdia – andamos à intriga, ao sopapo, à traição ‘fraterna’…
Enfim, desculpe o meu pessimismo disfarçado de lucidez, ou a minha lucidez disfaçada de pessimismo.
Armando Cerqueira
Lusitano é raça de cavalo…
Sarkozy e Le Pen dois vasos que comunicam!
Ce n’est pas encore remporté… pour la gauche.
Enfin, on attend!
Incrível como ninguém acha estranho que a extrema direita consiga 18% e a esquerda desapareça do mapa…