Porto vivo

Em termos urbanísticos e sociais, o despejo é injustificável. Quem pensa a cidade sabe que um edifício público emparedado é dos piores inimigos de qualquer estratégia de requalificação urbana. À luz da retórica papagueada por PSD/CDS – falta dinheiro, é preciso diminuir o peso do Estado ou favorecer a livre iniciativa –, a decisão é absurda. O argumento de Rui Rio que dos escombros da Es.Col.A nascerá um novo equipamento de carácter social adensa o paradoxo.
Como é óbvio, a acção de despejo foi um acto exclusivamente ideológico, levado a cabo de uma forma preocupantemente autoritária.
Sente-se o ranger de dentes quando o comunicado oficial adjectiva a ocupação de “selvagem”, no mesmo texto em que revela ter feito uma proposta aos selvagens para que ficassem no edifício a troco de 30€ – proposta que, certamente por burocracias várias pela qual a edilidade é conhecida, nunca chegou aos interessados.
Nos últimos meses têm vindo a ser cada vez mais recorrentes as imagens de violentas cargas policiais. Neste caso acresce a utilização abusiva de outros meios públicos: bombeiros sem farda e de rosto tapado (segundo a Associação Nacional de Bombeiros e o Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais) ou funcionários da CMP a lançarem das janelas livros escolares, numa imagem de contornos medievais.
O exemplo da Es.Col.A e a resposta da população à sua desocupação demonstram que o Porto está vivo e preparado para fazer a requalificação urbana. A resposta de Rio demonstra que ele é um dos principais obstáculos.

Hoje no i

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

5 Respostas a Porto vivo

  1. Antónimo diz:

    rui rio está em fim de três mandato, é óbvio que o porto não seguirá com ele. já o psd talvez

  2. Luis Almeida diz:

    Belo post, Tiago! Tenho acompanhado mas só agora comento: é consolador que constatar que quem defende o que é justo também sabe do que fala…

  3. mortalha diz:

    mas ocupa-se aquilo novamente ou quê?

Os comentários estão fechados