Tive alguns professores como esta senhora. Bem hajam!

A discussão do ensino em Portugal foi marcada nas últimas décadas por duas teorias: a esquerda, que acha que a escola inclusiva é a escola onde os grunhos são tratados com paternalismo, mal educados, uma escola sem exigência, onde todos estariam em teoria juntos, na mesma turma. No fim recebem um diploma e qualquer laivo de exigência seria, em teoria, uma machadada nas crianças pobres. A direita  e sectores das classes médias que defendem a exigência, o rigor e a boa educação, mas só para os seus filhos, e  por isso enquanto os colocam a ser educados em bons colégios privados ou escolas públicas criteriosamente seleccionadas, esforçam-se por fazer da escola pública um lixo onde há nichos de qualidade selecta e oficiosamente escolhidos. Estamos assim entre a balda e o liberalismo – se não estamos com eles, estamos contra eles! Uma  grunha há uns anos bateu numa professora que lhe tirou o telemóvel? Pobre menina, era um objecto pessoal! Quem sabe se não é mesmo «cultura operária», ou «adolescência conturbada»? A barbárie tem muitos nomes, já sabemos.

O que se está a passar nas escolas é a ruptura com o 25 de Abril por um processo simples – há escolas onde os professores são bons, os alunos não ultrapassam os limites da barbárie, e outras que são para os grunhos, que aliás crescem e se reproduzem como cogumelos. O passo final está a ser dado por este ministério - turmas para grunhos, turmas para adolescentes  civilizados.

Esta professora, a quem desconheço a matriz ideológica, quem sabe se não é uma conservadora!, tem outra tese, a que adiro. A escola pode e deve ser um lugar de inclusão -e  não de reprodução social – mas para isso tem que ter qualidade e civilização. Houve um tempo em que éramos macacos e resolvíamos tudo à porrada, grunhindo. Não sabíamos escrever, contar ou falar. Estávamos longe do conforto que nos permitisse ser delicados, simpáticos, generosos. Estamos em condições de construir outra sociedade, assente na igualdade, onde a candura, o saber ouvir, o não gritar, o partilhar, não podem ser propriedade privada dos que saem das escolas públicas de ranking e dos colégios privados.

Para isso é preciso o básico – condições: cursos universitários bons, longos e gratuitos; funcionários em quantidade decente e bem pagos, horários mais reduzidos para os professores, direitos laborais, salários decentes; turmas pequenas. Um gigante investimento em pessoas! Mas também é preciso uma nova moral, que se imponha entre o salazarismo bolorento e a brutalidade, entre o totalitarismo e o individualismo.

 

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46 Responses to Tive alguns professores como esta senhora. Bem hajam!

  1. JPT says:

    Ehhh-laaaaa…… Um texto destes num blog de esquerda? É que que eu digo metade disto num blog como o arrastão e sou apelidado de neo-salazarista, de elitista que quer que as criancinhas voltem a recitar as vilórias por onde passa a linha dos caminhos-de-ferro de Benguela… Já desisti de argumentar este assunto, tal é o maniqueísmo com que a questão é tratada.

    JPTelo

  2. Rui Campos says:

    Que esquerda é essa que a Raquel fala?

    • Raquel Varela says:

      A que tem como inspiração Paulo Freire e Michel Foucault, a esquerda não marxista, pós-moderna e relativista.

      • A escola é a retrete cultural do opressor says:

        Mas que diabo é que o Freire e o Foucault tem a ver com as opiniões e as práticas de uns quantos burocratas e pedagogos “de esquerda” que se têm infiltrado no ensino? O que é que foi aplicado no ensino publico desde o 25 de Abril que tenha alguma coisa a ver com os métodos de aprendizagem usados pelo Freire, ou com a desconstrução dos mecanismos de poder e de repressão nas instituições do Estado moderno a que Foucault se dedicou? O que é Freire e Foucault tem de relativista, pós-moderno ou não marxista?

      • Nuno says:

        Parece-me um pouco exagerado dizer que o Foucault defendia um laxismo na educação apenas porque via a escola como instrumento de controlo.

        • Raquel Varela says:

          A esquerda marxista e a educação verdadeiramente emancipatória é aquela que exige mais aos pobres do que aos ricos. É aquela que vê a escola não como um lugar de controlo mas como um espaço de luta de classes onde é possível sair vencendo. Eis o homem que me inspira nestas matérias, por cá desconhecido, no Brasil vendeu, felizmente, alguns milhares de exemplares e é respeitado pelos professores.

          http://www.revistarubra.org/?page_id=171

    • JgMenos says:

      Deixa-te de rótulos:
      A professora não é de esquerda nem de direita – é a direito, que é o caminho…

    • JPT says:

      É mais a esquerda “Rousseauliana”. As crianças são os bons selvagens. E já agora, não tem nada-mesmo-nada a ver com Marxismo.

  3. xatoo says:

    em directo duma sala d`aula já adaptada segundo a nova gestão deste Ministério
    - bom dia
    - (coro de 60 vozes) bom dia sôr professor
    - ora vamos lá à chamada a ver estão todos presentes. Depois de houver tempo, ainda dou a aula

  4. Bem hajam,escola,revolução e luta de classes!Uma normalidade democrática mais reivindicada do que praticada, o que se está a passar nas escolas é a ruptura com o 25 de Abril, diz a Raquel e subscrevo e vou mais longe que se alimenta ela própria do fracasso das aspirações populares na esfera da reprodução social que temos de combater – um combate que será sempre difícil para quem se coloca do lado dos dominados e dos explorados na luta de classes.

  5. licas says:

    Rui Campos says:
    18 de Abril de 2012 at 12:57
    Que esquerda é essa que a Raquel fala?
    __________
    Sr. Rui Santos, e se em vez de *botar faladura* fosse
    para um curso de adultos para escrever/exprimir-se num português decente?
    ______de que a Raquel fala.

  6. Bruno Carvalho says:

    Pronto, há partes em que me parece que tentas parecer aqueles teóricos que dizem não importar a esquerda ou a direita. E que pertencem ao clube dos tecnocratas que servem, claramente, a direita. Noutras partes, pareces dizer que a esquerda não percebe nada de ensino porque é facilitista e que a direita sabe de ensino mas é elitista. Ou seja, no fundo, defendes que se a direita defendesse a educação para todos teria melhor programa do que a esquerda. Terei lido mal, Raquel?

    • Raquel Varela says:

      Sim, Bruno, leste muito mal.
      A esquerda tem obrigação de não deixar a exigência de uma escola séria, de qualidade e rigorosa nas mãos da direita.

      • Bruno Carvalho says:

        Pelo que depreendo desse comentário parece-me que era o que temia. Um texto tecnocrata que podia estar perfeitamente na boca de algum comentador do PS ou do PSD.

      • JPT says:

        MUITÍSSIMO BEM DITO! E já agora, a esquerda não pode continuar a passar a mensagem de ser laxista.

      • Nuno Rodrigues says:

        Oh Raquel, tiveste mesmo um discurso popularista, de levantar as massas, sem produção de algo efectivo. Eu sou de esquerda e pouco descontraido no que toca á disciplina dos alunos. A coisa que tu disseste aplica-se a uma realidade que querias para defender a tua razão, não aquela que é a realidade Portuguesa. Pelo menos da que eu vivo e vejo viver, onde os Comunistas (falo por mim próprio) são malta que tem como padrão de uma escola de Abril as condições para que um aluno tenha uma formação disciplinada!

    • von says:

      O Bruno insiste neste autismo, esquerda bom direita mau, muito ao gosto militar, quase do género de um redneck das profundezas dos states. O Bruno não gosta de ideias, gosta de páginas marcadas no seu livrinho de receitas, onde vai verificar a sintaxe e o conteúdo, e depois riscar com um lápis azul o que não corresponde. Ó Bruno, discuta ideias em vez dessa rigidez de rins.

      • Bruno Carvalho says:

        Que bonito ver o von a defender a Raquel.

        • Raquel Varela says:

          Defender ideias, projectos e pessoas individuais não é a mesma coisa.

        • von says:

          Não me revejo em muitas opiniões e ideias da Raquel, mas admiro-lhe o espírito livre para pensar, debater e decidir. Admiro-lhe a vontade e determinação. E neste caso particular, partilho das suas ideias. Porque sou livre para partilhar as ideias de quem me apetecer. Já o senhor Bruno não é livre. Obedece. Cegamente. e incomoda-o a mistura. Tem fobias. Muitas. Por isso, senhor Bruno, a sua visão periférica é tão reduzida.

  7. João Torgal says:

    Totalmente de acordo, Raquel

    Desmistificas no ponto o pseudo-conceito de escola inclusiva que, da forma como é defendido, não chega a incluir ninguém e que não compreende que só está a discriminar os mais desafavorecidos que se esforçam.

    “A esquerda tem obrigação de não deixar a exigência de uma escola séria, de qualidade e rigorosa nas mãos da direita.” A exigência para todos deve ser, aliás, uma bandeira da esquerda. Só assim a escola pública será efectivamente inclusiva e permitirá igualdade de oportunidades para todos.

    • Kamal says:

      Parabe9ns pela coragem de eeevsrcr isso. Perfeito quando vocea diz que fez uma prova que vocea se daria 10. c9 isso que no fim das contas importa.Agora, sere1 que ne3o passou pela sua cabee7a que a banca talvez simplesmente ne3o tenha entendido o que vocea escreveu? E por isso preferiu ne3o arriscar? Sere1 que vocea de certa forma ne3o este1 mais atualizado que a banca? Ne3o que tenha ocorrido neste caso especedfico, mas je1 vi isso acontecer ve1rias outras vezes. Na fanica banca para professor na qual participei, na nossa e1rea de CI, um professor da banca me criticou veementemente pq citei a wikipedia(!). Como algue9m que atua na CI ne3o compreende isso? Pra mim ficou claro que ele ne3o entendia o que eu estava dizendo. E aed, pacieancia.De qualquer forma, sua contribuie7e3o para a CI na minha opinie3o e9 mais importante do que a de muitos professores estabelecidos e tenho certeza de que quando vocea se tornar professor podere1 contribuir muito mais.Parabe9ns!

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  9. von says:

    A Raquel com este vídeo (brilhante) abre um debate nos termos correctos: vamos discutir o assunto sem a canga do partido e do ponto cardeal.

  10. Maria P. says:

    Tem imensa razao mas, se está de “baixa” é porque estará doente e como tal nao deveria estar a dar entrevistas! Mas, como ela existem muitos outros e é por isso que os nossos alunos saem das escolas sem saber a diferenca entre um substantivo e um adjectivo!
    É sem dúvida uma profissao que esgota mentalmente mas, se todos forem para a baixa, entao fechem as escolas!

    • Raquel Varela says:

      Maria P.
      Está de baixa porque tem uma doença gravíssima, que lhe permite sair de casa e dar uma entrevista mas não lhe permite estar 5 horas por dia numa sala de aula. Eu de facto sou daquelas que acha que falta muito “respeitinho” a muita gente, uma colher de chá em vez dessa espírito que aqui trás, de sanguessuga.

      • Maria P. says:

        a má educacao é também um dos resultados do ensino em Portugal.
        Sanguessuga, é a pata que a pôs!!!!!!

  11. JT says:

    Que há alguma coisa que anda a funcionar muito mal com as nossas escolas parece evidente, mas, cada vez que o assunto vem à baila, a resposta das nulidades governantes, incapazes de identificarem os problemas e muito menos resolvê-los, é carregar os alunos de mais testes. Assim foi, primeiro, com as provas globais, e agora com as provas de aferição no 4º ano. Todos esses testes não fazem mais que constatar o óbvio: os alunos não estão a assimilar as matérias e espalham-se ao comprido de cada vez que põem os seus conhecimentos à prova. Porquê? O Altíssimo lá o saberá, que aos mortais tais revelações não chegam. E assim andamos… As turmas são enormes? São. O ensino português tem por pano de fundo uma sociedade de escolarização escassa e recente? Tem. O ambiente (e a cultura que cada aluno ou aluna traz da sua casa) influem nos resultados finais, independentemente de tudo o resto? Claro que sim, e espero não ser arrumado na prateleira da esquerda-caviar por ousar afirmá-lo. As coisas melhoram um bocadinho se se misturarem alunos de ambientes sociais diferentes? Também. Meter os piores alunos numa espécie de ghetto para os baldas é o pior que se pode fazer? É, e a direita anda constantemente a tentá-lo.

    Baixar a fasquia? Não necessariamente, mas se tudo o resto se manter como até agora, elevá-la só pode significar mais chumbos. Os alunos não conseguem realmente PENSAR, limitam-se a «marrar» para o exame! Cada vez que lhes aparece à frente qualquer coisa que não estava nas fichas de estudo, entram em parafuso… Há muita coisa que tem que mudar, dentro e fora das escolas, e talvez a mais importante de todas elas seja mesmo a forma como as coisas estão a ser ensinadas! Temos um sistema de ensino que entope a cabeça dos putos com coisas que eles realmente não ENTENDEM e os resultados estão à vista.

    • JT says:

      Já olhou para os enunciados dos testes de matemática, física, química e afins? A escola portuguesa não, é, sob nenhuma medida, fácil. Simplesmente não testa, e ser-lhe-ia impossível fazê-lo, a totalidade dos conhecimentos dos alunos (sobrevive-se aos testes e é tudo), pelo que, de vez em quando, um dos demagogos do facilitismo lá consegue apanhar uma lacuna ridícula qualquer nos conhecimentos de um aluno para levar água ao seu moinho…

      • Rafael Ortega says:

        “Já olhou para os enunciados dos testes de matemática, física, química e afins? A escola portuguesa não, é, sob nenhuma medida, fácil.”

        Não terminei o 12º ano há tão pouco tempo quanto isso. A escola portuguesa é fácil. Incrivelmente fácil. Não sou nenhum génio e também não sou o único a achar.

        Experimente perguntar à maioria das pessoas que termina o 12º ano se precisou de estudar mais do que no fim de semana antes do teste para passar (e com boa nota).

  12. Antónimo says:

    Maria do Carmo Vieira é de esquerda e sem concessões.

  13. RC says:

    Muito bem, Raquel.

  14. Joaquim Rodrigues says:

    A escola deve ser exigente e não a palhaçada em que está agrilhoada!
    Nos cursos profissionais é a bandalheira total!
    O Crato apenas veio confirmar aquilo que já sabia: falou muito na TV, um verbo de encher que segue as políticas mais reaccionárias deste desgoverno….

  15. De acordo (…) “A escola pode e deve ser um lugar de inclusão -e não de reprodução social – mas para isso tem que ter qualidade e civilização”, opinar, sem rótulo na testa.

  16. Rui Daniel says:

    É impressionante ao fim de tantos anos e experiências feitas nos métodos de ensino a nível nacional, chegar ao século xxi com este problema eu diria que o verdadeiro problema está nos grunhos que estão à frente desta nação, formados por estes métodos,basta.

  17. Rafael Ortega says:

    O baixar da fasquia (basta olhar para os exames finais do secundário e provas finais do 3º ciclo para perceber) só prejudica as pessoas cujos pais não são ricos o suficiente para as por num bom colégio ou numa das escolas públicas selectivas.

    Se os alunos sabem pouco quando saem da escola há dois prejudicados. A pessoa, que não desenvolveu capacidades que lhe permitam ser um bom profissonal e cidadão, e o país que gastou dinheiro a formar alguém que será pouco produtivo no trabalho e quase certamente pouco interventivo na sociedade.

    Só vai servir para discutir a bola no café ou a telenovela no cabeleireiro…

    É importante que haja pessoas, tanto de esquerda como de direita, a defender a exigência e rigor da escola pública (e já agora alguma disciplina, que os putos andarem a responder torto e ás vezes a abater em professores e funcionários não é grande ambiente de aprendizagem). Porque a maioria da população não tem pais ricos e é para a escola pública que vai. Se esta for uma balda e os conhecimentos que se aprendam numas quaisquer Novas Oportunidades, então não serve para nada.

  18. Continua-se a discutir neste blog a cor da férias em “topless” das celebridades.
    Só uma pergunta, no mesmo sentido do vosso debate e, para o qual ainda não obtive resposta: Quantos escritores, artistas ou intelectuais, ou mesmo especialistas dignos desse nome saíram das escolas desta chamada “democracia”? E quantos é que conhecemos instruídos nas escolas do fascismo?
    Gostaria de poder recomendar a amigos alguns músicos, arquitectos, cientistas, astrólogos …etc contemporâneos portugueses e não encontro nenhum realmente com o devido valor.E não sou exigente.

    Estas discussões de direita e de esquerda são supérfluas e poucas vezes se adaptam ao assunto em causa, vai sempre em paralelo com este, não o chega a tocar. Talvez porque escrevendo ou falando sobre a actualidade encontramo-nos imediatamente sobre o terreno da especulação, e esta só serve para entreter.

    Por isso, eu que também sou Raquel, pergunto à Raquel se nestes quase 40 anos de “democracia” ela reconhece alguém, bom ou razoável que não seja, saído das escolas do entretenimento dos espíritos fracos.

    Obrigada

    • Caxineiro says:

      embora não esteja muito dentro deste assunto,( sou operário) sei o suficiente para poder dar-lhe algumas indicações.
      Procure na universidade do Porto o número de biólogos e engenheiros formados nos últimos anos que trabalham em investigação, com sucesso, aqui e lá fora. E procure noutras U que vai encontrar muita gente, concerteza
      Passou na TV; o Crato no aeroporto a receber e elogiar uns alunos (da escola pública, o que é irónico, no mínimo) que venceram uma maratona europeia de matemática
      Aguarde, que quando chegar o seu tempo, alguns deles se revelarão. Os “Saramagos” e os “Sizas” já não tinham idade quando se deu o 25A, e os novos estão começando agora
      Escusa agradecer

      • Não desperdiço um agradecimento e por esse motivo lhe ofereço um obrigado pela atenção.
        Espero então, andar ainda por aqui para ver esses “génios da lâmpada” que o estrangeiro consome com tanta exaltação.
        Como disse alguma vez o Cesariny:
        “Sou um poeta bastante sofrível numa época em que o tecto está muito baixo.”

        Abraços

        • Caxineiro says:

          O seu “obrigado” deixou-me confuso Raquel….
          mas, como diz Cezariny, “o navio de espelhos não navega, cavalga”

          Abraço senhora

  19. Y says:

    Eu não sou de esquerda. Sou liberal até ao tutano e concordo com tudo o que Raquel aqui escreveu.
    Tenho pena que ela, como milhares de outras e outros, simplesmente desconheçam o liberalismo de inspiração igualitária. A verdade é que a Saúde e o Ensino, pilares essenciais de qualquer sociedade desenvolvida, são áreas que jamais deveriam ser avaliadas à luz de uma racionalidade instrumental (conformidade com directrizes orçamentais, por ex). O único critério relevante deveria ser o da QUALIDADE (good education for all!!). Os gastos irracionais devem ser combatidos, tal como a corrupção no SNS (para o bem das duas instituições), mas jamais devemos abandonar o ideal de um (excelente) sistema público de saúde e educação. Jamais!!

    ver 2.3-Liberal Theories of Social Justice

    http://plato.stanford.edu/entries/liberalism/#LibTheSocJus

  20. Y says:

    Mill, pai do Liberalismo Clássico, defendia a tese de que o indivíduo só pode desenvolver as suas capacidades INDIVIDUAIS num contexto estimulante e plural. Defendia também a re-distribuição de riqueza. E, como deveriam saber, foi o primeiro “notável” a defender publicamente a emancipação política das mulheres. Aliás, a concepção da natureza humana de Marx (potencialidade: o homem pode ser pintor de manhã e cientista à noite bla bla) foi profundamente influenciada pelo Romantismo Alemão e pelo Liberalismo Britânico.

    Estou farto de ver V Exas a estereotipar uma ideologia que não compreendem.

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