Um doc colectivo pela suspensão do pagamento da dívida

O CADPP.org vai fazer um documentário colectivo pela suspensão do pagamento da dívida pública portuguesa. Se queres participar aparece hoje na reunião aberta do CADPP, às 19 horas. Centro de Cultura e Intervenção Feminina, por cima do Pingo Doce de Alcântara.

As Mentiras da Dívida

O dinheiro da Troika foi essencialmente para pagar salários?
Não! Todo dinheiro da Troika destina-se a dois fins: refinanciar a dívida e injectar capital na banca. Portugal pede dinheiro emprestado à Troika para amortizar dívidas contraídas junto da banca (dos 78 mil milhões pedidos à Troika 12 mil milhões são para financiar a banca e 34 mil milhões para pagar juros e comissões). Pede dinheiro para pagar dívida, a dívida gera juros, os juros geram a necessidade de pedir mais dinheiro…
Quem empresta dinheiro ao país?
A dívida pública é contraída através da emissão de títulos da dívida vendidos em leilão. Cada título é uma espécie de declaração dizendo que o comprador emprestou uma certa quantia ao Estado, e que o Estado terá de devolver esse dinheiro, mais os juros, num determinado prazo. Mas este leilão não é público; apenas podem entrar no leilão algumas instituições financeiras – o Chico dos Anzóis fica à porta. Estas instituições reúnem-se em cartéis, de forma a adquirirem força suficiente para forçarem o Estado a aceitar as suas taxas de juro e condições de pagamento. Senão, não compram – o capital sabe unir-se…
Para arranjarem dinheiro suficiente para comprarem grandes quantidades de títulos de dívida pública, no valor de milhões de euros, os bancos vão muitas vezes financiar-se junto da Reserva Federal norte-americana, do Banco Central Europeu e de alguns fundos de investimento norte-americanos, que lhes emprestam dinheiro a taxas de juro que variam entre 0,6 % e 1,25 %. Mas depois exigem aos Estados taxas de juro entre 2,06 % e 38 %. Os países mais fragilizados pela espiral da dívida, como a Grécia e Portugal, pagam juros mais altos. Os países dominantes, como a Alemanha e a Holanda, pagam taxas mais baixas. E assim a dominação mantém-se. Estas regras permitem fazer o jogo dos interesses financeiros, em vez de «ajudar» o país.
De onde vem esta dívida?
Sucessivos governos empurraram para o futuro as despesas públicas com negócios privados de lucro garantido, oferecidos às grandes empresas: Lusoponte, PPPs, EDP, banca, etc.
Parte da dívida do governo português resultou da injecção de capital em bancos comerciais privados, que perderam dinheiro no jogo das especulações imprudentes. O Estado salvou da falência estes bancos e os seus accionistas maioritários – à custa dos contribuintes e dos pequenos accionistas. Para proteger os interesses dos especuladores que deram origem à crise financeira, todas as outras pessoas são chamadas a pagar, quando estes credores deviam estar no banco dos réus. Não estamos todos no mesmo barco.
Actualmente a dívida cresce sozinha graças à acumulação de juros. Entre 2009 e 2010 cresceu 11 %; entre 2010 e 2011, 16 % (estes números variam consoante as fontes).

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4 Responses to Um doc colectivo pela suspensão do pagamento da dívida

  1. xatoo says:

    a chave para a compreensão do problema está na titularização dos “Derivados” cujo negócio assenta na perspectiva de lucros futuros sobre coisas que não existem nem vão existir. Estima-se que estejam actualmente emitidos e arrecadados nos cofres dos bancos como “bens reais” destes titulos a exorbitância de 720 Triliões de dólares.
    É esse valor (sob a forma de dinheiro ficticio fabricado para “ajudas”) que os Estados Unidos estão a exportar para o resto do mundo, particularmente para a Europa, onde obviamente fazem mais vítimas nos paises periféricos.
    o PIB mundial anual é de 62 triliões, o que significa que, para engolir a especulação financeira com origem em WallStreet e na Reserva Federal toda a humanidade teria de deixar de comer, beber, vestir-se, calçar-se ou ter qualquer outra actividade durante 11 anos e meio e continuar a pagar impostos.
    É um bocado dificil, mas há por aí bestuntos que “pensam” que a mão invisivel vai resolver a bestialidade

  2. Manel says:

    Eu acho completamente inacreditável que eu, bolseiro de investigação, com os míseros tostões que acumulei ao longo de dois anos de bolsa não consiga, num banco qualquer, mais de 4% (fora impostos, na prática pouca passará dos 3%) de juro por uma miserável conta-poupança que abri, quando o meu Estado, a quem eu, cidadão, podia emprestar o meu dinheiro, não me dá, em certificados de aforro ou qualquer título de dívida a que tenha acesso, mais de 2%. Anda, depois, e sabemos todos para dar dinheiro a quem, a pedir emprestado a bancos com taxas de juro superiores a 8%.

    Dinheiro, esse, que os bancos vão buscar ao BCE a taxas de juro ridículas – que em muitos casos nem chegam a 1%. Apenas para fazer funcionar, artificialmente, uma máquina (o sistema bancário) que só serve para enriquecer uns quantos. E estes, com todo o desplante e impunidade possíveis, ainda conseguem, a emprestar a 8% e a pedir a 1%, levar os bancos à falência, quando não precisavam de ter conhecimentos matemáticos mais avançados do que aqueles que são transmitidos no 4.º ano para conseguirem que o estaminé que dirigem desse lucro!

    (ruasdopensamento.blogspot.com)

  3. A dívida é hoje um instrumento de ocupação nas mãos da troika com a conivência dos que nos trouxeram até aqui e a ajuda dos que nos querem empurrar para a frente para um choque servido em conjunto com uma terapia cujo conteúdo e forma só poderão ser anulados pelo restabelecimento da soberania dos estados sobre a dívida – trata-se antes de tudo de uma questão política que confronta o poder da moeda com o poder da soberania democrática dos estados.

  4. Mendes says:

    “O dinheiro da Troika foi essencialmente para pagar salários?”

    Claro que sim. Suponhamos que o estado tem 100€ na conta. No final do mês tem de pagar 200€ em salários + 200€ de divida que vai vencer a um banco. Ninguém empresta nada ao estado excepto a troika. O estado para fazer face aos compromissos livremente assumidos pede 300€ emprestados à troika.

    Pode ver-se isto de duas maneiras:
    1. O dinheiro dos salários foi para a banca e a troika pagou os salários ou
    2. O dinheiro da troika foi para banca e os salários foram pagos com o que havia mais a ajuda da troika.

    “Quem empresta dinheiro ao país?”
    São os clientes dos bancos que poupam e depositam.
    É caixa Geral de Depositos com o dinheiro dos seus clientes.
    É o de capitalização da da segurança social.
    O Chico dos Anzois que vá ao banco e compre produtos estruturados assente em dívidas soberanas. Ou então basta descontar para a SS e já esta a entrar no esquema sem saber.
    São especuladores, que têm a funcão essencial de regrar os gastos e o endividamento pedindo juros altos.

    De onde vem esta dívida?
    É o estado que pede o guito. Ninguém obriga o governo a pedir dinheiro. A minha sugestão é supender todos os leilões de divida e viver com o que temos.
    É que vai ser, ver os especuladores a chorar… “Onde é que vamos por o nosso guito?”
    Repetir 5 vezes para ver se encaixam: Ninguém obriga Portugal a emitir dívida.

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