Prostituição musical: Movimento Zero Desperdício

Um grupo de músicos lançou, com o alto patrocínio de Cavaco Silva, o hino do Movimento Zero Desperdício. É um projecto que tem as medidas do Presidente da República e que se dedica a pedir a restaurantes, hotéis e supermercados – imagine-se – que dêem as sobras a quem precisa. Isto, que mais não é do que um hino à pobreza e que em momento algum questiona os responsáveis pela calamidade social em que vivemos, indigna qualquer pessoa de esquerda. Por isso, espero que os artistas que se deixaram vender à hipocrisia tenham os bolsos cheios. Todos temos de comer mas há quem prefira a dignidade ao dinheiro. Falo da Ana Bacalhau, Anabela, Anjos, António Pinto Basto, Adriana, Ana Sofia Varela, Armando Teixeira, Boss AC, Camané, Carlos Mendes, Chullage, Cristina Branco, Cuca Roseta, Fernando Cunha, Fernando Girão, Fernando Tordo, Gomo, Janita Salomé, João Pedro Pais, Jorge Palma, João Gil, Kátia Guerreiro, Lara Li, Lúcia Moniz, Luís Represas, Luísa Sobral, Manuel João Vieira, Mafalda Veiga, Miguel Gameiro, Miguel Pité, Nuno Norte, Olavo Bilac, Paula Teixeira, Paulo de Carvalho, Pedro Laginha, Pedro Puppe, Ricardo Quintas, Ricardo Ribeiro, Rita Guerra, Roberto Leal, Rui Veloso, Salvador Taborda, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Susana Félix, Tiago Bettencourt, Tim, Tito Paris, Vitorino, Zé Manel.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

126 Respostas a Prostituição musical: Movimento Zero Desperdício

  1. Miguel Lopes diz:

    Sérgio Godinho, grande filho da puta.

    • Carlos Vidal diz:

      Esteve há uns meses no Avante.
      Parece-me que vai a tudo e a todas.
      Já é um cançonetista delicodoce. Está aqui bem.

  2. JgMenos diz:

    Para os níveis de indignação do bloger só a greve de fome geral é sinal bastante.
    Não vejo porque esta ou aquela música seja importante.

  3. Guida diz:

    Olha eu que tenho pedido sempre para colocarem os restos numa caixa para levar para casa…
    Vou deixar de fazer isso, se pelos vistos os restos nem para os pobres servem…

    esquerda caviar este pessoal… é mesmo verdade.

    • JMM diz:

      é legitimo que o faças. porque não começas a pedir ao tim ou ao jorge palma os restos dos jantares deles?

      o problema, aqui, não passa por querer evitar-se que haja gente a passar fome. o problema é que esta música, em vez de apelar a que os restos de uns sirvam para refeição de outros, devia condenar o que provoca que haja gente que tenha que comer restos para não comer nada: o capitalismo.

      • Cristiana Leal diz:

        Eu peço desculpa mas algum de voces sabe como nasceu este projecto?
        Não se trata de restos dos pratos mas sim quilos de comida que vão para o lixo sem sequer terem visto a luz do dia.
        Algum de vocês já trabalhou num restaurante, hotel ou qualquer outra coisa parecida e viu o director dessa mesma instituição pegar num tabuleiro com três pás de carne de porco assada e quilos de batatas e atirar com tudo para o lixo porque e cito “prefiro deitar fora do que dar-vos a vocês (funcionários) ou a qualquer outra pessoa”.
        Desculpem-me mas não me considero menos de esquerda por concordar com este projecto, se tem o alto patrocinio do sr tal e coiso ou do sr josé das coibes interessa-me pouco, interessa-me sim o facto de ser um projecto que começou na comunidade para comunidade.

        • Pedro Penilo diz:

          São sobras. É em grande quantidade, mas não deixam de ser sobras. Pergunta-lhe a si, Cristina Leal: está disposta a ir para as traseiras dos restaurantes e dos hipermercados buscá-las? Está disposta a viver assim?

          Suponho que não… (É uma coisa que desejamos muito… aos outros).

          Isto nõa é projecto político que se sustente. Nenhuma esquerda pode apoiar um projecto de caridadezinha.

          • Cristiana Leal diz:

            Se estiver a passar fome, antes da revolução chegar, pode ter a certeza, Sr. Pedro Penilo, que vou às traseiras dos supermercados, dos restaurante, onde for para que eu e a minha filha não morramos de fome antes das coisas boas que todos queremos que aconteçam, aconteçam.
            E repito isto não é um projecto politico, mas sim um projecto de pessoas para outras pessoas, se os politicos decidiram vir apoiar, azar o deles.
            Eu sou de esquerda, nasci de esquerda, vou morrer de esquuerda, não admito que ninguém me diga o contrário sem me conhecer, mas apoio esta iniciativa e vou fazer o que puder para que ela vá em frente.

        • José Jardim diz:

          Trabalhei 35 anos num hotel de 5 estrelas,ligado ao sector de comidas e bebidas,mas nunca vi nem nunca soube de comida confecionada,e muito menos pás de porco jogadas ao lixo.
          Quanto muito as sobras dos buffets iam para o refeitório do pessoal.Não sei em que hotel se faz isso…mas penso que um bom chefe de cozinha que geralmente é pago a peso de ouro não permite que se jogue comida ao lixo….avendo muita reciclagem nas sobras,transformando pratos e inventando sandes e pratos frios ,as sobras dos hoteis geram dinheiro,e só em último caso (excesso)algumas sobram para o refeitório do pessoal e serve de refeição aos trabalhadores.

        • Tiago diz:

          Peço desculpa, mas esse restaurante está condenado a fechar. Nunca vi nenhum nessas condições e duvido que exista. O que está em causa é a forma de como olhamos a pobreza. Se uma consequência da inexistente distribuição da riqueza que é criada por quem trabalha ou se os pobres são para ser encarados como seres a quem damos o que sobra do prato que se come quando se vai a um restaurante. É a dignidade das pessoas. Se os artistas querem mudar algo… que cantem contra os lucros astronómicos de quem paga misérias a quem lá trabalha.

        • teresa diz:

          plenamente de acordo.

        • Paulo Silva diz:

          E não acha que é repugnante o fato de a letra conter uma frase como esta :
          “SEI QUE ANDAS A PASSAR FOME MESMO ANDANDO A TRABALHAR”

          • Cristiana Leal diz:

            José Jardim: Felizmente trabalhou num hotal bem gerido, e que não tinha um director, desculpem o termo, “filho da puta”. Mas coloco-lhe uma questão, essas sobras servem para reaproveitar e gerar dinheiro para os ricos, mas não servem para dar de comer a quem tem fome? Depois a capitalista sou eu…
            Tiago: Peço desculpa mas não admito que duvide de algo que eu vi com os meus olhos e infelizmente não pude fazer nada para evitar, chamar-me mentirosa,aindaque de mansinho, não é admissivel. E não o hotel não fechou e está de boa saúde. E mais uma vez digo que não se tratam de restos dos pratos de ninguém mas sim de comida em perfeitas condições, e que sim, muitas vezes vai parar ao caixote do lixo.
            Paulo Silva: Não é a frase que é repugnante mas sim o facto de ser verdade, muitos nós trabalham e mesmo assim passam fome porque o salário não chega para nada.
            Mas, até essa situação mudar, que eu acredito que vai mudar com a nossa luta, não acha que se deve matar a fome a quem a tem?
            E o projecto não passa por os “pobrezinhos”, como vocês lhe chamam irem para as traseiras de nada buscar os “restos do cão”, como vocês lhes chamam, mas sim entregar comida em perfeitas condições a instituições que apoiam pessoas que não têm condições dignas de vida, instituições essas que se estão a afogar e já não têm forma de fazer frente a tantos pedidos de auxilio.
            Já agora, essas instituições também praticam caridadezinha?

          • Carlos diz:

            Parece-me que quer dizer que andas a ser explorado.

  4. aaa diz:

    A sorte é que está aí meia festa do avante. Ainda me lembro de ver o Jorge Palma a dizer que comprava o avante não há muitos anos. Afinal são uns reaccionários.

  5. maria monteiro diz:

    mas … também não é altura dos restaurantes começarem a saber poupar e … planearem o numero de refeições segundo o numero de clientes? Ou será que …. que esta modalidade de sobras lhes abre alguma porta para … deduções fiscais?

  6. iskra diz:

    Isto dá bem a ideia ao ponto a que chegámos… pornográfico!

  7. Orlando diz:

    Isto é de facto um hino à pobreza. Que tristeza ver alguns cantores, compositores e músicos, alguns dos quais admiro, estarem metidos num projecto destes, pena é que passados 38 anos de Abril de 1974, as canções do Zeca, do Adriano, do Fausto, Zê Máro Branco e de tantos outros, não sejam compostas por estes em termos de intervenção. Como dizia o poeta a cantiga é uma arma, mas é uma arma de combate e não de resignação. Triste este país, com os artistas que temos, que em vês de lutarem, preferem cantigas para embalar o povinho pobrezinho. Deviam, alguns deles, ter vergonha na cara. COMPONHAM CANÇÕES REVOLUCIONÁRIAS E VENHAM À LUTA.
    Mas não me admira nada, as poucas canções que compuseram, como foi o caso dos Deolinda e dos Xutos ( a canção do engenheiro), que poderiam ter alguma coisa de revolucionária, pelo menos para quem as ouvia, foram logo aniquiladas pelos menos, não vá o poder instalado negar-lhes alguma benesse. São, muitos deles, uns vendidos, mas acredito que alguns, estejam ali por engano, dou ainda o beneficio da duvida.

  8. Ainda não tinha visto o vídeo. Inacreditável, uma vergonha!

  9. José Mexia diz:

    Olha, olha, o Chullage no post aqui em baixo sobre a escola da fontinha é um heroi, aqui para o Bruno carvalho é um prostituto musical.
    A indigência mental é um problema grave que deve ser compreendido. O Bruno Carvalho é doente, nem percebe o mais básico do básico. O facto do palhaço do Cavaco apadrinhar esta iniciativa não faz dela má nem quem a apoia um merdas.
    Vái tomar qualquer coisa, não sejas ridículo.

    • A.Silva diz:

      Mexiazinho já arrumaste as tuas sobrazinhas para daqui a pouco ires distribuir pelos “teus” pobrezinhos?

      • Aspirante a Rebuçado diz:

        mexia, tu és um idiota, és o mais básico dos básicos, e eu, assombrada com as tuas palavras básicas vim comentar, basicamente, o básico-mor que és. Ah e tal, o Bruno é doente… doente e da cabeça és tu que nem sequer consegues escrever uma merda de jeito nem que seja a insultar, usa argumentos, deixa pra lá as patetices! Vai brincar com pobrezinhos e leva o bacalhau com natas do almoço.

  10. A.Silva diz:

    Esta “musica” é um vómito cavacal!

  11. xico diz:

    Enquanto se discutem as causas da pobreza. Enquanto se preparam revoluções. Há crianças a passar fome enquanto os vermes do lixo se enfastiam. Mas essas crianças deveriam dar-se por satisfeitas porque os Brunos Carvalhos deste mundo preparam um mundo novo e sorridente, com amanhãs que cantam, onde correrá o leito e o mel. Até lá… olhem, apertem a barriga. Mas sorriem. Sorriem porque há quem vele por vós e não vai em cantigas de pobreza!

    • A.Silva diz:

      “Há crianças a passar fome enquanto os vermes do lixo se enfastiam”. Xico acertada descrição do capitalismo, “vermes do lixo”! tem toda a carga asquerosa,nojenta e repelente desse tipo de gente, ou vermes.

  12. JMJ diz:

    Adoptemos então, todos juntos e cada um de nós, o nosso pobrezinho de estimação, e sejamos cidadãozinhos solidariozinhos e humanitariozinhos e tudo e tudo e tudo.

    Longa a vida a quem a possa pagar!

  13. Pisca diz:

    Na continuação da Katiazinha que fez carreira à pendura da “juventude” do Sr.Silva, a vida está má e há que ir a todas, é o que dizem no meio

  14. Pingback: Alimentar a soldadesca e os servos da gleba @ politik | semiose.net

  15. Augusto diz:

    Apesar de me indignar , que 38 anos depois de Abril, se tenha de novo voltado aos tempos da sopa do Barroso, isso não invalida , que ache que tudo o que seja feito para matar a fome a quem precisa, seja de condenar.

    Se os grandes hipermercados, dão alimentos em condições, se existe um banco alimentar contra fome, se restaurantes, ( poucos porque hoje um restaurante bem gerido, não tem sobras), dão comida em condições que tenha sobrado , não vejo porque condenar, são paliativos é certo, a dignidade do ser humano não deve passar por viver de restos, mas se chegámos a este ponto, vamos pelo menos não negar o pão a quem precisa.

    O gesto dos cantores não deve por isso ser condenado, eles limitam-se a responder a um apelo, e é errado chamar-lhes traidores e vendidos.

    Quanto ao Cavaco , que se lixe.

    • Pedro Penilo diz:

      Está disposto a ir viver para as traseiras dos supermercados? Deseje para os outros o mesmo que deseja para si. A caridade não precisa de apelos. A vida digna, sim.

      • Augusto diz:

        Pedro Penilo não me conhece nem eu o conheço a si , para me vir dar lições de moral.

        Leia o que eu escrevi, a REALIDADE de muitos bairros em Lisboa, é que já há FOME , e tudo o que fôr feito, NO IMEDIATO, para a minorar, só merece o meu aplauso.

        Quem NUNCA passou fome, pode sempre pregar de cátedra.

        • augusto é parvo diz:

          ó augusto eu ñ preciso da bondade desses supermercados para comer… aliás conheço o dia e as horas em q quase todos os supermercados deitam a comida fora…. e se saísses á rua de vez em quando saberias q nesses dias somos dezenas centenas nos caixotes do lixo… ñ preciso do cavaco nem da bondade desses porcos capitalistas ( deviam era deixar de fugir aos impostos, isso ñ vejo o cavaco a fazer).

  16. D.,H diz:

    Sempre pensei que alguns dos músicos intervenientes tivessem um ou dois dedos de testa. Enganei-me. (quer-me parecer que temos mais “cavaleiros andantes” para o 10 de Junho, ou senão, convites para uns fins de semana na casa da Coelha).

  17. Vítor Vieira diz:

    Lembram-se do Friedman e dos Chicago Boys? Se Pinochet tivesse conta no Youtube, fazia um “Like” – http://www.youtube.com/watch?v=bJWZ27OT16M.
    Enfim, é o modelo da “Social Enterprise”, o “Negócio da Caridade” no seu melhor (http://www.hbs.edu/socialenterprise/, http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_246060.shtml, http://www.portaldafenix.com/index.php?topic=5557.0;wap2, http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/sexto-sentido.html).
    Como gostava o Movimento Nacional Feminino, “XXXX sustenta os seus pobres. Proibida a mendicidade”.
    Digamos que está ao nível da “pausa” que a Manela F Leite queria (http://en.wikipedia.org/wiki/Miracle_of_Chile)

  18. RML diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=NpLDVvxtR2M&feature=player_detailpage#t=5860s

    «O que eu não aproveito ao almoço e ao jantar a ti deve dar jeito». Quem acha que isto não é ofensivo que me diga qualquer coisa, mas terá de vir depressa que o meu cão é mesmo muito rápido…

  19. Caxineiro diz:

    “não lhe des o peixe, dá-lhe uma cana e ensina-o a pescar”___ Mao
    Enquanto ele vai aprendendo, mata-lhe a fome senão o gajo morre pelo caminho____ Caxineiro

  20. Rocha diz:

    Que desperdício de prostituição… Quanto a música: zerrroooo!!!

    Tenho pena da miséria musical. Da parte dos descamisados estou certo que não careciam de tantos ilustres padrinhos e madrinhas para ir vasculhar no lixo.

    Esperava uma ideia melhor daquele debochado do Manuel João Vieira, tipo um concerto para desempregados, RSIs e sem-abrigo com direito a bar aberto. Isso sim dava uma música épica de solidariedade social! E motins em Lisboa e no Porto que tanta falta fazem…

  21. Bruno Peixe diz:

    “o que eu não aproveito, ao almoço e ao jantar, a ti deve dar jeito”. unfuckingbelievable. Eu diria, assim do pé, para a mão, que isto seria um clip a gozar com aqueles cantores pop milionários de boa vontade, sei lá, uma coisa do Ricky Gervais, ou dos Contemporâneos, decididamente uma sátira. mas não, é mesmo a sério!

  22. licas diz:

    Rocha says:
    17 de Abril de 2012 at 11:46
    E motins em Lisboa e no Porto que tanta falta fazem…
    ___________________

    Para quando o incitamento à violência passar a ser delito civil?

  23. Bruno Peixe diz:

    Morgada, esperemos que eles não vão buscar os restos aqui: http://www.youtube.com/watch?v=2K3XVibsmRw&feature=relmfu

  24. xatoo diz:

    o que dirá o José Mário Branco duma merda destas?

  25. Cristiana Leal diz:

    Já agora, o Rendimento Social de Inserção, que muitos que eu conheço e que estão muito indignados com esta iniciativa, esse sim um projecto político, não é caridadezinha???

    • Morgada de V. diz:

      Está a ver, Cristiana, como já foi na cantiga? É a cantiga que nos quer fazer crer que os direitos sociais e económicos, como o subsídio de desemprego e o RSI, são uma forma de caridade, em vez da efectivação de direitos constitucionais que o Estado está obrigado a prosseguir. Com uma agravante, que parece que lhe escapou: é que de acordo com a cançoneta, agora o pobre, para receber a proverbial sopa, tem de ser um pobre honrado, um pobre sem culpa, um pobre, enfim, com certificados paroquiais à prova do conde de Abranhos: “Sei que estás a passar fome / Mesmo andando a trabalhar” – o que exclui as hordas de desempregados e sub-empregados que este governo criou, mas que, no imaginário do presidente que patrocina este “musicól” surreal, são pobres indigentes.

      • Cristiana Leal diz:

        Comparar o RSI ao Subsídio de Desemprego é um erro crasso.
        E se isto tem o prtocinio do sr que não tem dinheiro para as despesas ou do Zé das coibes é o lado para onde durmo melhor, o que a mim me interessa, é que há muita gente que trabalha mas não tem o que comer, há muitos desempregados que não têm o que comer, hã familias que viviam condignamente que não têm o que comer.
        Isto têm que mudar? Têm!!!
        Mas até lá na vossa opinião de super de esquerda, que morram de fome.
        A minha vida e a da minha filha ainda vale mais do que a minha dignidade, desculpem lá por isso.

        • anónimo diz:

          bem, se a dignidade não é problema sei de pelo menos uma profissão que dá bom dinheiro e na qual a senhora e a sua filha podem começara a trabalhjar já esta noite… numa esquina qualquer.

  26. licas diz:

    TUDO, todas as iniciativas que tendam a atrasar
    a Revolução Mundial dos oprimidos que acabará ~
    com o Capitalismo devem ser repudiadas . . .
    N´É ?

  27. Pedro Moirinha diz:

    Além de uns politicos de fora de validade, não haverá também uns restos de”músicos”, prontos para enviar para o lixo??? Solidariedade social? ou vergonha nacional? Sem dúvida que estão a dar a cara por um programa politico, não acredito que fossem tão ingénuos e não o adivinhassem…

  28. Cristiana Leal diz:

    A sério investiguem e vejam como nasceu este projecto. Quase aposto que quase todos assinaram a petição que deu origem a isto tudo!!!!

  29. licas diz:

    A (hipócrita) indignação contra o projeto, essa, SIM.
    é inteiramente política. . . (não me obriguem a repetir-me).

  30. cable-man diz:

    nao percebi ainda se a indignaçao é para com a musica ou para com a iniciativa…

    Com a musica… assim de repente e sem pensar muito lembro-me de um:
    “… Tenho ciumes do pai, quando se monta em ti e se vem depois, …”
    Nao me lembro de ver reacçao semelhante, um dos senhores dessa banda tambem aparece neste clip/makingoff/Whatever, a tal letra. Certamente ninguem tomara como ofensiva… nao sei…

    Com a iniciativa em si… nao sei se algumas pessoas que aqui expressaram opiniao ainda nao perceberam o que se trata, ou se ainda vivem na ilusao de que nao teem preço e nao se vendem (ou a sua dignidade) por valor algum.
    para quem nao percebeu o que se trata, gostaria de ilucidar que NAO SAO os restos das travessas e dos pratos que vao para tras das mesas.
    Quando um restaurante faz refeiçao para 100 pratos do dia, e so vende 90, sobram 10 refeiçoes completas. Enganan-se se pensam que um restaurande de serviço rapido vai preparar um prato de comida a cada cliente que entra. Façam as contas a quanto tempo demora cozer 1 batata, e quanto tempo esperam por um cozido no resturante, e nao é dificil perceber que a coisa nao bate certo.
    Estas 10 refeiçoes perfeitamente limpas, e “serviveis” para um cliente que nao apareceu, em vez de ir parar ao caixote do lixo, vai para quem nao tem o que comer.

    Essas pessoas nao deviam existir… é verdade.
    Isso é reponsablidade do estado? é pá… por cada centimo que se da a quem nao faz nenhum, tem de se ir buscar 1 centimo a quem trabalha… Ate que ponto isto é solidariedade ou roubo, depende das definiçoes de cada um.

    O que eu pergunto é se seria mais digno cada uma destas pessoas trabalhar pela comida?
    Isso nao se chamava escravatura? acho que foi proibida ha uns anos…

    Portanto, se a escravatura nao é soluçao, é ilegal, e dar comida em perfeitas condiçoes tambem é indigno…
    qual a soluçao digna para este exercito de gente? Abate?
    Ha quem se engane a si proprio e diga que nao tem preço, prefere morrer a fazer isto ou aquilo… Se calhar era uma soluçao mais digna…

    • José Jardim diz:

      As batatas já estão cozidas em banho maria assim como o grão e uma posta de bacalhau demora 5 minutos a cozer….os restaurantes para manterem as portas abertas têm que gerir bem,especialmente a cozinha…sobra bacalhau e batatas?Vamos lá transformar isso em pasteis de bacalhau e vendê-los……

      • Cristiana Leal diz:

        E se não vender o bolinhos de bacalhau todos? Vai transformá-los em quê? E se for um patrão “filho da puta” (que os há, a sério) e se recusar a dar aos funcionários? Lixo com os bolinhos de bacalhau….azar…

    • anónimo diz:

      Já comi do lixo (entenda-se, de respigar os caixotes de lixo de supermercados, aqueles a que não deitam lixívia) e sinto-me ofendida com o hino parolo e paupérrimo de espírito que isto é. A caridade e a solidariedade também se devem sentir ofendidas porque elas pressupõe um amor real ao próximo e isto é só estética. A ajuda a quem precisa pode ser feita por todos, diariamente, sem que com isso se destrua a frágil estrutura de quem já passa os dias consciente de que nada tem.

      Para além disso, é pornográfico fazer deste conjunto de pessoas, heróis ou exemplos do que quer que seja. Quem vive na penúria e tem de pedir para sobreviver não gosta particularmente de o assumir ou que venham com fachadas hipócritas a dizer que está tudo bem, que durante uns tempos “vocês”, pobrezinhos vão ser considerados gente, alimentados como “nós”. Só esta diferenciação já é perversa!

      Quanto aos patrões idiotas da e na restauração, os empregados podem perfeitamente tentar mudar a maneira que têm de ver as coisas e essa distribuição da comida pode e é feita diariamente em Lisboa e noutros sítios sem que tenham de vir estes palhaços dizer que isso é uma coisa bonita de se fazer.

      • teresa diz:

        anonimo?

      • teresa diz:

        de onde pensam que veem os alimentos que milhões de portugueses recebem nas instituições?
        quem repara nas pessoas que entram nessas instituições e saem de sacos de plástico na mão e os olhos no chão?
        não é público, é ás escondidas, ninguém vê, toda a gente faz de conta que não sabe e tudo corre bem.
        agora é este escandalo?
        porque é público?
        POR FAVOR…………….
        espero que as pessoas que não tenham muito geito para a escrita que é o meu caso, ainda se possam expressar

        • teresa diz:

          felismente as pessoas que me interessam sabem que não tenho que provar a ninguém se sou de direita ou de esquerda, mas, sabem que no meu dicionário a palavra SOLIDARIEDADE, nunca desapareceu.

          • A.Silva diz:

            Não é solidariedade, é caridadezinha… percebe a diferença.
            Solidariedade é mudar a sociedade que cria estas situações de miséria.

    • Marta diz:

      “O que eu não aproveito ao almoço e ao jantar
      A ti dava-te jeito, temo-nos que nos encontrar”

  31. Aspirante a Rebuçado diz:

    Opá, sinceramente, isto é uma rábula, é qualquer coisa para fazer rir e não pode ser levado a sério. Se calhar estes músicos comeram as sobras do jantar do Cavaco ou do Coelho e afinal, ops, ficaram assim meios abananados – se calhar tinha droga a comida, s calhar estava estrgada, mas a eles, deu jeito… sim senhor.

    E não percebo a associação que um ou dois otários fizeram em relação a alguns nomes deste «movimento» e à Festa do Avante e ao Jornal do partido comunista portugues. Também andaram a comer sobras»? Está a dar-vos uma coinha má? Intoxicação alimentar? Delirios? Parece.

    Cristina Leal, pouco importa como surgiu este projecto, não deixa de ser mau existir pessoas comuns sem apelido mediatico que façam estes apelos À CARIDADE. SE SÃO ASSIM TÃO PREOCUPADOS QUE FAÇAM MAS É UM APELO PARA QUE O SALÁRIO MINIMO AUMENTE E PARA QUE SEJAM CRIADOS POSTOS DE TRABALHO! É DISSO QUE OS PORTUGUESES PRECISAM, NÃO É DE AJUDA SAMARITANA. NAO PODEMOS SER OBRIGADOS A COMER LOMBO DE PORCO ASSADO SE NA VERDADE NOS APETECE JARDINEIRA! isto é ridiculo e não vai demorar muito até que grande parte destes artistas se arrependam de estar associados a este hino À RESIGNAÇÃO.

    • Cristiana Leal diz:

      Primeiro: Ponham o meu nome direito que eu sou Cristiana e não Cristina :)
      Segundo: Eu sou do Porto, não sei se alguém, que comenta aqui também é, mas há uns anos tentei avançar com um projecto semelhante com um senhor muito admirado aqui para este lados José Paiva, era caridadezinha tenho pena, era a nossa forma de tentar fazer algo.
      E de certeza que o/a Aspirante a Rebuçado nunca passou fome, porque quando se tem esse bicho na barriga, mesmo que apeteça lombo, a jardineira vai saber a lombo, juro-lhe.

      • um gajo qualquer diz:

        Caralho! Eu se estivesse a passar fome ia mas é roubar. É mais digno andar no gamanço do que andar a pedinchar os restos dos outros

  32. leão da abissínia diz:

    Metade destes cantores não costumam ser considerados de esquerda? Sérgio Godinho, Paulo de Cravalho, os Salomés, Camané, Ana Bacalhau, Jorge Palma, Boss AC, Os Trovantes (Gil & Represas), Fernando Tordo, Lúcia Moniz, Manuel João Vieira?

  33. rms diz:

    “Lembro-me de um anúncio em que se dizia: restos? restos não são uma boa alimentação para o seu cão! Restos são bons para dar aos pobres. A caridadezinha oficial é repugnante. Aquela de que me falaram, na minha educação cristã, coloca acima de tudo a dignidade daqueles a quem podemos ajudar. Esta caridadezinha parte do princípio oposto – o de que alguns têm de se contentar mesmo com a inevitabilidade de serem uns desgraçados, vítimas gratas da solidariedade propagandeada por quem vive noutro patamar, mais farto, de uma sociedade que entendem condenada à desigualdade”. – pela pena de uma familiar.

    • xico diz:

      Não são restos. São o mesmo que os que podem pagar comem, só que sobrou. Enquanto se discute, há gente real com fome real.

      • sara diz:

        Até que enfim alguém com um mínimo de lucidez.
        Estou estupefacta com o grau de estupidez da maior parte dos comentários a este post. Indignidade? Caridadezinha? Quantas pessoas é que estão a passar fome no preciso momento em que vocês teclam confortavelmente da vossa casa, no vosso ipad ou iphone? Quantas mães que ontem estavam empregadas e a contribuir para os impostos e segurança social, estão hoje sem ter nada para dar de comer aos filhos?
        Tenham vergonha na cara. A música é má ? É. Mas a iniciativa é muito boa e o facto de existir não escamoteia a responsabilidade de quem a tem. Se não fosse pelo Banco Alimentar e por esta e outras iniciativas, a que famílias em desespero recorrem, havia ainda mais fome. A indignidade não está em ir ao Banco Alimentar ou ao Zero desperdício, indignidade é falar do que não se sabe e do que nunca se teve a infelicidade de sentir.

  34. Patrício diz:

    “Vamos lá” aliviar a consciência e deixar tudo como está, até porque, era uma chatice se nós artistas e figuras públicas não pudessemos mais aparecer em campanhas “solidárias”…

  35. EP diz:

    Dª ABASTANÇA
    [música_Adriano Correia de Oliveira]
    [letra_Manuel da Fonseca]

    “A caridade é amor”
    Proclama Dona Abastança,
    Esposa de um comendador,
    Senhor da alta finança

    Família necessitada
    A boa senhora acode
    Pouco a uns
    A outros, nada
    “Dar a todos não se pode!”

    Todo o que milhões furtou
    Sempre ao bem fazer foi dado
    Pouco custa a quem roubou
    Dar pouco a quem foi roubado

    Já se deixa ver
    que não pode ser
    Quem dá o que tem
    Um dia há-de vir bem

    O bem da bolsa lhes sai
    Sai caro fazer o bem
    Ela dá, ele subtrai
    Fazem como lhes convém

    Ela aos pobres dá uns cobres
    Ele (…) lá vai
    Com o que tira a quem roubou
    Fazendo mais e mais pobres

    Todo o que milhões furtou
    Sempre ao bem fazer foi dado
    Pouco custa a quem roubou
    Dar pouco a quem foi roubado

    Ao engano sempre novo
    De tão estranha caridade
    Pôr o dinheiro do povo
    Contra o povo da cidade

  36. mesquita alves diz:

    Este post ,é uma mistura brutal de pidesco , de stalinesco e macartismo. inacreditável!

  37. Pisca diz:

    Indecente ninguém disse nada ao Tony Carreira ? Depois queixem-se que o Belmiro merceeiro não dê qualquer coisinha !!! Também podiam ter pedido ajuda ao João Braga e sus muchachos dos fadinhos bem postos na vida

    Segregações é o que é

  38. rms diz:

    O Chullage acabou de retirar o vídeo da sua página do Facebook e pediu desculpa por não ter percebido o conteúdo da campanh.

  39. Parafraseio o que o Manuel Gouveia escreveu a propósito da Maternidade Alfredo da Costa:
    «Nesta questão – como em todas as questões estruturantes nas sociedades organizadas em classes antagónicas – não há espaço para um debate racional que vise o bem comum pois as necessidades que as opções em confronto visam satisfazer são elas próprias antagónicas. Destruir ou manter a Maternidade [caridade] serve racionalmente interesses opostos – e são esses interesses que têm que ser crescentemente chamados à liça por quem, como nós, insere cada batalha de resistência no processo de acumulação de forças para a ruptura.
    A luta que se trava não mede a validade dos argumentos de uma e outra parte. Mede a força das classes em confronto para impor os seus interesses! A luta dos trabalhadores e dos utentes pode [acabar com a caridade] salvar a Maternidade na medida em que o preço que a burguesia esteja a pagar por este crime seja superior às vantagens que conta dele extrair ou esteja a fazer perigar a própria manutenção dos seus privilégios e regalias (é que os criminosos que ganham com a [caridade] destruição de maternidades são os mesmos que ganham com as reduções de salários e pensões, com o encerramento de fábricas, etc.).»
    Percebido, ou é preciso um desenho? É só substituir a MAC por caridade!
    As pessoas têm direito, não à caridade, mas sim a um trabalho e a salários dignos.
    Ainda por cima num momento em que, por exemplo, segundo o Banco de Portugal, só no período 2008-2011 foram transferidos para o exterior 74.942 milhões de euros, cerca de 43,6% do PIB!!!

  40. Ouçam esta música http://www.youtube.com/watch?v=ZHieMBabirY
    “Vamos brincar à caridadezinha” – José Barata Moura (gravação original de 1973) e vejam a diferença de forma e de conteúdo do artista. E na altura «cantigas» destas podiam dar direito a uns «safanões a tempo»…

    • Caxineiro diz:

      E não se pode defender esses pontos de vista; lutar contra a caridadezinha denunciando-a, impedindo a sua institucionalização e ao mesmo tempo matar hoje a fome a quem a tem?… E aproveitar até para alertar os “esfomeados” para a merda de sociedade que somos?..Acham isto incompatível?
      Se amanhã houver um golpe fascista e tiver um ou outro gajo de direita a lutar ao meu lado vou afasta-lo só porque o meu projecto de sociedade não é o dele?
      Acho que é cedo para condenar o S Godinho e outros que entraram nesta onda sem vermos como irão evoluir os próximos capítulos
      fazer julgamentos apressados é complicado

  41. von diz:

    Detesto o cavaco e tudo aquilo que representa, mas já agora gostava de saber se todos estes comentadores irados ajudam em alguma coisa quem precisa ou quem tem dificuldades. Ajudam, ou ficam-se pelo gritar slogans em festas bem servidas de comes e bebes?

  42. Pisca diz:

    Bom vai à bruta.

    Grande parte dos participantes nesta coisa, são meninos que andaram anos e anos a ganhar para sopa do dia a dia pendurados no PCP quando era a unica forma de ganharem algo, CantarAbril foi uma forma de continuarem pela estrada fora, quando ninguém os chamava para nada, nem de borla, alguns (Tordo por exemplo) vieram mais tarde a cuspir no prato onde comeram

    Tive oportunidade de lidar com vários muitas vezes, não me espanta que alinhem nestas caridadezinhas é uma forma de se fazerem à vida, outros devem ter sido arrastados para irem lá deitar uma goela sem que lhes tenham explicado bem onde se metiam

    Há dias alguém do meio me dizia, há que ir a todas e não ser esquisito, isto está mau

    As camaras e as juntas estão sem dinheiro para festas, portanto é olhar à volta e pode ser que o Sr.Silva e companhia arranjem algo para se ir ganhando para a bucha

    Quanto aos giles e companhia, estamos conversados, fiquem lá pelas fundações e não chateiem, que eu de ong’s e oficios correlativos já vi no mundo que chegasse

    A quem não gostar que vá à merda, e não venham com teorias

    dec.interesses: não sou musico, nem a minha vida está dependente de cantigas

  43. renegade diz:

    Como é que tanta gente com um passado político tão…rico, se mete nisto? E o Janita? É inacreditável. A crise trouxe muita desorientação, anda muita gente desorientada. É o que penso disto.

  44. Uma pessoa que viveu da caridadezinha alheia diz:

    sinceramente não tenho qq opinião sobre o que quer que seja. Mas posso dizer que não indigno comer “sobras” de produtos de hipermercados porque sou absolutamente contra o desperdício que é pautado no mundo capitalista em q vivemos. Muito consumo, pouco juízo na gestão dos recursos naturais. E aí não me venham com as tretas das caridadezinhas.
    Posso também fazer referência ao meu caso pessoal: há 15 anos atrás, qdo o meu pai viu-se sem emprego e tínhamos apenas o ordenado da minha mãe para nos sustentar, foram essas “sobras” que nos safaram durante uns tempos (entretanto o meu pai conseguiu um terreno emprestado para cultivar e criar animais e deixámos de precisar). Mas se não fossem essas sobras, tínhamos de certeza passado fome durante uns bons meses (a nível de roupas nem vos digo, que isso iría chocar muito boa gente que anda por aqui). Por isso, a minha experiência pessoal e a minha perspectiva sobre a sociedade de consumo em que vivemos só me diz que devemos ter o bom senso em perceber o que pode ser feito por todos nós em comunidade.

  45. Pingback: ESCROQUES, BANDALHOS, IGNÓBEIS, CANALHAS « OLHE QUE NÃO

  46. Cristina Gonçalves diz:

    Comecei a ler os comentários com muita atenção… até que desisti. Estão a falar do quê? Mas há discussão que esta canção é, no mínimo, surreal???? Será isto que queremos para nós e para os nossos filhos? Foi aqui que conduzimos o Portugal de Abril? E agir não????? No meu tempo cantava-se “Não me obriguem a vir para a rua gritar…” e hoje um grupo de “estrelas” que nós fizemos brilhar convida-nos a pegar nos nossos restos e distribuí-los… restos sim malta, ou ninguém reparou no pormenor da placa a passar de mão em mão com a frase escrita “Portugal não se pode dar ao lixo”. Enfim vou mas é ouvir os meus antigos discos para não chorar…

  47. António Paço diz:

    Só podem ter comido (ou fumado) alguma coisa muito estragada. Pelo menos alguns que aqui estão e me deixaram de cara à banda.

  48. antonio carvalho diz:

    Por mero acaso acabei por ver este vídeo e depois fui lendo os comentários. Depois do que li, fiquei com vontade de simplesmente dizer: MERDA. Sou do tempo da guerra colonial e das canções do Zeca Afonso, do Adriano Correia de Oliveira, do L. Cília, Zé Mário Branco e Sérgio Godinho, todos clandestinos aos olhos da PIDE. Com o 25 de Abril, podemos ouvir estes em liberdade e apareceram outros a cantar os mesmos temas e musicas ainda mais vanguardistas, tipo F. Tordo, J.J.Letria, e até fadistas como Camané. Como é que é possível que pessoas que ao longo dos anos de musica de intervenção, com músicas de apelos e acordes de solidariedade e companheirismo, podem estar num projeto musical ” Nojento” e de apelo ao não desperdício (ladrão) feito propositadamente pelos grupos que controlam o setor alimentar, para que os restos de comida sejam dados aos desgraçados que já morriam e morrem de fome, á tanto tempo. Será que o Sérgio Godinho, Janita ou outros que aqui participaram com a sua voz também já anda a comer nos caixotes do lixo geral, ou é só no caixote da Presidência da República. Posto isto, só me resta uma coisa. Dado que estamos em fase de contenção, prometo que quando em rádio, televisão ou outro espetáculo onde conste o nome de qualquer destes artistas, vou fazer uma coisa. Não os vou ouvir, não os vejo e depois disso quando eles não tiverem nada para fazer, estou disponível para lhes dar uma sopinha e cantar uma cantiga qualquer para entreter o meu gato. TANTA FALTA DE ÉTICA ATÉ ASSUSTA. ARRE PORRA QUE É DEMAIS.

    • clara diz:

      Diria mais… esta gente tem o dever histórico de se portar com decência!
      O património não é deles. Foi-lhes legado por outros – Adriano, Ary, Zeca, Cília, Zé Mário… – e pelo povo que lutou e tinha neles, através de todo uma luta feroz contra o fascismo, uma referência.
      Eles não têm o direito de, numa merda duma cançãozeca do mais pimba que há, do mais balofa, do mais pinderica e demagógica virem assim conspurcar a dignidade dum povo! Deitar por terra num ápice todo esse património!
      PqP!

  49. CausasPerdidas diz:

    Ainda há pouco funcionários do “hiper” local borrifavam lixívia sobre os restos de comida, fruta madura, que já não tinha a cor certa debaixo das luzes escolhidas das prateleiras, procuravam afastar o mau aspecto dos grupos de imigrantes do leste europeu que se juntavam à noite à volta dos contentores. Mas agora, com a novel campanha de nacional-bom-intencionismo, trabalhadores dos “hiper”, pagos a menos que o salário mínimo, colocarão em caixinhas “para os pobres” aquilo que o salário não lhes permite comprar diariamente. Os “hiper” ganharão também, na imagem “social” … e porque ao invés de venderem os produtos mais baratos poderão manter os preços a níveis “aceitáveis”.
    Todos juntarão comida para entregarem às “instituições de solidariedade social”, a Segurança Social deste tempo do salve-se quem puder. A tal “sociedade civil” a substituir-se ao Estado. “Mas uma pessoa tem de comer todos os dias”… exacto! Porque não mostram como funcionam os restaurantes sociais, como o da Bela Vista em Setúbal? As pessoas pagam, pouco é verdade, por uma coisa que não tem preço: A Dignidade. Quem não percebe esta diferença nunca perceberá a diferença abismal entre ser contratado com salário para fazer um trabalho e ser apontado a dedo para fazer um biscate dentre um grupo de desempregados.
    Além disso. O assistencialismo. Salvaguardando algumas convicções solidárias bem intencionadas, religiosas ou não, é um dos negócios dos tempos modernos rivalizando com o do armamento e das drogas. Há instituições de ajuda cujo funcionamento interno representa mais dinheiro do que aquele que sobra para os assistidos. E o que é terrível para as vítimas é que muitas vezes não há mais ninguém “no terreno”, já que os Estados se organizam melhor para lançar bombas explosivas (“democráticas”, claro está) do que para instalar bombas de água numa povoação sequiosa.
    Entretanto, o “rendimento mínimo” continuará a ser vilipendiado, como um “subsídio à preguiça”. A ideia de que os “beneficiários” deverão pagar com trabalho por conta desse rendimento “garantido” ganha adeptos… Caralho! Se trabalham não devem receber qualquer rendimento mas um salário! Trabalham, recebem, descontam, têm Dignidade! Não o trabalho como Castigo!
    Ah! E pelo caminho a redução das indemnizações por despedimento, “não se preocupem” – diz o canalha do “sindicalista” – “isso é só para os mais novos”… Subsídio de desemprego? “Qu’é isso, c’uma crise destas”?
    Em suma, “não lhes dêem dinheiro que eles não sabem ‘gerir’, paguem-lhes em géneros”. Os ricos sempre foram muito paternalistas… E os da “classe-média” piedosa e bem-pensante, muito caritativos. Infelizmente só estes últimos correrão o risco de terem o pescoço debaixo de uma navalha de um desesperado qualquer!
    E há gente, de Esquerda, que alinha nesta hipocrisia…
    “Doa a quem doer, faz o que tens a fazer!” (Que saudades do futuro!)

    Revolvendo no baú da memória geracional, encontrei um sucesso do pós 25 de Abril de 1974 – uma data que eu já não sei se existiu, talvez um “sonho lindo”.

    Título: Vamos brincar à caridadezinha
    Intérprete: José Barata Moura
    Álbum: Caridadezinha
    Ano: 1973

    Abro aspas:

    Vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta e boa comidinha
    Vamos brincar à caridadezinha

    A senhora de não sei quem
    Que é de todos e de mais alguém
    Passa a tarde descansada
    Mastigando a torrada
    Com muita pena do pobre
    Coitada

    Vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta e boa comidinha
    Vamos brincar à caridadezinha

    Neste mundo de instituição
    Cataloga-se até o coração
    Paga botas e merenda
    Rouba muito mas dá prenda
    E ao peito terá
    Uma comenda

    Vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta e boa comidinha
    Vamos brincar à caridadezinha

    O pobre no seu penar
    Habitua-se a rastejar
    E no campo ou na cidade
    Faz da sua infelicidade
    Alvo para os desportistas
    Da caridade

    Vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta e boa comidinha
    Vamos brincar à caridadezinha

    E nós que queremos ser irmãos
    Mas nunca sujamos as mãos
    É uma vida decente
    Não passeio ou aguardente
    O que é justo
    E há-que dar a toda a gente

    Não vamos brincar à caridadezinha
    Festa, canasta é falsa intençãozinha
    Não vamos brincar à caridadezinha
    Não vamos brincar à caridadezinha
    Não vamos brincar à caridadezinha

    Fecho aspas.

    • Um gajo qualquer diz:

      REALMENTE… PORTUGAL NÃO É A GRÉCIA.
      PORTUGAL É UM PAÍS DE MANSOS & OPORTUNISTAS.
      Que eu compre um disco a esses merdas ou alguma vez vá ver um concerto… tá quieto!!! É só comparar a falta de consciência de todos estes musiquinhos e cantantes portugueses de merda com a dignidade de um só grego:

      “O Governo de Tsolakoglou aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, que tinha como base uma pensão muito digna que paguei, por minha conta, sem qualquer ajuda do Estado, durante 35 anos. E dado que a minha idade avançada não me permite reagir de forma mais dinâmica (mas se um compatriota grego pegasse numa Kalashnikov, eu apoiá-lo-ia) não vejo outra solução a não ser acabar com a minha vida deste modo digno, para não ter que acabar a vasculhar os contentores do lixo para poder sobreviver. Creio que os jovens sem futuro vão um dia pegar em armas e pendurar de cabeça para baixo os traidores deste país na Praça Syntagma , como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.”
      Carta de suicídio de Dimitris Christoulas

Os comentários estão fechados