Não somos a Islândia


Maria de Lurdes Rodrigues foi à Assembleia da República defender a ex-administração da Parque Escolar EPE. A atitude política é compreensível. Os termos em que o fez são inaceitáveis.
A ex-ministra invocou o Relatório da Auditoria do Tribunal de Contas – onde são tornadas públicas inúmeras ilegalidades, umas que terão sidas enviadas para o Ministério Público outras que foram motivo de multa aos seus administradores – como um documento que corrobora a tese da boa gestão.
Os mais bondosos terão pensado que o variado leque de cargos que a ex-ministra ocupa actualmente lhe terão tomado o tempo para leituras mais enfadonhas. Contudo, do relatório consta uma extensa resposta da própria aos factos apresentados, aliás, em tom crítico para com o tribunal. Ou seja, Maria de Lurdes Rodrigues não só conhecia perfeitamente o relatório como tinha plena consciência de que não concluía o que no parlamento e reiteradamente declarou concluir.
Mais, a forma como a ex-ministra se dirigiu a todos os deputados que a questionaram, em particular ao deputado Miguel Tiago – responsável pelo pedido de auditoria –, diz muito do estado da nossa democracia e do despudorado sentimento de inimputabilidade de antigos e actuais governantes.
Tendo algum conhecimento deste processo – fui ouvido no âmbito da auditoria – não tenho dúvidas que ainda há muito por averiguar na Parque Escolar. A ex-ministra sabê-lo-á melhor que eu.
Um dos maiores desafios da democracia é a relação entre a política e a justiça. A criminalização cega de todo e qualquer acto político é um risco para a democracia. A sensação de que nenhum governante ou alto dirigente do Estado pode ser responsabilizado criminalmente derruba-a.

Hoje no i

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Uma resposta a Não somos a Islândia

  1. Raza diz:

    Leciono em Escola Pfablica em Pernambuco e todos sabemos que excerer tal ofedcio hoje em dia, e9 coisa de louco. Vocea foi muito feliz quando diz:…SER LOUCO UMA VEZ POR DIA FAZ MUITO BEM PRA GENTE.

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