A carta de Dimitris Christoulas

O governo de ocupação aniquilou-me literalmente qualquer possibilidade de sobrevivência dado que o meu rendimento era inteiramente proveniente de uma pensão que eu, sem qualquer apoio de ninguém nem do Estado, financiei durante 35 anos.
Porque a minha idade me impede de assumir uma acção radical (se não fosse isso, se um cidadão decidisse lutar com uma Kalashnikov, eu seria o primeiro a segui-lo), não me resta nenhuma solução excepto colocar um fim decente à minha vida antes de ser forçado a procurar comida nos caixotes do lixo e de ser um peso para os meus filhos.
Eu acredito que a juventude sem futuro brevemente se erguerá [literalmente: “empunhará armas”] e enforcará todos os traidores nacionais de cabeça para baixo, como os Italianos fizeram a Mussolini em 1945 [Piazzale Loreto, Milão].

via Portugal Uncut (com algumas correcções minhas).

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5 respostas a A carta de Dimitris Christoulas

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  3. Carlos Alberto Poiares diz:

    Apenas um corpo que fala,
    mesmo depois da morte.
    Apenas uma palavra
    pronunciada na vil ocupação.
    Apenas o peso da negação
    perante a infame sorte.
    Apenas uma bandeira desfraldada:
    simbólica gramática
    que toca e provoca
    os corpos e as vontades.
    Apenas a busca de uma paisagem
    serena na errática vivência
    de todas as crises.
    E um gesto que se ergue
    em nome da fraternidade.
    (Porque o gesto também é palavra
    que mortifica quem se cala.)
    E a plural rejeição
    na mão de um Homem
    que, contra si disparando,
    em símbolo de resistência se tornou
    – na esperança de convocar
    à revolta e ao inconformismo
    um Povo vandalizado.
    Apenas uma advertência
    aos que se silenciam na apagada
    vileza da cumplicidade.
    Apenas a vontade de romper
    a miséria e rasgar a opressão.

    Apenas um tiro? Talvez um mito
    parido pela coragem de dizer não!
    E Dimitris será muito mais do que esse tiro:
    será a voz da rejeição
    sibilada por dentro da multidão.

    Apenas um tiro? Talvez um grito
    e o sinal de despertar.
    Porque é Primavera. Porque é abril
    – e ninguém pode sufocar
    o Povo e a vida.

    Carlos AlbertoPoiares
    7. abril.2012

  4. Pedropedra diz:

    Dimitris Christoulas
    (2012)

    Um corpo ,simplesmente um mero corpo,
    Pedaço de carne,ultrajada pela soberba do capital.

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

    Dimitris Christoulas realiza o sonho da liberdade,
    Seu corpo é poder,força,vontade.
    Humilha o capital,tripudia dos senhores das cifras
    Radicaliza com expropriadores travestidos de políticos,
    Seres estatais,frios,inodoros,calculistas,
    Sanguessugas da nação.

    Dimitris Christoulas
    Seu corpo é luta,sangue,dor
    Unira seu povo,
    Forçara seu povo a se libertar,

    Sonhar com liberdade,o homem pode.
    Viver e morrer pela liberdade ,o homem deve.

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