Princípio da governação neoliberal: colocar o Estado ao serviço das multinacionais

Expliquem-me lá, muito devagarinho, porque é que um programa de facturação deve ser certificado pelo Ministério das Finanças. Eu sei que é um maná para as multinacionais que dominam o mercado, conseguem a certificação num ápice e vendem a actualização do software pelo triplo. Mas porque é que o Estado quer zelar pela qualidade do programa de facturação das empresas? Também é difícil de explicar por que raio é que um elementar processador de texto não serve para emitir uma factura, como noutros países.
Mais, expliquem-me porque é que o Estado coloca 150 fiscais, pagos com o dinheiro de todos nós, a zelar pelos interesses das multinacionais de programação.
Será que estes fiscais não podiam andar a tratar dos mil milhões de euros de dívida ao fisco que, por ano, prescrevem? É que isso reverteria a favor de todos nós. Aumentava a receita fiscal e não as receitas das multinacionais de programação.

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17 Respostas a Princípio da governação neoliberal: colocar o Estado ao serviço das multinacionais

  1. JR diz:

    concordo plenamente.

  2. xatoo diz:

    só pelos interesses das “multinacionais de programação”? o governo, este ou outro que meta os ps`s, servem os interesses de todas as corporações multinacionais tout court, ou seja os interesses dos accionistas dos “mercados”
    Este programa de controlo informático com tecnologia de ponta tem apenas como objectivo dar cabo de centenas de tascas obsoletas. Vamos ver se o cidadão-consumidor se queixa, ou se vai engrossar o vigoroso mercado da comida de plástico dos centros comerciais. Ora vão lá ao Vasco da Gama ao domingo à tardinha e pasmem…

  3. António Carlos diz:

    “… por que raio é que um elementar processador de texto não serve para emitir uma factura …”
    De preferência sempre com o mesmo número para depois se apresentar ao fisco apenas a que tivesse o valor monetário mais baixo. Isso é que era!

  4. Vegeta diz:

    Acho que é uma visão um bocado redutora da certificação.
    Em primeiro lugar, a certificação é uma grande aberração inventada para que se possa fugir a pagar impostos, mas que tal como SAF-T e anteriores, poucos resultados tem.
    Em 2º lugar, pelo menos 70% do software a certificar é produzido em Portugal e por empresas portuguesas, longe de serem multinacionais.
    Além disso, o verdadeiro escândalo e o que realmente deveria ser falado é a questão dos software proprietário. As grandes cadeias de restaurantes, supermercados e afins utilizam software produzido por eles próprios. E este NÃO tem que ser certificado.
    Imagine-se: O Continente não tem que ter certificação, mas a mercearia da esquina tem.
    Mais uma vez, os pequenos é que pagam…

  5. Luis F diz:

    Eu explico: a ideia é impedir os programas de executar certas operações que o Estado acha que facilitam a fuga aos impostos (a anulação de facturas e outros documentos sem deixar rasto, p.ex);

    Por enquanto, é limitada às empresas com mais de 100.000 euros de facturação, mas lá chegaremos ao dia em que até o cauteleiro terá que estar equipado com um dispositivo emissor de facturas…

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      E acabar com o sigilo bancário? Não seria mais simples e mais económico para as empresas que não querem fugir aos impostos?

  6. Vegeta diz:

    Obviamente, onde digo “que se possa fugir” queria dizer “que não se possa fugir”

  7. joão diz:

    porque não cria o ministério das finanças uma aplicação similar à dos recibos verdes para que as pequenas (ou grandes) empresas emitam facturas?
    matavam-se dois coelhos com uma só cajadada

  8. Samuel B diz:

    Aqui vai uma tentativa:
    pa-ra com-ba-ter a e-va-são fis-cal, que o Ti-a-go tam-bém faz re-fe-rên-cia no seu post. Pa-ra seu co-nhe-ci-men-to, e-xis-tem mui-tas PME’s que pro-du-zem e co-mer-cia-li-zam es-te ti-po de soft-wa-re. É fal-so, por-tan-to, o que diz em re-la-ção à pro-te-ção das (neo)mul-ti-na-cio-nais co-mo e-fei-to prá-ti-co des-ta me-di-da.

    Há di-as em que ma-is va-lia não li-gar o PC.

    Espero ter ajudado.

    • De diz:

      (O que se passará com este Samuel B?
      A escrita aos soluços significa que a sua “pausa” habitual do almoço terá sido hoje demasiado tarde e que a fome condicionou tal tique? O trabalho do funcionário B. está assim a apertar?)

      Acima alguns já deram achegas importantes ao aqui discutido.

      “Há di-as em que ma-is va-lia não li-gar o PC”
      Pois então não? Hoje por exemplo verifiquei que Passos Coelho voltou a dar uma pequena amostra do seu amestramento alemão.Mais uma vez ele vem a terreiro desmentindo a sua própria corte e com um desplante próprio de um crápula fala que o roubo institucional dos salários vai continuar.Enquanto isso continua a engorda dos grandes grupos económicos.

      Tais pulhas têm que ser vigorosamente castigados.Esta políitica neoliberal de direita e terrorista não pode passar.

      • Samuel B diz:

        O Tiago é que pediu que a explicação fosse muuuuito devagarinho. Vê-se mesmo que o meu caro só vê é moinhos. Diga lá ao sancho pança para lhe dar um tabefe para ver se acorda!!!!

        • De diz:

          Tenha respeito por uma figura impar da literatura.Sancho Pança,ok?
          Quando aos tabefes com que se quer auto-flagelar para ver se acorda…desculpe mas está enganado.A secção maosquista é noutro local.
          Valeu?

  9. ze diz:

    usa open source, meu…

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