Carlos Guimarães Pinto, quando lê o que se escreve sobre economia no 5dias, imagina sentir o mesmo que eu quando oiço o “Querido” falar sobre arquitectura. A mim parece-me que no “Querido” se aprende mais sobre a economia que CGP defende do que sobre arquitectura. Se, para a arquitectura e construção o programa é um atentado, as formulações ideológicas que repercute são as bases de um sistema que pretende manter desequilibrada a balança entre pobres e ricos conferindo aos ricos a possibilidade de fingir salvar da pobreza um ou outro “caso” e fazendo disso alarde.





Está a ver, Tiago? Eu bem lhe dizia ontem que o assunto tinha pano para muitas mangas e que valia a pena reflectir sobre ele.
Com efeito, a “solução” proposta pelo anúncio – ao advogar, como diria Z. Bauman, a busca de soluções individuais para problemas sistémicos, partilha com a economia política que nos governa o individualismo abstracto e normativo que é tanto o seu pressuposto teórico como preside ao seu método. E quer-me parecer que a mesma atitude se pode detectar em certas concepções e práticas da arquitectura – quer ao nível da identificação e determinação das “necessidades” a que cada “unidade de habitação” deverá responder, quer, em seguida, ao nível do planeamento e do urbanismo.
Reitero, portanto, animado pela resposta que o Tiago dá ao post de CGP, o meu amigável desafio de ontem.
msp
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