“A terra de todos”

Às vezes a televisão surpreende-nos. Nunca tinha ouvido falar de Marinaleda. Aqui tão perto. A visitar.

P.S. – Ler ainda “Uma aldeia andaluza

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24 respostas a “A terra de todos”

  1. almareado diz:

    Foi uma pena o PC ter destruído a reforma agrária no Alentejo, sonhos de grandiosidade soviética…

  2. JR diz:

    Eu vi e fiquei fascinado, afinal é possível.

  3. Os camaradas não estão apensar mudar de terra, estão? Ou é só visita etnográfica? É que isto de ficar sem internet e sem FNAC é engraçado mas se for limitado a 15 dias de férias…

    Vocês não têm mesmo emenda.

    grouchomarx

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Talvez visita de estudo, caro comiquista. Estas coisas assustam-no?

      • Vá lá responda a sério. Acha viável esta coisa a uma escala razoável?
        grouchomarx

        • Tiago Mota Saraiva diz:

          Então o seu problema é a escala? Acha viável e positivo desde que aplicado a um concelho pequeno? É isso?

          • Viavel em pequena escala com o dinheiro dos outros, sim, isso mesmo, agora acertou em cheio, Tiago Mota Saraiva!

            Em larga escala o dinheiro dos outros nao chega pq a medida que a escala aumenta, o numero de “outros” reduz-se. Assim tipo esquema de seguranca social…

            De acordo com o artigo do ny times qeu alguem citou ai’ para cima: “Although Marinadela saw itself as a Communist oasis, it depended heavily on the regional and central governments. The materials for each house, for example, cost the regional government about €18,000.”

            E depois, claro, como se le no mesmo artigo:

            – “The biggest landowner in Marinaleda today is the mayor.”
            e
            -” The mayor has a one-hour show every Saturday on Marinaleda’s television channel, when he reads his own poetry or talk politics.”

            Pera ai’, pera ai’… isto assim de repente faz lembrar uma duzia de experiencias flahadas, queres ver?…

            grouchomarx

            PS: tente nao se desviar da questao principal, fazeno qq gra¢ola com eu citar o ny times ou assim.

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            Caríssimo, como referi no post, soube desta experiência ontem.
            Então esta malta não paga impostos e por isso anda a viver à conta do erário público? É uma coisa tipo BPN mas, em vez de enriquecer alguns dá para todos viverem? É isso que dizem as suas informações?
            Eu, manifestamente, desconheço o caso. Mas fiquei curioso. E sou capaz de lá dar um salto um dia destes.

        • Nuno Rodrigues diz:

          “Although Marinadela saw itself as a Communist oasis, it depended heavily on the regional and central governments. The materials for each house, for example, cost the regional government about €18,000.”

          E depois, claro, como se le no mesmo artigo:

          – “The biggest landowner in Marinaleda today is the mayor.”
          e
          -” The mayor has a one-hour show every Saturday on Marinaleda’s television channel, when he reads his own poetry or talk politics.” Ora ora… E o dinheiro da produção agrícola e industrial no meio disto tudo…Cheira.me que anda aí história mal investigada por parte do NY…Quanto ao “maior proprietário”, não percebo o que é isso. Tenho sérias dúvidas. Não tem carro. Tem uma casa igual aos outros. E o NY não foi ver a conta bancário do homem certamente.

    • CausasPerdidas diz:

      Visite o site do sindicato, está num “link” (da Internet) aí em baixo…
      E, por favor, no ofenda o Grocho Marx, há aqui marxistas:

      “Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro! Mas, custam tanto! ”
      Não é ?

      “Ele pode parecer um idiota e até agir como um idiota, mas não se deixem enganar: ele é mesmo idiota! ”
      Ficam avisados.

      • Marco diz:

        Com licença:

        Vamos lá a ver, 18.000 por casa, que correspondem a:

        1) produção agrícola nacional
        2) fixação de pessoas no interior
        3) estabilidade de acesso ao direito básico que é a habitação
        4)Pleno emprego

        Já vi dinheiro pior aplicado…

        Depois quanto à “propriedade” do dinheiro, isso é uma “granda volta”…a perspectiva do seu homónimo deve ser tida em conta, ainda mais num momento em que o meu dinheiro me está a ser roubado para entregar aos “empreendores”, aos seus “outros”. Como se não bastasse a mais-valia que já levam “legalmente”.

        Se o Gordillo é o mais terratenente lá do sítio, está mal. Mas é a primeira vez que ouvi falar nisso…

        Por último, acho uma graça do camandro a essa equação muito racional e á prova de bala:

        gajo de direita com carisma= estadista
        gajo de esquerda com carisma= proto-ditador

    • A.Silva diz:

      Grouxo, vai alimentando ilusões sobre o capitalismo, porque dia a dia e cada vez de forma mais acelerada, o capitalismo mostra não ter soluções a não ser o abismo, o caos, a guerra e a miséria para a esmagadora maioria… é o fim dessa viajem.

      O futuro passa por Marinaleda e sem duvida por Cuba, passa por uma coisa que vocês desconhecem, SOLIDARIEDADE!

  4. Rocha diz:

    Eu já conhecia Marinaleda. Desde há uns anos que me interesso pelos nacionalismos periféricos em Espanha. A verdade, essencial, que escapa a este documentário é que não é a Esquerda Unida mas sim o CUT-BAI (Colectivo de Unidade dos Trabalhadores-Bloque Andaluz de Izquierdas), uma organização de esquerda nacionalista andaluz que ergueu Marinaleda.

    A Espanha das Nações periféricas, habitualmente vista pela esquerda comunista, anarquista ou radical como uma infeliz circunstância, é na realidade um trunfo para quem sabe dirigir as energias destes anseios populares. A verdade é que para além de culturas, povos e línguas diferentes, que não convivem em Espanha mas sim sobrevivem à sua bota militar-policial repressiva. A distância e arrogância a que se coloca Madrid face às suas províncias, bascas, catalãs, valencianas, galegas, andaluzes, asturianas ente outras faz com que os povos estejam longe de Madrid e longe de qualquer esperança que algo mude em Madrid para chegar a uma aldeia da Andaluzia.

    A cultura camponesa e árabe são sociológicas e culturais em Marinaleda, a cultura marxista e nacionalista andaluz são políticas nascidas de longos anseios populares. A Esquerda Unida apenas aceitou, com certa relutância, este fenómeno, demasiado revolucionário para o seu reformismo (como habitual moleta do PSOE na Andaluzia e no Estado Espanhol).

    Autodeterminação e Socialismo para toda a Andaluzia! A palavra de ordem repete-se em todas as Nações periféricas da Espanha que em Madrid não existe.

    • Marco diz:

      A Izquierda Unida é uma federação. O CUT-BAI faz parte.

      O autarca de Marinaleda foi eleito deputado autónomico por Sevilha, nas eleições do fds passado. É heterodoxo, mas não tanto.

      Pelo menos por agora. Durante a campanha opôs-se à viabilização de uma administração PSOE na Andaluzia, mas tanto Lara como Centella defendem que há que barrar o caminho ao PP.

      • Rocha diz:

        Caro Marco, basta ver as vezes que dirigentes do CUT-BAI e do SAT-SOC já ameaçaram sair/romper com a Esquerda Unida se esta teimar em coligar-se com o PSOE no parlamento da Andaluzia.

        A paciência está se a esgotar. E ainda bem. Se a Esquerda Unida insiste em afundar-se no pântano dos pactos com a burguesia e com a Troika, cabe aos verdadeiros comunistas e nacionalistas de esquerda acenarem-lhes com os lenços brancos. Já basta de metamorfoses eurocomunistas, já basta a Itália estar sem esquerda visível à custa disso.

        • Marco diz:

          Caro Rocha

          Isto é uma opinião minha, nuestros hermanos e compañeros andaluzes que se entendam: o PP espanhol é bem mais ultra que os nossos liberalzecos e, especialmente no Sul, têm muita gentinha que não fez as pazes com a Transição e que de boamente voltava a 1936. Basta ver a limpeza toponímica que andam a fazer nalguns ayuntamientos em que são poder pela primeira vez, desde o ano passado.

          Se as cedências à burguesia neste caso específico significarem a manutenção da posse colectiva da terra nalguns ayuntamientos, numa das autonomias com maior desemprego já não é mau…

          Assim, com os nervos, aposto que uma das primeiras medidas de uma maioria PP seria a asfixia financeira dos mesmos e uma espécie de Lei Barreto, que permitisse aos “Grandes de España” acrescentarem mais uns hectares ao seu absentismo.

  5. CausasPerdidas diz:

    Boa lembrança.
    Apanhei a meio a reportagem da SIC, por isso não teço comentários. Apanhei-a na parte em que o chefe local do PSOE, também dono de uma gasolineira, que afirmava que Marinaleda estava “parada no tempo”. Apercebi-me de imediato que se falava do SOC.

    De facto, Marinaleda já é um “case study” que tem vindo desde há anos a merecer a atenção da imprensa, até do insuspeito New York Times… Como é que no meio de uma crise económica, um punhado de municípios da zona mais “deprimida” do Estado Espanhol, a Andaluzia, consegue ter pleno emprego? Se atendermos que isso acontece com operários agrícolas que são na sua maioria jornaleiros, os precários do campo… estamos perante um caso que deve ser estudado por toda a esquerda mundial – não me refiro somente ao aspecto particular de serem um sindicato do proletariado campesino mas à forma como se organizam, à experiência da Democracia Sindical.

    Pedindo desculpa pelo abuso do “copy-paste” e justificando-me com a qualidade do trabalho, deixo aqui uma reportagem de André de Agualva que está disponível desde 7 Março de 2010 em: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/739.
    No fim do texto, as ligações para os sítios do sindicato. Abro aspas:

    “OUTRO SINDICALISMO É POSSIVEL
    EM EL CORONIL COM O SINDICATO DE OBREROS DO CAMPO DA ANDALUZIA.

    De Sevilha até El Coronil é menos de uma hora de viagem. São cerca de 50 km que se percorrem entre campos e extensos olivais. El Coronil é uma vila de casas brancas, sede de um município rural, com cerca de 5 mil habitantes que se ocupam maioritariamente na agricultura. Aqui se ergue o Centro Operário Diamantino Garcia construído com o trabalho voluntário de militantes do SOC (Sindicato de Obreros del Campo).

    A história do SOC confunde-se com a história recente de El Coronil, um município que foi dirigido durante quase trinta anos por autarcas ligados a este sindicato. O SOC foi o primeiro sindicato a legalizar-se na Andaluzia depois da queda de Franco aglutinando comissões de jornaleros que vinham funcionando desde o tempo da ditadura. O padre Diamantino Garcia, conhecido por o «padre dos pobres» foi um dos seus principais dirigentes.

    No edifício a figura tutelar do padre Diamantino Garcia ombreia com a de Che Guevara. É aqui que chegamos à fala com Diego Cañamero actual dirigente do SOC. Diego é um homem calmo. Ninguém diria que ele foi durante mais de trinta anos protagonista de batalhas tão duras como as que têm desenvolvido os operários do campo filiados no SOC. Ocupações de quintas, greves de fome, corte de estradas. Tudo na defesa intransigente dos interesses dos jornaleros da Andaluzia

    «Temos um movimento sindical mas muito ligado ao social e ao político. O SOC não é um sindicato tradicional. O nosso sindicato intervém na vida social de um povo. Pode ser um problema ecológico, social, de trabalho, desportivo, cultural, reivindicativo e até municipal. O nosso sindicato tem uma influência no político e no municipal» explica Diego Cañamero.

    A influência do SOC em autarquias como as de Marinaleda e El Coronil permitiu lançar programas de apoio à habitação que têm chamado a atenção de jornalistas mesmo fora de Espanha. O New York Times publicou em Maio de 2009 uma reportagem sobre Marinaleda intitulada « Uma cidade em Espanha com casa e trabalho para todos». Os municípios cedem os terrenos, facultam os materiais e dão apoio técnico aos habitantes promovendo a autoconstrução pelos próprios ou usando trabalhadores municipais na sua construção e vendendo depois a preços muito baratos. Em Marinaleda uma casa nova de 90 m2 com 100 m2 de pátio tem um preço simbólico de 15 euros por mês. «Uma tarefa fundamental, uma reivindicação fundamental é também o acesso à habitação» diz Diego Canãmero.

    O poder autárquico tem também servido para ampliar acções de solidariedade internacionalista. Ao município de Marinaleda chegam todos os verões crianças oriundas dos campos de refugiados da Palestina e do Sahara. O facto de o SOC ter uma forte componente nacionalista andaluza nunca o impediu de ser solidário com outras nacionalidades e povos em luta. Antes pelo contrário. O SOC sempre manteve contactos com organizações de todo o mundo e integra redes internacionais como a Via Campesina.

    A intervenção autárquica só foi possível através da criação de um partido político a CUT (Central Unitária de Trabalhadores) capaz de concorrer a eleições. «Temos um partido a CUT. Somos os únicos. Aqui é o sindicato que cria o partido, é ao contrário. Temos um parlamentar no Parlamento da Andaluzia. E temos um deputado no conselho que representa os municípios e vários presidentes de câmara (alcaides)».

    Os candidatos são escolhidos pelo povo em assembleia. A CUT organiza-se tal como o SOC em uniões locais. As decisões são tomadas nas assembleias locais. «Os dirigentes aqui não têm privilégios servem o povo» afirma Diego com orgulho.

    O SOC tem na sua matriz originária uma forte tradição libertária que se nota não apenas na forma de tomada de decisões mas também nos métodos de acção directa que emprega. «São acções de alto risco. Sim fui a julgamento cinquenta ou sessenta vezes. Na ditadura, na fase de transição. Com Suarez e Filipe Gonzalez. Agora também. Ocupámos o Canal Sur porque é uma televisão pública. Cortámos o TGV. Foi um protesto público. Para pressão política».

    O SOC tem tido uma prática sindical e politica muito diferente das dos sindicatos tradicionais. São mais de trinta anos de luta intransigente. A repressão também não tem faltado como conta Diego «Fui preso por corte de estradas, ocupação de quintas, ocupação de bancos. Ocupámos o TGV, o aeroporto. Queremos romper o poder mediático. A informação está controlada».

    A prática de um sindicalismo de combate tem deixado o SOC debaixo da mira dos poderes instituídos. São multas, processos judiciais, prisões e repressão. É assim desde a sua fundação. «Investigam-nos, escutam-nos os telemóveis, querem saber o que fazemos onde estamos como fretamos as camionetas. Ainda há dias prenderam um jovem companheiro e levaram-no para Sevilha só para lhe tirarem informações».

    Enquanto para as centrais sindicais da concertação social correm rios de dinheiro em subsídios governamentais ao SOC quase nada chega para organizar cursos e formação. O SOC vive unicamente das cotizações dos seus filiados. Também os municípios que o SOC dirige estão debaixo de um cerco constante. Os vereadores da CUT são assediados para traírem e mudarem de campo. Foi o que aconteceu aqui em El Coronil em 2007. Alguns vereadores passaram-se para o PSOE, o partido governamental de Zapatero e o SOC perdeu a maioria no município. «Quem paga manda» conclui Diego.

    No Verão de 2009 sindicalistas do SOC percorreram a Andaluzia chamando a atenção para o desemprego e a necessidade de repartir a riqueza como resposta à crise. Conseguiram fazer desviar a Volta à Espanha em Bicicleta, ocuparam a principal estação de televisão da Andaluzia e cortaram o Comboio de Alta Velocidade na estação de Sevilha. Foram várias as cargas policiais que tiveram de enfrentar e muitas as prisões. Tudo isto para chamar a atenção para a situação desesperada em que se encontram milhares de jornaleros dos campos da Andaluzia atingidos por uma vaga de desemprego sem precedentes. Esta jornada de luta culminou com uma Marcha sobre Sevilha em 4 de Outubro de 2009 onde desfilaram mais de 15000 pessoas reivindicando dignidade e emprego.

    «O nosso objectivo é conseguir coisas no concreto e mostrar um horizonte. O problema de fundo não é conseguir mais um subsídio» explica Diego Cañamero a propósito da Marcha pela Dignidade e pelo Emprego. Com uma determinação muito marcada e uma visão precisa dos objectivos por que luta acrescenta: «O fracasso a que assistimos é do sistema económico de livre mercado. Este jamais poderá ser uma alternativa. O mundo não o pode suportar. Mas nesta conjuntura não é possível mudar o sistema. Não há alternativa agora. Mas estamos a reivindicar condições concretas que introduzam contradições no sistema. Mais apoio às cooperativas, ajuda aos pequenos agricultores, repartição das terras, cursos de formação, subsídio agrário mais favorável. É preciso estar perto das pessoas para que as pessoas vejam».

    O SOC bem implantado no meio rural e com mais de 20000 aderentes em toda a Andaluzia iniciou há cerca de três anos um projecto ambicioso com a fundação do SAT (Sindicato Andaluz dos Trabalhadores). Foi um grande salto em frente na tentativa de criar um grande sindicato nacionalista na Andaluzia e de estender a sua influência a outros sectores de actividade.

    A criação do SAT tem objectivos políticos bem definidos. Diego explica a sua ideia para a Andaluzia: «Queremos um desenvolvimento sustentado. O que se produz aqui devia ser transformado aqui. Os produtos agrícolas. Agora a laranja vai para Valência, o tomate para Múrcia, o algodão para a Catalunha. Queremos que a Andaluzia transforme as coisas da terra. A terra é fundamental. A terra é o futuro».

    Acabamos a conversa com Diego Cañamero convictos que continuam a existir pessoas com respostas revolucionárias para a crise. Com respostas de luta e dignidade. E recordamos um frase de Diamantino Garcia, o padre dos pobres e fundador do SOC que deu nome ao Centro Obrero de El Coronil onde colhemos a entrevista «Não há causas perdidas, há causas difíceis mas como são tão justas um dia as ganharemos».

    Mais informação:

    http://www.sindicatoandaluz.org/

    http://www.soc-andalucia.com/

  6. Gentleman diz:

    Há muito que digo que os comunistas, antes de tentarem aplicar a sua doutrina à escala de um país, devem aplica-la em cooperativas e pequenas localidades. Só depois de mostrarem inequivocamente que funciona a essa escala terão legitimidade para propo-la a uma escala maior.
    Mas não. Mesmo após dezenas de desastrosas experiências históricas, a sua Fé é tão profunda que insistem em aplicar a mesma receita à escala de países inteiros, menosprezando a importância da criação de “ilhas socialistas” no seio da sociedade capitalista.

    • De diz:

      Há muito, foi?
      Mas já lhe deram a resposta a esta sua tormentosa dúvida.Várias vezes.
      Porque não a leu ou matutou nela?
      A “doutrina” não lho permite ou não conseguiu entender os escritos?

      • Gentleman diz:

        Olha o De Pavlov!…
        Não conheço nenhum desses argumentos. Manda aí os links.

        • De diz:

          Não conhece?
          Estranho.
          É a idade ou a impossibilidade de ….?
          Mas vou pensar no seu caso, embora esse tom pareça o de um marialva género Passos a dar ordens aos boys da agremiação local.E sabe,eu não tenho muita paciência para coisas assim

  7. Não entro seguramente em polémicas sobre Marinaleda, essencialmente porque conheço pessoalmente e demasiado bem a cidade, o alcaide, e boa parte dos membros do colectivo do ayuntamiento.
    Mas há dois ou três detalhes que me parecem importantes, e que devem ser esclarecidos relativamente aos impostos e ás ajudas dadas pelo governo andaluz e pelo estado espanhol:
    Em Marinaleda, os contribuintes pagam todos os impostos a que são obrigados, como qualquer outro andaluz ou espanhol, pelo que naturalmente têm direito a todas as ajudas estatais e regionais que possam receber, e que não são mais que uma mera redistribuição financeira de parte do que pagam, tal como qualquer outra cidade nas mesmas condições. Em Marinaleda e devido ao pleno emprego, ninguém aufere de subsídio de desemprego, e se considerarmos este à volta de 1.000 euros por cada desempregado numa região com 35% de desemprego, teríamos mais de 350 pessoas a receber esse subsídio: 350 x 1.000= 350.000 euros por mês, 4.900.000 euros anuais, 9.800.000 euros em dois anos. Dividindo este valor pelo custo participado em 18.000 euros de cada moradia das 350 que já foram construídas, daria qualquer coisa como 544 moradias.
    O membros do ayuntamiento de Marinaleda não são, nem nunca foram, remunerados. Gordillo, durante trinta e dois anos e enquanto exerceu como professor, retirava do seu salário uma parte igual à dos membros da cooperativa El Humoso, e colocava o restante na cooperativa.
    Não existe na região de Marinaleda, porventura em toda a Andaluzia, nenhuma cidade onde as infra-estruturas sociais sejam nem de longe, semelhantes ás disponíveis em Marinaleda, e ao alcance de todos os cidadãos. A cidade dispõe de internet grátis wi fi em todo o seu perímetro.
    Nesta cidade, qualquer cidadão pode entrar no ayuntamiento e consultar livremente qualquer documento. Para entrar no gabinete do alcaide, basta empurrar a porta, que nunca está trancada, e qualquer um pode facilmente falar com Juan Manuel, como todos o tratam.
    Julgo que todos terão alguma capacidade de raciocínio, para poderem ver claramente que Marinaleda está muito longe de ser um fardo para os contribuintes espanhóis, e Gordillo, ademais da figura carismática de quem se pode gostar ou odiar, é um exemplo para a classe política, que por isso mesmo, o odeia. E naturalmente, que todos quantos esperam vir um dia a beneficiar do tacho da política, terão de odiar este homem simples, directo, leal e frontal, que em algum momento da sua vida simples de trabalhador decidiu dedicar a sua vida aos outros, sem com isso retirar qualquer benefício pessoal para além da satisfação e recompensa de agir em completo acordo com a sua consciência. A meu ver, cumprindo ele mesmo consigo e com os outros os mais básicos princípios do anarquismo no mais puro sentido da palavra.

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