Defender o quadrado

Na última semana veio a público a mais inusitada ameaça de greve dos árbitros da primeira liga. Não se lhes conhecendo, enquanto classe profissional, qualquer tipo de preocupação com a situação do país ou solidariedade com as lutas dos seus trabalhadores e num momento em que se tornaram, por culpa de alguns, os principais actores do futebol português, a greve surge condicionada ao que disserem durante o fim de semana dirigentes, treinadores e jogadores.
Não se deve criticar toda uma classe profissional pelos erros de alguns. Mas merece toda a crítica procurar condicionar a liberdade de expressão de quem quer que seja, rejeitar a utilização de novas tecnologias que possam fazer com que os árbitros errem menos ou mergulhar num ruidoso silêncio sempre que se descobre mais um caso de corrupção.
Este absurdo surge na mesma semana em que o “Público” noticiou uma petição em defesa da Parque Escolar, alegadamente subscrita por umas centenas de pessoas, na sua maioria arquitectos. Esta petição tem a particularidade de ninguém aparecer a dar a cara por ela, ainda que o “Público” revele que, entre os seus signatários, conseguiu encontrar nove dos 16 arquitectos mais contratados pela empresa elogiada. No texto da petição não consta qualquer referência à necessidade de transparência na encomenda pública ou esclarecimento e responsabilização das ilegalidades já detectadas, assumindo um carácter eminentemente partidário ao repetir o discurso que o PS tem utilizado, centrando-se na defesa de uma ideia de “escola pública” que não define e para a qual parece não ter muitas ideias.

Hoje no i

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4 respostas a Defender o quadrado

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Tiago,
    Devia haver um boicote total a qualquer assunto relacionado com o futebol, a não ser para criticar esta expressão moderna do ‘panem et circensis’, sem o “panem”, é claro… Se o termo ‘alienação’ faz sentido nos nossos dias, é com certeza no que diz respeito ao futebol. Um povo inteiro é solicitado a dirigir a sua atenção para uma actividade cada vez mais escabrosa, que nada tem a ver com desporto. Voltámos aos combates de gladiadores de Roma, ou às corridas de cavalos do Império Bizantino, como forma de distrair povos infamemente explorados. Não contribuamos para esta vergonha.

  2. Conde Sucena diz:

    compre estrangeiro cá dentro.. http://www.youtube.com/watch?v=BvanjY-nFo8

  3. Conde Sucena diz:

    compre estrangeiro cá dentro..

  4. Samuel diz:

    De vez em quando lá vem mais um “despertar de consciência”, como estes dois, a que dificilmente se pode chamar despertar… e muito menos consciência. 🙂

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