De que falamos quando falamos do RSI?

Uma das notícias do dia foi a campanha do Ministro da Segurança Social contra os beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Segundo a apresentação propaganda do menino populista da lambreta, o reforço das dificuldades na atribuição do RSI «permitirá baixar o custo do RSI de 440 milhões de euros (valor previsto para 2012) para 370 milhões». Portanto, uma poupança de 15,9%. Sendo o RSI uma bandeira contra o qual a direita mais reaccionária gosta de lançar anátemas – desde logo, como arma de arremesso político no sentido de colocar boa parte da população trabalhadora contra os beneficiários do RSI – importa aferir qual o peso do RSI no cômputo geral do orçamento da Segurança Social. De acordo com os números do Orçamento de Estado, as despesas globais neste sector andará, em 2012, em volta dos 23.135 milhões de euros. Por conseguinte, a parcela do RSI no orçamento da Segurança Social é de 1,6%. Portanto, o governo e a direita fazem o seu jogo político assentes num ataque vergonhoso a um direito básico dos sectores economicamente mais vulneráveis e mais empobrecidos da classe trabalhadora na base da merda de uma côdea. E a côdea funciona aqui de maneira dupla. Por um lado, o apoio do RSI no actual contexto de crise – ainda por cima sofrendo cortes – não deve sofrer cortes mas um reforço acrescido. Para a direita, os apoios conferidos aos trabalhadores são isso mesmo: uma côdea e se não se resignam, amanhem-se! Por outro lado, o peso dos apoios do RSI são uma ínfima parte da Segurança Social, já para não falar de todo o Orçamento de Estado (neste campo é nada mais nada menos do que 0,47% do conjunto das despesas do Estado).

De facto, ao contrário do que a propaganda que o governo pretende fazer crer quando afirma que estas medidas se propõem apenas conceder o RSI a «quem mais precisa», ou de que se trataria de uma forma de racionalizar os gastos do Estado perante a troika internacional, a verdade é só uma: o corte com o RSI é muito menos uma medida de corte de despesa e ainda menos uma medida de maior fiscalização mas é, acima de tudo, uma medida marcada pelo que o sociólogo francês Pierre Bourdieu uma vez chamou de “racismo de classe”. Animada pela sua sanha persecutória contra TODOS os sectores da classe trabalhadora (e não somente contra a mal-classificada “classe média”), a direita considera qualquer prestação social, no caso o RSI, como uma migalha que se dá a um pobre para que ele não morra à fome e não o chateie enquanto vai enganando o estômago. Percebida enquanto gente que não fez por si na vida e se está nessa situação de pobreza e de desemprego é porque merece, a camada mais empobrecida da classe trabalhadora é o espelho mágico com que a ideologia dominante perverte a percepção dos restantes sectores da classe trabalhadora.

Agitando a bandeira do medo da pauperização e da queda na escada social, a burguesia e os seus representantes políticos sabem perfeitamente que, a partir daqui, a conformação com o actual estado de coisas, a aceitação conformista de um emprego sob quaisquer condições laborais e a fuga ao protesto são armas ideológicas fortíssimas na desorganização do conjunto da classe trabalhadora. Aos trabalhadores atirados para a pobreza – e aí cada vez mais atolados – a mera sobrevivência imediata acaba por ocupar a sua vida diária. Aos restantes trabalhadores, o receio crescente face à ameaça do desemprego e da pauperização cria sentimentos de ressentimento contra os “mais pobres” e de fuga ao protesto, num processo de aproximação ao lema “a minha política é o trabalho”. Lema que mais não é do que a assunção da demissão dos trabalhadores da participação na vida política: objectivo primordial da acção do grande capital e dos seus executantes políticos. É em torno desta dinâmica de objectiva tentativa de desorganização da classe trabalhadora, de quebra de laços de solidariedade e de fomento de desconfianças mútuas que se pode compreender os ataques do governo e da direita ao serviço do grande capital. O corte das verbas do RSI – que entre 2010 e 2012 passarão de 51o milhões para 370 milhões (um corte de 27,45% em apenas dois anos) – é parte de um processo de pauperização generalizada da classe trabalhadora mas, acima de tudo, de um processo político de dividir (os trabalhadores) para (continuar a) reinar (o grande capital). Para infelicidade da burguesia, os trabalhadores vão lutando e vão tentando trazer mais gente para a luta contra as políticas neoliberais e terroristas do grande capital. Só a luta organizada, abrangente e consequente de todos os sectores da classe trabalhadora constitui as sementes de uma alternativa de sociedade.

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31 respostas a De que falamos quando falamos do RSI?

  1. JgMenos diz:

    “…na base da merda de uma côdea…”
    É tudo uma côdea, e é tudo muito justo!
    De côdea em côdea chegamos à injustiça deste presente, esse sim – de merda!

    • João Valente Aguiar diz:

      Mas vc quer comparar o que o Estado foi estourando em carcanhol com sucessivos apoios ao sector financeiro com o dinheiro que é destinado para o RSI? Pegando só no BPN, onde o Estado enterrou 8 mil milhões, esse dinheiro dava para 18 anos de RSI (se se mantivesse constante o que se gastou em 2011)… Querer comparar tostões com milhões não me parece boa política.

      • JgMenos diz:

        Essas comparações fazem-se para outros fins.
        Quanto ao RSI, é sobre outros valores que nele se incorporam que a discussão há-de ser feita , e ser ou não ser côdea financeira é pouco relevante.

      • Antónimo diz:

        Um dos fenómenos mais interessantes da sociedade é a presença dos rotos que culpam os nus pela sua desgraça. nada a fazer quando se tem alma de escravo.

  2. Pedro Sousa diz:

    RSI uma bandeira contra o qual a direita mais reaccionária gosta de lançar ,eu não sou de direita nem de esquerda sou um contribuinte que vive num bairro social e que vejo o pessoal rsi montados em bmw audi e mercedes 25 a 30 mil euros sem trabalhar passando o dia no café a beber minis e cafés e que quando chego do trabalho ainda levo umas bocas tu trabalhas deves ser louco andas sujo ganha juízo é fácil.
    Claro que muitos deste pessoal do rsi no cair da noite vai para os seus negócios ilícitos desde o cobre atms e acabando no estupefaciente vale de tudo para sacar os extras.
    O rsi só deve ser atribuído a que é pobre sem bens moveis e imóveis de valor e que não ande na criminalidade como ajuda com um plano de formação e apoio para sair dá pobreza,o rsi em portugal é uma maquina de fazer pobres e excluídos porque só se pensou em dar uma renda mensal e o resto?

    • Bar diz:

      e EU,MEU FILHO, o trabalho é a minha politica.Os pobres fazem o que os ricos fazem durante o dia mas, é mais na camada Oops! Layer do hardware,pq os dias loureiros devido aos grandes conhecimentos cientificos e,inteligência(por isso é q são ricos) trabalham na area do software ou de lavandaria,ou Dª Branca que não lavava mais branco q o CitiGroup,ou o Goldman&Sachs…

  3. João Teodoro Beldroegas diz:

    Caro Pedro Sousa e afins signatários do estado democrático de direito… falou e muito bem, um ladrão é sempre um ladrão, seja ele o patrão capitalista com os seus capatazes que se apropiam do estado e fazem leis ao serviço dos seus interesses e que legalizam a exploração sobre os demais individuos, os restantes, porque restos, atacando-lhes por isso os direitos de terem um estado social… ou sejam eles os “chicos espertos” de uma qualquer esquina (sem desprimor para os franciscos chicos), os marialvas, os fura vidas, os troca tintas, Zé rapados que populam por ai, numa versão caricatural dos primeiros.
    Para estes, primeiros e segundos, sem dúvida, a lei deveria funcionar.´é ASSIM COM OS FORA DA LEI.
    Mas penso que o Pedro facilmente reconhecerá para que lado desliza com facilidade a caneta legalista.
    Temo, contudo ter de noticiar-lhe que nada disto tem alguma relação com o RSI. O RSI é o Rendimento Social de Inserção da Segurança Social (noutra conversa poderemos falar do que é a segurança social num estado capitalista como o nosso e das suas diferenças em relação à segurança social de um estado socialista que está na constituição da república portuguesa, mas ainda por cumprir)… um instrumento, dizia, cujo fim é o apoio económico aos individuos do seu grupo social (aqueles com quem efectuou um contrato de cidadania expresso na sua constituição – património colectivo – e signo máximo e literal da nossa demos-crácia) que por via de várias circunstâncias se encontram não inseridos, onde o apoio económico é apenas é um dos vectores de exclusão.
    O objectivo do RSI não é inserir, mas sim diminuir no vector económico a exclusão. A inclusão não se faz apenas fornecendo dinheiro às pessoas e individuos, ou reforçando apenas medidas assistencialistas de caridade beata… é necessário algo mais que também está em risco devido ao profundo desinvestimento da Segurança Social que as politicas de direita tem nas ultimas décadas efectuado. Não é por acaso, e é com objectivos claros de criar assimetrias sociais que se possibilitam a exploração dos que como você, esses 5 milhões de população activa que acordam todos os dias e vão trabalhar, na maior das vezes em condições de contrato precárias, de baixos salários, uma realidade que tão bem conhece e que faz aumetar o sentimento de injustiça que os senhores ao serviço da exploração tão bem alimentam apontado o dedo aos “não produtivos, aos calões, aos inqualificados, aos piegas, aos que andaram por ai a viver à grande e à francesa”.
    Está a ver, esses que andam a comer à conta dos que são emprendedores, dos que investem, dos que têm proriedade, etc. Esses tipos, tipo RSI, que andam a comer à conta da “nata bem da nação” ainda têm o desplante de querer horas de trabalho extraordinárias pagas como tal e não aceitam umas qualquer bolsas de horas, essa malta calona que depende do trabalho que lhe dão para viver e acha que tem o direito de querer ter familia, horas de descanso e imaginem só, condições de segurança no trabalho… imagine-se.

    Caro Pero, neste contexto, a natureza propria do trabalho técnico que é realizado pelos profissionais da Segurança Social está muito àquem do que deveria ser por motivos claramente economicistas e politicos (entenda-se ideológicos e de interesse de classe) capitalisto-burguês.
    Para incluir, para além do saber técnico dos factores humanos (psicológicos, educacionais, saúde, socio-motivacionais, culturais, etc) é necessário por exemplo uma politica económica ao serviço do povo (a malta, está ver… aqueles 98% que trabalham ou são proprietários das pequenas e médias empresas deste país, ou seja, dos que dependem do seu salário para sobrevir).
    Compreendo que o Pedro desejaria muito e com toda a força que neste país não hovessem alguns exploradores dos muitos outros explorados… mas não se deixe enganar com poeira que lhe deitam para os olhos, nem fique satisfeito por “apanhar” o peixe da raia miúda… pois muito embora isso lhe possa dar algum contentamento que assenta na evacuação da sua raiva e zanga e que confunde por sentimento de justiça, tal não lhe permite ver o roubo maior descrito pelo João Valente Aguiar… o roubo à “coisa colectiva”, à coisa da malta, cá dos tuguinhas… nós, o resto dos outros, que achamos que cada um deve ter pão e vinho sobre a mesa, nós os que achamos que sem saúde, educação e trabalho, não à paz e liberdade, nós os que achamos que cada bairro deve ser social, e que em cada social deve haver um bairro de individuos com direito ao seu quintal.
    Não sei se entendeu bem… o que estamos a falar, é de um suporte económico “minimo” às condições básicas da condição humana em desenvolvimento que tem o custo de 0,47% do conjunto das despesas do Estado, isto é 0,47% do seu contributo de contribuinte. Veja bem, se não é o caso, mas é de aumentar o valor.

    • JgMenos diz:

      Tanta conversa para concluir que sendo 0,47% do trabalho dos outros tanto faz que o RSI seja aquilo a que se propõe, como seja caridadezinha, como seja balda!
      Socialista da treta!!!

  4. Gentleman diz:

    «num ataque vergonhoso a um direito básico dos sectores economicamente mais vulneráveis e mais empobrecidos da classe trabalhadora»

    É espantosa a rapidez com que se transforma uma benesse num “direito”.
    Na URSS tinham uma designação para muita dessa malta que por cá tem auferido o RSI: chamavam-lhes “parasitas sociais”.

    • João Valente Aguiar diz:

      Wrong. É um direito pois quem está numa situação em que o subsídio de desemprego já acabou ou não pôde ser concedido é de elementar justiça que ninguém morra à fome por não ter mais nenhum meio de subsistência. O RSI não contempla que se viva à custa dele para sempre mas como medida que, por um lado, minora as dificuldades e, por outro, é transitória para uma posterior resinserção no mercado de trabalho. O problema é que o modelo económico que se está a implementar em Portugal não passa pela reconstrução do tecido produtivo. Sem isto não há criação de emprego. E de emprego com direitos, porque os trabalhadores não devem ser descartáveis como uma fralda que é assim que o capitalismo trata a classe trabalhadora.

      • Rafael Ortega diz:

        “O RSI não contempla que se viva à custa dele para sempre mas como medida que […] é transitória para uma posterior resinserção no mercado de trabalho”

        No entanto neste e noutros blogs de esquerda muito se chorou com a reportagem da SIC sobre a senhora que entregou os filhos à irmã porque ficou sem RSI.
        Só o recebia há 9 anos…

        • João Valente Aguiar diz:

          Deixe lá, os bancos e as grandes empresas subjugam-nos há uns dois ou três séculos. Levam um confortável avanço que parece não preocupar os fariseus…

      • De diz:

        Ah, a dita caridadezinha pela qual alguns em todas as épocas se pelam.As referidas “benesses” transformadas na esmolazinha que unem Gentleman ao ministro da mota.Esta última presto transformada num qualquer Audi,mais compatível com os distribuidores das referidas “benesses”.
        Com uma particularidade notável.A convocação da URSS para o debate.Para ajudar à tentativa de ocultar o que é aqui denunciado neste post
        Coisas de gentlemen de facto.Da “malta”muito gentlemen, claro

        • Gentleman diz:

          Constato que a vacuidade intelectual do De Pavlov continua intacta.

          • De diz:

            Coisas de Gentleman com toda a certeza.
            O béu-béu sobre a URSS tem algum paralelo com as suas tiradas sobre um tal Breivik?

            Mas isso fica para o post respectivo.
            Dados objectivos do governo de Gentleman para este continuar a salivar:
            “os 8 mil milhões de euros que, entre pagamentos e garantias, já estão empenhados pelo Estado no BPN chegariam para pagar durante 4 anos a comparticipação a 100% – isto é, a gratuitidade – de todos os medicamentos receitados em ambulatório em todos os hospitais e centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde; ou que os 450 milhões de euros já pagos no processo do BPP são aproximadamente a mesma verba retirada desde 2010, anualmente no abono de família e no rendimento social de inserção, em conjunto; ou ainda que o mesmo governo que corta nas verbas para o Serviço Nacional de Saúde, entrega 320 milhões de euros em 2012 às parcerias público-privadas na saúde, um valor quase 14 vezes superior a todo o investimento público do Ministério da Saúde em 2012, que é só de uns míseros 23 milhões de euros…”

            Um governo de classe pois então.

            Helas…”Para infelicidade da burguesia, os trabalhadores vão lutando e vão tentando trazer mais gente para a luta contra as políticas neoliberais e terroristas do grande capital”.

            Políticas neoliberais e terroristas.É mesmo disso que se trata.Gentleman faz o que pode para esconder tal

          • João Valente Aguiar diz:

            Meu caro De,

            Mais do que esconder os “gentleman”‘s deste mundo querem é apresentar o genocídio social como algo natural, inevitável e benéfico para os trabalhadores. Pior do que omitir é fazer passar a mensagem de que as medidas rapaces das troikas seriam o caminho a seguir para a humanidade.

            Abraço

  5. licas diz:

    . . . Segundo a apresentação propaganda do menino populista da lambreta,. . .
    _________

    Populismo sim é bramar contra os que, de modo criminoso, recebem subsídio,
    sem serem habilitados, ou o J. Vicente Aguiar acha que é um direito do beneficiário
    possuir carro próprio e, ou, que o Estado (todos nós) não temos o direito de perguntar:
    oiça lá, compadre, e a dinheiroca que possui no Banco, também não tenho nada
    com isso? É só mamar, não é verdade?
    Os *formatados à Marx* são assim: a História de nada lhes serve . . .

    • João Valente Aguiar diz:

      A taxa de fraude é estimado, conforme os vários governos e serviços da segurança social, cerca de 15%. E o valor médio pago a cada beneficiário é de 88 euros. Com os 8 mil milhões de euros gastos com o BPN você nao se preocupa… Nem com os biliões de euros de impostos não pagos pelas grandes empresas nas últimas décadas… O importante é dar pancada nos que estão mais desgraçados… Quem é que é formatado e quem é que prefere enfiar a cabeça na areia?

      • Rafael Ortega diz:

        “A taxa de fraude é estimado, conforme os vários governos e serviços da segurança social, cerca de 15%.”

        Se o autor do post diz que

        “«permitirá baixar o custo do RSI de 440 milhões de euros (valor previsto para 2012) para 370 milhões». Portanto, uma poupança de 15,9%.”

        então se o autor não se tiver enganado poupar 15,9% com 15% de fraudes, se a coisa for bem feita quem o recebe sem cometer fraude não vai notar a diferença.

        • João Valente Aguiar diz:

          O argumento é mto cândido. Vc acha mesmo que os casos vao nesse sentido? Quanta credulidade…

  6. licas diz:

    DOIS pontos apenas, confiando (?) que está querendo
    realmente conversar em vez da evidência que apenas
    pôr *vinagre* nas feridas sociais de que todos temos o
    dever de curá-las na medida do possível:
    ___1___Um abuso, seja qual for, tem DUAS facetas: a
    *orçamento* e a moral, levando os mais ávidos a
    perguntarem-se: se toda a gente impunemente rouba,
    porque razão não o farei também? E esta foi a faceta
    que nítidamente não lhe *apetece* encarar.
    ___2___Preocupa-me, sim, com o refinanciamento
    dos bancos, na medida que podem , DEVEM, ter no
    relançamento da Economia por via de empréstimos
    a Empresas/indivíduos prontos a investir em ações
    sérias e produtivas: *Tá a ver* que a sua suposição
    cheira a injúria? Tal como a de que o financiamento
    *apenas engorda* o grande capital (expressão cujo
    endereço é muito marcado).

    E acabo com um *suposição injuriosa* : quer, luta,
    por uma solução conjunta de todos nós, ou, pelo
    contrário, deseja derrubar (?) o governo por ações
    de rua?

    • João Valente Aguiar diz:

      quem rouba não são, sobretudo nem maioritariamente, os trabalhadores…

      os bancos estouraram o dinheiro, depois pediram aos Estados (nos EUA, em Portugal, etc.) para os salvar e com isso os Estados ficaram endividados… E depois têm de ser os trabalhadores a pagar os maus investimentos dos bancos… E já agora de onde vem o dinheiro que os bancos usam para financiar a economia? Se acha que o ponto de partida do ciclo económico começa aí nem sei que lhe diga…

      sobre a última pergunta. não existe isso de uma solução conjunta de todos nós… sobretudo pq nao existe um “todos nós”. os trabalhadores portugueses têm mto mais em comum com os trabalhadores brasileiros, americanos, japoneses, alemães, etc. do que com os proprietários e gestores portugueses… não se trata de uma questão nacional mas de classe: os que exploram e se apropriam da riqueza que a maioria da população produz… quem nem aqui chega, não vai a lado nenhum…

  7. licas diz:

    E agora, vai concordar com esta minha proposta:
    os roubos, desvios, apropriação de dinheiros públicos,
    uma vez em trânsito de julgado, serão remidos à taxa
    única de 50 Euros por dia de prisão: se o Vale e Azevedo
    *deslocou* 1 milhão, por exemplo, a pena seria
    automaticamente de 20 000 dias (qualquer coisa como
    54 a 55 anos, incluindo no cálculo os anos bissextos).
    O tal sujeito que *fanou* uma embalagem de feijão verde,
    0,75 Euros, iria passar na choldra, pois cada minuto de 24
    horas, 1440 minutos, dando 3,5 cêntimos por minuto, total
    21 minutos. É para se lembrar que roubo, é socialmente CRIME.
    Porque não obrigar os que redeberam ilícitamente RSI
    a devolver o dinheiro TODINHO?

    • João Valente Aguiar diz:

      em teoria até poderia concordar se esses beneficiários fossem pessoas com posses, coisa que não é de todo a maioria dos casos. Mas mto mais importante do que ver a sociedade de um modo moral é olhar para os seus fundamentos: mtos capitalistas não roubam ninguém e nem por isso deixam de fazer parte de uma classe social que explora outra. A questão nunca é pessoal ou moral mas social e estrutural… Podiam-se prender todos os capitalistas gatunos que o sistema se mantinha intacto…

  8. licas diz:

    . . . do que com os proprietários e gestores portugueses… não se trata de uma questão nacional mas de classe .
    _____
    Se a *classe* sobreleva a *nacionalidade* . . . até tem razão.
    E como acho que os chavões Marxistas são para impingir
    apenas aos seus *semelhantes* (espécie): ESTAMOS CONVERSADOS.

    • João Valente Aguiar diz:

      Espantoso como vc apenas sabe abordar as questões apenas a partir do uso de lugares-comuns e nunca a partir dos factos. Enquanto o meu post aborda um mecanismo objectivo de subtracção de rendimentos à classe trabalhadora mais empobrecida, vc prefere colocar a ideologia à frente dos factos. Cada um aborda as coisas como quer… A realidade, contudo, não é lá mto complacente com tais atitudes…

  9. licas diz:

    Espantosa é a *tese* de V. Ex.cia, principalmente quem
    (por suposto) luta por uma sociedade sem classe.
    ___Classe 1: os *trabalhadores* (estritamente no sentido Marxista, note-se)
    os quais POR DIREITO PRÓPRIO podem roubar sem consequências judiciais.
    ___Classe 2: os *burgueses* os quais devem ser responsabilizados por esses atos.

    BONITA FALADURA

    • De diz:

      Por suposto diz “licas”?
      “licas” supostamente o que pretende?
      A realidade objectiva incomoda a direita.Já se sabe.A questão levantada pelo João Valente Aguiar coloca o dedo na ferida ao dar o nome aos bois.A direita pesporrenta e caciqueira ,de que o PP é um dos principais vectores,costuma usar o tema como “arma de arremesso poplítico” .Os slogans e os chavões com que esta escória bombardeia a opinião pública é velha mas tem a notável pretensão de parecer usar argumentos novos e prontos a usar.Os dividendos políticos já foram usados por notáveis figurões de outras épocas e alimentaram políticas racistas, xenófobas e nazi-fascistas do século passado.Os termos devem doer a quem anda a tentar defender os ideólogos de tal argumentário?Pois paciência.

      Porque a paciência para aturar algumas coisas já vai faltando.Num breve aparte apetece perguntar a este “licas” se conhece por acaso um “seu companheiro” de nick “luís a.afonso”,desaparecido em combate depois de ter sido…?
      Há algo mais.

  10. licas diz:

    Que moral tem vocemecê em criticar *um desaparecidos em combate*
    um *nickento* que nunca assinou pelo seu nome, quero dizer:
    * UM NADO-MORTO*?

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