Congresso Internacional Marx em Maio

 Congresso Internacional Marx em Maio Nos próximos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2012, realizar-se-á, na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa, o Congresso Internacional Marx em Maio, perspectivas para o séc.XXI, organizado pelo
Grupo de Estudos Marxistas (GEM). Congresso multidisciplinar, incluindo participantes das áreas
da Filosofia, da História e da Economia, mas também das Ciências naturais, das Artes plásticas, da Política e do mundo sindical, o seu fio condutor será a actualidade e fertilidade do pensamento marxista enquanto instrumento fundamental de análise crítica. Num contexto de crise generalizada, pautada pela desconsideração do papel da racionalidade, da teoria e da cultura como elementos fundamentais de transformação, individual e colectiva, o Congresso Marx em Maio procurará contribuir para o aprofundamento de problemáticas centrais dos nossos dias e para o estímulo de um pensamento científico guiado por uma racionalidade crítica e dialéctica.

A lista dos participantes, assim como o título das comunicações estão disponíveis em:
http://marxemmaio.wordpress.com

Para mais informações, contactar : grupodeestudosmarxistas@nullgmail.com

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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9 respostas a Congresso Internacional Marx em Maio

  1. Francisco diz:

    Sr.André sou um estudante de 10º ano das ciências socioeconómicas e tenho vindo a ler desde alguns anos para cá alguns livros de Lenine(“Que fazer?”,”O Estado e a Revolução”,”O Imperialismo”…) e alguma outras obras de temática comunista, pois felizmente o meu avô tem uma boa colecção de livros. E tomei uma certa consciência política muito cedo pois esse meu avô foi deputado na Constituição de 1976 pelo PCP, e é essa mesma consciência política que me fez ser comunista, e não estando filiado na JCP tenho tentado ajudar em tudo o possível. Gostaria que de lhe perguntar o que se poderia fazer para cativar mais jovens para se consciencializarem politicamente e se informarem(mesmo que depois tomem outras opções políticas)?

  2. Caro Francisco
    não há uma resposta simples e padrão para essa questão importante, mas agradeço o desafio. E, antes de mais, louvo-te a iniciativa da leitura e de aproximação à JCP (e porque não a militância?). [E trata-me por ‘tu’. À vontade.]

    Enquanto indivíduos contactamos com pessoas, falamos, trocamos impressões, opiniões sobre tudo e mais alguma coisa. São momentos de grande potencial. É importante reconhecer que, novas tecnologias à parte, não há melhor forma de comunicação entre pessoas que o contacto directo e pessoal. Não digo que se entre em toda a conversa com o intuito de a tornar política. Tal seria uma espécie de “evangelismo” que pode ser contra-producente. Mas é importante por exemplo contrariar as afirmações frequentes e acéfalas de que “todos os políticos são iguais”, que “são todos corruptos”, ou que “política não se discute”. Há que ter a coragem, e a preparação, para puxar a confrontação, demonstrar que a política e a discussão política é algo que não devemos evitar, pois esta infiltra todas as esferas da nossa vida. Que demitir-mo-nos dessa discussão é demitir-mo-nos da nossa obrigação enquanto cidadãos e, consequentemente, deixar precisamente as rédeas nas mãos das forças do poder. Creio que com subtiliza, sobretudo com os mais relutantes a discutir “política, se pode lançar perguntas, confrontar os interlocutores com questões, com uma visão alternativa de olhar para o assunto, e com a importância de tomar partido (seja ele qual for). Ou seja, não subestimar o efeito “subversivo” de numa conversa puxar para o questionamento político, podendo nessa ou futuras conversas, indicar outras perspectivas, sugerir outras leituras. E com isto não quero necessariamente indicar desde logo a leitura de Marx, Lenine, o Avante!. Há muito bom texto que se pode passar a um amigo ou conhecido que podem esclarecer ou informar alguém que absorve opiniões por osmose, e as repete que nem papagaio, sem pensar. Se ele ler, muito bem. Mas o próprio acto da entrega, a demonstração de interesse, tem valor. (Isto vem de alguém quem é algo reservado em conversas, e só lentamente tomou foi aprendendo a fazer o que aqui recomendo.)
    Embora reservado na conversa, sempre fui muito aberto e frontal sobre as minhas escolhas ideológicas. Algo tão simples como uma t-shirt política, ou um crachá ou autocolante, ou lançar uma questão numa aula, ou ser vocal sobre a nossa participação num desfile, protesto ou manifestação. Isto é, também não se deve subestimar o efeito que tem a nossa postura pessoal, quer em termos de posições políticas, quer em questões mais quotidianas de trato pessoal, respeito, tolerância, intolerância perante a intolerância, solidariedade perante os mais fracos, necessitados, explorados e oprimidos. Nós somos, enquanto indivíduos, entidades políticas. Se frisarmos esse aspecto da nossa pessoa, criamos uma figura de referência para com os nossos conhecidos, colegas e amigos. Modificamos o seu contexto social, que deixa de ser feito apenas de pessoas individualistas ou superficiais, para também incluir pessoas que pensam e se preocupam com os outros, que desafiam a interrogação, que não se limitam a aceitar o que lhes é deitado na tigela da ração, mas resistem (mesmo que ao mais pequeno nível), questionam, procuram discutir, e organizar. Por ‘organizar’ não estou a pensar necessariamente em formas mais elevadas, como organização de protestos políticos ou de uma lista concorrente à Associação de Estudante. O mero acto de organizar um debate ou o visionamento de um filme provocador tem a sua importância.
    Com tudo isto não pretendo desvalorizar o trabalho militante, concertado de uma organização partidária. Pelo contrário. Mas antes valorizar o efeito que nós, enquanto indivíduos, podemos ter diariamente, no nosso habitual contacto com outras pessoas. Há jovens que convivem apenas com outros jovens apáticos, desinteressados, que acham que a política e a economia é algo que lhes é alheio. Infelizmente, vivemos numa fase em que todos têm razão de queixa sobre qualquer coisa: a qualidade da escola, dos transportes, o preço dos livros ou roupa, a ansiedade sobre o futuro. Tudo isso é pretexto para passar da lamentação para o questionamento.
    Isso exige da nossa parte alguma preparação e coragem para o confronto de ideias, o confronto com resistência e niilismo. Para tal ajuda nós não nos sentirmos isolados nessa batalha das ideias, e ter ligações com outros que travam batalhas semelhantes, com os quais apreendemos argumentos e factos, ganhamos acesso a outras leituras, dos quais bebemos força e confiança.
    Espero que estas modestas palavras tenham ajudado de alguma forma.
    Força
    André

    • Francisco diz:

      Muito obrigado pela resposta, agradeço desde já pela disponibilidade e simpatia.

      Quanto a filiar-me na JCP, eu gostaria imenso, mas por acordo com os meus pais apenas quando fizer 16 anos, daqui a alguns meses.
      Eu tenho desenvolvido algumas conversas um pouco “politizadas” com amigos mais chegados e colegas de turma e tenho tido algumas simpatias de um ou dois. Por exemplo ainda hoje emprestei dois cadernos do Militante! a um amigo meu e recomendei-lhe “O Estado e a Revolução” e “O Manifesto do Partido Comunista” ,que me agradaram bastante e espero que lhe agradem igualmente, e como ele é um bom leitor penso que irá compreender estas obras perfeitamente, ele neste momento está a ler “Mein Khampf” o que acho muito bem pois embora seja um posição contrárias ás suas respectivas simpatias de esquerda dá também uma visão de um novo ponto de vista, o que é sempre benéfico.
      Gostaria que me indica-se alguns filmes do tipo que mencionou acima,pois não só teria interesse em visioná-los com alguns colegas, como também sou um grande amante de cinema. Um dos meus filmes favoritos é “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” com o Jack Nicholson.

      Muito obrigado pela ajuda e farei todos os possíveis para comparecer pelo menos ao último dia deste Congresso, uma vez que por motivos escolares não posso comparecer ao primeiros dois.
      Francisco

      • Viva Francisco
        ainda bem que as minhas palavras te fizeram algum sentido. O teu desafio ainda me acompanha depois de ter escrito a resposta do outro dia. O que procurei transmitir e exemplificar, e que creio teres entendido, é que uma conversa política não tem porque ser (ou começar por ser) sobre o actual governo e suas políticas, ou ser uma discussão aguerrida. O simples lançamento da dúvida sobre o status quo já é subversivo, pois lança a semente do questionamento sobre a alternativa. E é essa ponta que importa depois puxar, sem ortodoxias. Mais, o mero combate ao niilismo e apatia é uma conversa de enorme relevância política. A um nível mais elevado, lançar uma conversa sobre a situação internacional, a guerra e o imperialismo (ainda que não usando essas palavras) ou sobre o ambiente e as soluções dos países capitalistas abre portas a uma discussão politizada, onde por vezes é mais fácil encontrar pontos de convergência, e que pode lançar depois discussão sobre o cerne do capitalismo.

        Em jeito de filmes, ocorrem-me agora documentários explicitamente políticos, como os do Michael Moore, que podem ser ponto de partida para discutir o capitalismo e alternativas, ou o “Inside Job” sobre a recente crise financeira. Mais dramatizado, sobre este tema, ocorre-me o “Margin Call” (2011) – desculpa não saber o título em Português – ou os recentes filmes sobre o Che; ou os da série “Wall Street” com o Charlie Sheen e Michael Douglas. Uns anos mais novo que o “One flew over…”, que também adoro, tens o “Reds”, com o Warren Beatty a interpretar o jornalista John Reed, que foi um socialista que esteve presente na Rússia durante a revolução e escreveu “Os dez dias que abalaram o mundo”. O filme é interessante pois retrata não só os acontecimentos da revolução, como também o período bastante intenso de luta de classes nos EUA antes da partida dele para a Rússia. E se gostas mesmo de cinema, e não conheces ainda, recomendo-te qualquer filme do Sergei Eisenstein; “Os tempos modernos” do Chaplin”; “As vinhas da Ira” do John Ford”, sobre a depressão nos EUA; “A batalha da Algeria”, do Pontecorvo sobre a ocupação colonial francesa. Mas há também outros filmes que não são explicitamente políticos mas que lançam questões. Lembro-me que quando estava no liceu organizei o visionamento do “The Wall” dos Pink Floyd, que deu aso a discussão política. Há também vários filmes no YouTube que são interessantes para discussão. Só para dar um exemplo, há um chamado “Money as Debt”, que existe com tradução para português que explica muito bem a origem do dinheiro e o significado de dívida.
        Tem graça teres comentado que um amigo teu está a ler o “Mein Kampf”, pois hoje tive um amigo meu, comunista mas não militante, que me disse estar também a ler o livro, por interesse histórico. É como tu dizes, pode ser positivo ler as palavras de Hitler, para não ter ilusões sobre o seu projecto político. Mas confesso que será diferente a leitura feita por alguém com mais de 40 anos versus um colega teu com 16, sem ofensa à tua juventude ou do teu colega. Sobre esse assunto, e um bom enquadramento das ligações do nazi-fascismo ao capital, recomendo um livro das Edições Avante!: « Hitler: ascensão irresistível? Ensaios sobre o fascismo » de Kurt Gossweiler.
        Espero que estas poucas pistas tenham sido uma ajuda.
        Força Francisco

        • Francisco diz:

          Muito obrigado pela ajuda, já visionei os Wall Street e mostram de um ponto de vista interino os perigos da especulação financeira para a economia, Os tempos modernos achei muito bom e é um divertimento garantido para qualquer pessoa sejam quais forem as suas convicções.
          E terei todo o gosto em visionar todos os outros filmes que me recomendou.
          A meio do segundo período participei num campeonato de oratória, sendo justamente o meu tema “O Combate á Apatia”, infelizmente não passei da eliminatória mas penso que consegui passar a ideia pretendida.
          Agradeço muito a ajuda e terei todo o gosto em continuar a discutir ideias contigo se for igualmente do teu interesse

          • Viva Francisco
            terei muitíssimo gosto em continuar a discutir ideias (não te esqueças é de ‘tu-ar’ ;). Fica à vontade para escrever para o meu email, andrelevy@nullgmail.com
            Não sabia que cá também havia campeonatos de oratória. Isso é uma tradição das escolas anglo-saxónicas, mas parece-me muito bem haver cá.
            Os “Tempos modernos” tem de facto essa característica, de apelar a todos, independentemente da sua ideologia. (Há também o “Grande Ditador” do mestre Chaplin.) E não é por acaso que o Marx começa o Capital simplesmente descrevendo a situação de mecanização do homem na indústria, a sua alienação, a pobreza resultante, etc. Aliás é importante ter em conta que Marx mais do que lançar orientações sobre a construção do socialismo, desmontou e descreveu as leis do capitalismo. Ter presente que a construção do socialismo, de uma alternativa ao capitalismo, é algo em aberto é em si uma noção revolucionária. Podemos, e devemos, ter em conta as experiências noutros países. Mas a construção de uma alternativa em Portugal terá sempre de ter em conta as condições objectivas, materiais, e subjectivas do momento da transição (uma ilação profundamente marxista). Isso abre portas mas também implica a responsabilidade de cada cidadão. E é uma excelente forma de cortar o discurso a quem nos venha com críticas sobre a condução da revolução neste ou naquele país. Para a construção do socialismo, no caso concreto de Portugal, ou qualquer outro país, não há um mapa das estradas. Somos nós que o teremos de determinar.
            Força Francisco e espero que até breve
            André

  3. licas diz:

    Que Fazer? É simples . . .
    Pergunte ao Avôzinho, numa República Popular:
    ___Qual a possibilidade de fundar um partido político independente do Poder,
    ___Quantos jornais diários deixam existir sem a *vigilância* do Executivo,
    ___Que liberdade de ação têm, na RP, de investigar abusos da Pessoa Humana
    que sejam originados pelo Governo
    ___Se um cidadão pode ser encarcerado sem previamente ser condenado pelos Tribunais,
    ___Se um artista (escritor, ou pintor) é completamente livre de expressar as suas
    opiniões (inclinações estéticas) independentemente do que pensam quem os governa,
    ___O que foi a Primavera de Praga , tanques da URSS contra o povo completamente desarmado que queria liberdade cívica, a *dissuadirem/esmagarem* os manifestantes,
    ___Porque o Muro de Berlim (na antiga RDA), foi derrubado pelo povo,
    ___Se nos chamados Centros de Reeducação (Prisões, na Sibéria) os detidos podem livremente optar por *não ligar puto* aos carcereiros/instrutores.
    ___Como foi que, sendo o Comunismo perfeito, todas as nações outrora sob a *férula*
    da URSS, optaram por se constituírem em *estados burgueses*.

    A lista, de interminável que é, fica por aqui: se quiser mais é só pedir-me . . .

  4. licas diz:

    André Levy says:
    25 de Abril de 2012 at 22:41
    Percebe-se perfeitamente a *proibição* de deixar que se estudem os movimentos
    comunistas que ocorreram por todo o mundo no século XX, e que muitos de nós
    fomos testemunhas . . . É que ou caíram por si, ou desembocaram em ditaduras . . .

    • Oh Licas, não sei onde você lê «*proibição* de deixar que se estudem os movimentos comunistas» em qualquer parte do que eu tenha escrito. Não está nas minhas palavras, nem no meu pensamento. O estudo da história é fundamental. Lamento é que por vezes a discussão sobre o socialismo se limite à discussão sobre o passado, sem considerar que o futuro não tem que se limitar à repetição do passado.

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