Uma dúvida que talvez me possam esclarecer o Sr. Ministro, o Sr. Comandante-geral ou aquele lobby que se chama “Observatório” para parecer académico ou oficial

Não estou nada interessado em ajudar a alimentar as tentativas de redução da última Greve Geral à carga policial no Chiado.

Mas a verdade é que há uma dúvida que me tem andado a atazinar desde esse dia, voltando a moer-me o juízo a cada novo conjunto de imagens que é divulgado.

Coloco-a aqui para ver se alguma alma caridosa ma esclarece e me vejo livre dela, pois pode ser que o Sr. Ministro da Administração Interna, ou o Sr. Comandante-geral da PSP ou, à falta de melhor, aquele lobby securitário privado com o mui académico e oficial nome de “Observatório”, sejam capazes de me dar uma tranquilizadora mãozinha para ultrapassar este transe.

E a dúvida é esta:

Conforme bem me lembro, a manifestação convocada pela CGTP-IN foi direccionado pelas forças policiais para fora da zona de esplanadas do Chiado, circundando-a através da rua paralela. O pessoal perguntava-se o porquê daquela voltinha de sobe-e-desce, mas de facto a coisa até fazia sentido, caso se pretendesse evitar qualquer foco de confusão ou tensões que pudesse resultar do brusco estreitamento da rua disponível, devido ao espaço ocupado pelas esplanadas cheias de simpáticos turistas.

Pouco tempo depois, aquilo que se vê nas imagens é o direccionamento da manifestação convocada pelo 15O para essa zona de esplanadas, sendo inclusivamente tapadas por cordões policiais as ruas que permitiriam fazer o desvio anteriormente realizado.

Ora expliquem-me lá:

Foi descoberta e adoptada, nesse par de horas, uma nova doutrina de actuação das forças policiais para o evitamento de confrontos? (mal sucedida, como se nota…)

O comandante das força no terreno teve, durante esse período, um curto-circuito nos neurónios e ninguém deu por nada?

Houve um elevado grau de incompetência por parte dos comandos policiais no local?

Ou houve deliberação em criar as condições mais propícias a um incidente?

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11 respostas a Uma dúvida que talvez me possam esclarecer o Sr. Ministro, o Sr. Comandante-geral ou aquele lobby que se chama “Observatório” para parecer académico ou oficial

  1. yeah diz:

    Acho que para responder a esta não é preciso o ministro nem um dos dignos outros representantes democráticos nomeados. Basta ter lá estado (ou, com algum esforço, tentar juntar coerentemente todas as fotos e videos que têm vindo a circular na net e adicionar-lhes sentido de tempo e geografia do local específico da carga) para ver que o que se passou parece não ter tido nada a ver com nenhuma das hipóteses antes colocadas.
    Em primeiro lugar, a manifestação não foi “direccionada” para lado nenhum; parte dela há muito que vinha ela mesmo direccionando-se a si própria, sendo que os agentes da PSP a iam acompanhando. Em segundo lugar, a linha que se vê de agentes de colete amarelo e outros de capacete nessa tal rua de sobe e desce de que falas não estava lá anteriormente; ela foi formada in loco segundos após a detenção de um manifestante que foi arrastado para essa rua e espancado já no chão, detenção à qual outros manifestantes reagiram tentando ir lá sacá-lo. A linha policial que se vê foi formada nesse momento no fundo dessa ruazinha para afastar os outros manifestantes do detido, tendo imediatamente carregado uma primeira vez e partido logo ali umas quantas cabeças.

    Deixo eu agora aqui uma pergunta: que razão haveria para se “criar as condições mais propícias a um incidente”? Politicamente foi um erro nacional e internacional de relações públicas. Policialmente saiu-lhes caro pois houve momentos que lhes sairam fora de controlo e houve polícias aleijados (infelizmente não tantos como os que eles haviam previamente aleijado, e também não no mesmo grau). Ah, e também não vale dizer que foi para ofuscar a grandeza da greve: ela não teve assim tanta grandeza que mercesse a pena ser ofuscada.

    • Leo diz:

      “Ah, e também não vale dizer que foi para ofuscar a grandeza da greve: ela não teve assim tanta grandeza que mercesse a pena ser ofuscada.” ???

      Pode ter a certeza que essa é mesmo a última preocupação do Granjo.

    • Paulo Granjo diz:

      A razão para esse erro nacional e internacional de relações públicas (como muito bem lhe chama), caso tenha existido deliberação (conforme me parece e é coerente com acontecimentos anteriores que discuto no texto linkado), residirá na crença na alta perigosidade de “inimigos internos” pouco organizados e dificilmente controláveis pelos meios de espionagem e repressão habituais.

      As lógicas securitárias não se centram no happening ou no acontecimento pontual, mesmo que dele resulte momentaneamente má propaganda; centram-se no médio prazo e na alteração das regras e formas de controle e repressão, para lá dos limites legais existentes – o que, num quadro formalmente democrático, exige uma justificação e legitimação a partir de coisas que aconteçam, de uma forma que permita apresentá-las plausivelmente como ameaças reais e como sintomas da iminência de ameaças ainda mais graves.

      Se esses incidentes ameaçadores não acontecerem, é clássico e plausível que (estando convictos de que o perigo de “inimigos internos” existe e de que um atraso no controle e repressão só lhes dá espaço de desenvolvimento, por muito que isso se baseie em palpites, limitações profissionais ou imbecilidades analíticas) tentem provocá-los por todos os meios à sua disposição, desde os agentes provocadores infiltrados ao favorecimento de condições potencialmente tensas, passando pelo forjar de investigações e provas.

      • Leo diz:

        “A razão para esse erro nacional e internacional de relações públicas (…), residirá na crença na alta perigosidade de “inimigos internos” pouco organizados (…).”

        A anedota do dia!

        • paulogranjo diz:

          Logo vi que a coisa era complicada demais para a sua cabecinha.
          Quando aqui vem mandar bocas, fico sempre com uma sincera curiosidade acerca da interpretação muito pessoal que faz de qualquer frase que tenha mais do que uma linha…

          • Leo diz:

            E insiste na crença deles na alta perigosidade de “inimigos internos” pouco organizados…

          • paulogranjo diz:

            Tendo em conta que você declarou nestas caixas de comentários, quando das manifestações de 2010 em Maputo, que acha normal e desejável que a polícia atire a matar sobre quem quer que ela considere estar a causar distúrbios, talvez seja boa ideia manter um low profile neste tipo de questões, não vá algum agredido pela polícia no Chiado descobrir quem se esconde por detrás desse peudónimo e ficar tão irritado que julgue valer a pena fazer-lhe a folha…
            Acredite ou não, isso ser-me-ia desagradável. Porque, até ver, você é formalmente um ser humano.

          • Leo diz:

            Como não tem argumentos para defender a tese exótica da “na alta perigosidade de “inimigos internos” pouco organizados”, recorre à mentira pura e simples. Que canalha completo!

          • paulogranjo diz:

            1 a 3 de Setembro de 2010, caixas de comentários relativas aos posts que afixei sobre as manifestações de Maputo. Uma das coisas chatas de se ser suficientemente canalha para escrever coisas a justificar a repressão de manifestantes por meios que incluem tiros na cabeça é que as coisas ficam escritas. E não estão sequer lá, conforme se lembrará, algumas dezenas de comentários que não autorizei, pela obscenidade política do seu conteúdo.

            Quanto a “tese”, refere-se obviamente à crença dos comandos policiais e do SIS nisso, provada no relatório que o DN pressurosamente divulgou em Setembro e por actuações policiais analisadas no artigo linkado no post. Não são, obviamente, uma crença ou afirmação minha, conforme de imediato compreende qualquer pessoa que consiga compreender alguma frase com mais de uma linha. Ninguém, obviamente, com quem se justifique gastar um argumento, pois não o perceberá nem que lhe façam um boneco…

            Demonstra portanto ser ao mesmo tempo canalha, mentiroso, caluniador e imbecil. Razões mais que suficientes para que fique doravante fora desta caixa de comentários.

  2. nunocastro diz:

    de acordo. mas totalmente em desacordo relativamente ao “erro de relações públicas” internacional. Polícia a dar porrada em “radicais” é o que mais vende no mundo da especulação por estes dias de terra queimada financeiro-transaccional, neologismo pa sacanisse de gente obesa…

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