FACULDADE DE BELAS-ARTES da UNIVERSIDADE de LISBOA – um breve esclarecimento a propósito de um post em baixo (brevíssimo esclarecimento, pois não tenho tempo nem me apetece gastá-lo com “populices”)

Bom, vamos por partes.

Não sou nem tenho de ser amigo do uso e abuso de leis de mecenatos privados, mas – infelizmente – vejo (vemos) instituições de ensino que admiramos e instituições de produção cultural e artística que frequentamos à beira do colapso e a serem lamentavelmente empurradas para estes meios de sustentação privada, ou seja, para vias de que deviam estar aliviadas: recentemente, a melhor companhia de teatro portuguesa, a Cornucópia, decidiu seguir uma via mais concordante com a sua natureza ética: criar um grupo (que espero alargadíssimo!!, e em crescimento, e de que faço parte) de Amigos que, devido aos cortes de Vítor Gaspar (o pinochetista não assumido que por aí anda), Amigos, repito, que contribuem com 10 Euros mensais para a companhia (que pratica um teatro de um nível sem paralelo em Portugal); é verdade que a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (julgo que é a esta escola onde trabalho que Raquel Varela se refere, linkando um texto de antigo aluno, quando escreve “Escola de Belas Artes”) tem/teve protocolos com a CGD e o BPI (de que não conheço nem me cabe conhecer pormenores, e por agora não tenho tempo para tal esmiuçar), é também verdade que a Fundação EDP é mecenas do Teatro Nacional de S. Carlos (que mesmo assim cancelou !!!4!!! produções, ou seja, toda a temporada) e, outro exemplo, a UNICER é mecenas de Serralves (com muitas outras empresas) e da Faculdade de Belas-Artes da U. Porto, “ajudando-a” a adquirir obras de históricos europeus para juntar a um célebre desenho de Leonardo da Vinci que a FBAUP tem guardado não me lembro onde (nem diria se soubesse).

Conta ainda o texto do ex-aluno da FBAUL linkado por Raquel Varela que a Faculdade, no seu edifício, tem rachas e fendas. É verdade, e trabalha-se para que tudo isso se resolva (preservando o edifício e a belíssima e fragilíssima Cisterna). Mas aqui a questão, se escandaliza, é por estupidez e ignorância. A Faculdade está desde 1836 instalada no edifício do antigo Convento de S. Francisco, arrasado pelo terramoto de 1755 e outros incêndios anteriores. A história deste Convento começa, contudo, no século XIII. Ninguém que frequenta a FBAUL, com fendas ou sem fendas (que estão a ser monitorizadas, cuidadas e reparadas por quem é competente para tal), ninguém, repito, quer abandonar o velho edifício do Chiado, onde a vida de quem ali trabalha conta com a vizinhança do S. Carlos, do S. Luiz, das livrarias, do Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea, todas estas entidades constituindo o pólo central da vida cultural e artística da cidade – o que é uma riqueza infinita do ponto de vista da vida colectiva, cultural e urbana. Ou seja, a FBAUL luta para não ser mandada para um lugar asséptico da cidade (e a cidade deve ser solidária com a luta da FBAUL – se as rachas incomodam o ex-aluno citado por R. Varela, este bem poderia frequentar escola e lugar clean e seguro, sem nexo nem história mas “moderno” e sem fendas, pois a permanência no Chiado e no Convento que se mistura com a história da FBAUL, desde a criação da Academia de Belas-Artes em 1836, tem custado muito e continua a ser uma luta dura, havendo planos que, suponho pela “crise”, estão parados mas que são extremamente interessantes de partilhar o quarteirão com o Museu do Chiado, saindo do mesmo quarteirão a PSP, evidentemente!).

Para ser rápido, deixo aqui os planos de estudos deste estabelecimento (com 8 licenciaturas, 13 mestrados, doutoramentos e pós-doutoramentos em Belas-Artes), onde não encontro (eu não encontro!) em lugar algum nenhuma cadeira de “Empreendedorismo”.

(Bom, há pouco fazia suspense: o famosíssimo Leonardo da FBAUP pode ser visto nas instalações da faculdade. E não, também nada tem a ver com empreendedorismo!!)

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56 Responses to FACULDADE DE BELAS-ARTES da UNIVERSIDADE de LISBOA – um breve esclarecimento a propósito de um post em baixo (brevíssimo esclarecimento, pois não tenho tempo nem me apetece gastá-lo com “populices”)

  1. Rumor says:

    A propósito de «ignorância e estupidez», como reza o texto de Carlos Vidal:
    A mim não me pareceu nada difícil compreender o sentido do artigo de DuarteG a que se refere este post – isto é, abreviando (realmente), a denúncia da neoliberalização da escola. Que alguém ache normal o cartão de estudante ser substituído por um cartão bancário, seja em que escola for, demonstra bem a que ponto chegámos, com ou sem aulas de «empreendedorismo».
    A defesa inflamada da honra da muito respeitável dama académica, que de resto ninguém beliscou, feita no texto de Carlos Vidal cheira imenso a picanço de interesses pessoais.

    • Carlos Vidal says:

      A história do cartão e da neoliberalização da escola – é de neoliberalização das escolas que se trata, claro. (Não da FBAUL – é da arte e da cultura em geral também.)
      Quanto à “dama académica”, ela não precisa de ser defendida. Não conhece uma única linha de nenhuma história da arte em Portugal: a ESBAL ou FBAUL sempre foi o maior saco de pancada dessa bibliografia (bibliografia por vezes excelente, claro).

  2. diogo says:

    http://www.fba.ul.pt/portal/page?_pageid=401,1418914&_dad=portal&_schema=PORTAL
    (por lapso, acredito, lhe tenha escapado, esta espécie de coisa)

    • Carlos Vidal says:

      “CATEGORIA : CURSOS LIVRES”

      Ministrado por uma convidada que não conheço. “Coisa” não integrada em currículo nenhum. “Produto” de todo não controlado.
      (Mas, reconheço, até poderia aparecer pelas bandas do Design, que, nos anos 70, surgiu como licenciatura com propósitos opostos ao seu link, herdeiro que foi do humanismo da Bauhaus – onde é que isso já lá vai, na Europa e no mundo……)

      De qualquer maneira quem já não ouviu a tese de que a cultura deve ser bem gerida como um “produto” de excelência, exportável e tudo?, o que temos de melhor: Saramago, Pessoa, Siza, Oliveira, Paula Figueirôa…..
      É o novíssimo tema da “gestão das artes”, como sabe (não tão novo quanto isso).
      Que deve ser combatido assim – anote, sff :
      - A arte é a excepção, a cultura é a regra.
      E faz parte da regra querer anular ou aniquilar a excepção.
      É esta a tese que devemos transformar em bandeira conceptual. Percebe?
      De qualquer forma, até V. lá pode tentar ministrar um CURSO LIVRE (como há alunos que não recebem classificação e são de REGIME LIVRE, enfim….)

      • almajecta says:

        “A indústria é uma merda, é o meio que é grandioso”, disse Lauren Bacall, e esta frase é o selo que fecha o novo livro de Tacita Dean (n. Kent, 1965), “Film”, que acompanha a instalação homónima da artista inglesa na famosa sala das Turbinas da Tate Modern, em Londres. “Fim”, escreve a artista, é um gesto dedicado não ao passado mas ao futuro; um grito e uma reivindicação pela continuidade dos meios analógicos, sem sombra de nostalgia, conservadorismo ou ortodoxia. Como um ensaio sobre a potencial perda da linguagem de um artista, um filme acerca do filme, no paraíso, portanto.

        • Carlos Vidal says:

          Notável artista e um forte aplauso.

          • xatoo says:

            Laureen Bacall?
            isto está tudo minado, armadilhado e o espectador bandarilhado (por alguma causa a nova grafia se transmutou para “espetador”, ou se calhar não, que a mim nunca me apanharão a escrever nessa novitrampa)
            Pois a Bacall,,, de seu nome não icónico genuino, Betty Joan Perske, prima direita de Szymon Perske, esse mesmo bielorruso de gema que mudou o nome para “Shimon Peres” e é o actual presidente do Estado Pária de Israel.
            pois é…
            para quem não sabia que os artistas trabalham cumprindo encomendas, (onde está a admiração pelo empreendorismo?) – “Empire follows Art and not vice-versa as Englismen suppose” disse o William Blake no já longínquo ano de 1808.
            para concluir
            só acreditaria em Arte não empreendedora se o artista morresse à fome como a Mimi. O facto de um gajo não conseguir ter aptidão para “artista” não quer dizer que não possa frequentar o meio como “artista falhado”, isto é não remunerado, o que vive das putas e do caldo verde, ou seja, este é que é o verdadeiro artista: João César Monteiro, Luiz Pacheco et al

          • Carlos Vidal says:

            xatoo, estava a falar de Dean. Conhece? Óptimo.

          • Carlos Vidal says:

            Quanto ao empreendedorismo, xatoo, o artista não tem nada a ver com isso na realidade. Isso é problema de galerista (o artista prostitui-se via galerista, como sabe – não mexe directamentamente na coisa). E mesmo assim… O galerista tem de ser persuasivo, táctico, cuidadoso. Tem de ter algum secretismo no negócio, saber com quem janta, como janta, há protocolos, segredos… O empreendedorismo, aqui, como vê, não serve para nada.

  3. Duarte Guerreiro says:

    Caro Carlos Vidal,

    Na raiva de defender a FBAUL, parece-me que lhe escapou o principal do meu argumento. O problema não é Belas-Artes. Quem diz Belas-Artes poderia dizer outra qualquer. Eu tenho o prazer de conhecer várias gerações de frequentadores da Faculdade e a noção de que as coisas se degradaram vorazmente é-me clara quando ouço as narrativas que recuam no tempo, que recordam Belas-Artes como um local de excelência e exigência (certamente com os seus problemas específicos, mas isso existe sempre) mas no todo havia um sentido de orgulho em ter frequentado a instituição.

    Na minha geração, das centenas de pessoas que lá conheci, posso-lhe dizer isto: não há orgulho. Belas-Artes não foi um prazer, uma descoberta, um crescer – foi algo que se sofreu estoicamente. O que me contam os que lá estão agora, faz-me parecer que a situação ou não mudou, ou, por incrível que pareça, piorou.

    Eu NÃO culpo Belas-Artes por isto. (E já agora, também nunca critiquei a beleza ou valor cultural do edifício, que é inegável. Nem mencionei o espólio de peças de gesso, que ouvi dizer ser bastante interessante mas que está, infelizmente na sua maioria, interdito aos alunos).

    A degradação de Belas-Artes faz parte duma estratégia, tal como a degradação do restante Ensino Superior faz parte duma estratégia. A estratégia é, tal como escrevi, esfomear as instituições e roubar-lhes os meios de fazerem o seu trabalho para que sejam forçadas a virar-se para o privado e tratarem os alunos como mercadorias. É uma lógica onde aquilo que não rende, não tem razão de existir.

    O que me ofende nas fendas no chão e paredes de Belas-Artes não é o facto de elas lá estarem. Sim, eu sei sobre o terramoto, caro Carlos Vidal. Sei a história do Convento e que o que existe hoje é só o que sobreviveu dum complexo muito maior. Também sei das obras do Metro, que enfraqueceram os alicerces do edifício e que nunca tiveram as reparações de que precisavam. Sei muitas coisas. Mas o que me ofende verdadeiramente é que alguém, algures, tomou a decisão de que não precisavam de pagar para reparar essas fendas porque a Faculdade tem a opção de ir prostituir-se junto dos privados para comprar sacas de cimento. De que não era preciso pagar bons professores porque podia-se contratar ex-alunos precários. De que não é preciso ajudar os mais carenciados a terem acesso à Educação.

    Tal como as coisas estão agora, não posso recomendar a ninguém que frequente a Faculdade. O seu défice de TUDO é uma realidade. Mas por muita raiva que sinta pelo tempo que lá gastei, sabendo o que sei hoje, sei que a degenerescência foi em grande parte causado por factores que ultrapassam a Faculdade.

    E finalmente, caro Carlos Vidal, peço-lhe que não chame de estúpido e ignorante quem não conhece minimamente, baseado numa leitura enraivecida. Se o meu objectivo fosse ferir Belas-Artes, tenho muitas acusações específicas que poderia fazer, mas isso já lá foi. Os artistas são péssimos guardadores de segredos, como sabe. Ah, e já agora, quanto a chamar-me mentiroso também: não sei se a cadeira deixou de existir, se mudou de nome ou se tinha outro que Empreendedorismo no meu tempo. Tudo o que confesso é um possível lapso de memória – a disciplina existiu, eu estive lá, assim como muitos outros. Uma vez que já a discuti várias vezes com outros ex-frequentadores, tenho a certeza de não ter imaginado o episódio. Mas quem sabe, talvez seja a minha estupidez, ignorância ou natureza mentirosa a tomar controlo de mim mais uma vez.

    Cumprimentos ao caro Carlos Vidal,

    Duarte Guerreiro

    • anónimo says:

      zzzzaaaaaaaaaaaaaasssssssssss…
      pela boca toda!

    • Carlos Vidal says:

      Espero que por lá se continue a suar sempre estoicamente (resposta ao sr. Guerreiro, perdão, dr. Guerreiro).

      (Pela boca de quem, pá? “anónimo”, querias que aquilo fosse o quê? Uma maternidade?)

      • miguel dias says:

        “Belas-Artes não foi um prazer, uma descoberta, um crescer – foi algo que se sofreu estoicamente. ”
        Tanto quanto sei as Belas-Artes de Lisboa não é assim tão boa …Mas o slogan é fixe.

        • Carlos Vidal says:

          Eu, por acaso, também espero que por lá sempre se deve suar e sofrer estoicamente.
          Aconselho é a Dona Gancha ou o ex-estudante D. Guerreiro que não venham aqui vingar-se de ninguém, que provavelmente nem na escola já está. (Foda-se, acontece o mesmo em todo os lugares, e às vezes porque achei que devia ter um 18 e tive um 17 – há quem só viva para isto, ó grande arquitecto!)

          • Konn A. Mawl says:

            Já ouviste falar de El-Rei Carlitos, O Sádico? Também gostava de ver sofrer toda a gente, enquanto ele não contribuía nem um pintelho para reformas no seu reino.

    • Maria Gancha says:

      Como ex-aluna da faculdade, subscrevo totalmente o texto do Duarte.
      A FBAUL está podre, por dentro e por fora. Sinto que perdi 5 anos de vida ao tê-la frequentado. O ensino é maioritariamente mau, assim como a maioria dos docentes. A gestão é uma anedota.
      Infelizmente, o património e o passado não são suficientes para manter a qualidade de uma instituição.
      Prestígio? Orgulho? Eu normalmente até escondo que andei nas Belas-Artes.

      • Carlos Vidal says:

        Fala um génio da arte portuguesa!…
        Como é mesmo o seu nome?

        (“Gancho” só conheço um, um poeta genial, o António.)

        • Maria Gancha says:

          Então? Só os supostos génios de arte portuguesa é que têm moral para falar da suposta maior instituição artística do país?
          Ah mas espere… tem razão. A FBAUL não serve os alunos. Nós é que a servimos. Sou mesmo desbocada.

          • Carlos Vidal says:

            Não, o problema é que você provavelmente andou lá a roubar tempo a professores e a alunos seus colegas. O problema é que a admissão devia ser mais criteriossa, esse facto é incontornável, e numa turma de 70 alunos, mais de dez (sou generoso) estão mesmo a mais. Não sei nem o que andou lá a fazer nem o que vem aqui fazer.
            Acabou o frete, pelo menos? (Alguém foi enganado.)
            É que nas aulas vejo gente interessadíssima em grande quantidade (o que se reflecte depois em percursos fantásticos).

        • Maria Gancha says:

          E vá à cisterna. Pode ser que me encontre. E depois leia um livro sobre folclore português, fazia-lhe bem. Porque nem tudo que é bom é académico.

          • Carlos Vidal says:

            E eu que pensava que só o que era académico é que era bom…
            Coisas tipo Debord e Henri Michaux, que seu eu.
            (E agora até fico a saber que M. Gancha anda pela Cisterna, um lugar delicadíssimo.)

          • Maria Gancha says:

            Digamos que o senhor enfia muito bem as carapuças. Nem fui sua aluna, nem faço ideia da sua qualidade como professor. Mas parece que toquei num ponto fraco e sentiu-se atacado.
            Essas suposições sobre a minha pessoa não passam disso, suposições. Não me conhece, não sabe o que faço, nem o sucesso académico e profissional que tenho ou deixo de ter. E pelos vistos também não tem noção do que se passa na instituição em que trabalha.
            Também eu fui uma aluna interessadíssima nas aulas dos muito poucos professores que me mereceram essa atenção. Mas foram mesmo muito poucos.
            E depois uma pessoa até tem acesso a outra qualidade de ensino fora daqui, e ainda mais se apercebe da perda de tempo que foi andar nas Belas-Artes de Lisboa.
            Mas continue lá no seu trono, a receber do nosso dinheiro, e a achar que apodrecimento das Belas-Artes se deve aos alunos que vêm e vão, e à selecção pouco criteriosa.
            Felizmente para si, o sistema defende-o.

          • Carlos Vidal says:

            Também temos que desempenhar por lá (e noutros lugares), algumas vezes, a função de terapeutas.
            Sra. Gancha, acabou o recreio.
            Mais nada aqui escreverá. Às 17h, outras coisas se recomendam.
            Finito.

          • Carlos Vidal says:

            Esqueci-me de uma coisa, Dona Gancha.
            Perdeu 5 anos de vida.
            Podia ter-se posto a milhas ao fim de 3. Sempre levava no bolso o bacharelato, e ía chatear o Camões.

        • Konn A. Mawl says:

          Tu também saíste-me cá um génio da cagamerdeira artística nacional!

          Se calhar também devias fechar a matraca — só se calhar.

          • Carlos Vidal says:

            Então o problema é da “cagamerdeira artística nacional”?
            Não é portanto da escola nem da CGD…
            A cagamerdeira, por vezes, é boa, outras não.

      • almajecta says:

        «A verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (cf. Jo 18, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer.
        Entretanto há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na «sua verdade» e tentam impô-la aos outros. (…) Além disso, a verdade sobre o homem é um pressuposto imprescindível para alcançar a liberdade, porque nela descobrimos os fundamentos duma ética com que todos se podem confrontar, e que contém formulações claras e precisas sobre a vida e a morte, os deveres e direitos e a sociedade, enfim sobre a dignidade inviolável do ser humano. É este patrimônio ético que pode aproximar todas as culturas, povos e religiões, as autoridades e os cidadãos, os cidadãos entre si, os crentes em Cristo com aqueles que não crêem n’Ele.
        Ao ressaltar os valores que sustentam a ética, o cristianismo não impõe mas propõe o convite de Cristo para conhecer a verdade que nos torna livres. O fiel é chamado a dirigir este convite aos seus contemporâneos, como fez o Senhor, mesmo perante o sombrio presságio da rejeição e da Cruz. O encontro pessoal com Aquele que é a verdade em pessoa impele-nos a partilhar este tesouro com os outros, especialmente através do testemunho.» Bento XVI

  4. Essa “centralidade” é o melhor que a escola tem; não é por acaso que a Arquitectura que fez tudo para ter um edifício “limpo”, depois de serem desterrados lá para as margens da cidade queriam voltar outra vez para o edifício antigo; “malhas que o império tece”…

    • Carlos Vidal says:

      Caro Adão,
      A separação de arquitectura foi um desastre, logo desde o início conceptual.
      Depois, a entrada deles para a Técnica acabou com o resto, e parece ainda a procissão estar no adro, e algo mais vai ainda acabar (gostaria de acreditar que na velha ESBAL um prof. como o socrático António Morais não tinha lugar, mas a vida é feita de surpresas).
      Abraço amigo.

  5. almajecta says:

    Quando o indivíduo passa a ocupar uma nova posição no quadro da sociedade, obtendo um novo papel, não parece ter necessidade de que lhe digam em pormenor como deverá comportar-se, embora os aspectos factuais da nova situação também não se lhe imponham desde o início com a precisão suficiente para determinarem o seu comportamento sem necessidade de reflexão posterior. Habitualmente, o indivíduo receberá apenas algumas orientações, deixas e indicações, considerando-se que ele possui já no seu back ground uma boa quantidade de informações e soluções de desempenho requeridas pelo novo quadro. O indivíduo já terá uma ideia razoável do que significam a modéstia, a deferência ou a justa indignação, podendo servir-se desse saber quando disso for caso. Em certas circunstâncias, será até capaz de desempenhar o papel de pessoa hipnotizada ou de cometer compulsivamente um crime de acordo com os modelos que para essas actividades lhe são já familiares. Viva a FBA-UL.

  6. almajecta says:

    Quando passamos das usurpações de identidade manifestas e das mentiras rematadas a outros tipos de falsa versão, a distinção operada pelo senso comum entre impressões verdadeiras e falsas revela-se ainda menos defensável. Uma actividade profissional considerada charlatanismo em determinada década torna-se por vezes uma ocupação legítima na seguinte. Entretanto por aí na gaiola de tanta louca rotineira, em España no pasa nada. Será entregue.

  7. Jama says:

    As opiniões diversas do autor do post são produto de imbecis ignorantes a raiar a demência, ou, então, de meros ignorantes com quem não vale a pena gastar a prosa.
    Nenhuma surpresa em quem admira Estaline e os seus métodos.
    A minha enteada andou lá, bem como diversos amigos seus. Os relatos deles confirmam a narrativa do Duarte e da Maria, com a diferença de que são actuais.
    A desorganização da FBAUL é pavorosa, bem como a qualidade de alguns dos seus professores – embora, verdade seja dita, duvido que não haja queixas de professores pelos seus alunos nalguma escola e vice-versa! – fazendo com que já vários tenham saído para outros cursos, nomeadamente na Fac de Arquitectura da U. Técnica.
    As notas de entrada em alguns cursos, como Design, até são altas, eliminando os tais alunos de que o autor do post fala, mas não eliminam os tais professores de que a Maria fala.
    As condições de trabalho nalguns cursos são aberrantes numa escola superior europeia, com alguns alunos a terem que se sentar no chão nalgumas aulas, porque não existe espaço suficiente para eles. Quando questionados, os professores explicam que não existe espaço suficiente para todos os alunos admitidos, que eles estão cientes disso, mas, também, se assim não fosse não estaria lá boa parte dos alunos reclamantes…
    O que fica por explicar é que, provavelmente, também lá não estariam alguns dos professores…
    Ah, é verdade! Não conheço uma linha da história de arte em Portugal.

  8. Carlos Vidal says:

    Caro Jamba,
    Fizeram mesmo muito bem os que trocaram a FBAUL pela Fac Arq da U Técnica de Lisboa.
    Uma oportunidade de apanhar com o célebre António Morais como professor, ou quiçá um JSócrates regressado de Paris e já diplomado como engenheiro político….
    Até existir Fac Arq, pois o IST, que julga ter um curso de Arq quando tem antes é de engenharia, já lhes vai fazer a folha.
    Ah, hoje até choveu. (de manhã)

  9. Jama says:

    Uma resposta e um trocadilho que demonstra mesmo muito bem o humor do autor do post.
    Não faço a menor ideia se vão apanhar o A. Morais, desconheço a qualidade dele como professor, tal como ignoro as qualidades pedagógicas do autor do post, aquilo que, no final do dia, verdadeiramente interessa aos alunos.
    O que os miúdos já não aguentavam é a desorganização, a falta de condições e alguns maus professores.
    Em contrapartida, alguns professores, como o autor do post, adoram estar naquele edifício, decerto pelos motivos mais nobres, ainda que em sacrifício da qualidade do ensino e das condições disponibilizadas aos alunos, que, pelos vistos, em cerca de 14% estão a mais, nas palavras generosas do autor do post, que, afinal, não está para “populices”. Não estarão a mais as suas propinas, evidentemente.

    • Carlos Vidal says:

      ????????????

      • almajecta says:

        Poderás ainda dilucidar aí a Buenaventura Sousa Jamba e demais doxásticos sobre o ensino artístico e sua consequente ausência de objectivos, que a arte não se ensina, pelo que lá se vão os putativos bons professores, os professores de kolidade, o TUDO, a enteada o Duarte mais a Maria.
        Talvez se ensine lá mais para as bandas da forma-função e dos engenheiros de segunda, na arte, não.
        Informa também o nosso bom amigo persistente e resistente que os bons malditos que cita, também são pencudos.

        • Carlos Vidal says:

          Ora, ora, a arte não se ensina mas é aos aos autodidactas.
          De resto ensina-se, claro, mas com sangue suor e lágrimas.

          • almajecta says:

            Se o operário educacional mais o operador plástico e tal, quiser ter êxito na construção de um ar de quem esforçadamente trabalha o dia todo, precisará de gozar da possibilidade de esconder o expediente que lhe permite vencer um dia de trabalho com um esforço menor do que o exigiria uma aplicação de todos os instantes.

          • Jama says:

            É um alívio saber que a arte se pode ensinar!
            Desabafo de uma alma perdida…

  10. Carlos Vidal says:

    (Dona Gancha, já lhe disse, não insista. Não a publico. O tempo não volta para trás. Recorra ao Xanax. É bom. Vai ver. Já lhe dei mais do que os merecidos 15 minutos de fama. Toc’andar daqui.)

  11. xatoo says:

    professor Vidal, modere a ferocidade
    apesar de estarmos no ano do Dragão que cospe fogo.
    quanto à pergunta sobre a Dean lá em cima,
    conheço, já saiu no Ipsilon
    exactamente onde @ camarada “almajecta” foi buscar a citação
    Se não fosse uma gaja importante o “Publico” não a publicava
    pleonasmo incluido
    a Tate é uma multinacional da cultura
    tal como o LaFéria aspira ser, noutra área mais bimba
    x

    • Carlos Vidal says:

      Isto está desordenado, mas o meu amigo Jecta diz-lhe que os seus heróis também são pencudos.
      (E também são meus heróis, mas a sério! – e nunca, esses heróis, já mortos, me mandaram ir à sede do PS buscar megafones, como me mandavam os MRs em menino na zona Mao Tse Tung Barreiro-Montijo. Mas o chinês continua a ser leitura de cabeceira.)

      • almajecta says:

        Ter o extremo cuidado, em quaisquer circunstâncias, de ne jamais parler de cordes dans la maison d’un pendu.

      • almajecta says:

        Ornatos vermelhos, quero amar, amar perdidamente,
        aquela Vénus de pescoço alto em ombros assente.
        Místicos assim, alucinados do sonho,
        mas tocados da graça,
        místicos assim, comandados pelas vozes,
        quisera eu os artistas.

  12. francisco caetano says:

    MUI MUI TÍSSIMO BEM. Espero que nunca saiam do Chiado tal com a FBAUP de “S.Lázaro”. Deixem o empreendedorismo (escreve-se assim?) para os meninos da FAUL e da FAUP que foram (desejaram ardentemente ser separados) colocados em sítios clean desinfectados de povo e de cultura. Uns com (belíssima)vista para o Douro e outros para Monsanto. Sítios bucólicos mas afastados do povo que trabalha e cria!

    • ze says:

      o famoso proletariado criador do chiado

      • Carlos Vidal says:

        A malta vai-se desenrascando (acordos melífluos com mecenas) e, ao mesmo tempo, proletarizando. O Gov. ou o Ministério do Ensino Superior ou lá como se chama agora a coisa, zarpou com a massa. Que já não volta.

  13. francisco caetano says:

    O desenho de Leonardo está exposto no 2º andar da FBAUP (Museu da Faculdade) juntamente com outros DESENHO belíssima exposição da responsabilidade da Drª Cláudia Garradas e é um dos núcleos de uma Exposição mais vasta que abarca o Museu Soares dos Reis

    • Carlos Vidal says:

      Está sim senhor e muito bem contextualizado.
      Eu, no princípio do post, tinha brincado sobre o seu esconderijo, mas depois, no fim do escrito acima, disse que ele, o famoso Leonardo (autenticado e re-autenticado), estava exposto nas instalações da FBAUP (que eu também espero que não saia de S. Lázaro, escola onde às vezes vou em colaborações várias), e está exposto numa larga exposição, que alastra ao Soares dos Reis, sobre a história do desenho até à actualidade. Exactamente, a não perder.
      Um abraço, meu caro amigo.
      (Brincar com a FBAUL e a FBAUP cheira a coisa dos anos 10 – 20….. coisa que veio até aos 40, aos míticos e mitómanos surrealistas, etc.)

  14. Joel says:

    Apre, como isto cheira a mofo!
    Pode ser que quando acabarem os fundos para alimentar estes pseudo-artistas-professores, frustrados da vida que nunca deram para mais nada, seja que nem uma enxaguadela de vinagre!

  15. Konn A. Mawl says:

    Ai Carlos, como é que podes falar assim do teu filho? Vê bem quem é o autor do texto a que a tua amiga Raquel Varela faz referência, e diz-me que não te reconheces naquela verborreia, naquele “engenho e arte”? Vocês são tão parecidos, tu e o teu filho.

    Lembro-me de ti todos os dias quando vejo o teu filho ora agarrado à internet a escrever em blogues, ora agarrado ao office word — ele também gosta mais da Microsoft do que da Apple, como tu — agarrado ao office word, dizia, como tu, Carlos, a escrever sobre estas coisas da sociedade. Recordo-me de ti quando o vejo a ficar todo espicaçado com as opiniões divergentes dos outros, quando o vejo a escrever com pompa e circunstância. Ele até tem aquele teu tique de começar sempre por declarar que não tem tempo a perder com perdas de tempo — e depois perde-o na mesma! Sabes que ele também está sempre a escrever sobre o passado? Ela anda sempre agarrado ao passado e a idealismos como tu, Carlos. Diz-me lá que não são tal pai tal filho. Olha que são, olha que são, que eu bem vos vejo.

    Ai Carlos, vocês são tão cultos e literários. São como as viagens de comboio que eu fazia para a terrinha com o teu filho na mama. Olha, nem é literários que são, é livrescos. E não é cultos, é cultivados, que isto é uma coisa que se vai fazendo — que se vai cultivando, Carlos,. Vocês vão-se cultivando. E agora, começaram a cativar-se um ao outros nesta espicaçada troca de palavras. Que bonito que é o amor de pai e filho, de filho e pai. Ai Carlos, espicacem-se um ao outro que isso só traz felicidade ao mundo e entretem quem vos vê por aqui, pela internet.

    Ai Carlos, aceita o teu filho duma vez por todas, não me faças mais sofrer. Finalmente, cruzaram-se os vossos mundinhos pequeninos — o teu com o do teu filho; o do teu filho com o teu. Estou tão feliz! O vosso primeiro diálogo. Por que o repudiaste, Carlos? Ai, o teu filho — por que o repudiaste?

    Assinado: Mulher abandonada mãe de filhos (um deles teu, Carlitos)

    Fica aqui uma canção de sentimento: http://www.youtube.com/watch?v=0H8DVuETncc

  16. lol says:

    Realmente as elites portuguesas são do mais fraco que existe…

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