Depois da repressão chegou a hora da censura?

O Diário de Notícias deu ontem à estampa uma matéria que dava conta de um relatório do SIS que previa ruas bloqueadas e ocupadas, lançamento de cocktails Molotov na greve geral e, quiçá, a tomada de São Bento. Durante esta madrugada ficou provado, (mas o Expresso ainda não rectificou) que a única fonte de violência foi a polícia do governo. O Spectrum, que esteve na origem da denúncia, está em baixo há horas. Como quem sabe faz a hora, o tempo é de disseminar o vídeo que vai fazer o Miguel Macedo cair da cadeira.

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36 Responses to Depois da repressão chegou a hora da censura?

  1. ... says:

    Cãezinhos de Pavlov, ou eu também me preparava para ir a correr gritar censura rua abaixo (sem qualquer espécie de ironia).

    Mas o suggia.weblog.com.pt também tem um erro 503, e ela era amiguinha de casa do Botas…

  2. Ana Rita says:

    E porque é que, com tanta unidade, tanta vontade de lutar pelas “causas comuns”, de lutar contra a precariedade e o desemprego, de manter a discussão nas questões centrais (e ter, ou julgar ter, a clarividência de saber quais são), não se fala da manifestação da Interjovem do próximo Sábado? Será que é por não ter directos nos canais (des)informativos?

    • Mike says:

      Grande malha…

    • Rafael says:

      Eu, pessoalmentem não fazia ideia da manif da interjovem. Ainda não vi nenhum dos milhares de cartazes colados nas ruas a chamar a essa manif, tal como o 15o fez. Manifs onde só se querem figurantes são assim, só para consumo da casa, tipo peçazinha de teatro escolar.

      • Ana Rita says:

        Ainda que isso fosse verdade, havendo “causas comuns” e mesmo sem milhares de cartazes, isso não invalidava a justeza da referência à dita manif. Para mais informações sobre a mesma – além do que está a ser feito nos locais de trabalho e de todo o material presente na manifestação da CGTP no dia da greve geral – basta ir a um local oculto e quiçá tenebroso: http://www.cgtp.pt

  3. Grevista says:

    O “Expresso” é aquele jornal que passou ao lado da greve geral?

  4. JgMenos says:

    O Renato não sei que idade tem, mas ou é miúdo excitado, ou é parvo, ou faz dos outros parvos.
    Então a miudagem, e não só, está ali a insultar os polícias que decididamente não os deixam prosseguir naquele sentido; alguns munidos com escudos bem improvisados (1:13,…); e a polícia ia passar ali a tarde a aturar desaforo?
    Queriam cena de pancada? Sejam servidos, e manifestem-se gratos por poderem assumir o papel altamente prestigiante de vítimas da repressão fascista!
    Vão-se catar!

    • Carlos Guedes says:

      Os polícias não estão ali para defender a sua honra nem a da mãe deles! Não havendo perturbação nem ameaça da «ordem pública» nada justifica o que aconteceu. A ser como diz já imaginou como acabariam 99% dos eventos desportivos neste país?

    • Ricardo Castelo Branco says:

      Só se pede à polícia algo: que proteja o cidadão e cumpra as leis. E cumprir a lei significa:
      a) não atentar à integridade física dos cidadãos
      b) não atentar ao direito de informação constitucionalmente reconhecido
      c) não atentar contra o direito de manifestação constitucionalmente reconhecido
      d) não agredir idosos e transeuntes que nada tem a ver com a manifestação

      Já agora, não era miudagem, eram jovens de todas as idades, não velhos mentais que já assim o nasceram como o autor do comentário absurdo que motivou esta minha tomada de posição

      • JgMenos says:

        O direito de manifestação inclui insultar a polícia de filhos da p… e de fascistas? Apesar de ‘Os polícias não estão ali para defender a sua honra nem a da mãe deles!’ deve concluir-se que o que é interdito ao indivíduo passa a ser um direito se integrado em grupo?
        Gostei do ‘não agredir idosos e transeuntes que nada tem a ver com a manifestação’, quando o princípio é o da não agressão; outra questão é como dispersar um multidão de provocadores, e a inevitabilidade de danos colaterais, sejam decorrentes do processo seja resultantes da acção dos agentes polícia (estupidez, brutalidade, medo,…).
        Em conclusão do caso concreto: quiseram violência e tiveram-na!

        • Zuruspa says:

          Tens raçäo, pois é, a polícia quis violência, e teve-a!

          A ofensa parece ter sido só a de “fdp”…
          afinal, se me chamam “lampiäo” eu näo me ofendo, afinal sou benfiquista!
          A polícia também näo se importa que lhe chamem o que eles säo (“fascistas”), agora ofender as mäes deles, OLHA LÁ!

          Mas olhe, seu coprólito… sim, você é um coprólito, e fascista! O pessoal chama fascistas a quem faz figura de fascista, i.e. a polícia que levara um manifestante e o espancara.
          Näo sabia ser possível um coprólito ter ideologia, mas cá está você como exemplo. Você é um COPRÓLITO FASCISTA! E a sua mäe é no mínimo uma negligente, porque näo o ensinou a näo ser um COPRÓLITO FASCISTA!

  5. tony ramos says:

    Não é o Spectrum que está em baixo, mas sim o serviço de alojamento… Todos os blogs alojados no weblog estão indisponíveis…

  6. Joao Passos Dias Aguiar Mota says:

    De facto oh jovem Renato, da-me impressao que esse video “que vai fazer cair o ministro” funciona mas e ao contrario.

    Embora a reaccao posterior da policia seja em alguns casos desproporcionada – em particular na agressao a foto jornalista q nao ma lembra agora o nome – o que o video mostra em anterior e uns meninos aos pulos a provocar e outros a arremessar diversa panoplia de objectos.

    Caso para dizer, quem anda a chuva molha-se ou atiram-nos cafe (chavenas), tomem la morangos.

    Cumps,
    Joao da Mota

    • Joao passa os dias a guiar o mercedes ou o audi says:

      Olha o joaozinho que passa os dias a guiar a mota:este era um provocador que inundava alguns comentarios noutros tempos no Publico
      corrrido um dia quando foi identificado como um qdvogado chuleco ao servico das laranjas podres
      lembras:te que a mota se transformou em audi mas que o jeito para provocador se mantem

  7. Rascunho says:

    serpentes
    contam histórias, exalam venenos

    lagartixas
    assistem serenas
    em cima do muro, ao sol

    o x da lagartixa
    reflecte o sis
    e os esses serpenteados as ss

  8. maradona says:

    eh pá, isso de propôr que o spectrum está em baixo por acção da polícia do estado e do governo é megalomania a mais. por deus, por deus! já a sugestão de censura com o que se estava a passar no rossio e assim era um pouco embaraçante, agora isto, quer dizer. o logo o spetcrum, um blogue que, se bem me lembro, tem menos visitas que o meu próprio coiso! vocês – que lêem merdas revolucionárias e assim – não se unam e destruam vocês mesmos umas merdas e não estou a ver a esta situação a ir pelo vosso caminho. desde que não me cortem a internet, por mim tudo bem.

  9. Atento says:

    O corpo de intervenção da PSP, não foi criado para fazer festinhas. Tal como um avião, que depois de descolar não tem marcha arré, este seres, que depois de horas de enjaulamento nas carrinhas, são lançados às feras para varrer o que têm que varrer. Mas no meio das feras há quem goste de apontar uma boa objetiva à cara da autoridade. Foi o que vi nas imagens. Ora toma, senhora jornalista e vá-se curar

  10. Ricardo Noronha says:

    As imagens não mostram o que aconteceu 2 minutos antes: a polícia a bater num manifestante que se encontra imobilizado no chão e depois a afastar à bastonada quem o tenta impedir. Tudo o resto é o que se vê em seguida.
    Ficaram ali à espera que chegassem os robocops para pôr na ordem o pessoal e espancam pessoas que não estão a fazer nada. Quem gosta disto aceita tudo e um dia descobre, surpreendido, que vive num território sob ocupação policial.

  11. um gajo qualquer says:

    a bófia do colete encarnado nem pia…

  12. um gajo qualquer says:

    Não, nada disso!
    O Leo é que ainda sonha que vive na Bulgária dos anos 80.
    Cá pra mim o Leo tb veste o coletizinho vermelho, espuma da boca e arreia porrada em catraios…
    o leo é 100% a favor da luta, desde que a luta seja de acordo com as regras dos batoteiros (leia-se: capitalistas). O Leo está solidários com as montras da benetton e com a esplanada da brasileira.
    E À NOITE, O LEO TEM SONHOS HÚMIDOS COM A BÓFIA!!! IMAGINA-SE UM ALTO RESPONSÁVEL DA CGTP A COLABORAR LEAL E ACTIVAMENTE COM A BÓFIA… A EXPLICAR O PERCURSO, OS PROTAGONISTAS, OS SUSPEITOS, OS PONTOS DE TENSÃO, OS CENÁRIOS DE CRISE…

    E a bófia dá palmadinhas no lombo do Leo e diz “obrigado”: “obrigado Leo por nos servires os anarcas numa bandeja de prata. Só é pena que nem todos os que protestam revelem o mesmo sentido de civismo. Porque o Leo antes de ser um revolucionário é um patriota. E assim é que tem de ser”.

    E o Leo sorri, e o Leo exulta e o Leo berra assim: “RESPEITEM A PROPRIEDADE PRIVADA que A COCA COLA É NOSSA AMIGA e a PSP ESTÁ CÁ PARA PRATICAR O BEM”.

    • Leo says:

      “O Leo é que ainda sonha que vive na Bulgária dos anos 80.” ???

      Afinal o gajo viveu na Bulgária dos anos 80…

  13. licas says:

    Carlos Guedes says:
    28 de Março de 2012 at 11:39
    Os polícias não estão ali para defender a sua honra nem a da mãe deles! Não havendo perturbação nem ameaça da «ordem pública» nada justifica o que aconteceu. A ser como diz já imaginou como acabariam 99% dos eventos desportivos neste país?
    ________________
    Então : *filhos da puta* considera não ofensivo para a Polícia no seu todo?
    Este *formatado* ou é estúpido ou anda a estudar para tal . . . e depois vem
    com a falácia que o mimo era dirigido ao guarda *39*.
    O que eu tenho de aturar-lhes . . .

    • Zuruspa says:

      Olhe, seu coprólito… sim, você é um coprólito, e fascista! O pessoal chama fascistas a quem faz figura de fascista, i.e. a polícia que levara um manifestante e o espancara. Claro, mas como isso näo aparece neste vídeo (porque foi o que levou a pessoa a começar a filmar), você diz pronto, a polícia näo fez nada, foi provocada.

      Näo sabia ser possível um coprólito ter ideologia, mas cá está você como exemplo. Você é um COPRÓLITO FASCISTA! E a sua mäe é no mínimo uma negligente, porque näo o ensinou a näo ser um COPRÓLITO FASCISTA!

  14. leonor says:

    Não, a censura é que veio antes da repressão, a censura já anda por aí desde há muitos meses, mas ninguém queria vê-la nem admitir que existia… porque está entranhada…

  15. O que o vídeo “prova” é que os manifestantes estavam a arremessar objectos à polícia, momentos antes de se iniciar a carga…

    Reparem em como, ao 1m e 11s, uma cadeira é atirada aos polícias e em como, depois, o que parece ser o polícia que mais tarde agrediu a jornalista é atingido por algo que o magoa. (Vejam aqui mais imagens do arremesso de objectos à polícia.)
    Mas tenham atenção também ao facto de que tudo isto ocorre depois do jovem alto de barbas – que foi fotografado com a cabeça em sangue – ter sido agredido – segundo o próprio, de modo gratuito. (Foi ele o único a ser agredido anteriormente as estas cenas? Qual o motivo da agressão? Era necessário recorrer a tal acto?)
    Eu ainda não sei quem, ou o que é que, esteve na origem de tudo isto. Mas, pelo que vejo, posso dizer que os manifestantes em nada primaram pela inteligência e facilitaram, em muito – com o arremesso de objectos que pode ser visto nas filmagens – que as coisas terminassem do modo que terminaram.
    (É, então, assim que se deverá proceder em todas as manifestações? Basta uma única agressão policial, para que todos comecem a arremessar objectos à polícia e, com isto, providenciem um pretexto para uma carga?)
    Seria bom que, já que é filmar, algo que estão dispostos a fazer, e a ser, os manifestantes, que, para a próxima, por precaução, filmem tudo, para que possam denunciar o que quer que aconteça. (Ou têm algo a esconder?) Pois, com os vídeos que foram tornados públicos, não dá para perceber quem iniciou os confrontos.
    Assim como seria bom reflectirem seriamente sobre qual é, afinal de contas, o objectivo destas manifestações, que comportamento deverá ter quem nelas participa e se é com mais violência, tendo como alvo a polícia, que se resolve o problema da violência policial sobre os manifestantes.

    • Caxineiro says:

      “É, então, assim que se deverá proceder em todas as manifestações? Basta uma única agressão policial, para que todos comecem a arremessar objectos à polícia e, com isto, providenciem um pretexto para uma carga?)”

      Fernando, pode traduzir isto se faz favor?..

      • Pergunto se é assim que, por norma, se deverá proceder nas manifestações em que participem as pessoas que participaram nesta. Se é segundo estes princípios que se regem. Ou se não têm quaisquer regras de conduta e simplesmente fazem tudo o que lhes vier à cabeça no decorrer destas.
        Pergunto isto porque não me parece ser a atitude mais inteligente a ter. Esta de responder com várias agressões a uma única, ou a umas poucas (não sei ainda o que aconteceu nesta manifestação em particular) e transformar quaisquer pequenos incidentes logo em batalhas campais e, consequentemente, em cargas policiais que, como toda a gente sabe, irão afectar muito mais gente para além dos envolvidos na troca de agressões.
        E digo isto porque sei que agredir a polícia de volta, não só não irá ajudar a tratar quem já foi agredido e impedir o que já ocorreu, como irá causar ainda mais agressões por parte da polícia aos manifestantes, assim como a outros transeuntes.
        E, sim… Sei o quão revoltante tudo isto pode ser. Já estive também neste tipo de situações.

      • E pergunto isto também porque, lá porque haja um polícia que decida agredir gratuitamente um manifestante, isso não é justificação para que os manifestantes comecem a agredir outros polícias que nada fizeram. (Ou é este, sim, um procedimento correcto?)
        Para além de que, ao fazerem-no, estão a dar o direito aos restantes polícias de se defenderem e estão a criar as condições para que haja uma carga policial.

        • Renato Teixeira says:

          A sua lógica é um primor. Um manifestante não se pode defender colectivamente das agressões de um policia. Um polícia pode defender-se colectivamente das agressões de um manifestante. Com essa ainda ganha uma medalha de mérito com direito a cerimónia no MAI e tudo.

          • Ufff…

            Para começar…

            Agredir de volta, já depois de algo ter ocorrido, não é o mesmo que uma pessoa “se defender”. Uma coisa é a autodefesa a que toda a gente tem direito, enquanto está a ser agredida ou a ser alvo de uma tentativa de agressão – seja de quem for, incluindo da polícia. Outra coisa é agredir alguém, sem necessidade, já depois de ter ocorrido uma anterior agressão. Constituindo este último acto também uma agressão em si. O que, para a maior parte das pessoas, constitui um acto criminoso, moralmente reprovável etc, ainda que se compreenda que alguém o possa querer muito fazer.

            Estabelecido isto, partindo do princípio de que a polícia tem o direito de estar ali a bloquear aquela rua e falando do que sucedeu anteriormente à “carga”…

            A violência que vejo sobre os manifestantes, por parte da polícia, ocorre quando os manifestantes se aproximam desta de modo intimidatório. Aquando deste mesmo acto. Ao mesmo tempo que este. Podendo, portanto, a violência da polícia ser considerada um acto de autodefesa. (Se lhe dermos o devido desconto, da polícia se sentir ameaçada…)

            A violência que vejo sobre a polícia, por parte dos manifestantes – e que consiste no repetido e continuado arremesso de objectos à primeira – ocorre sem que esteja a acontecer, nessas alturas, alguma agressão ou investida intimidatória da polícia sobre os manifestantes. Ou seja, não ao mesmo tempo que qualquer agressão, ou possível tentativa de agressão, por parte da polícia. Constituindo, portanto, estes actos de violência, por parte dos manifestantes, um conjunto de actos de agressão, que ocorre de modo continuado.

            O que é suposto a polícia fazer enquanto está repetida e continuadamente a ser alvo de agressões por parte dos manifestantes? Com quantas cadeiras e objectos tem esta de levar em cima, antes de tratar de impedir que tal continue a ocorrer? Se está a ser alvo de agressões por parte dos manifestantes, não tem esta o direito de se defender?

            Chegamos então à “carga”.

            Se esta foi proporcional ou não, é outra questão. E se esta será ou não a melhor maneira da polícia se defender, é também algo que se pode discutir…

            Continuo a ter direito à medalha?

          • Renato Teixeira says:

            Agora passou a medalha de mérito. Você vê o que mais ninguém vê nesse filme. Agressões continuadas dos manifestantes?!?!? Tome juízo.

          • Passamos a uma debate semântico, sobre se atirar um objecto a alguém constitui ou não um acto de agressão, ou sou eu o único a ver uma cadeira e outros objectos a serem arremessados à polícia?

        • Caxineiro says:

          A questão era esta Fernando: se não se reage à primeira agressão da polícia,( quando há agressão) quando se reage então?..ou não se reage?
          Eu quis saber apenas o que defende em caso de agressão policial; toma uma atitude tipo Gandhi ?…Duvido
          Duvido que ficasse sereno ao ver aquele monte de merda fardado de polícia dando bastonada com a parte metálica do bastão
          No resto até estou de acordo consigo

          • Como pode ser deduzido das minhas palavras, apenas considero legítimo agredir outra pessoa enquanto se está a ser agredido. Pois, neste caso, constitui um acto de autodefesa a que todos temos direito. Agredir outros para impedir que esses outros continuem a agredir-nos é completamente justificado. Agredir de volta, já depois de uma anterior agressão ter terminado, e quando quem nos agrediu anteriormente não representa um perigo para nós, é que já não considero “completamente justificado”. E, a não ser que se tratem de agressões continuadas por parte da polícia – o que constitui um óbvia ameaça à integridade física dos manifestantes – não considero legítimo que os manifestantes comecem a agredir a polícia.

            Deste modo, sobre um manifestante se defender da polícia enquanto está a ser alvo de uma agressão, ou de uma série continuada de agressões, não me ponho a dizer o que ele, ou qualquer outra pessoa, deve ou não fazer. Se ele se quiser defender, é um direito que tem, que não tem de estar sujeito à aprovação de ninguém. Tenho é a minha posição pessoal, que é achar não ser essa a atitude mais inteligente a ter numa manifestação. Pois já sei que a polícia, ainda que não tenha justificação para ter iniciado as agressões, mente sobre quem as iniciou ou inventa uma qualquer razão para estas – que é prontamente aceite ou desculpada pelos seus amigos nos tribunais – e vai usar a autodefesa dos manifestantes como pretexto para agredir ainda mais e, possivelmente, para efectuar uma carga policial.

            E uma vez instalada a violência, o resultado é sempre o mesmo: manifestantes com sérias lesões físicas, algumas delas para a vida inteira, alguns a ficarem mesmo com traumas psicológicos e com medo de ir a mais manifestações e a mensagem inicial da manifestação – qualquer que ela fosse – em grande parte esquecida por todos e deturpada pelos mass média – os quais vêem, por norma, mentir sobre o sucedido perante o público, dizendo que é tudo culpa dos manifestantes, que são uns violentos, aproveitando, deste modo, mais esta oportunidade para demonizar esses mesmos manifestantes perante as pessoas que estes supostamente estão a tentar converter à sua causa, assim como, acima de tudo, para desviar a atenção da mensagem que estava a tentar ser passada.

            Para mim, a atitude mais inteligente é – a não ser que a polícia esteja mesmo continuadamente a agredir os manifestantes, sendo, nesse caso, talvez melhor bater em retirada, pois o confronto acaba sempre em derrota para os manifestantes – não responder às agressões policiais e filmar extensivamente estas, para denunciá-las nos média independentes e mostrar a todos quem são os verdadeiros “maus da fita”.

            Deste modo, é um ponto a mais a favor dos manifestantes, que demonstram com isto ser pessoas mais civilizadas que os polícias – assim como pessoas com as quais se pode melhor conviver na sociedade alternativa que propõem – e um ponto a menos para o Estado ou regime vigente, que demonstra com isto ser uma organização violenta, na qual não é mesmo nada agradável viver.

            (Se é que é mesmo desta situação que se trata, isto é…)

            Somem-se vários pontos e, ao fim de várias ocorrências destas, as pessoas irão inevitavelmente ver as coisas pelo que elas são.

            Não se faça nada disto, e não há pontos para ninguém, pois a maior parte das pessoas vai logo assumir que se tratam de manifestantes acéfalos e violentos e, consequentemente, não vai querer ouvir a sua versão dos factos, e as coisas nunca hão-de mudar, pois as pessoas não vêm os manifestantes como pessoas melhores do que as que constituem o regime vigente.

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