Nem o Bloco morre, nem o Renato almoça (à mesa do MAS)!

A análise que o Renato aqui faz está ferida pela cegueira que lhe mina o pensamento e que o faz atacar tudo e mais alguma coisa que o Bloco, os seus dirigentes e/ou os seus militantes façam.
Se tem razão nalgumas das acusações que lhes endereça, nomeadamente aos Precários Inflexíveis (PI), acaba por perdê-la quando a estica até ao limite máximo da confusão.
É evidente que algo de errado se passou na preparação das acções dos movimentos extra-CGTP para o dia da Greve Geral. Tanto quanto sei, e sei pouco e quase só de um lado, havia coisas combinadas que foram mal descombinadas e que acabaram, não só, por enfraquecer os movimentos, como quem deles se quis distanciar.
E a distanciação, se existiu de facto, deve ser explicada de forma clara e objectiva. E se o Renato acusa os PI de traição eu gostava que estes nos dessem a conhecer a sua versão para todos percebermos o que levou a que não acontecesse o que estava previsto na véspera. Se há coisa que me enerva é ver esta gente que se empenha e que faz coisas acontecerem, a puxar para lados que raramente são o mesmo. E nisto o Renato tem razão. Muita. Quase toda. As esquerdas estão, de facto, divididas. Mais do que nunca não sei. Mas mais do que alguma vez eu me lembro de terem estado. No resto, sinceramente, espero que não tenha e que haja uma explicação lógica para o que aconteceu.
É nesta incapacidade de fazer a síntese e de irmos juntos na luta, com aquilo que nos une, contra aqueles que nos atacam os salários, os direitos (adquiridos e tudo, vejam só) e tudo o que mais se conseguirem lembrar que reside a nossa maior fraqueza e a base da nossa incapacidade de trazer mais gente connosco!
Enquanto assim for, podemos estar certos de que continuaremos a deixar que nos atrasem o país e as vidas. E não honramos nem as lutas e as conquistas dos nossos pais, nem o futuro dos nossos filhos.

Uma nota final para o que puxo para o título, em jeito de pura provocação ao Renato.
A cegueira que te tolda a capacidade analítica impede-te de ver (ou de assumir) que a «boa análise» que dizes ser feita pelo MAS é um descarado namoro aos movimentos tidos como desorganizados e nos quais o Gil Garcia e os seus pares julgam ter a sua base de sustentação. Mas é o MAS/Ruptura/FER que faz da desunião uma forma de tomar balanço para a grandiosa união final que juntará ao MAS o PCP, o BE, o MRPP, o POUS, os acampados, os indignados, os anarcas… eu sei lá! O que até pode ter muito de leninista, mas tu sabes e eu sei o que vai nascer dali. Porque tu já lá estiveste e eu conheço o Gil Garcia há mais de 20 anos. E a capacidade de construir é inexistente por aqueles lados.
E como um prato de caracóis se estiver errado. Mas só se tu pagares as minis.

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23 Responses to Nem o Bloco morre, nem o Renato almoça (à mesa do MAS)!

  1. JgMenos says:

    A desunião da esquerda é tão inevitável como a das seitas em religião.
    Nunca o misticismo converge no real!

  2. Nuno Cardoso da Silva says:

    Por muito maus que muitos de nós sejamos, a verdade é que TEMOS de nos unir para derrotar esta oligarquia globalizada. Engulam os sapos que quiserem, mas TEM de se criar uma coligação eleitoral, para a primeira oportunidade, englobando o PCP, o BE, o MAS, o MRPP, o POUS, porque só assim teremos capacidade para influenciar o que se vai passar em Portugal. Uma tal coligação podia chegar aos 30% dos votos, e até podia atrair muito simpatizante do PS. Conheço gente da maioria dos partidos que referi, e não percebo que diferenças de valores e objectivos existem entre eles, que justifiquem todos estes ódios. É que se não conseguirem fazer essa Frente de Esquerda, só nos deixam a alternativa da revolução nas ruas, e essa é muito complicada de fazer.

    • Carlos Guedes says:

      Entre essa união que refere e a tal da revolução… não sei qual será mais complicada. Mas não veja em mim uma qualquer espécie de entrave. Para uma ou para a outra.

  3. António Fagundes says:

    Carlos, vá lá,
    acho mesmo que a malta anda desatenta. Os precários podem ter muitos problemas, mas parece óbvio que se a CGTP ia para um lado (ou hora) e os movimentos que agora são dominados como afirmas pelo MAS/Ruptura/FER iam para outro, no DIA DE GREVE GERAL, os precários escolheram, – truuuuuuuuuum…. A UNIDADE ….

    Sectários de um lado e sectários do outro, ao menos foram com quem fez a greve e que esteve nos piquetes a noite inteira.

    Parece óbvio. não? e até já está mais ou menos explicado? AQUI: http://www.precariosinflexiveis.org/2012/03/balanco-da-greve-geral.html#more

    “…Os Precários Inflexíveis estiveram presentes na manifestação com a CGTP, organização que convocou esta Greve Geral, e várias outras associações, organizações e movimentos….”

    Qual é a peça que falta? Ter avisado? Cortesia? Então fala de sectarismo e divisão entre CGTP e MAS/Rubra/FER.

    A política não é um passeio, são escolhas. Parece-me que os precários estavam no meio, e tiveram de decidir.

    Segundo sei, ninguém nas assembleias do 15O cortou os pulsos e fez pactos de sangue. Fizeram acordos políticos (já aogra, com conferências de imprensa do 15O no dia anteior à GG a dizer o contrário do acordo dificilmente obtido e muito curto).

    Como disse, falta alguma peça?

    • Carlos Guedes says:

      Falta. Para mim falta. Falta esclarecer o que eu peço que seja esclarecido. Se o que estava combinado foi, à última da hora, «descombinado». E se sim, por que motivos. Sem mais.

  4. António Fagundes says:

    Já agora, foi o tal Rubra/FER/MAS que forçou uma hora da manif que toda a gente sabia que não ia ter a CGTP. Depois disseram “ahhhhhhhhh …mas a CGTP não marcou para a nossa hora….” ..quais virgens arrependidas.

    A cGTP portou-se muito mal nesta greve geral, fechou-a, mas os 15O, ou melhor, o RUBRA/FER/MAS, tem a mania que consegue meter a malta toda no bolso atrás dos seus “Pinheirinhos”, “Palestinas”, “anulação da dívida toda já e de repenten”… e outras coisas que até são justas mas são as linhas que distinguem os seus programas políticos. Ou pelo menos, a forma como as afirmam.

    Agora, RUBRA/FER/MAS conduzem o 15O ao isolamento, não conseguem fechar em dia de greve geral nem um talho, e querem que toda a gente vá com eles quando se confirma que as organizações de classe (mal ou bem) vão para outro lado.

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    • Carlos Guedes says:

      Tem alguma razão.

    • Vasco says:

      A CGTP fechou a greve geral? Que ideia tola. A CGTP fez a greve geral, construiu-a a ergueu-a – com combatividade, coragem e tenacidade. Tinha que ser agora, pois só quem vive no mundo dos livros pode esquecer o que está em causa no acordo de concertação social. A UGT não veio – e isso é normal na história da luta em Portugal. Gostei especialmente do talho.
      Quanto à unidade, constrói-se sobretudo com os trabalhadores que fizeram greve, desafiando patrões e medos; com os agricultores, pme’s, reformados, jovens… As seitinhas minúsculas do POUS, MRPP E MAS acrescentam pouco – ou nada…

      • subcarvalho says:

        A CGTP fez a greve?
        Quem fez a greve foram os trabalhadores! E muitos deles nem sindicalizados são.
        Esta mania de se ser cordeirinho…até chateia!!

  5. Y says:

    Esta malta da esquerda são analiticamente incorrigíveis lol lol

  6. Y says:

    Esta malta da esquerda é analiticamente incorrigível lol lol

    • Carlos Guedes says:

      Já você corrigiu o seu comentário sem ser preciso dizer-lhe para o fazer. Quererá isto dizer que há esperança para alguma, pouca, malta da direita.

  7. Y says:

    Não faço a mínima, Carlos.
    Não me dou (politicamente) com malta de direita.
    Só com liberais a sério. Sinto-me um pouco sozinho porque, como deve saber, não existem verdadeiros liberais no nosso país. Não me parece que haja muita esperança para os conservadores Portugueses que se dizem liberais nem para os rebeldes da esquerda radical que se dizem democratas.

    Corrigi o meu comentário porque cometi um erro gramático (apaguei “estes gajos de esquerda” = são) mas mantive o “são.”

  8. Y says:

    Gostaria de saber, sinceramente, se estas disputas da esq radical resultam apenas de egos narcisistas ou se emanam de divergências ideológicas substantivas???

  9. Pingback: Três respostas “à la minute” ao Carlos Guedes e a verdade dos factos sobre a cisão provocada pelos movimentos flexíveis dinamizados pelo Bloco de Esquerda. | cinco dias

  10. Flexivel says:

    Li o post e achei-o tão fraquinho com insinuações pessoais que era para nem dizer nada. Mas ao ver os comentários o António Fagundes fez uma novela tão “fantasiosa” que decidi dar apenas umas achegas.
    1º Os movimentos dinamizados pelo BE estão desde o inicio da plataforma 15 de Outubro (desde Julho/Agosto) a tentar que esta não exista. O exemplo mais caricato foi quando em Julho militantes do BE disseram que no dia 15 de Outubro não se deveria fazer uma manifestação mas um arraial.
    2º Durante todo o processo usaram os argumentos mais hilariantes para a plataforma acabar desde que era só infiltrados da extrema direita, policias, depois era a posição da plataforma sobre a dívida, agora parece ser a CGTP.
    3º A plataforma 15 de Outubro teve sempre uma posição de dialogo com a CGTP tendo inclusive essa posição afastado sectores dentro da plataforma que não se reviam na CGTP.
    Aliás, quem não percebe o fenómeno dos indignados, poderá dizer o que entender mas como o Louça percebe muito bem tenta colocar o 15O por baixo da asa da CGTP.
    4º A hora da manifestação foi tendo em conta que muito do público alvo da plataforma é precária e não pode fazer greve. E sendo a manif às 16h poderia ir na manif ou ir ter ao parlamento.
    5º A CGTP NUNCA convocou uma manifestação no dia da Greve geral, só o marcou no 24Nov e 22 Mar porque a plataforma o fez
    6º Os precários tiveram um comportamento deplorável pois não só não foram com a plataforma como não disseram nada enquanto estavamos todos no Rossio. Para além de que não mostraram discordância com a hora nem nada. Foram convidados a ir à conferência de Imprensa e não foram. E finalmente desde há dois meses que raramente faziam alguma coisa…a não ser boicotar por dentro
    7º Quem fechou a plataforma 15O foram as atitudes e posições dos PI´S de quererem fazer da plataforma o que aconteceu com o M12M, ou seja, nada de continuidade da luta e muito quitetinhos debaixo do braço da CGTP…para a lutar continuar a ser ORGANIZADA!!

    Por isso António Fagundes, vai fazer novelas mas tem cuidado, não fantasies de mais é que há muita gente no movimento que viu o que se passou. Podes enganar o Carlos Guedes e os bloggers mas no MOVIMENTO já não enganam ninguém!!

    • Vasco says:

      A malta precária PODE fazer greve. Muitos o fizeram: na Worten e na Calzedónia do Via Catarina; no BES Contact, no call-center da EDP de Odivelas, na Egor… É mais difícil, reconheço – mas PODE. Dizer o contrário é dividir os trabalhadores pelos vínculos e prestar um péssimo (ou óptimo, depende da intenção) serviço à luta dos trabalhadores – de TODOS os trabalhadores.

  11. Magda Alves says:

    E continua a lenga lenga da marioneta, fantástico. Sejamos claras/os: A UMAR nasceu em 1976 dentro da UDP, em 1978 saiu e autonomizou-se , tendo feito desde aí um longo percurso, AUTÓNOMO. Ora bem, deixa me lá fazer as contas: 2012-1978 , eh pá, Já lã vão 33 anos, como o tempo passa. Será que é suficiente para concederem-nos o direito de pensarmos por nós proprias? Renato, vê se te informas melhor, não sou nem nunca fui militante do Bloco de Esquerda, como aliás mais de 60%da direcção da UMAR. Já para não falar das nossas mais de 500 associadas.

  12. Nuno Cardoso da Silva says:

    Já agora, convém não esquecer que a Plataforma 15 de Outubro não é propriamente um movimento, é um ponto de encontro de gente que integra outras estruturas, ou aparece em nome individual. Funciona muito por consenso, e não tem chefes. Do que não temos culpa é de termos desenvolvido uma dinâmica de ruptura – porque é isso que os participantes querem – quando os sindicatos e os partidos com representação parlamentar, por muito de esquerda que digam ser, nem querem ouvir falar de ruptura. O que querem é sugar algum do tutano à besta, e para isso é preciso que a besta não morra. Criticam o sistema, mas vivem dele. Os sindicatos querem sacar mais algum aos capitalistas, mas nem querem ouvir falar de substituir a gestão capitalista por uma auto-gestão pelos trabalhadores. O PCP e o BE adoram a chicana parlamentar, mas nem querem ouvir falar em coligações que os pudessem obrigar a governar. A contestação que a Plataforma – e outros movimentos sociais – representam, incomoda os profissionais do encosto ao sistema. É claro que a própria falta de vontade de criar estruturas que os movimentos sociais manifestam – o seu libertarismo estrutural está sempre a vir à superfície – dificulta a eficácia desses movimentos, mas espero que um dia consigamos tornar a procura de consensos numa arma eficaz na mobilização de uma população massacrada pela oligarquia e seus parasitas, e que a ruptura com um sistema iníquo seja possível. E verão como então os CGTP’s, os PCP’s e os BE’s virão todos a correr, a dizer que sempre tinham estado connosco…

    • Leo says:

      “Funciona muito por consenso, e não tem chefes.” ????? Nem o Délio? O que aparece sempre com a mesma T-shirt e de microfone na mão? Ora!

      • Rafael says:

        Oh meu amigo, ora vá la ver as entrevistas e as conferencias de imprensa e as declaraçoes a imprensa escrita da plataforma 15 de Outubro a ver se são sempre os mesmos a falar.

  13. Acho que é natural que a esquerda se encontre desunida, vejamos:

    O Louçã e o seu Bloco andam atrás de populismo, mas esquecem-se de ter tomates para assumir qualquer ideologia… Ou seja, não sabem o que querem e reina a demagogia entre aquela gente. Por exemplo com a falta de democracia demonstrada pelo Louçã quando apaga comentários que lhe perguntam a razão do silêncio quanto a debates só com já está no poder…

    A mesma falta de sentido de ética demonstrou o PCP, a FER (ainda dentro do Bloco) quando não criticaram a finta das televisões à ordem dos tribunais quando lhes ordenou fazer debates iguais com o Garcia Pereira.

    Não convinha ao Jerónimo nem ao Louçã confrontar a única voz de esquerda que não se mete em tachos e anda nisto por convicção, sem favores… Seria muito chato que o Garcia Pereira lhes tivesse perguntado em directo porque queriam pagar a dívida se não foi contraida pelos portugueses, nem em seu beneficio…

    Depois, o MRPP, que nestas últimas eleições foi o único partido que defendeu “NÃO PAGAMOS”, tem vindo a evoluir no discurso (principalmente construtivo). Pela 1a vez, nas últimas eleições foram claros na divulgação da sua alternativa ao desenvolvimento do país!

    COntudo, o MRPP ainda não se esqueceu da traição que o PCP lhe fez logo após o 25 de ABril, quando proibiram o partido de se candidatar porque “era clandestino” !! irónico!!! ou quando o PCP mandou prender 400 militantes do MRPP…

    Esquerda populista como a do BE (FER, Rupturas e afins) e esquerdas pseudo-democráticas como a do PCP impendem qualquer união…

    Talvez a união se faça na rua…

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