Como ontem me livrei de levar um enxerto de porrada de um amigo de longa data

 

Quando ontem cheguei ao Rossio, atrasado pelo almoço familiar que se atrasou pelo meu atraso num piquete de greve, o desfile já tinha começado a andar.
No final, esperando para seguir, estavam uns panos sobre precariedade, que vim bem mais tarde a saber pertencerem aos Precários Inflexíveis.
Precário que sou (embora a prazo relativamente longo, pelo menos até ver), passou-me pela cabeça e pela fala arrastar a família até ali. Mas, como nenhum de nós gosta de fechar manifs, depressa decidimos ir andando ao nosso ritmo, atravessando os vários grupos que fossemos encontrando ao longo do habitual pára-arranca manifestacional.

O primeiro desses grupos estava todo com coletes da greve, e comecei logo ali a partilhar cumprimentos com pessoal conhecido, incluindo um abraço mais efusivo a um amigo de longa data, a quem muitas cumplicidades me unem. Um daqueles tipos franzinos e entradotes, mas que gostamos de ter ao nosso lado se nos virmos em apuros.

Muito percurso e cumprimentos depois, lá entrámos no largo da Assembleia, já na cabeça da manif.
Cansados, fomos beber um cafézinho (actividade discutível em dia de greve, bem sei…) para criarmos a sensação de recuperarmos forças.

De regresso à molhada, vimos que houvera um sururu, já acalmado.
Segundo a irónica resposta de um colega a quem perguntei o que se passara, tinham sido «divergências ideológicas, os trolhas a dar porrada nos artistas». Outro, já num registo sarcástico, acrescentou que era «a luta de classes».

Percebi, por fim, que o simpático grupo onde se encontrava aquele amigo de longa data, ao lado de quem estarei no primeiro aperto que nos aperte – e que eram, afinal, parte da segurança oficiosa do acontecimento – tinha agredido pessoal do grupo que, integrado na manif, os seguia desde o Rossio, para que os seus panos não entrassem no largo.

Fiquei a saber que, caso eu e a minha família não tivéssemos preferido ir noutro sítio que não a cauda da manif, podia bem ter levado um enxerto de porrada do meu velho amigo. Ou não o ter levado, simples e exclusivamente, por sermos amigos desde há muito.

Há qualquer coisa que não bate certo nesta história, não é?
E não me parece que o que não bate certo seja eu.

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22 respostas a Como ontem me livrei de levar um enxerto de porrada de um amigo de longa data

  1. Ulisses diz:

    Vá lá faz um esforço, pensa melhor, vais ver que chegas lá, no fundo, no fundo, conhecendo-te nesta matéria, pelo que de vez em quando aqui escreves, nimguém me tira da cabeça que alguma coisa aprontaste e depois, ah e tal vou ali tomar um café para retemperar…

  2. Patrício Silva diz:

    Que merdinha de texto. Parece um menino da mamã a fazer queixinhas ao papá. Paciência…

    • paulogranjo diz:

      Não estou a fazer queixinhas ao papá, seu bimbo.
      Estou a dirigir-me a pessoas com bastante mais responsabilidade e (de forma evidente) bastante mais inteligência e sentido político que você.

      Perdoe não usar o tratamento por “tu”, ou a em tantas bocas esvaziada palavra “camarada”, mas cada vez mais reservo ambos para quem o merece.

      • Rocha diz:

        O que aconteceu é lamentável e creio que Arménio Carlos já o disse aos Precários Inflexíveis.

        O sectarismo (e não as saudáveis diferenças de opinião) é um estorvo para a luta da classe trabalhadora.

  3. Patrício Silva diz:

    Bimbo é fofinho bébé…

  4. Pois é, mais um festival à portuguesa que nada tem a ver com a Grécia, e assim o julgam estão bem confundidos ou talvez enganados, são só manchetes de jornais para vender. Se estas agressões fossem na Grécia estes bófias estavam a levar com pedras da calçada, com paus nos cornos e uns quantos coqueteles de molotov… como é em portugal o máximo com que poderão levar, será com uns queques de laranja ali de Cascais ou do Estoril e mesmo assim devem sair bem sonsos. Deixem-se disso, o pacifismo hipócrita é um aborto da hipocrisia reanimado pelos políticos juntamente com os meios de comunicação e quando aqui chegou já estava caduco de “funcionar” com outros rebanhos. Camaradas!!!! Vá lá, umas bombas para esta merda estremecer…..

    • paulogranjo diz:

      Releia o post. Não se refere a confrontos com a polícia (que aliás nem existiram; existiu uma carga policial injustificada), mas a uma agressão dentro da manif. Também despropositada e inaceitável, como o demonstra o pedido de desculpas logo apresentado pelo Secretário-Geral da CGTP-IN aos Precários Inflexíveis, que ao que sei até tinham sido convidados a integrar a manif…

  5. José diz:

    Diria que este é um texto de caca, produzido por um cocó.
    Fala em “agressões”, viu alguma?! Acha que sendo uma greve da CGTP, qualquer pessoa tem direito a ocupar a àrea que oficialmente marcaram para a greve com outras bandeiras?
    Caso tenha havido algum sururu, ponderou se não terão tentando forçar e sendo impedidos ragissem mal com violência, ou simplesmente a fazer “ondas de merda”, um pouco na sua linha?
    Faça um favor ao povo, coma um pouco de papel higiénico e fique bastante tempo a mastigar para absorver ideias mais claras.
    Que tristeza, de caca como tu é que os fascistas se riem, palhaço!

    • paulogranjo diz:

      As agressões e seus resultados estão filmadas e fotografadas.
      O seu carácter despropositado, indesejável e inaceitável em termos políticos e humanos, na perspectiva da CGTP-IN, é demonstrado pelos factos de terem sido sindicalistas que estavam no local quem tentou evitar e acalmar a coisa, e de Arménio Carlos ter ido apresentar pessoalmente aos Precários Inflexíveis um pedido de desculpas da CGTP-IN.
      Se está muito empenhado em fazer greves e manifestações sozinho, dando se necessário porrada noutros grevistas ou mesmo nos dirigentes da CGTP-IN, pelos vistos menos “puros” que você, tente fazê-lo. Mas não use o nome da CGTP para justificar esse seu desejo.

      Para utilizar as suas categorias de análise, diria que o seu comentário é de caca, produzido por alguém politicamente cocó…

  6. José diz:

    retiro os palavrões da última frase. Mas, francamente, pá!

  7. José diz:

    Retiro as palavras e expressões ofensivas, mas pá, caramba, a ver se ganhas a noção do que o teu texto transmite! Para além da forma como te referes a suposto amigo! Traduzindo, este tipo de intervenções é mesmo a cerejinha no topo do bolinho de quem quer as pessoas divididas para reinar. Havias de ter outra consciência. A greve era ou não era marcada em primeiro lugar pela CGTP?! Entendes o que significa a luta politica e sindical?! É uma coisa muito complexa, obviamente que não é uma anarquia para cada um ir para lá com uma cor diferente, para isso marquem greves noutros dias (sabem que nem expressão têm)… Para se juntarem, respeitem as regras. Há por aí mil pessoas e olhos à espreita para atacar a CGTP, mas é gente sem expressão para marcar uma greve e eu interrogo-me? Serão activistas, ou na prática queques reaccionarios que ainda não o sabem? Ou serão “infiltrados dissimulados”? Ou serão “infiltrados” naives? Ou alguém que quer protagonismo em vez de solidariedade? Tipo, roubar alguns jovens indecisos, baralhar mais esta malta, dispersar as pessoas…?! Por amor a alguma coisa que tenham, pensem como homens e como combatentes, não como meninos mimados à espera de alguma notoriedade, pois assim só a ganham pela negativa…, não se diferenciando em nada daqueles que alegadamente combatem, a não ser na posição hierarquica.

    • paulogranjo diz:

      Para além da minha resposta anterior, suficientemente clara, apenas umas palavras acerca do suposto «suposto amigo».
      É uma pessoa concreta, tem nome (que obviamente omitirei) e, para além de efectivamente amigo, é meu camarada de muitos anos de tarefas e lutas políticas, incluindo em áreas particularmente sensíveis.
      Não é isso o mais importante da questão (que, esse, está na ocorrência de incidentes destes e na existência de quem acha que os pode fazer e defender, em nome de uma central sindical que os repudia), mas este facto revela também outra coisa: que, em atitudes e situações destas, o sectarismo e o preconceito podem colocar, na ponta da moca, não só pessoas que querem lutar ao nosso lado, como pessoas que o fazem há décadas.

  8. domingos diz:

    Foda-se, outro texto de merda?!

  9. V Cabral diz:

    Deixei de ir ver o m/belenenses, porque muitas equipes levam provocadores e tudo acaba à mocada … será que por culpa duns ultra-revolucionários, vou ter de desistir ? É que eu não sou maluco, tenho medo …
    … da polícia de choque, nem falo ! Quando não provocam, gostam dos provocadores.

  10. Patrício Silva diz:

    Querido Paulo Granjo em nome do PSD e do meu patrão agradeço este seu textinho. Já agora de onde é que você me conhece para atestar da minha inteligência ou sentido político?!?! Deixe te ter um comportamento histriônico de menino que o que faz na vida é andar a investigar o cócó nas suas próprias fraldas. Sentido e coragem política é trabalhar numa empresa com 700 pessoas e destas só 6 é que fizeram greve. Não tenho grandes dúvidas que você não seria uma das 6.

    • paulogranjo diz:

      O seu grau de inteligência e de sentido político é atestado pelos seus comentários.
      Que, desta vez, também atestam o seu grau de capacidade de mobilização dos colegas. Que estará, imagino, relacionado com os dois anteriores.

      Entretanto, tenho como limite da minha paciência para afixar comentários dois insultos boçais sucessivos. Ciao.

  11. Luis Almeida diz:

    Quando perdemos tempo e energias a degladiar-nos, a direita eo grande capital financeiro riem-se. E aproveitam!
    Eu acho o dectarismo muito mau porque faz o jogo deles. Acredito que uma manifestação e uma greve geral têm um trabalho de organização que não é visível, cujos efeitos só se notam depois e que dá muito trabalho.Um pouco como a arte: 10% de inspiração e 90% de sudação.
    Eu vi, frente à AR, a dois metros de mim, 2 povocaddores serem agredidos por um grupo de camaradas mais exaltados e que só não foi pior porque a segurança rapidamente interveio, afestando-os e separando-os de nós…
    Quem nos diz que eram expontâneos? Desde a Comuna de Paris, pelo menos, que os trabalhadores estão habituados aos “agents provocateurs”.
    Que o diga, o movimento sindical americano, por exemplo: o massacre de Haymarket
    ( Chicago) – do qual resultou a comemoração do 1º de Maio como dia do Trabalhador em todo o mundo menos nos EUA ( má consciência! )- teve origem na acção de provocadores!
    Agora, isto é completamente diferente de segregarmos os “precários inflexíveis” ou quaisquer outros que se queiram juntar a nós num caudal de interesses comuns. E, não se pode ser mais papista que o papa: pois, se até o Arménio Carlos pediu desculpa, como podemos nós ser sectários ?
    Dito, isto, há que reconhecer que também há o “sectarismo” vindo do outro lado. O daqueles não aceitam o enaquadramento, palavras de ordem e disciplina da esmagadora maioria ( as hostes da CGTP-IN ) só porque alegam que movimentos expontâneos de cidadãos são mulhores e mais puros que o uma central sindical que anda a reboque de uma força partidária, o PCP.
    Nem lhes ocorre o enorme elogio que estão a fazer ao PCP. Que orgulho, que honra para o PCP! Ser o único que, de forma organizada, vem lutando a favor dos mesmos ( e contra os mesmos…) desde 1921 sempre com enorme coerência. E sempre sem desfalecer nem desanimar.

    • Leo diz:

      “Que orgulho, que honra para o PCP! Ser o único que, de forma organizada, vem lutando a favor dos mesmos ( e contra os mesmos…) desde 1921 sempre com enorme coerência. E sempre sem desfalecer nem desanimar.”

      Assino por baixo.

      • Augusto diz:

        Se Arménio Carlos se sentiu na obrigação de pedir desculpas, é porque entendeu e bem, que alguem se excedeu.

        E não venham com a estafada história dos provocadores, eles existem todos o sabemos, desde os tempos da ditadura.

        Mas neste caso quem é que objectivamente serviu as forças da reacção, como certa esquerda gosta de dizer?

        Se não querem nas manifestações da CGTP, manifestantes que não sejam do PCP, tenham a coragem de o assumir, e assim tudo fica mais claro.

        Cada um com a sua bicicleta, e cada um para seu lado.

  12. Resumindo!
    A conclusão que tirei no outro dia depois de uma viagem de autocarro no 751 é que: os bandalhos lá de cima mais dia menos dia vão se pôr a andar como se tem assistido desde sempre na história, enquanto os analfabetos mas convencidos demagogos da ignorância se matam por não possuírem mais que uma medíocre e esclarecedora falta de educação.
    Não existe diferença entre uma discussão sem sentido dentro de um autocarro ou debaixo de um texto num blog, e se houver, o único sentido está em que um vai para Campolide ou Linda-a Velha e o outro para nenhuma parte.
    Falta a educação e antes desta a comunicação. Não sejam burros porque a arma é o entendimento…vejam a etimologia da palavra!

    Abraços

  13. Eu como votante num determinado partido político, preferia que a segurança central do partido em que voto não andasse a bater em manifestantes do partido ao lado. Que eu saiba, a greve geral e as manifestações são públicas. Nunca vi numa manif da CGTP imperdir-se a participação de movimentos sociais, pelos contrário, quer-se a sua presença. O incidente é imbecil e só serve a direita. Excelente post Paulo Granjo.

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