Arménio Carlos segundo Carlos Guedes (ou: estou à espera de uma Greve Geral convocada e organizada pelo Carlos Guedes e pelos seus blocos)

Arménio Carlos…
“pareceu estar a defender a brutalidade policial”…..
Ele pareceu-te estar a defender a brutalidade policial?
Arménio pareceu estar a defender a brutalidade policial??
A sério?
Isto vindo de um antigo apoiante da institucional candidatura de Manuel Alegre do PS, é muito estranho.
Explica-te melhor, Carlos Guedes, ou então vai ao teu post e emenda-o, quiçá gramaticalmente.
 O que está escrito não faz sentido. Porque se Arménio defende a brutalidade policial, também deveria defender os “seus seguranças”, como tu lhes chamas. Escreve de forma que se perceba.
Acho que já está mais bem explicado o que sucedeu entre a CGTP e os PI do que o teu apoio ao candidato do PS (para fazer uma inesquecível comparação).
Há pouco, lá pela tua banda, até entrou o Marcelo Rebelo de Sousa (que saco de gatos e que parasitagem…).
Camarada, assim não.

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50 Responses to Arménio Carlos segundo Carlos Guedes (ou: estou à espera de uma Greve Geral convocada e organizada pelo Carlos Guedes e pelos seus blocos)

  1. Nuno diz:

    “uma Greve Geral convocada e organizada pelo Carlos Guedes e pelos seus blocos” – aqui se vê todo o reformismo e institucionalismo do Vidal – e não só -, só com pastores é que alguém pode pensar sequer em enfrentar o capitalismo.

    Para a merda com todos os reformistas, incluindo o tal da CGTP, que parece não gostar de, segundo o próprio, “actos de vandalismo.”. Hão-de ser os primeiros a aliar-se à reacção quando isto aquecer, a história está cheia de exemplos de tais situações por parte desse espectro.

    • Carlos Vidal diz:

      Foda-se.
      Sé me faltava mesmo era entrar em polémica com “alegristas”. (E não me refiro ao Nuno semi-anónimo. Mas não me vou aliar a quem ele diz, certamente, nem a nada nem a ninguém oriundo do “socialismo democrático”.)

    • Vasco diz:

      Do lado da reacção estão os provocadores, sempre prontinhos a atacar o movimento sindical e o partido comunista. Como fez o Salazar, lembras-te? Passa bem, pidesco….

  2. Carlos Guedes diz:

    Não há nada a emendar no meu post, Carlos. Muito menos gramaticalmente. Já na atitude do Arménio Carlos e dos «seus» seguranças há muito a emendar. E ele não defende os «seus» seguranças porque nem sequer fala neles nem na sua actuação…

    • Carlos Vidal diz:

      Mas, na tua opinião, defende a brutalidade policial.
      Conversados.

      (À atenção do capanga Nuno, comentário lá em cima: eu não condeno nem nunca condenei actos de vandalismo.)

      • Carlos Guedes diz:

        Defende, justifica… compreende, aceita… pelo menos não a critica nem se coloca ao lado dos que, como ele, sairam à rua em dia de Greve Geral!

        • Carlos Vidal diz:

          Dito dessa maneira vazia, posso eu dizer:
          não defende, não justifica, não compreende e não aceita, porque está certo na mesma.
          A tua leitura é a tua leitura.
          Não explicitas nada de mais concreto, porque não podes. Porque não há.
          Quanto ao resto: a estratégia da CGTP é diferente da do 15O. E depois? Não se opõem, são estratégias diferentes, objectivos comuns. O que é que queres, pá?

          • Carlos Guedes diz:

            Quero que a malta seja capaz de se entender… mas assim não vai ser fácil!

          • Carlos Vidal diz:

            O elogio (interdito nas minhas caixas e nas do nosso amigo Renato) de Miguel Serras Pereira já te caiu na caixa.
            Bom proveito te faça.
            (E deus te guarde…)

    • Margarida Fernandes diz:

      Por onde andavam os provocadores e seus defensores na preparação da greve geral? No esclarecimento, na mobilização, em milhares e milhares de plenários sindicais, distribuição de documentos e conversas com os trabalhadores, à hora de entradas destes, às 7h da manhã e por vezes mais cedo, em estaleiros, refeitórios ou à porta das empresas? Onde estão sempre que há merda nas empresas, longe dos holofotes dos media?

      • Carlos Vidal diz:

        Esta é uma grande questão.

        Apenas não chamo provocadores a quem, no fundo, tem propósitos, análises e objectivos políticos comuns ao movimento sindical e à esquerda (de que o PCP é a força representativa). Posso chamar-lhes agitadores, e esperar que façam o seu trabalho. Porque sempre disse que a via pacífica não esgota tudo.
        Agora, os movimentos espontâneos, de facto, não os vejo no terreno popular profundo: ali, nos plenários, no meio dos problemas e das lutas difíceis que parecem perdidas.
        Mas….. não estarão (perdidas).
        (Apesar de estarem perdidas, “desactualizadas”, para os grupos económicos que controlam a imprensa.)

  3. A.Silva diz:

    Há quem insista em cavar fossos à esquerda… qual é o seu objectivo?

  4. Luís diz:

    Sem comentários.

    Ou melhor, só um: isto é pressionar os colegas, vulgo, atualmente, bullying…

  5. Ricardo Noronha diz:

    Carlos, não será a própria escolha de palavras (“vandalismo”) a colocar Arménio Carlos no lado do partido da ordem?
    Não me parece que tenham sido “vândalos” quem retirou o piquete de greve da Carris do portão da estação da Musgueira. Por sinal, vários indícios sugerem que a polícia não está acima da luta de classes, mas desempenha nela um papel. Continuo sem saber porque é que o Estado português consegue ser ora “burguês” ora “democrático” consoante as conveniências. E porque é que há tanta gente firme e corajosa para fazer face a outros manifestantes, mas tão pouco para fazer face a quem carrega sobre os outros manifestantes.

    • Carlos Vidal diz:

      Apenas quer que seja esclarecida a frase, do Carlos Guedes, que diz Arménio Carlos defender a brutalidade policial.
      Esclarecida a frase, retiro-me deste post.
      Onde é que o homem defende a brutalidade policial?

      (Já agora: em todos os meus posts sempre defendi respostas violentas ao capitalismo selvagem; portanto, a palavra “vandalismo” não me diz nada; a democracia está na rua e não no parlamento; e quem me chama reformista vá fazer festas ao Coelho e á Coelha. E desapareça daqui – porque eu não o publico mais, pois não só não ataco o vandalismo ou os vandalismos, como não ataco certas formas de censura: uso-as em nome da higiene. Uso-as sempre.)

      • Carlos Guedes diz:

        Respondi-te a isto ali mais abaixo.
        «Carlos, o silêncio do AC em relação à actuação policial, acompanhado da crítica que faz a «esses movimentos», é mais do que uma defesa. É uma ofensa para os que participaram no desfile e foram agredidos pela polícia.»

  6. Uma questão táctica. Já repararam que nas grandes manifestações da direita convivem pacificamente social-democratas, conservadores, católicos, monárquicos, nazis, and so. Vejam-se as manifs contra a legalização do aborto.
    Não aprendemos a mostrar a força da unidade, nem quando é óbvio que estamos todos a combater o mesmo inimigo?
    Temos mesmo que passar sempre por estes desencontros, às vezes transformados em encontrões? É assim tão difícil descortinar a floresta e optarmos por defender a nossa árvore?
    É uma manifestação convocada pela CGTP, não é uma manifestação da CGTP. Não é um comício. As vozes que querem lá estar, mesmo que com aspectos divergentes, devem ser bem recebidas. Não consigo perceber como se consegue chegar à unidade numa GG com a UGT e depois se trata com ódio camaradas de luta.

    • Carlos Vidal diz:

      Ódio destilou um tal Nuno no primeiro comentário.
      (Não julgo que passe pela cabeça de alguém minimamente atento e sério chamar-me nem de pacifista nem de reformista.)

      • Nuno diz:

        O Vidal agora acertou. Tenho de admitir que não morro de amores para consigo, e, ainda por cima, quando me cheira a reformismo, não consigo resistir.

        • Carlos Vidal diz:

          É um problema pessoal então.
          E eu estou aqui para lhe aprovar os comentários.
          Mas não, não milito em nenhum partido ou movimento que se reclame de uma coisa que ninguém sabe o que é tipo “socialismo século XXI”.
          Sou mais do género comunismo século XIX. (Desde aí, portanto.)

          • Nuno diz:

            Em relação discordo, não tenho a menor tenção em recordar-me de si a todo o momento, em especial em momentos de maior exaltação. Em traços gerais, parece-me que podemos os dois concordar com isso, bem como o resto da sua reposta.
            Até a uma próxima!

  7. Vasco diz:

    Ricardo Noronha e Carlos Guedes: felizmente já não tenho que vos aturar no PCP. É que não têm mesmo nada a ver com ele… Agora divirto-me com os vossos disparates virtuais. É bem melhor do que ao vivo…

    • Carlos Guedes diz:

      Felizmente… para ti ou para nós?

    • Carlos Vidal diz:

      Não temos que os aturar, caro camarada.
      Se bem que o Carlos Guedes se defenda menos bem das provocações que faz, como a do seu post anterior.
      Continuo à espera da demonstração cabal de que Arménio defendeu a brutalidade policial.
      ONDE e QUANDO !! dados concretos e não opiniões.
      Vamos, Carlos Guedes, puxa pela memória. Trabalha. Ouve e re-ouve.
      Quero saber se lá pelo facto de ele criticar o “vandalismo” (e eu, repito, defendo uma necessária violência contra a violência a que estamos sujeitos, portanto divirjo de Arménio Carlos neste ponto), quero saber como é que passas daí para o ponto de que Arménio Carlos defende a brutalidade policial. Estou à espera. Demoras muito?

      • Carlos Guedes diz:

        Carlos, o silêncio do AC em relação à actuação policial, acompanhado da crítica que faz a «esses movimentos», é mais do que uma defesa. É uma ofensa para os que participaram no desfile e foram agredidos pela polícia.

        • Carlos Vidal diz:

          Arménio Carlos já dialogou com representantes, depois de tudo, de alguns desses movimentos.
          O termo “vandalismo” aplica-se à polícia (na minha opinião).
          Arménio Carlos, não sei se o alarga, o depoimento é muito curto. Aproveitaste-o logo, curto, pouco claro, etc.
          Mas para ti foi claríssimo. É para rir, camarada.

          • Carlos Guedes diz:

            O termo «vandalismo», na situação concreta e referida pelo AC não se refere à polícia. Por muitas voltas que dês ou tentes dar…
            E não, não é para rir.

          • Carlos Vidal diz:

            Sinceramente, não te esperava tão ligado aos movimentos. Depois da tua “campanha alegre” (que ía destruindo por completo o teu BE), isso não faz muito sentido, mas enfim…

            Expliquei-me, enfatizei mal. Não disse o que Arménio quis dizer, nesse particular não estou de acordo com ele (acho eu, o depoimento foi rápido, e pareceu-me que o termo “vandalismo” era para todos: polícia e movimentos; de qualquer modo, o pedir desculpa aos PI é um indicador interessante). O que eu disse foi que, para mim, vândalos são os polícias.
            E para isso não preciso de dar voltas nenhumas.
            Que Arménio não disse isto como eu estou a dizer, isso sei eu.

  8. almajecta diz:

    Os indignados, com uma retórica que mete dó:
    Ó stôra eu estive lá e vi tudo. A gente atirámos pedras e chavinas aos outros meninos porque eles tinham lancheiras da Prada e morfaram os kinder chiclates.
    Cheios de libido dominandi e política prussiana ao vivo.

  9. WW diz:

    Muita preocupante mesmo a relação entre a CGTP e os movimentos sociais, principalmente quando esses movimentos sociais são compostos por funcionários de um partido político.

    • Carlos Vidal diz:

      Este comentário não tem pés nem cabeça.
      Em primeiro lugar, como Vitor Dias bem lembrou noutro lugar, a CGTP outra coisa não é que um movimento social. Aqui, ponto final (para ser sintético).
      “…principalmente quando esses movimentos sociais são compostos por funcionários de um outro partido político.”
      Ininteligível.
      Está a dizer-me que os PI, a Plataforma 15 de Outubro, por exemplo, são movimentos compostos por funcionários do….. BE??
      Sabe que não é verdade, que isso não faz sentido nenhum.
      Mas, seja como for, mais importante é a sua recusa em considerar a CGTP como um movimento social.
      O que é um “movimento social” então?

  10. Samuel diz:

    Valerá a pena toda esta merda? Leva até onde? 🙁

  11. Augusto diz:

    Carlos Vidal talvez não meça bem a barbaridade daquilo que escreveu.

    As greves gerais são convocadas por centrais sindicais, e não por partidos ou movimentos sociais, a não ser que esteja na sua mente EXPURGAR a CGTP de todos aqueles que não alinham com o partido do seu confrade Arménio Carlos, que é também o seu.

    Á frase, ” Cada um com a sua bicicleta”, mas correndo na mesma direcção, temos agora “a toda a velocidade até chocarem de frente”.

    Depois do que se tem passado com a repressão policial, e dos ataque deste governo de direita, o que a esquerda mais precisa , é de atitudes sectárias como as que se assistiram ontem em S. Bento.

    Continuem assim que vão ver o lindo enterro que levam.

    PS- desta vez esqueceram-se do casaco da Mariana Mortágua , estão a perder qualidades.

  12. Bruno Simão diz:

    Carlos, acho que fazes um juízo de intenção a partir das palavras do Arménio Carlos, que é excessivo. O Arménio Carlos não defendeu a brutalidade policial. Eu não acredito nisso e creio que nem tu acreditas nisso. No que respeita à agressão de um membro dos PI, li no Esquerda.net que o Arménio Carlos tinha pedido desculpa pelo incidente aos PI. Eu não acredito, e creio que tu também não acreditarás que o Arménio Carlos ou alguém da Comissão Executiva deu orientações, estimulou ou sequer tenha dado algum sinal que seria complacente com esse tipo de atitude. Ao agredido recomendo que apresente a respectiva queixa contra o agressor.
    As agressões da PSP sobre os manifestantes, jornalistas e simples transeundes é profundamente condenável e eu próprio gostaria que o Arménio Carlos a tivesse categorizado assim. Não o fez com a veemência com que eu gostava, mas daí não consigo deduzir que ele apoia a brutalidade polícial.
    A questão da violência no quadro da luta social é um debate muito interessante, ainda que crónico e de divergência no conjunto das várias tradições de esquerda. De modo mais simples a questão costuma ser: que tipo de acção directa, quando e como, e aí eu acredito que a referência ao vandalismo feita pelo Arménio Carlos (agora sou eu a fazer um juizo de intenção) talvez se prenda com a concepção sobre esta questão. Apoio à brutalidade policial é que não me parece que tenha sido.

    • Carlos Guedes diz:

      Bruno, presumo que te estejas a dirgir a mim. Já respondi a uma parte do que dizes em dois dos comentários do Vidal.
      «Carlos, o silêncio do AC em relação à actuação policial, acompanhado da crítica que faz a «esses movimentos», é mais do que uma defesa. É uma ofensa para os que participaram no desfile e foram agredidos pela polícia.»
      É claro que não acredito que tenha havido orientações ou estímulo ou o que quer que seja para agredirem quem quer que seja. Mas o que aconteceu ontem andava para acontecer há mais tempo. E é pena que assim seja.
      Quanto à condenação da violência policial (por parte do AC) não ter sido veemente… não podia ter sido, simplesmente, porque não houve condenação da violência policial mas sim das acções «desses movimentos»!

  13. xatoo diz:

    as manifestações sindicais estão embuidas de um reformismo profundo
    no fundo pretendem fazer regressar o bom capitalismo, com direitos e tal,
    tudo de forma muito bem comportadinha, disciplinada, respeitadora.
    há acordos tácitos com a polícia
    aquela voltinha no Chiado, cumprindo à risca as instruções da PSP para não incomodar os utentes das esplanadas da Bénard e da Brasileira foi profundamente deprimente.
    enfim
    existe um acordo de fundo com “as autoridades”, logo, a CGTP, como entidade sindical que pugna apenas por melhores salários, no fundo e no omisso não pretende mudar nada de fundamental no sistema…

    • Carlos Guedes diz:

      Explicaram-me que a voltinha se devia à passagem dos carros que acompanhavam a manif… outras houve em que os carros seguiram por ali e a malta pelas esplanadas. Ontem foi assim.

    • Justiniano diz:

      No fundo, e verdadeiramente, o caro xatoo tem toda a razão, no sentido em que vislumbra e revela verdade!! Parece evidente!! E como evidência, todos o sabemos!! A CGTP visa preservar o seu papel institucional, preservar a estrutura social existente (ainda) e o concílio constitucional!! Acho óptimo e perfeitamente compreensível pelo campo defensor do Estado de direito liberal e social!! O ponto excentrico da coisa ocorre quando a indignação se dá nesse mesmo campo, nas forças vivas, na estrutura social a preservar (nos trabalhadores formais, nos proprietários formais…) (indignação de circunstancia, mas, todavia, indignação), nos custódios da palavra!! Ora, as palavras defesa e preservação do património publico e colectivo como repudio perante o possível vandalismo fazem todo o sentido, mas quando entrecruzadas com as vergastadas imprudentes e inusitadas, perdem densidade e sentido!!
      É desta encruzilhada que nascem as contradições aqui espelhadas!!
      O que me parece que o caro Vidal, assim como a CGTP, pretende, neste episódio, é defender a defesa do possível sem o querer parecer!! Estou do seu lado, ou ele do meu, sabendo que, certamente, ele quereria estar noutro lado!!
      Confuso!? Acho que não!!

      • Carlos Vidal diz:

        Nada confuso, claríssimo, meu caro Justiniano.
        É evidente que todos trabalhamos no limiar, no seio, no “seio interno” do possível e para o possível. Mas há um problema: por vezes, irrompe algo que desconhecemos e não sabemos nomear, algo que já não é da esfera do possível (por exemplo, a social democracia, ou o keynesianismo, seriam algo aparentado ou pretensamente justo, visões ou situações do mundo pretensamente justas – o mal menor, o possível). O possível também é isto: dou aulas, cumpro tudo o que me é incumbido (na perfeição possível, quantitativa e qualitativamente, o que, curiosamente, reforça o possível). Mas o que já é estar do outro lado, para usar as suas palavras, é a disponibilidade para esse algo que não tem nome, que irrompe sem aviso e que um filósofo há pouco chamou de “niilismo activo”. Ou seja, o não reconhecimento de nenhum valor, mesmo não sabendo aonde isso poderia levar. O mesmo filósofo que falou em niilismo activo considerou a Revolução Cultural chinesa como a última revolução do século XX. Desfecho imprevisível é isso: saber ser fiel àquilo que se desconhece. Logo, estar aquém e além do possível. Não creio isto confuso (não é, por certo).

  14. sb diz:

    há uma frase de um autor que o amigo carlos vidal deve conhecer bem e que sintetiza o comportamento da esquerda ao longo dos últimos 50 anos: enquanto a esquerda andou a discutir política, a direita andou a praticá-la.

    a única coisa que quero retirar daqui – dos posts em relação à frase -, e com isto apoio o comentário do joão delgado, é que é impossível contestar o que se anda a passar em portugal e no mundo se os vários movimentos recusam aceitar que lutam pelo mesmo. aliás, acreditarem que apenas as linhas que defendem poderão singrar é o primeiro passo para perderem todo o meu apoio (que é só de um e por isso não tem relevância) e provavelmente de muita outra gente que contará sempre seja qual for o regime que saia de uma reforma ou revolução e que ainda mais conta para que uma revolução ou qualquer outra alteração de regime possa seguir em frente.

    de resto, qual a legitimidade de haver seguranças da CGTP a impedir o acesso de manifestantes a uma praça pública? contestam a falta de legitimidade democrática em frente à assembleia(que está presente no seu discurso, seja pela falta de soberania do país face à UE, por um lado, seja pelo não cumprimento do programa de governo, por outro), restringindo o acesso a espaço público? aliás, em que é que seguranças privados são diferentes de uma força policial a mando do MAI (em última instância, atribuo muito mais legitimidade a estes últimos)? e pior, porque é que a CGTP não aceita a inclusão de outros movimentos nas manifestações (prática que não é de hoje, como bem se disse e mais estranha ainda porque, nos casos que conheço, não estamos a falar de gajos do pnr a quererem a associar-se, referimo-nos a movimentos com os pés bem firmes na esquerda)?
    em suma, de que é que a CGTP medo? de perder estatuto? poder?

    por mim, pouco importa quem me morde para afirmar a sua força, o que não gosto mesmo é de ser mordido .

    • Rascunho diz:

      Nunca é demais relembrar:

      “… os sindicatos são os inimigos directos da greve selvagem, também têm medo de perder toda a sua importância ao perderem o controle que exercem sobre os trabalhadores, caso fosse entregue ao Estado o direito de intervir, sem passar pela sua mediação, contra as formas reais de luta de classes. No 1º de Maio [de 1969], a greve anti-sindical de cem mil estivadores, tipógrafos e metalúrgicos contra a lei com que os ameaçavam, mostrou pela primeira vez, desde 1926, uma greve política em Inglaterra;…”

      Antologia da I.S., pág. 312

      • Carlos Vidal diz:

        E muito bem lembrado, amigo Rascunho.
        Contabilizou e está atento às vezes que eu aqui tenho citado Vaneigem, Debord e a IS (Debord foi mesmo o tema do meu 1º post nesta casa), logo, vá de me sensibilizar e intimidar (talvez). Pronto, estou sensibilizado.
        Mas há uma nuance: os sindicatos são os inimigos da greve selvagem, mas também são eles (na forma dos trabalhadores organizados) que as podem convocar e pôr no terreno.
        (O Maio 68 contabilizou infinitas assembleias colectivas onde colectivamente se traçavam estratégias – um tema debordiano -, movimentações, etc.)
        Dizia Debord que a IS sempre combateu o seu sucesso.
        Mesmo que, em determinados contextos, a razão estivesse do seu lado. E é isso que é preciso fazer: combater o parecer que se tem razão. Armarmo-nos bem. Organizarmo-nos bem. Blindarmo-nos.
        O inimigo não brinca (e quer sobreviver a todo o custo).

        • Rascunho diz:

          Vidal,

          de relance que passe a nuance…

          abraço

          (quanto à eventual intimidação: tenho estado com alguma atenção ao vosso blogue há uns meses… aprecio, como já tive oportunidade de dizer, o que por aqui se vai escrevendo por fora e por dentro – concordando e discordando, como é óbvio, mais com uns que com outros.)

          • Carlos Vidal diz:

            Uma verdadíssima que se combate a si mesma, que se quer combater, tem de admitir não diria nuances, mas desvios, derivas (são de Debord os termos).
            Quanto à “intimidação”…
            Não estava eu a querer pôr acento grave na palavra, estava apenas a sugerir que o meu caro me procurava acantonar num campo que também é o meu (e nada de mal viria daí).

        • sb diz:

          como demonstra o rascunho, a ideia dos sindicatos serem o braço mais largo do regime não é de hoje. mas o que eu queria apontar não era isso – aliás, ao pensar a humanidade como um colectivo e ao não querer saber de regimes pré-ordenados para nada, tanto me faz que o sejam ou não. se não fosse este o tabuleiro de poderes, seria outro. mas há aqui qq coisa que não bate certo:

          se o q é preciso fazer é combater o parecer que se tem razão, de que modo podemos armar-nos, organizar-nos, blindar-nos? quem o faz sem a certeza de ter razão? e, raios, afinal quem é o inimigo? e se a historieta entre pi e cgtp não tem relevância, é isolada, porque sabemos todos de antemão que o conjunto de movimentos e partidos à esquerda se esfolam de dia e de noite (já nem falo da vontade de criar novos partidos que congreguem toda a esquerda, o que parece uma contradição)? será que o que se passou no chiado horas mais tarde aconteceria se todos seguissem no mesmo pelotão? e, afinal, o que faz comichão a essa gente toda? é a minha esquerda que é melhor que a tua? é o proletariado de base contra a baixa burguesia de rastas? são os tambores? as danças ou a diferença de melodia nas palavras de ordem?

          às vezes passa pela minha cabeça qualquer coisa que a faz pensar que nem de problemas ideológicos se trata!

  15. iskra diz:

    Mas então como foi, o moço chegou lá e o gajo da CGTP deu-lhe uma mocada na cabeça, assim do nada!?!?!?

    • Carlos Vidal diz:

      Caro/ Cara iskra
      É simples.
      Na página dos Precários Inflexíveis o assunto está mais do que arrumado: houve na manifestação de S. Bento um incidente que nada representa. Por lá se escreve, e logicamente, que não se deve confundir nem o incidente nem o seu protagonista com a CGTP. Só os do costume é que ainda lambem a ferida.
      Quanto ao resto, como o meu amigo/amiga sabe, quer a CGTP quer o PCP odeiam os movimentos sociais. Mal vêem um movimento social a mexer-se comem-no ao pequeno almoço, começando, como sabe pelas orelhas (as duas).
      Movimento social – jantarada subsequente!
      O PCP aproveita-se assim da democracia, acto contínuo. E foi para isso que foi feito o 25 de Abril. Para nós, comunistas, jantarmos movimentos sociais.
      (Abraço)

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