Unidade na acção? Qual unidade?

Acabo de ver na SIC-Notícias o nosso Renato a falar da carga policial despropositada, mas cada vez mais habitual, e da altercação com elementos da CGTP, que impediram a passagem de faixas do Movimento Sem-Emprego.
Se em relação à Polícia estamos falados – decerto os meus colegas se dedicarão ao assunto porque viveram «in loco» os acontecimentos – a questão da CGTP é mais grave. De que serve falar de unidade se, no momento decisivo, a Central Sindical trata os movimentos não-sindicais como se fossem inimigos e como se não andassem todos na mesma luta.
É que a luta é a mesma e, quando vêm com estas tretas, lembro-me logo da manifestação dos 100 mil professores e de que como os sindicatos tiveram de ir atrás dos movimentos cívicos que foram sendo criados. Já para não falar da traição perpetrada no final desse processo com a assinatura de um vergonhoso Memorando de Entendimento cozinhado nos dias anteriores entre o ministro Vieira da Silva e o secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva.
«Unidade na acção» é um «slogan» muito bonito, mas convinha que fosse posto em prática de vez em quando.

Nota: Fernando Moreira de Sá, a luta faz-se em diversas frentes e, se os elementos do 5 Dias estão todos nos piquetes, é porque neste momento são mais necessários lá. Não te preocupes, estou cá eu para salvar a «honra do convento».

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21 respostas a Unidade na acção? Qual unidade?

  1. Eu não me preocupo, meu caro. Só não quero é ver-te explorado no trabalho 🙂
    Sinto que falta aqui alguma unidade na acção, eheheheheh.

    Um Forte (Apache) abraço!

  2. Tiago diz:

    1.Não me leve a mal. Mas ainda ontem numa resposta a um artigo neste blog eu disse que na análise da Greve Geral vocês iriam desancar na CGTP-IN. Disse que não sabia o motivo mas que era inevitável isso acontecer.

    E porque é que é inevitável? Porque na cabeça de quem organiza as tais manifestações fora do âmbito do movimento sindical unitário no dia em que mais do que nunca se apela à unidade tem um preconceito feroz contra o PCP e a CGTP-IN. Ao PCP em primeiro lugar. A CGTP-IN obrigatoriamente leva de tabela, porque a concepção destas pessoas do que significa a CGTP-IN é modelada pela ideologia dominante.

    E o objectivo primeiro é claro, que se repete em relação ao 24 de novembro de 2011, no final do dia, nada de valorizar o dia de luta, valorizar todos aqueles fizeram greve, e muitas outras coisas, o que interessa é bater na CGTP-IN. Escrever uma mão cheia de posts, arrastar durante dias a tal crítica “demolidora” da ausência de “unidade”. Se não há motivos apelativos… inventa-se. Este artigo é a prova disso. E sem mais comentários em relação a isto, porque não sinceramente, depois de um dia destes, não merece.

    2. Porque razão a polícia (a mando do Governo neo-fascista) “entra em confrontos” com manifestantes? Porque há uma tentativa deliberada por parte de quem comanda estes movimentos de criar um mínimo pretexto para que tal aconteça.

    E para este Governo só é preciso o mínimo dos mínimos. Uma garrafa arremessada por alguém não identificado … começa a prova de que vale este Governo, carga aberrante sobre legítimos manifestantes que são espezinhados diariamente, “rebuçadinhos” ao mesmo tempo para o grande capital, em forma de uma torneira de ouro que nunca se fecha.

    E porque é que raio não controlam as “vossas” manifestações? Porque razão não conseguem se organizar para minimizar a possibilidade de ocorrerem estas situações? De um infiltrado ou de alguém que no calor do momento perca a noção do que interessa realmente? Porque é que há sempre o pretexto? Porque assim quem manda quer que aconteça. Seja uma grade caída, seja uma garrafa no ar, seja o que for.

    3. Interessa passar a mensagem que o Governo manda políticas bater em manifestantes? (Isso é óbvio para nós, que é a violência que protege o sistema) Se muitos trabalhadores não perceberem realmente porque é que saímos à rua para lutar pelos nossos direitos, os manifestantes passam a arruaceiros, a gente que não quer trabalhar, logo com direito a levar uma boa pancada. É triste, mas é a realidade.

    4.E porque é que dirigem ódio contra polícias e não referem que eles obedecem a ordens, que o autor real destes crimes, é o governo, logo o capital. Sabem vocês que durante esta madrugada vários políticas pediram claramente desculpa, sinceramente, a membros de piquetes de greve, quando por exemplo nos obrigavam a sair de uma estrada bloqueada.

    A razão de estimular este combate aos políticas? Porque este ódio é necessário para avançar na fascização do Estado. É fundamental a nível das bases das forças policias que cresça o ódio contra quem se manifesta. Com homens habituados a receber ordens e a pertencer a uma hierarquia bem definida. Criar um inimigo bem definido é fundamental para quem lidera (o capital).

    E por essa razão é que estes movimentos hostilizam as bases das forças policiais. Eles estão ao serviço do grande capital? Sim. Mas são homens e mulheres assalariados, logo o nosso objectivo é trazê-los para cá. Quem não quiser perceber isto define bem de que lado estão.

    5. Se ainda não compreenderam a brincadeira, nós estamos em guerra. Uma guerra em que estamos a levar porrada a sério. E a nossa trincheira é a capacidade inesgotável de se superar dos trabalhadores conscientes da natureza classista da sociedade em que vivemos.

    Por isso, deixem-se de tretas, valorizem a greve geral, aprendam com os vossos erros, que a CGTP-IN aprende com os seus. Quando perceberem o que se passa neste país, quando perceberem como se vence o capital, verão que definido o inimigo, não se gastam balas a atirar contra quem também o quer abater.

    Isto se quiserem realmente mudar alguma coisa neste país e no mundo. Eu tenho as minhas dúvidas.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Isso não deve ser para mim, meu caro. Eu nunca organizei qualquer manifestação das que refere e não tenho nada a ver com quem organiza.

    • Felipao diz:

      Grande texto.
      O Ricardo santos Pinto a uma coisa destas não consegue responder. A menos que recorra a algumas mentiras(como as que estão no post).

    • Caxineiro diz:

      É isso e nada mais, Tiago

    • pedro Passos Trocados diz:

      Foda-se! o pá!!!!

      A puta da bófia (no caso GNRs) matou a tiro a Catarina Eufémia e o filho que esta trazia no ventre. Ou já te esqueceste?

  3. Renato Teixeira diz:

    Ricardo,

    Há muito a falar sobre unidade mas de momento estou exausto para debater os pontos que levantas, quase todos merecedores de muito debate nos próximos dias. Queria só dizer-te para reveres as minhas declarações que não correspondem exactamente ao que citas no teu texto. O MSE em momento nenhum se cruzou com a CGTP, tendo saído do Rossio e chegado a São Bento na segunda manifestação do dia.

    Abraço.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Tens razão, Renato. Terá sido outro movimento e terá sido a jornalista a dizê-lo momentos antes de te entrevistar. Fiz confusão, desculpa. E foi na RTP, não na SIC – N.

  4. Tiago says:
    22 de Março de 2012 at 21:57

    Tirando as *gorduras*, em resumo – todo uma ideologia, todo um programa
    formatado à Marx:
    . . . Porque razão a polícia (a mando do Governo neo-fascista)
    . . . tem um preconceito feroz contra o PCP e a CGTP-IN; Ao PCP em primeiro lugar.
    . . . Isso é óbvio para nós, que é a violência que protege o sistema
    . . . Se ainda não compreenderam, nós estamos em guerra.
    Eu acho que está conforme ao formato . . .

    • De diz:

      As “gorduras” é um termo que os pulhas que nos governam gostam
      “luís a.a fonso” segue-lhes as pisadas.
      Está certo,conforme ao formato.

  5. Ulisses diz:

    Onde é que passaste o dia Ricardo? A pensar como é que haverias de abordar o tema pela óptica que mais te interessa? Nem te dás ao trabalho de cruzar informação e no fim pões-te aqui a inventar coisas, haja pachorra.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Hás-de me dizer onde estão as mentiras, Ulisses. E vai ler o comentário do Anon neste mesmo post – juro que não fui eu que o escrevi.

  6. anon diz:

    Unidade é o caralho, a CGTP mostrou bem as suas intenções hoje no Porto quando abandonou o seu local nos Aliados para se juntar à concentração nos Leões. A atitude com que a CGTP se apresentou lá em cima não foi uma de solidariedade na luta mas sim de um sectarismo total e de um desejo completo de se apropriar de todas as ruas e de todas as lutas.
    A CGTP deslocou para os Leões o seu palco montado num autocarro, com um sistema de som tal que abafou todos os outros que lá estavam. Trouxe ainda para lá gente, que talvez na sua inocência foram colocados com bandeiras em pontos estratégicos, ao longo de todo o gradeamento, criando a impressão de que aquilo se tratava de uma acção da CGTP, quando isso não é verdade.
    Depois claro, começaram os problemas e vieram logo os chibos do serviço de ordem meter o bedelho onde não eram chamado e quando viram que ninguem lhes ligava nenhum simplesmente abalaram a meio da concentração, sem esperar pela saída do Paços.

    É isto a politica oficial da CGTP, apenas tenho pena dos milhares de trabalhadores que com boas intenções lá vão sendo manipulados. E hoje viu-se a quantidade de bons camaradas que lá há, não faltaram as pessoas sindicalizadas na cgtp que tambem ajudaram a resgatar os presos da policia ou a malhar nos infiltrados.

    • JMM diz:

      foda-se, mas afinal quem organizou a Greve Geral? quem anda a reboque de quem?

      e a tua ideia de manif é resgatar os presos da policia e malhar nos infiltrados?

    • sopas diz:

      verdade. a atitude com que a cgtp chegou aos leões, para onde não tinha nada marcado, sem respeito por quem lá estava e tentando impor as cantilenas do costume que podem dizer muito aos jurássicos, mas pouco dizem e nada acrescentam à luta e às reivindicações de hoje, distribuindo o seu serviço de ordem pelo espaço, provou que o respeito pela unidade e pelas iniciativas dos outros é só quando lhes toca a eles. e se, seguindo o exemplo do ocorridp em lx, algum participante de alguma das organizações q convocou para os leões tivesse aberto a cabeça a alguém da cgtp?

    • Nuno Rodrigues diz:

      Eu gostava de ter visto a malta que levou nas bentas a tarde, a ter andado noite dentro a “resgatar” a malta que levou nas bentas á noite nos piquetes de greve. Mas deviam estar na caminha. A “sonhar” com a unidade.

  7. De says:
    23 de Março de 2012 at 12:19
    As “gorduras” é um termo que os pulhas que nos governam gostam
    “luís a.a fonso” segue-lhes as pisadas.
    Está certo,conforme ao formato.
    __________________

    Sabe. grande D, ao contrário do senhor,
    não sou *formatável* (e muito menos *à Marx*) . . .

  8. Ulisses diz:

    Fazes ao nik que utilizas, só que devias escrevê-lo de forma correcta: ANÃO. Andas a ver muitos filmes no Carlos Alberto.

  9. ana diz:

    A CGTP e o MSE nunca tiveram incidentes, foi com outro movimento.

  10. ana diz:

    isso dá para corrigir!

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