Greve Geral: Uma questão de coerência

Sou uma pessoa extremamente incoerente na minha vida privada. E mesmo quem não me conhece poderá perceber isso através de alguns dos meus textos, sobretudo os mais antigos. Um tipo entretém-se durante anos a acusar este e aquele de incoerência e, quando vai a ver, a maior das incoerências está dentro de si. Não me orgulho disso e tento contrariar esse enorme defeito, mas nem sempre é fácil.
Mesmo não concordando com o «timing», hoje fiz Greve. E era fácil não fazer. Por causa das reuniões de avaliação, onde todos os professores têm de estar presentes, a minha escola antecipou ou adiou todo o serviço marcado para hoje. Ou seja, não tinha serviço e não precisava sequer de sair de casa. Mas porque em relação às minhas opções ideológicas não costumo ser tão incoerente como no resto, decidi fazer Greve. Decidi ser coerente.
Sou um herói por causa disso? Claro que não. Herói é o Carlos Guedes, que trabalha há um mês numa empresa e não hesita um segundo na hora de fazer Greve. Heróis são os milhares e milhares de precários que estão na mesma situação.
Se me perguntarem se vair sair alguma coisa de útil desta luta, eu direi que suponho que não. Mas sem lutar é que não se consegue nada certamente. Foi assim no passado e terá de continuar a ser assim no futuro.

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27 respostas a Greve Geral: Uma questão de coerência

  1. JS diz:

    “Se me perguntarem se vair sair alguma coisa de útil desta luta, eu direi que suponho que não. ”
    Há gente que olha para a greve como os clubes de futebol. Adere-se simplesmente por que sim. Essa coerencia é de curteza de vistas.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Infelizmente, não acredito que o Governo volte atrás no que quer que seja. E isso não depende de nós, depende deles. O máximo que podemos fazer é lutar. O facto de não acreditar que a luta dê resultados visíveis não me torna estreito de vistas. Nem pessimista. Torna-me realista.

      • Grevista diz:

        Creio que se referiu à utilidade da greve, negando-a (“Se me perguntarem se vair sair alguma coisa de útil desta luta, eu direi que suponho que não”). No comentário corrige para “resultados visíveis”, não é bem a mesma coisa. Seja como for, revela as tis vistas curtas que nega.

        Sobre o «timing», qual defendia?

      • Caxineiro diz:

        Vim agora do café onde todos os dias se discute futebol e os foras de jogo e os penaltis que o árbitro não marcou
        Hoje toda a gente discutia a greve, uns a favor e outros descrentes da sua utilidade mas todos discutindo a situação política
        Porra! Nem que fosse só por isto já teria a greve valido a pena !
        “o que faz falta é agitar a malta”

        • JS diz:

          É sempre bom por as coisas como elas são. Futebol e esta greve estão claramente ao mesmo nível.

          • Antónimo diz:

            Repito aqui, pois não se percebe a quem era resposta:

            Viver em sociedade implica fazer escolhas e tomar partidos. O Governo tem tomado más decisões para muita gente, há que contestá-las e lutar contra elas.

            Mesmo que individualmente se possa duvidar de alguns pontos particulares de um aspecto conjuntural da luta se se concordar com essa forma luta, no caso a greve geral, só se pode aderir a ela. É uma questão de mínimos denominadores comuns.

            Nada se ganha para a causa com os que se querem armar em primas donas e mostrar muita independência. Uma voz sozinha nada conta. Os muitos sozinhos que engrossam estes momentos de crítica nada conseguem, mesmo que até tenham razões válidas pontuais e pessoais. Ninguém lhes vai agradecer no Governo, mas contam com a sua desunião.

          • Caxineiro diz:

            leu assim o meu post, ou é você a pensar?

      • Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

        Caro Ricardo Santos-Pinto (peço desculpa pelo hífen mas perco-me sempre na questao dos nomes compostos):

        Do pouca adesão à greve geral de hoje podemos fazer leituras mais ou menos heroicas.

        Mas parece-me que quando a poeira assentar outras bem menos românticas emergirão: dito cruamente, a greve de hoje foi um fracasso e demonstra bem quão alheado esta o movimento sindical em Portugal (melhor dizendo a CGTP) dos verdadeiros problemas e aspirações da maioria dos trabalhadores portugueses.

        Todos queremos mais emprego, melhores salarios. Mas o folclore de discursos gastos, anacrónicos e, bem vistas as coisas, reaccionários, nem todos podem ou gostam de dançar.

        Cumprimentos,
        Joao PDA Mota

        • João diz:

          O que é fodido é um gajo querer fazer greve mas ter medo de ir parar ao desemprego, e ainda ter que aturar fdp’s como o PDA aí de cima.

        • Ricardo Santos Pinto diz:

          Não é um nome composto. São dois nomes que até têm outros pelo meio.

        • Bar diz:

          Passas os Dias a Guiar de Mota,é pq não trabalhas antes,deves ser um chulo ou um cipaio daqueles, da fibra dum Miguel de Vasconcelos.Pq não vais para a PQTP?Por falar em FDP,manda um abraço ao dias loureiro ou aoduarte lima,gente de virtude acima de toada a prova.Ah! estavas a pensar na casa pia?outro abraço ao barão eurico de melo,ao…….

    • Antónimo diz:

      Viver em sociedade implica fazer escolhas e tomar partidos. O Governo tem tomado más decisões para muita gente, há que contestá-las e lutar contra elas.

      Mesmo que individualmente se possa duvidar de alguns pontos particulares de um aspecto conjuntural da luta se se concordar com essa forma luta, no caso a greve geral, só se pode aderir a ela. É uma questão de mínimos denominadores comuns.

      Nada se ganha para a causa com os que se querem armar em primas donas e mostrar muita independência. Uma voz sozinha nada conta. Os muitos sozinhos que engrossam estes momentos de crítica nada conseguem, mesmo que até tenham razões válidas pontuais e pessoais. Ninguém lhes vai agradecer no Governo, mas contam com a sua desunião.

      • xico diz:

        Se a luta é contra o governo porque se faz greve? Julguei que a greve era contra os patrões. Se eu nada tenho contra o meu patrão porque razão farei greve? Contra as políticas deveriam arranjar outras formas de luta. Foi isso que muitos perceberam. Embora não me dê gozo, há que admitir que a greve foi um fracasso. Fora de Lisboa e Porto, que têm a questão dos transportes, não se sentiu.

        • Carlos Carapeto diz:

          “xico says:
          Se a luta é contra o governo porque se faz greve? Julguei que a greve era contra os patrões. Se eu nada tenho contra o meu patrão porque razão farei greve? ”

          Conheci trabalhadores ignorantes no tempo de Salazar, que para justificar a traição à sua própria classe faziam uso do mesmo tipo de argumentario imbecil. Mas nesse tempo não existia informação.

          Então por não ter razões do seu patrão considera que todos os outros estão nas mesmas condições?

          Não lê as noticias sobre a degradação das condições de trabalho e a retirada vertiginosa de direitos e regalias?

          Se usufrui das condições necessárias para ter uma vida decente, por favor não avalie as condições de vida dos outros a partir do conforto da sua janela.

          E mesmo essas “benesses, direitos e regalias ” que pelos vistos o seu patrão lhe oferece para vir dizer todo lampeiro que não tem razões de queixa dele , deve não esquecer que foram conquistadas arduamente com a luta de outros trabalhadores.

          Não compreende isso porque a ignorância não o deixa ver mais que um palmo à frente do nariz.

        • Antónimo diz:

          Porque o governo não está sozinho nas reivindicações, quanto mais não fosse. E porque boa parte das empresas… [é encher a gosto].

          E sim, gosto dessa ideia de que apenas se deve deve castigar os governos com o voto de quatro em quatro anos.

  2. Gentleman diz:

    Por uma questão de coerência também gostaria de ver um artigo neste blogue sobre os homicídios de Toulouse. Coerência com a atitude manifestada aquando do massacre na Noruega, em que este e outros blogues da Esquerda Radical se desmultiplicaram em textos sobre o acontecimento…

    • JS diz:

      Isso não é tema que interesse à nossa esquerda politicamente correcta.

    • Carlos Carapeto diz:

      ” Gentleman
      Esquerda Radical se desmultiplicaram em textos sobre o acontecimento…”

      O que a greve em Portugal tem a ver com esses acontecimentos em conamainfutebolclube?

      O que consideras esquerda radical? É que costumas pisar e repisar com essa muenga de radical para aqui radical para ali sem atribuires uma definição precisa a essa treta, que mais parece que te situas no extremo oposto?

      Até fazes lembrar aquelas duas meninas que estavam a discutir acaloradamente, e às tantas a mãe de uma delas gritou para a filha. ” Chama-lhe puta Ernestina antes que ela te chame a ti”.

      Não tens um espelho?

  3. ricardosantos diz:

    Só não percebo porque é que a cgtp comprou a greve geral para não deixar que toda a gente participasse na manifestação e depois dizem que é preciso unidade querem é carneirada.

  4. Não gosto de fazer Greve com a sensação de que atento contra a minha própria Máquina de Suporte Vital.

    • Bar diz:

      Gosto de filosofia e,a sua frase está ao nível dum:?Nunca me engano e,raramenrte tenho dúvidas’.Faz parte da escola dos vende pátrias,o que é sempre esteticamente bonito.Os guardas de Dachau também partilhavam desse pensamento profundo .

  5. Gentleman says:
    22 de Março de 2012 at 15:57
    Por uma questão de coerência também gostaria de ver um artigo neste blogue sobre os homicídios de Toulouse. Coerência com a atitude manifestada aquando do massacre na Noruega, em que este e outros blogues da Esquerda Radical se desmultiplicaram em textos sobre o acontecimento…
    ___________________
    NÃO percebe realmente, Gentleman?
    A *coisa* é muito simples: a *tal* chama-se *Palestina* .
    *Coerência* , como é evidente:
    Acontece simplesmente porque detestando os *EUA*, a esquerda alinha de coração no pró-Islamismo dando, até, cobertura às afirmações do reino dos *tontinhos* (Irão) que, à laia dos Neo-Nazis, nega a existência de fornos crematórios para acabar com a *escória Judaica*,
    Lembrar-se -á dos do BE mascarados muçulmanos na AR, não há muitos anos, não é verdade?
    Ora, o tal homicídio em massa de crianças de escola judaica, para mais praticada
    por membro/simpatizante da *patriótica Al-Quaeda* que faz a vida negra aos
    criminosos militares do Império, acção de tal maneira impopular que levaria a mais
    desclassificação dos *formatados à Marx*, não pode ser comentada por estes *fiéis*.
    MAIS simples não há, nem é preciso fazer um desenho . . .
    (Eu sei, Gentleman, que o que estou dizendo, já sabe *de ginjeira*)

    • artur diz:

      Tu gostavas era que tivesse sido um palestino a cometer os assassinatos, mas não foi… E isso é fodido para ti. Vai-te lamber pá.

  6. Caxineiro diz:

    Oh *Luis* *A* *Fonso*, toma os comprimidos, vai-te f**

  7. Carlos Guedes diz:

    Não sou herói nem tenho feitio para isso, pá!
    Fiz o que tinha a fazer e, apenas, porque o podia fazer.
    Abraço!

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