Pode ser a pessoa mais séria do mundo mas a sua nomeação é, no mínimo, imprudente

Ontem
O conselho de administração da Parque Escolar passará a contar com apenas três elementos, em vez dos cinco que tinha até há uma semana. Carla Ferreira, que entrou para o cargo de vogal no final do ano passado, será a única a manter-se na nova equipa de gestão, presidida por Pedro Martins Mendes, que foi presidente-adjunto do Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa. Os dois novos membros do conselho de administração agora nomeados completarão o mandato em curso, que termina em Dezembro de 2012.

Esquerda. net, 01.05.2010
Parque Escolar: Projectos para colegas de administradora

Público, 01.05.2010
A empresa Parque Escolar adjudicou, sem concurso, projectos de arquitectura para a remodelação de 13 escolas secundárias a sete colaboradores de um dos membros do seu conselho de administração.

O Polvo, 16.02.2010
Teresa Valsassina Heitor (vogal) é arquitecta e professora do Instituto Superior Técnico. requisitada ao Instituto Superior Técnico, nos termos do artigo 5.o do Decreto-Lei n.º 464/82, de 9 de Dezembro.
Este nome, Teresa Frederica Tojal de Valsassina Heitor, não é estranho, faz mesmo lembrar este senhor Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor 

5dias, 20.01.2010
2. Na lista de projectistas pode-se constatar uma enorme presença de empresas de arquitectos com actividade docente, destacando-se a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (que não me surpreende) e o Departamento de Arquitectura do Instituto Superior Técnico (absolutamente surpreendente);

 

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11 respostas a Pode ser a pessoa mais séria do mundo mas a sua nomeação é, no mínimo, imprudente

  1. von diz:

    O senhor Bruno Carvalho já afiou o seu lápis azul, hoje?

  2. Antónimo diz:

    Tenho o Professor Pedro Mendes em grande consideração. Tenho-o como sério, cordato e honesto.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Antónimo, não duvido. Mas não havia mais ninguém, que não tivesse qualquer contacto com a anterior administração?

  3. Antónimo diz:

    Já ao Crato…

  4. ECD diz:

    Tenho seguido os seus posts sobre este assunto em particular e sobre outras situações que envolvem projectos de arquitectura e urbanismo. Faz muito bem em denunciar eventuais actuações menos claras da Parque Escolar e ficar surpreendido como o peso que, antes e agora, o Departamento de Arquitectura do IST tem tanto na cúpula da empresa como nos projectistas contratados.
    Tenho ficado surpreendido contudo de não ter ainda lido nenhum post seu sobre o tão badalado caso de sucesso tropical da arquitectura portuguesa: a entrega a um gabinete de arquitectura português do projecto da nova capital da Guiné Equatorial. Se o fizer, sugiro-lhe que dê de barato alguma fanfarronice que trespassa nos locais publicados em Dezembro 2011 no Publico e ainda há 2/3 semanas na África XXI e no Expresso e se concentre na análise do projecto em si e desta imaginativa descrição e classificação do regime ditatorial de Obiang: “Sentimo-nos num país organizado e tranquilo” ; “Creio que terá o regime possível no momento” (http://expresso.sapo.pt/portugueses-desenham-nova-capital-da-guine=f710476).

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Bom dia ECD, lamento mas não consigo acudir a todas as frentes. Tenho escrito e falado sobre um preconceito pós-colonial que move esta ideia da exportar para o Brasil e África, repetindo os erros de que padecemos. De resto não conheço bem esse projecto.

      • Raúl F. CURVÊLO diz:

        Bom dia. O *meu jornal* assim o designou apaixonadamente o Tiago Mota Saraiva, o P. pela pena acutilante da Alexandra Prado Coelho, foi quem primeiro pegou no assunto. Eis um parágrafo. «A internacionalização obriga a trabalhar com todo o tipo de países e de regimes – da China ao Iraque, da Líbia à Guiné Equatorial, que está nas listas dos regimes mais corruptos e repressivos, marcado pela pobreza (dois terços dos cerca de 680 mil habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza, segundo o Banco Africano para o Desenvolvimento), falta de transparência e violência política. E onde são habituais as notícias de uso indevido das riquezas do Estado envolvendo o Presidente ou membros do seu clã mais próximo (recentemente, o filho foi acusado pelo Departamento da Justiça dos EUA de gastar quase 80 milhões de euros na compra de um avião privado e de uma mansão em Malibu)». Sob o nome da internacionalização da arquitectura portuguesa? Uma capital inteiramente sustentável? Hipocrisia sim, mas a… dos outros?! Não se consegue indiferente ao tal arquitecto-empresário tropical do atelier IdF. Pode ler-se aqui online: http://www.mynetpress.com/mailsystem/noticia.asp?ref4=4%23k&ID={A2C45AB5-F856-4E3F-BDD1-0090165DFDBB} . E existe ainda o canal da empresa no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=NQ3fVJ2ZXTk . Enfim, África poderá passar a ser uma *frente* para os seus posts. Aguarda-se, pois.

  5. ribeiro da silva diz:

    Penso que os comentários sobre a Arquiteta Teresa Heitor são injustos e infundados, pois trata-se de um pessoa muito séria e óptima profissional.

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