“Vivemos em prisão domiciliária” – O Expresso não quer fazer humor com esta declaração? E o seu dever de informar, também não quer cumprir? (actualizado com resposta ao comentário do autor do cartoon)

Enquanto os leitores entopem o aviltante cartoon do Expresso, um grupo de desempregados luta pela justa divisão do trabalho e pelo pleno ao emprego.

Não deixa de ser curioso que o Expresso seja dos poucos meios de comunicação que continua sem prestar o devido tratamento jornalístico a um movimento que contraria o seu fraco sentido de humor e duvidoso talento para o desenho.

É que são mais os desempregados fora das estatísticas do que aqueles que os Centros de Emprego contabilizam, e, mesmo entre estes, apenas um pequeno número tem direito a subsídio, seja ele qual for. Além disso, uma parte substancial da minoria que ainda tem acesso ao subsídio trocaria de bom grado esse direito pelo direito, pasme-se, a ser explorado, precário ou mesmo sub-empregado.

Responde ao Expresso, ao governo, ao patronato e à troika, na Coluna de Desempregados que ira participar na manifestação da greve geral!

Na posta do Rafael, o Rodrigo que parasitou os desempregados neste cartoon, desdobra-se em justificações. Diz que aceita “todas as opiniões e leituras que se possa ter dele”, não percebendo que os seus rabiscos infantis apenas têm uma leitura, a do seu dono. Diz que se sente “na obrigação de esclarecer as pessoas menos habituadas a lidar com este tipo de linguagem, a do humor”, não percebendo que o problema do seu desenho não é só a falta de piada – é ser soez.

Não há “metáfora”, nem “ironia”, apenas e só uma generalização tão grosseira como falaciosa. Diz que rejeita a relação de que quem “é desempregado, então é parasita”, escamoteando a evidência de que foi a única coisa que disse. Lamenta que esteja a ser alvo de uma “leitura superficial” que alguém “teima em colar ao cartoon”, quando ele foi o único simplista na análise do desemprego. Considera o subsídio de desemprego “uma ferramenta útil e solidária para ajudar quem realmente precisa”, mas preferiu fazer humor com um dos principais flagelos que afectam os trabalhadores portugueses. Alega que a sua motivação é o facto de haver “quem se aproveite”, mas é o primeiro a explorar o tema de forma abusiva. Tem a lata de escrever que os “parasitas existem e dizer que eles existem não é chamar parasita a toda a gente”, numa espécie de acto falhado depois da mordida.

Por fim, com uma frase enigmática que como alguém nesta tasca costuma dizer, deixa todo o seu carácter à vista questiona “porque é que um desempregado que o seja por não conseguir encontrar trabalho apesar de o procurar activamente se sinta ofendido com a imagem da abelha” não percebendo que a esmagadora maioria dos desempregados pura e simplesmente não só não encontra trabalho como não tem direito ao subsídio de desemprego. Lamenta “o nível com que se debatem as ideias quando se cai em desqualificações” e não gostou que o confrontassem com a sua imbecilidade. Como diz um dos comentários ao seu desenho: “E assim segue o Expresso o seu incansável caminho de criminalizar as vítimas e desculpabilizar os carrascos, bem ao gosto do dono. Toma lá um osso Rodrigo.”

Retrate-se, não persista no insulto.

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18 respostas a “Vivemos em prisão domiciliária” – O Expresso não quer fazer humor com esta declaração? E o seu dever de informar, também não quer cumprir? (actualizado com resposta ao comentário do autor do cartoon)

  1. De diz:

    Essa resposta merece palmas Renato

  2. Caxineiro diz:

    Um sabujo que produz um cartoon desta natureza, mesmo que por encomenda, consegue ser mais miserável do que o parasita do dono
    O lado bom desta merda é que estes imbecis nem se apercebem que estas campanhas nojentas têm efeitos contrários ao que pretendem
    Uma boa campanha de informação seria copiar o cartoon e colocá-lo à porta dos centros de emprego para que os desempregados, os despedidos, muitos sem salário (esses malandros) e os que nunca tiveram possibilidade de trabalhar, tomarem consciencia da natureza destes lacaios fdp

  3. Sassmine diz:

    E é bem que a Ana Rajado faça a comparação com o Oliveira e Costa no vídeo. Porque assumamos então que entre os desempregados com acesso ao subsídio há parasitas, ok, há-os em todo o lado, entre os desempregados haverão umas pulgas*. Então os Oliveiras e Costas que estão em liberdade são o quê? Carraças? Se estivermos cheios de carraças (como estamos), morremos febris, com as pulgas basta coçar.

    Ou seja, este cartoon não é sobre os desempregados. É apenas e só sobre o Rodrigo. Que gosta de ter febre da carraça.

    *suspiro — isto das pulgas é só para a comparação fazer sentido, porque no momento em que acabei de escrever sinto-me uma merda de uma pessoa, a sério, como é que os rodrigos deste mundo dormem à noite? todos mamados em valium, com certeza…

    • De diz:

      Sassmine , um bom desabafo, com um comentário ao teu comentário final. Sobre o que sentes quando acabaste de escrever
      (….é que nem pensar).
      Merda são eles. E entre outras coisas, um dos seus objectivos é fazer os demais, os que exploram, manipulam e humilham a seu bel prazer , sentirem-se como tal.
      Não lhes demos essa satisfação.Mesmo que.
      Um abraço

  4. Santos.se diz:

    Será que estes sabujos ainda não entederam, que eles serão os próximos desempregados.

  5. Gonçalo Martins diz:

    Este post é ridículo, bem como são ridículos todos os comentários que têm sido feitos no site do Expresso. Quem não tem humor são os portugueses ressabiados que não fazem ponta de um corno e querem receber o subsídio de desemprego à grande.

    “Generalização tão grosseira como falaciosa”? Tenham mas é vergonha. Não todos, naturalmente, mas uma grande fatia dos tugas que estão no desemprego não querem trabalhar. Conheço diversos casos, diversos…

    Pior ainda são aqueles que trabalham e ainda recebem o subsídio de desemprego. Os chulos da sociedade que a parasitam e que, com os sucessivos Governos, têm levado o país à miséria.

    Rodrigo não te retrates. Os portugueses não merecem que te desculpabilizes só porque sim. Tens a tua opinião que, infelizmente, não sendo generalizada, reflecte, e muito, da realidade do país há anos.

    O Expresso que tenha uma palavra, séria e clara, para acabar com esta injustiça.

    • Renato Teixeira diz:

      O facto da esmagadora maioria dos desempregados nem sequer receber subsídio de desemprego é um facto que não lhe interessa para nada analisar. Podemos perceber porquê?

    • De diz:

      (Peço desculpa Renato, mas o que é demais é demais)

      Não gosto de chamar à mãe de alguém aquilo que se dirige directamente a esse mesmo alguém.

      Numa situação como a que presentemente vivemos,em que o desemprego sobe diariamente,em que a fome espreita já muitos lares, em que o desespero toca já muitos cidadãos,vir para aqui alguém como este gonçalo martins postar um lixo como aquele que posta, só mesmo como provocação.
      Ou como rato propagandista da ideologia neoliberal
      Abreviemos.
      Estamos perante um pulha
      E cada vez tenho menos paciência para este tipo de excrementos.

      Mas há mais

  6. Beijos e pontapés diz:

    Rodrigo é um puto que precisa de agradar ao Expresso, custe o que custar … pobre Expresso, que já foste tão bom !

  7. De diz:

    Um que denuncia canalhices do governo Passos/portas – aquele bando de delinquentes

    http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2012/03/governo-passosportas-bando-de.html

  8. Pingback: Quem não quer ser picado foge das abelhas | cinco dias

  9. Luis Gonzaga diz:

    Eu questiono-me se o problema não é o aprender a ignorar valores éticos para ganhar uns trocos. Ao que tudo indica estamos bem lançados para sermos uma nova sociedade Chinesa … é melhor revermos as regras do jogo parece-me a mim (não estou a defender nem a atacar ninguem se alguem ficar confuso).

  10. leão da abissínia diz:

    A Citroën patrocina o MSE?

  11. Pingback: Só a luta nos devolverá o emprego! | cinco dias

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