Exige ao Expresso um pedido de desculpas pelo demagógico cartoon que classifica os desempregados de “parasitas”

Na página do facebook do Expresso aparece hoje publicado o cartoon que apresento aqui. Como se não bastasse, quem está reponsável pela gestão da página do Expresso decide escrever o seguinte: “Os parasitas do “Dzzzzzzemprego” no olhar sempre mordaz do nosso cartoonista Rodrigo.”

Ora, há coisas que ultrapassam os limites do que é aceitável em democracia e na liberdade de expressão. Será que o Expresso chamaria de “parasitas” aos vários chairmen ou CEOs de empresas em Portugal? Será que apelidaria de “parasitas” a todos aqueles que se movem na esfera de influência dos vários governos? Ou será que o Expresso decidiu, pela mão do seu imbecil cartoonista, atacar aqueles que pouco podem fazer, aqueles que estão mais fragilizados, aqueles que desesperam por não conseguirem encontrar trabalho, por não verem a luz ao fundo do túnel?

Por tudo isto, o Expresso deve um pedido de desculpas aos portugueses. Aos portugueses que se viram atirados para o desemprego, para todos aqueles que querem trabalhar e não conseguem, para todos aqueles que, no dia a dia, procuram, deseperam e à noite pensam até quando têm dinheiro para comer, para vestir os filhos, para pagar a casa ou a renda.

Peço a todos os leitores do 5 dias que vão à página do facebook do Expresso e exijam um pedido de desculpas. Estamos fartos de ser tratados como fraldas descartáveis e exigimos o minimo de respeito.

Exige um pedido de desculpas ao Expresso aqui:

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150640374002949&set=a.378167197948.160026.43218682948&type=1&theater

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87 respostas a Exige ao Expresso um pedido de desculpas pelo demagógico cartoon que classifica os desempregados de “parasitas”

  1. Não, não exigimos o minimo de respeito, exigimos RESPEITO.

  2. Nelson Antunes diz:

    Fiz report ao Facebook… “Attacks individual or group”.

  3. João Silva diz:

    Os cartoons atacam sempre alguém ou algum grupo. Não vejo razão para a vossa irritação. Será que enfiaram o barrete?

    • Rafael Fortes diz:

      não seja estupido. o cartoon associa uma condição (desempregado) a uma caracteristica (parasita), só isso é a própria essencia do pensamento exclusionista e segragacionista e serve para todos os binomios racistas, xenofobos e extremistas de todas as especies.

      • João Silva diz:

        Não seja estúpido. Critiquemos a mensagem de uma forma inteligente não a tentemos silenciar.

        • Rafael Fortes diz:

          caro joão, a sua provocação anterior fez-me perder as estribeiras e chamá-lo estupido. mas reafirmo o que disse, nao posso, nem creio que possamos deixar passar situações (cada vez mais frequentes) de ostracização e criminalização do desempregado como bode espiatório para a crise. Isso não podemos…

        • De diz:

          Criticar a mensagem?Mas é o que se está a fazer.Sem qualquer pejo de chamar o nome aos bois.Com a irritação própria de quem se sente insultado.Com a lucidez adequada a quem vê a mão do neoliberalismo por trás do expresso.Com a certeza que se trata aqui mais uma vez da velha luta de classes e com a determinação de não deixar passar a carroça dos pulhas em andamento

        • Vasco diz:

          Um dia vais tu para o olho da rua e depois queixas-te. Neste Portugal triste não haverá empreendedorismo que te valha, meu caro. E depois, olha, junta-te à luta!

  4. paulo diz:

    tanta coisa com aliberdade de imprensa.
    o acartoon é imbecil mas não vivemos num pais livre?
    não criticamos a rdp por silenciar quem emitiu uma opinião contra o governo?

    • Rafael Fortes diz:

      a liberdade tem limites. Se eu publicar um texto em que diga que todos os desempregados são parasitas, posso ser condenado por difamação…

      • joão viegas diz:

        Que parvoice, peço desculpa !

        Percebo a indignação e simpatizo com ela. Mas um cartoon (ou um texto) estupido carrega consigo a unica sanção verdadeiramente eficaz contra a estupidez, que é o ser manifesta. Qualquer outra sanção da expressão de uma ideia é contraproducente e preocupante do ponto de vista do respeito das liberdades fundamentais.

        A não ser assim, alias, onde é que deveriamos parar. Por exemplo, o Rafael acha que quem fizesse uma caricatura de um CEO sugerindo que se trata de um parasita devia ser sancionado penalmente ?

        Concordo complematente com o Paulo. Vivemos num pais livre, que protege todas as liberdades, a começar pela unica que poderia estar aqui em causa : a de dizer, alto e bom som, que o cartoon do Expresso é estupido.

        Boas !

        • Vasco diz:

          Ninguém está a exigir a prisão do idiota do cartoonista, pelo que a questão do «país livre» não se coloca. Está-se apenas, e bem, a atacar o conteúdo ofensivo, mentiroso e fascizante do mesmo. Precisamente porque estamos num “país livre”.

      • Alexandre Fernandes diz:

        A liberdade só tem limites quando interfere com a liberdade dos outros, e não me parece que seja este o caso. Quem está a interferir com as nossas liberdades é o aparelho estatal e legislativo, através da destruição dos direitos do trabalho e da exploração legal, não se dispersem através de críticas à comunicação social de estilo massificante, visto que esta está só a cumprir o seu papel de marioneta do poder.

        A mão que está lá atrás a agitar o boneco é que tem de ser cortada.

    • Nelson Antunes diz:

      Não tenho nada contra o cartoon ser publicado.
      Acho que ataca de forma demagógica e com intenções políticas um grupo.
      O facebook oferece a opção de assinalar uma imagem como tal. Exerci o meu direito de o fazer.
      Manifestei a minha opinião, também com bastante intenção de afirmar uma posição política, como o cartoonista manifestou a sua.

    • Liberdade de imprensa o caralho! O expresso é propriedade do militante nº1 do PPD/PSD.

  5. Rodolfo diz:

    Só fica irritado quem enfia o barrete… os desempregados que se esforçam para encontrar emprego e tentam ser bons trabalhadores podem bem ignorar este cartoon.

    É importante ressalvar que o cartoon expressa apenas uma muito pequena parte dos desempregados. O subsídio é finito no tempo e ninguém vive muito bem só com ele. criou.se um preconceito à volta dos subsídios incrível.

    Estou mais preocupado com os parasitas que roubam milhares , milhões ou milhares de milhões de dinheiros (banqueiros, políticos, gestores,traficantes,senhores da guerra) do que com o Zé ali do café que recebe uns troquitos do estado para gastar em cerveja. Quando a torneira fechar para o zé, ele arrepende-se. Por outro lado, o Zé não representa a maioria.

    • Vasco diz:

      Mas do que se fala, e do que o Expresso fala, é não desse «Zé», mas de muitos milhares de pessoas que estão impedidas de trabalhar pela sua condição de desempregado. Aos tais banqueiros e aos Balsemões deste país não há cartoon que lhes toque.

  6. Sofia diz:

    Pois é Rafael…
    Perdeu toda a razão quando chamou alguém de estúpido… estupidamente, deixe que lhe diga, pois toda a gente tem direito a ter o seu ponto de vista.
    Se fizessem um cartoon a gozar com a mítica loira burra será que todas as loiras poderiam processar o expresso por difamação… é que estão a generalizar ora pois.
    Enfim, arranje o que fazer…

    • Rafael Fortes diz:

      olhe, ó sofia. até estava para discutir o seu ponto de vista. Com o seu arranje o que fazer, só merece um vá passear…

      • Sofia diz:

        Acredite que gostaria de ir… mas como tenho que trabalhar para pagar impostos que, entre outras coisas, se destinam a pessoas que vivem de esquemas e subsídio de desemprego… olhe, ó rafael, não posso.

        Sabe, é que há muita gente que teve a infelicidade de ficar desempregado e luta para mudar de condição.

        Mas também há muitos que não querem mesmo trabalhar (acredite que falo com conhecimento de causa) e preferem receber o subsídio de desemprego e ir fazendo uns “biscates” (by the way não tributados)… e são essas pessoas que o expresso está a satirizar.

        Uma boa tarde.

        • Renato Teixeira diz:

          A sua semiótica está pelas ruas da amargura.

          • Sofia diz:

            Tem razão Renato, de facto reli agora o que escrevi e de facto não o fiz da forma mais correcta. As minhas desculpas. No entanto penso que o mais importante na semiologia é o equilíbrio da forma com o conteúdo e penso que o objectivo – expressar o meu ponto de vista – foi atingido. Caso não tenha sido por favor diga-me. Terei todo o gosto em esclarecer melhor.

            E já agora sugiro que, antes de vir aqui criticar a forma como me expressei, analise bem a forma como o seu colega se expressou.

            Não vou discutir mais com vocês. Isto é um absoluto nonsense esquerdista (mais um aliás) e é por isto que não saímos da cepa torta.

            Com os meus melhores cumprimentos.

          • Sofia diz:

            Ignore um dos “de facto”.
            Como vê já me antecipo ao seu corrector de sintaxe. 😉

          • De diz:

            (Com um pedido de desculpas ao Rafael Fortes que tem mais paciência,pedagogia e diplomacia que eu).

            Não é só a semiótica.Começo a perder a paciência com as vestais armadas em catatuas trabalhadoras.

            “Arranje o que fazer?”
            “olhe, ó Rafael, não posso”

            Mas o que é isto?A sucursal das tias do Balsemão em fila para justificarem o estado de coisas do país?
            Mas era o que mais faltava ir no canto das baboseiras neoliberais em busca do estender da mercearia doutrinária do tio Belmiro ou do padrinho Balsemão.
            Ou dos capos que nos desgovernam.A mando do grande poder económico-financeiro.

            Mas era mesmo o que mais faltava omitir o tratamento adequado às mensagens muito pouco subliminares da ideologia dominante

        • A.Silva diz:

          Sofia, você sabe o que é a vida?

          Você por acaso sabe o que é ir para o desemprego, como milhares de compatriotas nossos, que de um momento para o outro se vêem sem outro sustento que que não seja um, a prazo, “subsidio de desemprego”, com contas para pagar, com filhos a quem se quer garantir um futuro minimamente digno??

          Tenha vergonha!

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          Cara Sofia, para descansar a sua cabecinha com a necessidade de pensar, algo que poderia usar quando diz que os seus impostos pagam os subsidios de desempregos dos outros, considere o seguinte:

          as pessoas que têm subsidio de desemprego trabalharam no duro durante anos. Ele não veio do ar. Uma condição para o termos é a de termos antes sido trabalhadores. Com descontos para a Segurança Social. Portanto, antes de usufruir desse direito para o qual pagámos antecipadamente do nosso próprio bolso, fomos, nós mesmos, trabalhadores que trabalharam no duro durante pelo menos 2 anos.

          Não fomos também trabalhadores incompetentes, uma vez que o subsidio não é dado a quem é despedido por justa causa. Tão pouco quisemos estar no desemprego, uma vez que também não usufrui quem activamente rescinda o contrato. O subsídio, contas feitas, é uma rede para quem trabalhou e se viu, contra vontade, privado de trabalho.

          Na prática, portanto, quem tem subsídio de desemprego trabalhou para o ter. E pagou para o ter. E continua a pagar, uma vez que com as taxas tributárias em vigor, 23% de quase tudo o que se compra é tributado ao estado.

          Espero que considere isso da próxima vez que usar um discurso condescendente sobre um tema no qual não pensou de todo. Espero também, a bem de não aumentar as estatísticas, que pensamento crítico não seja um requerimento das suas funções. É que a concertação social recente alargou os critérios de despedimento, e poderia ver-se despedida com justa causa. E aí é que não havia subsídio que a salvasse.

        • Eu mesma diz:

          ó Sofia, a menina trabalha em que? tem tanto tempo para estar aqui na tagarelice… veja lá se é despedida, queridaaaaaaaaa…

        • Antónimo diz:

          Talvez devesse ter frequentado a escola. Assim saberia que o subsídio de desemprego é pago com os descontos feitos pelo próprio desempregado para a segurança social.

        • Vasco diz:

          Quem é que aqui não paga impostos, ó Sofia? Essa conversa do eu-que-trabalho-e-que-pago-impostos é no mínimo imbecil. Há demasiada gente a achar que só ela própria é que trabalha…

    • Bar diz:

      Aplique isso às vitimas do Holocausto.Axa que perdiam,a razão?Que retórica tão estúpida!!!!

  7. Antónimo diz:

    O mais preocupante nem é o cartoon. Mais preocupante é que os jornais em Portugal propaguem esta mensagem. Basta confirmar pelo facebook da coisa, onde alguns se queixam do foco e sugerem outros. Há até quem ataque em simultâneo o rsi e a banca.

    Mas que querem? O caderno de emprego do Expresso deve ser o principal atractivo da coisa e quantos mais desempregados houver, mais vendem. De certa forma interessa manter o pessoal doutrinado. Eu estou desempregado, sou um parasita, tenho de comprar o Expresso para encontrar emprego.

    • De diz:

      Há aqui quem pense que estamos num chá dançante.
      Há aqui quem pense que a ideologia dominante se combate com queixas género roda pé na página de jardinagem de uma qualquer Hola.
      Há aqui quem pense que isto não é uma das sujas formas de manipulação ao dispor dos media que sopram a voz do dono incessantemente.Sem qualquer hipótese séria de contraditório.
      Há quem pense que isto tudo é feito sob a forma redonda das liberdades individuais.

      A liberdade de morrer de fome ou sem tratamento médico e poder reproduzir o sucedido em papel selado sob 3 cópias? Ou mais modernamente num qualquer sistema informático em que se expressa o amor ou o ódio pelos lindos olhos de um qualquer cartaz nojento?

      Por respeito exclusivo ao autor do post não expresso a linguagem vernácula adequada ao tema.
      Mas sinceramente estou tentado a

      • De diz:

        Nota importante: este comentário não tem como alvo Antónimo, pessoa que respeito e admiro.
        (E já agora, subscrevo em grande parte o conteúdo do seu post…menos a sua qualificação de “parasita”,como é evidente).

        • Antónimo diz:

          Caro De, eu quando escrevi parasita, devia ter posto entre aspas. Ficou menos claro. O que queria dizer é que o Expresso é que expressa a ideia “Eu estou desempregado, sou um parasita, tenho de comprar o Expresso para encontrar emprego (no caderno de emprego deles)”

  8. Renato Teixeira diz:

    Já fiz a minha parte. O mural está a ficar lindo!! 🙂

    “Assim vai o jornalismo e o humor em Portugal, a usar o insulto contra os mais vulneráveis da sociedade. Uma piadola ao roubo da banca e da troika, não?
    Curiosamente, o Expresso é dos poucos meios de comunicação que ainda não deu notícia da organização dos desempregados que tem vindo a reclamar o direito ao Emprego. https://www.facebook.com/groups/movimentosememprego/

  9. A.Silva diz:

    A visão que esta gente tem do mundo é de uma desumanidade que até faz doer a alma, que é coisa que esses labregos não têm!

  10. Rodrigo diz:

    Sou o autor desse cartoon. Aceito todas as opiniões e leituras que se possa ter dele. Mas sinto-me na obrigação de esclarecer as pessoas menos habituadas a lidar com este tipo de linguagem, a do humor, que se vale muito da metáfora e da ironia, o seguinte: em nenhum momento, as personagens que criei tiveram a pretensão de ser um resumo generalista de todos os desempregados. Rejeito a relação “é desempregado, então é parasita” que uma leitura superficial teima em colar ao cartoon. Mais do que isso, considero o subsídio de desemprego uma ferramenta útil e solidária para ajudar quem realmente precisa. Sem prejuízo de achar também que, como em tudo, há quem se aproveite. Parasitas existem e dizer que eles existem não é chamar parasita a toda a gente.

    Não percebo, por isso, porque é que um desempregado que o seja por não conseguir encontrar trabalho apesar de o procurar activamente se sinta ofendido com a imagem da abelha, pois, se ela é a caricatura de alguém na sociedade, não é certamente dessa pessoa.

    Lamento também o nível com que se debatem as ideias quando se cai em desqualificações como “imbecil cartoonista”, etc.

    Cumprimentos

    • helder diz:

      Vai-te foder.

    • JR diz:

      O que o Rodrigo não percebe é que não há distinção no cartoon entre o desempregado que procura emprego e não encontra e o desempregado que supostamente não procura emprego e prefere ficar apenas com o subsídio de desemprego – objectivamente não há meio de diferenciar um de outro uma vez que são ambos desempregados de modo que o que conta é a suspeita que, sendo desempregado, poderá ser um parasita. No fundo é este o resultado da sua explicação: todo o desempregado é um possível parasita, depois, sim, poderá que alguns sejam de facto e outros não, dependendo do critério de procurar emprego. Mas como procurar emprego não é encontrar emprego, resulta que procurar emprego pode simplesmente redundar em permanecer desempregado e portanto retornar ao estigma de possível parasita.

      Você é livre de pintar o que quiser e o expresso de publicar de suas pinturas as quer quiser, mas o que você pintou foi a prevalência do princípio da suspeita. Então, eu volto este princípio para si mesmo, ou seja, suspeito que o Rodrigo é um cartoonista comprometido com a ideologia do governo e como parto do princípio desta suspeita é irrelevante o que diga o Rodrigo uma vez que tudo o que diga pode ser lido sob o ponto de vista da suspeita, ou seja, se o Rodrigo admitir que é um boy do governo confirma-se a suspeita, se o Rodrigo disser que não é um boy do governo eu mantenho suspeita de que o Rodrigo é um boy do governo, pois que pelo princípio da suspeita eu parto do princípio que o negar da suspeita é o seu confirmar, ou seja, é suspeitar que o Rodrigo mente sobre a sua verdadeira condição – diz que não é boy apenas para poder ser mais boy ainda.

    • Bruno Carvalho diz:

      Caro Rodrigo, a imagem não deixa margem para dúvidas. Lançou sobre a maioria dos desempregados a ideia de que são parasitas e que vivem alegremente à custa do erário público. É, aliás, esse o título introdutório que o Expresso dá ao seu cartoon: “Os parasitas do “Dzzzzzzemprego” no olhar sempre mordaz do nosso cartoonista Rodrigo”. Em vez, de usar essa forma de arte para desmontar preconceitos e mistificações preferiu adensa-los. Mas pior do que isso é insultar milhões de desempregados e tentar escapar-se de fininho dizendo que devíamos ter percebido o que queria comunicar. Talvez esteja certo. Somos centenas os que estamos enganados. Enganados há décadas por acreditarmos em gente como o senhor, por acreditarmos nos jornais que nos vendem uma falsa realidade, por acreditarmos no capital e nos seus partidos que vos pagam os salários.

      Até pode tentar escapar-se mas já não se livra do preconceito que criámos contra si. É assim a vida. Mas pelo menos sabemos que nem todos os cartoonistas são como o senhor e não vamos desatar a falar mal deles. Infelizmente, o Rodrigo ficou marcado. Pelo que fez e pela cobardia de não assumir o que fez. Bater nos mais fracos é fácil. Espero que lhe tenham sabido bem as palmadinhas nas costas da direcção do Expresso.

    • Rafael Fortes diz:

      Caro Rodrigo, antes de mais desculpe o termo “imbecil”. Como não o conheço, não sei o que pensa e apenas julgo aquilo que vi no meu mural do facebook qualifiquei-o como qualifico o seu cartoon, como “imbecil”.Porque realmente o seu cartoon é tolo, é parvo e não tem graça. É que é simplesmente isso: não tem graça. É um mau acto de um profissional do humor, como o meu caro Rodrigo se reclama. Além do mais perpetua a imagem que tem vindo a ser colocada como verdadeira na sociedade portuguesa de que os desempregados não querem trabalhar, ou que são uns mamões ou outros adjectivos similares. Para isso basta ver a necessidade dos desempregados se apresentarem de 15 em 15 dias nas JF(como se estivessem emliberdade condicional), o convite à emigração, as declarações de um qualquer membro do governo que há uns dias veio dizer na TSF que havia milhares e milhares de ofertas de emprego todos os dias e a as mais recentes figuras do gestor de carreira e do acompanhante de entrevista de emprego.

      Tudo isto são factos (reais, verdadeiros) que potenciam e promovem a ostracização e a proto-criminalização do desempregado como alguém que tem de ser vigiado,controlado, orientado como se de um comum delinquente se tratasse. O seu “humor” apenas é a ilustração deste triste sentimento que tem vindo a ser disseminado (e não de forma ingénua) na sociedade portuguesa. Assumiu (não sei se consciente ou inconscientemente, isso já é matéria sua) o seu papel de apoio a este nefasto sentimento e verá pelo mural do facebook do Expresso que muita e muita gente se sentiu ofendida com o seu “boneco”. Termino, tendo pena que não lamente ter feito o desenho e que a direcção do seu jornal não tenha vindo fazer um pedido de desculpas publicas às centenas de milhares de desempregados que lutam todos os dias pela sobrevivência.

      Cumprimentos

      Quando se faz humor tem de se ter presente os limites do bom senso…

    • Também sou cartoonista, infelizmente não exercendo profissão como tal. Dou-lhe um ponto por se ter exposto. Mas tiro-lhe vários por fazer um cartoon de algo que não domina. O cartoonista primeiro estuda um assunto, depois satiriza-o, mas somente depois de ter arcaboiço suficiente para fazê-lo. É condição sine qua non para alguém ter acesso ao subsídio de desemprego, ter trabalhado e descontado para a segurança social anteriormente por um N de anos mais um N de descontos. Constitucionalmente é um direito garantido, logo não existem potenciais desempregados a aproveitar-se do subsídio. Existem pessoas que trabalharam anteriormente que têm TODO o direito ao subsídio. Portanto não é sátira nem tão pouco mordaz. É ignorância de facto e falácia medíocre. Mas como lhe disse no início, merece um ponto por se ter exposto.

    • NC diz:

      Rodrigo,
      Acho que já percebeu que fez asneira, o seu cartoon é básico, demagogo e idiota, perpetuando uma generalização errada. Deixou claro na sua mensagem que não era essa a sua intenção, mas no papel de alguém que publica a sua opinião num jornal da dimensão do Expresso, esperava que reflectisse melhor sobre o seu trabalho, e neste aspecto também é preciso apontar o dedo ao próprio jornal. Seja como for, se o cartoon foi mal interpretado, é porque a falha está nele, e não nas pessoas.

    • Dora diz:

      É caso para se dizer mais valia teres ficado calado. Já sabíamos que eras um cartoonista sem imaginação e competência, agora ficámos a saber que que és um perfeito anormal.

    • Bar diz:

      Não faz uma brincadeira com o Pinto Balsemão?Oh,o fazes!Ah,pois é bébé……..É a Liberdade de Expressão a que temos direito…………

    • Vasco diz:

      Quer um conselho: faça um com a troika dos ladrões a vir cá ao paízito roubar tudo o que pode. Faça e veja o que o militante n. 1 do PSD lhe faz..

  11. Pingback: “Vivemos em prisão domiciliária” – O Expresso não quer fazer humor com esta declaração? E o seu dever de informar, também não quer cumprir? | cinco dias

  12. Pisca diz:

    Rodrigo, depois de ler o que tentou explicar, só lhe posso dizer uma coisa, você é muito mais estupido do que se possa imaginar

    Você é uma besta que não vê além do nariz, mais não digo já seria algo que não estaria ao seu alcance de modo nenhum

  13. Rodrigo diz:

    Mais ainda, acrescento que só quem não lê o Expresso pode pensar que este cartoon é uma generalização literal do que o jornal pensa do gravíssimo problema do desemprego. Se lesse, teria visto, por exemplo este outro cartoon:

    http://expresso.sapo.pt/desemprego-segundo-darwin=f708112

    ou este:

    http://expresso.sapo.pt/desemprego-doce-desemprego=f705932

    ou este:

    http://expresso.sapo.pt/concertiranizacao-social=f701199

    ou este:

    http://expresso.sapo.pt/moeda-de-itroikai=f689711

    ou este:

    http://expresso.sapo.pt/trabalho-esforcado=f686365

    ou este:

    http://expresso.sapo.pt/desemprego-pontual=f637627

    etc., etc., etc….

  14. António diz:

    Também concordo que a liberdade deve ter limites. Por exemplo acho inaceitável que um partido português, legalizado defenda um modelo para a sociedade, que já foi testado noutros países e que foi responsável pela morte de vinte milhões de pessoas. O comunismo devia ser banido assim como, e bem, não se aceita a difusão de ideologia de carácter fascista ou anti-semita.

    • De diz:

      António (oliveira).
      Lastimo.Mas foi o nazi-fascismo que foi derrotado na segunda grande guerra.
      Pela mão forte dos tais comunistas.
      Por isso,ao engulho que lhe causa,aos tremores que lhe provoca,à azia que manifesta,só tenho uma resposta:
      vá pentear macacos
      (enquanto mima os seus com os trejeitos de pútrido representante dos pulhas neoliberais a rondar as saudades do fascismo).

      • Zuruspa diz:

        Ó De, deixa lá o grunho rebolar-se no lodo à vontade! Ele nem sabe a diferença entre anti-semita e anti-sionista! Nem sabe que os árabes PASME-SE também säo semitas!

        Näo vês que que o ressabiamento de ver que o sistema neoliberal que ele taaaaanto defende está a deixá-lo miserável a ponto de breve estar a ir às novas “sopas do Sidónio” dói muito???

    • Vasco diz:

      Se não fossem os comunistas, meu caro, falavas alemão possivelmente. Ou então eras governado pelo Balsemão ou outro do género, presidente do conselho do Estado Novo.

  15. Pingback: Nem negro, quanto mais humor | Aventar

  16. Não gastem energias. A melhor reivindicação é mesmo a de deixar comprar o Expresso com a actual direcção. Liberdade de mercado.

  17. Pingback: Exige-se ao Expresso um pedido de desculpas pelo demagógico cartoon que classifica os desempregados de “parasitas” | Manuscritos Digitais

  18. Caxineiro diz:

    O gajo até se considera humorista e tudo….
    isto está pior do que imaginamos….

  19. sofia diz:

    lembram-se dos cartoons do profeta maomé? ganhem juízo.

  20. Gonçalo Martins diz:

    Este post é ridículo, bem como são ridículos todos os comentários que têm sido feitos no site do Expresso. Quem não tem humor são os portugueses ressabiados que não fazem ponta de um corno e querem receber o subsídio de desemprego à grande.

    “Generalização tão grosseira como falaciosa”? Tenham mas é vergonha. Não todos, naturalmente, mas uma grande fatia dos tugas que estão no desemprego não querem trabalhar. Conheço diversos casos, diversos…

    Pior ainda são aqueles que trabalham e ainda recebem o subsídio de desemprego. Os chulos da sociedade que a parasitam e que, com os sucessivos Governos, têm levado o país à miséria.

    Rodrigo não te retrates. Os portugueses não merecem que te desculpabilizes só porque sim. Tens a tua opinião que, infelizmente, não sendo generalizada, reflecte, e muito, da realidade do país há anos.

    O Expresso que tenha uma palavra, séria e clara, para acabar com esta injustiça.

    • Vasco diz:

      Não está desempregado, pois não? Ainda… Quando estiver partilhe a sua opinião connosco, vamos gostar de a ouvir…

  21. Sofia diz:

    A vossa estupidez (e sim, agora parto tb para ela porque já se viu que não sabem debater ideias de outro modo) é tanta que nem reparam que quem começou com um termo tiozorro foi um de vós… vai tudo atrás… é uma carneiragem que dói. E depois questionam o pensamento crítico dos demais.. ahahaha…

    Mas de qualquer forma, não vou responder a provocações ressabiadas.

    Quero só esclarecer 3 pontos:

    1º o “olhe, ó” foi começado pelo “Tio Rafael Fortes” e não por mim… Apenas me limitei a responder nos mesmos termos!

    2º Há muita gente a viver de subsídios (que o de desemprego não é o único que existe) que não se dispõe a trabalhar. Conheço bem a TSU, o IRS, IRC, IVA, etc. Mas também conheço de muito perto empresas que querem contratar e têm dificuldade (pasmem-se agora) em arranjar pessoal que esteja disposto a trabalhar por exemplo como costureira, das 8h-17h.

    3º Aquilo que o trabalhador desconta para o sistema de s. social (11%) não se destina só a ter subsídio de desemprego. Tal como o que desconta a entidade patronal (sabiam que as empresas descontam 23,75% sobre o que pagam a cada trabalhador???)
    Estes valores destinam-se tb a pagar uma rede de que consideramos como básica: hospitais, reformas, etc.

    Escusam de tentar ofender ou discutir o que quer que seja comigo que faço questão de nem vos ler mais. Gosto de debater ideias sim, mas com pessoas e não com um rebanho de carneiros ressabiados que só sabem exigir, exigir, exigir e desatam logo a chamar estúpido e imbecil a quem discorda deles (e sim, sei que vos chamei estúpidos ainda há pouco… mas lá está, se vocês se dirigem assim a quem discorda de vocês o que esperam? No mínimo será de esperar que a pessoa se dirija a vós nos mesmos modos – e muita paciência tive eu).

    Adeus, até sempre e boa sorte nessa vossa birrinha… tanta m*rda por um cartoon! Haja paciência!

    Vá…vamos lá embora… tudo para aqui agora a chamar-me besta, imbecil, estúpida, tia… é à vontadinha. Vamos a isso!
    Uns amores por se espicaçarem assim, é o que vocês são. Adoro “pessoinhas”! 🙂

    Beijufas cor-de-rosinha! 😉

    • Rafael Fortes diz:

      Minha cara,

      deixando passar as tias e os tios (não me parece que as rotulações levem a lado nenhum) deixe que esclareça alguns aspectos. A minha cara (imagino que devido à sua actividade profissional) tem contacto com muitas empresas e vê muitas que não conseguem encontrar trabalhadores. Há pessoas honestas e desonestas, justas e injustas, dedicadas e desleixadas (sejam elas trabalhadores ou patrões) e mesmo sem querer entrar nas externalidades de condicionalismo motivacional (admita que um trabalhador que leva para casa sempre 450€ não andará muito motivado ou se quiser uma analogia ao mercado que tanto parece fasciná-la, quando vai a uma loja de chineses paga menos mas a qualidade é menor. Bem, com os salários é a mesma coisa: paga menos, a qualidade é menor), as leis que (até agora) protegiam o trabalhador e os subsidios que podiam amparar a sua ruptura financeira e social têm como objectivo tentar balançar uma relação que é perfeitamente desigual, entre patrão e trabalhador, para que este ultimo não seja vitima dos caprichos ou das injustiças e não esteja condenado à sorte de além de encontrar um emprego, encontrar um patrão “porreiro” e boa pessoa.

      As leis que limitavam as causas de despedimento e que estabeleciam os seus valores de compensação eram garantias de que a entidade patronal pensaria duas vezes e tinha de ter bem claro a razão porque despedia o trabalhador. Porque no fundo é de vidas que falamos: atirar alguém para o desemprego (ainda por cima nos dias de hoje) não pode ser algo que é feito de animo leve e o subsidio de desemprego, assim como outros tipos de apoios, permitem que a pessoa vá “aguentando” as responsabilidades que assumiu enquanto estava empregado, quando tinha uma perspectiva mais duradoura do futuro.

      No meu caso pessoal (fui despedido porque “a minha vida familiar começava a ser um fardo para a empresa” onde trabalhava, dito assim ipsis verbis, dois meses depois de ter nascido o meu filho), eu tenho uma renda para pagar, tenho um filho para vestir, tenho 3 cães e 5 gatos que acolhi e a quem tenho de tratar, ajudo alguns familiares que estão em condições quase no limite da dignidade humana (devido às baixas reformas que auferem),isto sem contar com as obvias necessidades de alimentação, vestuario, etc. Sabe o que o subsidio de desemprego me permitiu? Permitiu que eu durante um periodo longo, enviasse mil e uma candidaturas a todo o sitio (a maioria sem resposta) e que procurasse paralelamente trabalho por conta própria (que estou em vias de conseguir de forma sustentada). Caso não tivesse esse apoio, o que faria (e eu tanto procurei trabalho qualificado como trabalho não-qualificado)? Provavelmente teria que ter deixado a minha casa e ir viver com familiares, provavelmente não teria condições para tratar os meus bichos (que fazer? abandoná-los? tentar dar animais que estão comigo, alguns, há mais de 10 anos?), restringir fortemente as minhas possibilidades de procurar um trabalho digno, etc, etc, etc…

      Por isso, sim, realmente escandalizo-me quando sou rotulado de parasita, não apenas pelo cartoonista de serviço, mas pelas declarações de governantes, jornalistas e comentadores – muitos deles que auferem rendas ridiculamente altas, que viveram sempre em redomas de vidro, que o drama do desemprego nunca lhes tocou e que sempre tiveram um amigo bem colocado para lhes dar um lugar de administrador numa empresa. Sim, escandalizo-me quando existe um sentimento de ódio social ao desempregado, uma tentativa de ostracização de quem já se vê isolado socialmente (o desemprego é na maior parte das vezes acompanhado de processos depressivos) e a criação de um bode expiatório para os problemas que o país atravessa.

      Já agora, e para rematar, os descontos que são feitos para a segurança social são para um bolo de aplicação pela segurança social (ou assim devia ser, não andasse a SS a ser desfalcada pelos governos PS/PSD/CDS – só para dar um exemplo com transferencias do OE que não correspondem nem de perto nem de longe à “divida” que o Governo central tem por conta dos seus trabalhadores), ou seja, pensões, subsidios (desemprego, maternidade, doença, etc) e outros apoios, não para a construção de hospitais ou outro tipo de redes que não seja a rede de apoio social, apenas para sermos um pouco mais claros. Relativamente aos descontos que as entidades patronais fazem, não é mais que a sua obrigação, muitas delas (e se está na área, sabe isso muito melhor do que eu) escapam a essa obrigação, burlando o estado e declarando salários abaixo dos praticados para assim poderem poupar no que é pago à SS, em horas extraordinarias, etc….

      Cumprimentos

      Rafael Fortes

      • Sofia diz:

        Rafael,

        Parabéns. Finalmente gostei de o ler. Agora sim, concordo com quase tudo o que disse. O que não concordei até agora foi com a forma como esta discussão estava a ser tida. Às vezes até temos ideias muito boas, mas que se perdem pela forma como levamos a discussão para caminhos que não interessam. Gostei de o ler e concordo com 99% do que disse.
        De facto há de tudo. Gente honesta e gente desonesta. Conheço patrões que se estão absolutamente nas tintas se tiverem que despedir e outros que chegam a limites impensáveis para muitos para não ter que despedir os seus colaboradores de anos. Há de tudo e não podemos generalizar.
        Infelizmente é os cartoons fazem. Generalizam (foi o que lhe tentei mostrar quando me referi logo no início ao estereótipo da loira burra), mas se a carapuça não nos serve acho que não deveríamos ficar tão indignados. Concordo que é escandaloso que governantes e outros em cargos de poder profiram determinadas palavras que choquem os desempregados. Concordo que é escandaloso porque acredito que a maioria não é parasita e porque acho que essas pessoas ocupam uma posição em que não se podem (ou não se devem) prestar a tais declarações infelizes. Concordo também que choca o tal ódio social ao desempregado (embora ache que com a infeliz subida do desemprego a estigmatização do desempregado está a diminuir, mas é apenas a minha opinião).
        O que não concordo é com o caminho que a discussão tomou. Acho que se prendeu muito ao cartoon e não acho que este mereça tamanha discussão.
        Falou nos animais. Eu própria já acolhi vários e faço voluntariado em associações de defesa de animais. Sabe do que já fui rotulada? De doidinha dos cães, de alguém que não consegue ter vida social e só convive com animais, de alguém que não gosta de pessoas e apenas de animais. Isto está muito longe da verdade… muito mesmo! Mas quando vejo esses rótulos não me indigno assim tanto porque sei que apenas estão a fazer algo que eu própria critico – generalizar (sim, há pessoas assim). As pessoas que fazem isso estão a ter as tais vistas curtas que critico. Estão a pensar apenas dentro do seu mundinho pequenino. Então vou ser como elas e revoltar-me e fazer um pé de vento por causa disso?
        Sinceramente, foi a única coisa com a qual não concordei. Acho o cartoon infeliz e sem piada rigorosamente nenhuma. Extremamente mal conseguido até. Simplesmente também acho que não merece esta discussão toda.

        Obrigada por finalmente explicar o que o indigna. Como vê até estamos de acordo. Apesar de não estar desempregada consigo compreender o que me diz e concordar quase na totalidade.

        • De diz:

          A conversa civilizada ajuda a desatar nós

          O conteúdo de alguns comentários não ajudou.A situação que se vive contribui para o clima presente.Não sentir o pulsar subterrâneo é não querer ver o que se passa.

          Da minha parte peço desculpa pela ira que trespassava as minhas palavras e que possam eventualmente ter sido ofensivas.

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          Quem não sente não é filho de boa gente, costuma dizer-se. E a verdade é que os desempregados, na sua maioria, estão fartos. Fartos do discurso de que não queremos trabalhar, farço do discurso do parasitismo, e acima de tudo, fartos, muito fartos de ser ostracizados pela sociedade. Continuando com a comparação das abelhas, se atiram pedras às colmeias, não se queixem da resposta. E só quem vive o desemprego de longo curso e vê o estatuto de desempregado promover-se a classe social lhe pode dizer o quão insultuoso é este cartoon. Não apenas por ser falso, mas por promover e perpetuar preconceitos.

          A questão de haver ou não emprego é relativa. Até acredito que há muito que fazer e trabalhar neste país, e não é por aí que vai o gato às filhoses, o mal está no aproveitamento que é feito por muitas empresas para, com o desespero da escassez de oferta, imporem critérios absolutamente vergonhosos aos trabalhadores e dizer que é pegar ao largar.

          Vamos com exemplos práticos: tenho sido seguido por um jornalista alemão que anda a reportar a realidade e o dia a dia dos desempregados portugueses. Chcou-se quando me acompanhou ao IEFP e viu que o boletim de ofertas de emprego se resumia a 6 ofertas. Uma para cabeleireiro, outra para copeiro, outra para cozinheiro, outra para operador especializado de maquinaria industrial, outra que já nem me recordo, e uma oferta para vendedor de porta a porta para o qual pediam, pasme-se, uma licenciatura em gestão. Era esta única a que pagava acima do salário mínimo.

          Ora, não sou licenciado em gestão, não sei operar empilhadoras, sei cozinhar bastante bem e faço uma excelente courgette à bráz, já para não falar em pratos de massa de encher o olho, mas não sou chefe de cozinha. Já agora e referindo o seu post anterior, não sei costurar, nem as minhas próprias roupas, embora para se costurar em capacidade profissional seja necessária a formação adequada. Tive as vantagens de nunca ter tido uma educação chauvinista e sei fazer as várias lides da casa, mas, confesso, costurar nunca aprendi a fazer. Mas que isso não seja menosprezo para as minhas habilitações. Uma licenciatura tirada e uma equivalência a licenciatura que me qualificam como bilingue; escrevo, se me permitir que ponha de parte a modéstia, bastante bem, e se o estiver a fazer de forma menos escorreita agora é por estar a “escrever de pena solta”; e já fui desde musico a jornalista, a pequeno empresário ( mesmo sem licenciatura em gestão), a trabalhador de call center onde me foi exigido tudo de mim e onde aprendi bem na pele a (des)valorização do trabalho, onde era pago 1/6 do que o meu trabalho rendia à empresa, onde as pessoas são contratadas e despedidas a bel prazer sem nunca, nunca passarem aos quadros ( e eu nunca passei, que ter alguém a efectivo sai caro quando esse alguém pode ser substituido por quem ganhe menos e possa sair a qualquer altura do “contrato à experiência”. 4 meses depois de ser não renovado pediram-me que voltasse. outra vez a contrato de 6 meses, claro. Recusei. Não por recear trabalhar, mas por recear o que seria de mim se não me valesse o amor próprio), onde as horas extraordinárias não eram pagas ou quando eram, eram em vales “brinde” descontáveis apenas nas empresas do grupo empresarial para o qual trabalhava ( se a ideia pega, a Jerónimo Martins começa a pagar em artigos de mercearia, que o princípio é o mesmo).

          Nesta realidade de (des)emprego, a procura de trabalho é procurar uma agulha no deserto. Faça a experiência, cara Sofia, todos os dias, abra o net empregos, e mais dois ou 3 sites e pesquise as ofertas, e diga-nos, quantas encontra que já nem digo que sejam na sua área, mas que são, efectivamente aceitáveis. O IEFP convocou-me 2 vezes, em 11 meses de desemprego, em que vivo com o mel de 415 € mensais (É só folia). Diga-se a seu favor que em ambos os casos as ofertas eram aliciantes e dentro da minha área de competências, mas porque do tempo que vai da carta em casa à convocatória se passou uma semana ( e bem que tentei saber qual a oferta pesquisando no site, ligando para linhas de apoio, contactando o IEFP pessoalmente – linha directa que nunca está ligada-, enviando mails… “só indo à convocatória” foi a resposta invariável), quando finalmente soube qual a oferta e me candidatei tão rapidamente quanto possível, já a vaga tinha sido preenchida. Entretanto, talvez para mostrar trabalho, fazem “experiências piloto” como a de encaminhar utentes do IEFP para empresas de trabalho temporário ( que ficam com uma percentagem dos salários dos trabalhadores, convém dizer), ou mais recentemente, incluir nas apresentações quinzenais ofertas de trabalho. Tinha 4 na minha última carta. Todas fora da cidade em que vivo ( Lisboa), todas pelo salário mínimo. Pegue-se em 485 €, subtraia-se os 75€ de encargos só em passes sociais ( que não há cá luxos como carros) para poder ir de Lisboa a Sintra. Vá lá que fui informado pela senhora do IEFP que “hoje em dia os transportes são muito bons”, de contrário julgaria que estão a gozar comigo. O engraçado é que ainda assim mandei currículo para trabalhar como lojista, a 90 minutos de minha casa (3 horas diárias só para deslocações), numa oferta fora da minha área e sem quaisquer regalias ( nem direito a fins de semana, turnos variáveis e “a combinar”), para no fim trazer para casa, 485€ dos quais um quinto vai para transportes.

          Não é trabalhar que é indigno, é a oferta que nos tentam fazer passar. Não se espante por isso, Sofia, se nos lê zangados. É que insultos já os sofremos no dia a dia, todos os dias, a cada CV sem resposta. Pressões já as temos para aceitar o que quer que seja, onde quer que seja, nem que seja a recibos verdes, embora os que de nós tenham consciência social saibam que o aceitar dessas ofertas é perpetuar uma cultura de exploração. Espante-se antes, que face a tanto treinador de bancada a mandar palpites sobre as nossas vidas ( que são feitas em condições que claramente os demais desconhecem), a nossa indignação se “limite” a isto.

          • Com a escassez de gente articulada & inteligente que há no mundo inteiro, só num país muito doente é que o Tiago não só não tem trabalho, como não tem empresas a fazer fila atrás dele. Saber pensar e escrever são, sem desprimor para a costura, qualidades cada vez mais raras – e a dignidade também.

          • De diz:

            Um espaço por baixo da posta da Morgada para eu assinar.
            Só de facto indo à luta por uma nova sociedade.

            (mais uma vez lapidar, caro Tiago

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          Uma adenda: Quando menciono que um quinto do salário seria para transportes, refiro-me a uma despesa que apenas contrairia se entrasse para esse emprego. Não me queixaria do passe para me deslocar pela cidade de Lisboa, mas vai uma grande diferença entre esse ponto e o ter de incorrer numa despesa adicional para trabalhar.

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          E já agora acrescento:

          Porque já tenho licenciaturas e acima de licenciaturas, não me é permitido ( é mesmo esse o termo) tirar um curso como chefe de cozinha, cabeleireiro, ou costureiro. Não será difícil tirar ilações de que nem é por orgulho ou snobismo que não se aceitam essas posições, mas porque quem as procura pretende quem saiba do assunto, para desempenhar as funções com competência. E não podemos.

          Tenho no entanto tirado cursos. E seguir-se-ão mais, desde revisão e edição de texto, a um CAP, formação profissional que me sai do bolso, e no caso deste último, tenho que a pagar ao próprio IEFP para a ter. Para depois poder ser formador no IEFP. Obviamente que a recibos verdes, e sem regalias sociais.

          E mais podia dizer, mas já me distendi que chegue. Mas a zanga é mesmo, mesmo muita.

    • Vasco diz:

      Quanto pagavam às costureiras?

      • Sofia diz:

        Não que ache que tem relevância para a questão, mas satisfaço a curiosidade.

        No caso concreto a que me referia a empresa paga o salário mínimo nacional (é o tabelado pelo CCT), mas paga a formação delas (porque se trata de um tipo especifico de costura), subsídio de refeição e oferece creche para os filhos das colaboradoras. O horário é cumprido, das 08h às 17h00 e as horas extra são negociadas e pagas (ou em bolsa de tempo que podem depois descontar ou em dinheiro). Trata-se de uma empresa situada no interior do país (onde os custos de habitação e transporte em nada se comparam com Lisboa – um T2 / T3 naquela zona tem uma renda mensal de cerca de 250€), numa zona com bastante desemprego.
        Ah! É uma empresa que dá constantemente programas de formação para os colaboradores (no ano passado por exemplo, muitas delas aprenderam inglês básico) o que, em minha opinião, é uma mais-valia para elas pois melhoram o seu currículo e oportunidades profissionais.

        As condições não são nada do outro mundo, mas sinceramente também não me parecem do pior. A empresa não passa, também ela por momentos fáceis (à semelhança de grande parte do nosso tecido empresarial) e vem de um processo de recuperação bem sucedido, que foi impulsionado precisamente pela actual administradora para que cerca de 100 pessoas não fossem, de repente e por culpa da anterior casa-mãe, para o desemprego.

        Chocou-me saber que tinham existido pessoas que literalmente lhes disseram que preferiam ir fazendo uns biscates enquanto tivessem o subsídio de desemprego… Ou seja, quando este acabasse logo se via. Chocou-me. Mas sou a primeira a dizer que não podemos generalizar e que acredito que grande parte dos desempregados não teriam esta atitude.

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          Esclareça-me: choca que alguém de fora da área não aceite essa oferta, ou que pessoas de outras zonas do país considerem que ter de fazer a sua deslocalização para um emprego de salário mínimo sem perspectivas de crescimento não é uma oferta adequada?

          É que nada contra a proposta, que me parece um bom recurso para quem viva na área. Mas se sugere que se deva fazer a deslocalização para longe da família, amigos, enfim de toda a nossa vida por um salário mínimo parece-me de facto não ter grande noção que se pede aí bastante a essa pessoa e entra-se um pouco na lógica do deputado do CDS que disse que os empregados da função pública que não gostassem da mobilidade tinham bom remédio, e rescindissem.

        • Tiago de Lemos Peixoto diz:

          E já agora, uma reflexão…

          Quão baixo têm de descer as condições de trabalho num país em que uma oferta que no fundo é o mínimo exigível (ou seja, sem desfeita ao dito patrão que pode ser bom ou mau, ao dar salário mínimo, horas extraordinárias e 8 horas de emprego diário está meramente a cumprir os mínimos exigidos por lei) se intitule como razoável ou seja apresentada como uma grande mais valia?

          • Sofia diz:

            Tiago, em 1º lugar esta empresa esta a oferecer mais do que o mínimo exigível. Perdoe-me a observação, mas está a olhar apenas para o salário quando a empresa oferece por exemplo uma creche (a maioria das pessoas que contratam têm filhos pequenos ou estão em idade de vir a ter). Sabe quanto custa a mensalidade de uma creche?

            Em 2º lugar concordo que não se justifica a deslocalização. Principalmente, porque como referi no meu post, a empresa está inserida numa zona de desemprego acentuado e as respostas que aqui relatei vieram de pessoas da zona…

            Acho que temos que ser realistas e não apenas criticar tudo o que aparece. Estamos a falar duma zona no interior do país, com bastante desemprego não qualificado, onde escasseiam ofertas de emprego (quaisquer que sejam) e onde o custo de vida é mais barato do que em Lisboa. Continuo a achar que não é a oferta que é má. Nesta história acho que o que é mau é a postura de quem preferiu ficar mais uns meses a receber subsídio e a fazer uns biscates. É uma visão a muito curto-prazo e uma postura nada proactiva. Mas repito, é apenas a minha opinião e não estou a generalizar a todos os desempregados.

  22. Pingback: Quem não quer ser picado foge das abelhas | cinco dias

  23. Pingback: Exige ao Expresso um pedido de desculpas pelo demagógico cartoon que classifica os desempregados de “parasitas” | República

  24. José Canelas diz:

    Jason Read (minha tradução):
    “Pessoas que descartam os desempregados e dependentes como ‘parasitas’ não compreenderam os conceitos nem de economia nem de parasitismo. Um parasita bem sucedido é aquele que não é reconhecido pelo seu hospedeiro, que consegue fazer o seu hospedeiro trabalhar para si sem aparecer como um fardo. Assim é a classe dominante na sociedade capitalista. ”
    http://www.usm.maine.edu/phi/how-professor-jason-read-became-internet-meme

  25. TheOldMan diz:

    Acho que o Código de Hamurabi ainda é justamente aplicável em certos casos.

    http://theoldman.blogspot.com/2012/03/facebook-expresso-os-parasitas-do.html

  26. Pingback: Rodrigo Cartoon, 5Dias, MSE… |

  27. Hugo diz:

    Que post tão imbecil. Por acaso não conhecem casos de pessoas que recebem o subsídio de desemprego e trabalham por fora ao mesmo tempo?
    Esses são os parasitas.

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