Coisas parvas de inspector

(…) a mudança de legislação, por imposição comunitária, em matéria energética e ambiental, representaram um sobrecusto entre 15% a 25% no total das empreitadas. E a um esforço energético duas a três vezes superior ao anterior, o que é preocupante e, contra o qual, a Parque Escolar já terá feito várias propostas. (…)

No relatório da IGF sobre a Parque Escolar nota-se uma visceral subserviência para com o poder actual e o cessante. Repare-se na prosa que destaco. O governo de Sócrates produziu legislação em barda na área da contrução, privilegiando o interesse privado perante o interesse público. No caso das questões energéticas e/ou ambientais – RSECE, os problemas da nossa legislação não decorrem de “imposição comunitária”, mas da cedência aos grupos de interesse, designadamente empresas de ar condicionado, que a Parque Escolar alegremente alimentou. O que os inspectores não escrevem, e deviam, é que a instalação e manutenção dos aparelhos de ar condicionado numa escola que deles não necessita custa mais do que as torneiras que dizem ser de “qualidade excessiva”, instaladas em 100 escolas.

 

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2 respostas a Coisas parvas de inspector

  1. Li com atenção o relatório e partilho algumas das tuas conclusões. O “caso” da questão energética é, sem dúvida, importante. Mas – deixo esta observação – penso que este tom não ajuda. Onde se presume uma “visceral subserviência para com o poder actual e o cessante”, pode ler-se, em alternativa, que não compete à IGF tirar conclusões sobre o RSECE. Concordo que as conclusões do relatório nesta matéria são muito deficientes mesmo; é mesmo um dos seus pontos mais débeis, mas não é da competência da IGF (jurídica, técnica) emitir parecer sobre as debilidades da legislação em vigor. Ponto.
    De resto, quanto à questão de fundo, de acordo. É uma legislação que tem ser revista urgentemente. E vamos tarde porque, em muitos casos – como no da Parque Escolar – o mal já está feito.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Daniel, sinto que o relatório faz de parvos, as centenas de profissionais que, na sua maioria, deu o seu melhor. Arruma questões de uma forma banal e bacoca. Mais, repara que não coloca nada que possa atingir o anterior ou o actual governo. Dou-te dois exemplos:

      1. Existem cerca de 70 escolas com estaleiro aberto e com a obra suspensa. Quem paga o estaleiro parado pela decisão política deste governo?

      2. A IGF não detectou nem uma única relação de proximidade, repetição e/ou familiaridade com alguns dos poderosos do anterior governo?

      Em tudo o mais estamos de acordo.

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