Oceanos de Amor

O Império português foi o império na história que mais usou e até mais mais tarde (1974) trabalho forçado. O apoio dos heróicos camponeses da Guiné, Moçambique e Angola aos movimentos de libertação crescia na brutalidade do trabalho forçado e na desigualdade salarial – que por ricochete alimentava os baixos salários na metrópole, que por seu turno congelava aí a mobilidade social dando um pontapé nos beirões, que iam deste modo para França e a Suíça, onde por sua vez pressionavam para baixo os salários locais. Oceanos de amor…

Salários industriais em Moçambique em 1969 (diários)

Brancos: 100 escudos no mínimo

Mulatos: 70 escudos no máximo

Africanos (semi-qualificados) 30 escudos

Africanos (não qualificados) 5 escudos

Fonte: Anuário Estatístico, vol. II, 1970, cit in Labour: forced or free? CFMAG Topics, nº1.

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7 respostas a Oceanos de Amor

  1. PP diz:

    Hoje em dia, os salários pagos em Portugal ainda sofrem de alguns destes desvios!
    Parabéns pelo excelente blog!
    Já vos adicionei à minha blogroll!
    Cumprimentos,
    PP

  2. xico diz:

    Tanta guerra, tanta morte, para quê? Nunca os brancos que vão da “metrópole” para África, viveram tão bem como agora. Os que lá ficaram continuam tão pobres como sempre foram. E as elites angolanas que se passeiam pelas montras de Lisboa são uma afronta aos heróis que morreram no campo de batalha. E os negros (não os das elites. Os outros)? Continuam tão explorados e tão “forçados” como sempre foram.
    Já agora, por falar em brancos, mulatos e africanos. Um negro nascido e criado na Amadora é o quê? Português? Europeu? ou Africano?

    • anónimo diz:

      “Tanta guerra, tanta morte, para quê?”

      Pergunte ao Oliveira Salazar (o que é difícil porque já morreu) e às elites portuguesas (o que é fácil uma vez que continuam a ser as mesmas) porque negaram a qualquer forma de auto-determinação dos países africanos.
      As elites angolanas não são diferentes de todas as outras elites. É um comportamento muito comum ao ser humano que abunda em qualquer lugar no mundo.
      Um negro que nascido e criado na Amadora é português, como é óbvio.

  3. JgMenos diz:

    Curioso verificar que só a qualificação dos negros (eufemísticamente chamados africanos) é mencionada.
    Na mesma época, é comparar o salário de um chefe de linha alemão para uma costureira (branca, por via das dúvidas) numa fábrica de confecções no Vale do Ave!
    Tudo são especificidades dos povos libertados para justificar as maiores tropelias; para os colonialistas impõe-se que tivessem leis CEE nos confins da África.
    Um exemplo de trabalho forçado: havia um imposto de palhota que era cobrado na época da colheita do algodão, de outro modo a colheita ficava por fazer. E por aí fora…

    • xico diz:

      Depois da indepêndencia de Moçambique o imposto de palhota continuou a ser cobrado. Agora não sei.
      Relacionar a questão salarial com o apoio dos camponeses à luta de libertação é desconhecer completamente África e o pensar do africano. É discutir os assuntos com preconceito ideológico.

  4. rfl diz:

    Se bem me lembro,a “graduação” era diferente:
    Branco
    Branco de 2ª
    Mulato
    Preto
    Indígena

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