Oliveirices.


Imigrantes negros enjaulados em jardim zoológico. E não, não é na Síria, a “ditadura mais brutal e sanguinária do mundo árabe”. É só a democracia líbia.

Há quem fique escandalizado com as imagens que publiquei, ontem, do exército sírio a ser vitoriado pela população nas ruas de Homs. Certamente, muitos prefeririam que tivesse seguido o diapasão das agências de notícias do imperialismo e não mostrasse que há um grande apoio popular ao regime sírio. São os que se dizem contra a intervenção estrangeira na Síria e contra as forças armadas ao serviço do regime. Se é certo que defendo reformas profundas para aquele país, também é certo que ao dizer que sou anti-imperialista estou a afirmar o direito daquele país a defender-se de qualquer agressão externa ou interna com o patrocínio dos Estados, Unidos União Europeia, Israel e Turquia. Que esperavam os que gostam de caminhar entre as gotas da chuva, que o exército não combatesse os grupos de mercenários e extremistas islâmicos?

Daniel Oliveira, que é um eminente comentador da praça pública, certamente porque nunca põe em causa o sistema, vem dizer que lhe causou náuseas ver-me defender “uma das mais brutais e sanguinárias ditaduras árabes”. Noutro comentário, no seu blogue, diz que é mesmo “o exército da mais brutal e sanguinária ditadura árabe”. Para Daniel Oliveira, que até se diz ateu e pelos direitos das mulheres, Arábia Saudita, Iémen e Afeganistão estão atrás da Síria. Mas pior mesmo é ver que Daniel Oliveira, que com o seu silêncio cúmplice abriu, com outros, o caminho à intervenção da NATO na Líbia, tenta agora camuflar a nova brutal e sanguinária ditadura árabe com sede em Tripoli. Dizia ele, num comentário, que é “internacionalista e pela autodeterminação dos povos”. E que, ao contrário de outros, é “coerente”. Não nos preocupemos. Coerência é com Daniel Oliveira. Afinal, é só o tipo que apoiou a ajuda externa à banca grega.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

56 Responses to Oliveirices.

Os comentários estão fechados.